5 – A PERCEPÇÃO DO DEUS CRIADOR NOS ÚLTIMOS DIAS

Reportando-me agora aos tempos em que estamos vivendo, deve ser ressaltado que, a partir de meados do século XIX, desenvolveu-se o Epicurismo Moderno, com a pregação da filosofia evolucionista gradativamente insinuada em todos os campos do saber e da atividade humanos. Torna-se claro que o objetivo básico dessa pregação é contrapor-se à percepção do Deus Criador que, como já destacado, apesar de também ter sido contraposta, não só esteve incorporada nas crenças das mais antigas civilizações e exposta e defendida por filósofos pagãos, como também revelada nas Escrituras.

Não seria surpresa, então, que no grande conflito entre o bem e o mal surgisse a tentativa de desmerecer a revelação dada na Bíblia sobre a atividade criadora de Deus, pois ao ser ela desacreditada ruiria um dos dois grandes pilares da pregação do Evangelho, levando também à ruína o segundo pilar interdependente.

E, de fato, essa tentativa surgiu de forma específica a partir da data histórico-profética de 1844, em que começa a pregação evolucionista na Biologia e na Geologia, daí se estendendo de forma abrangente aos demais campos da Ciência, visando solapar os fundamentos do segundo pilar. É particularmente notável, nesse sentido, a declaração de Charles Darwin na Introdução de seu livro “A Origem das Espécies”, transcrita a seguir:

Depois de cinco anos de um trabalho pertinaz, redigi algumas notas; em seguida, em 1844 (ênfase adicionada), resumi estas notas em forma de memória, onde indicava os resultados que me pareciam oferecer algum grau de probabilidade”. (13)

 

Charles Darwin – “A Origem das Espécies”

 

Certamente não por mera coincidência, é também a partir dessa mesma data que se inicia o maior movimento de restauração da verdade sobre o Deus Criador que em breve há de regenerar toda a Sua criação! Esse movimento foi prefigurado profeticamente no texto de Apocalipse 14:6-7:

Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, tribo, língua e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar e as fontes das águas.”

A propósito, deve ser destacado que “a hora de Seu juízo” citada nos versículos acima é um momento inequivocamente determinado, com precisão impressionante, da ordem de minutos, a partir de dados histórico-proféticos, cronológicos e astronômicos, como sendo um dia determinado no ano de 1844! (14)

A abrangência do conflito que se estabeleceu a partir de meados do século XIX em torno da pregação sobre o Deus Criador revelado nas Escrituras – cujas raízes. em particular, foram lançadas em 1844 – é algo que verdadeiramente nos deixa profundamente impressionados, e a esse respeito desejo ressaltar a aparente fortuita coincidência entre os acontecimentos profetizados e a realidade histórica vivida desde então.

Assim, no texto de Apocalipse 14:6-7 podem ser consideradas as seguintes palavras-chave que caracterizam os pontos altos referentes à percepção do Deus Criador e o Seu propósito redentor nos últimos dias da História deste nosso mundo:

  • Pregação do Evangelho Eterno

  • Hora de Seu Juízo

  • Adoração ao Criador

Semelhantemente, em contraposição a esse movimento de restauração da percepção do Deus Criador, passaram a entrar em cena modernamente também os seguintes eventos mais significativos (ilustrados com slides de palestra em power point proferida pelo Autor, intitulada “A Plenitude dos Tempos”):

  • O “Movimento Socialista” para a salvação do mundo – um novo “evangelho” em substituição ao Evangelho Eterno, caracterizado precipuamente nas publicações:

1847 – “O Capital” de Karl Marx, divulgando uma doutrina que se transforma em um novo “Evangelho” ateísta;

1848 – “Manifesto Comunista” de Marx e Engels, estabelecendo uma doutrina materialista baseada na evolução e na revolução sociais visando à “salvação” do mundo.

 


 

  • O “Movimento Espiritualista” para a salvação do mundo – evolução anímica em substituição ao juízo e morte vicária de Cristo,caracterizada exemplarmente nos acontecimentos:

1844 – Experiência espiritual de Andrew Jackson Davis, a partir da qual passa a ser introduzida a doutrina de reencarnações sucessivas para a evolução do ser humano, negando e substituindo a necessidade da regeneração do velho homem para receber a salvação pelos méritos de Cristo;

1844 – Manifestações espirituais em Hydesville, a partir das quais passa a ser introduzida a doutrina da evolução anímica em direção à perfeição, pelos méritos próprios, em substituição à salvação pela graça.

 


 

 

  • O “Movimento Evolucionista” para explicar a criação do mundo – evolução natural geológica ebiológica em substituição à criação e ao Criador revelados na Bíblia, caracterizado inicialmente nas publicações:

1844 – “Vestiges of the Natural History of Creation” de Robert Chambers introduzindo a doutrina da transformação das espécies, em substituição à criação das espécies;

1844 – “The Origin of Species” de Charles Darwin introduzindo a doutrina da evolução das espécies pela atuação da Seleção Natural, em substituição à criação original das espécies.

 


 

Não deixa de ser interessante que essas substituições da verdade revelada nos textos bíblicos, pelas diferentes doutrinas espúrias, sejam doutrinas ateístas, contra as quais, para os fieis adoradores de Deus se encontra o alerta dado em I Timóteo 4:1:

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e doutrinas de demônios.

Fica claro, também, que a razão e a urgência apontadas em Apocalipse 14:6-7 para ser dada glória a Deus se insere no contexto da moderna pregação sobre o Deus Criador a ser levada a todos os recantos da Terra, cumprindo a profecia de Mateus 24:14 sobre a pregação do Evangelho a todo o mundo, sob a perspectiva do Seu mérito, como também é ressaltado no texto de Apocalipse 4:11:

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas Tu criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram a existir e foram criadas.

E para finalizar este apanhado geral, não posso deixar de citar as seguintes passagens bíblicas:

  • Apocalipse 10:5-6 – Então o anjo que vi em pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu e jurou por Aquele que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá demora.

  • S. Lucas 21:28 – Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.

Que privilégio sermos arautos dessa verdade “uma vez entregue aos santos” (Judas v. 3)