2 – IMPACTOS DA PERCEPÇÃO DO DEUS CRIADOR EM MINHA VIDA

Dada a influência da educação secular sobre minha mente no decorrer dos anos da formação escolar até o início da carreira universitária, quando então comecei a me familiarizar com a mensagem da salvação revelada na Bíblia, senti vários impactos, que gradativamente me levaram a mudar minha concepção de mundo.

Os primeiros impactos foram de natureza histórica. O estudo das profecias apontava indubitavelmente para Cristo como o Messias prefigurado nas Escrituras, e de maneira particular revelado na cadeia profética do Livro de Daniel, capítulos 8 e 9, interligada com notáveis acontecimentos pertinentes relatados na história antiga.

Em seguida, mas na realidade paralelamente, ocorreram impactos de natureza científica, pois o estudo do relato da Criação apontava também indubitavelmente para uma semana literal, em intima conexão com a observância do sábado, como memorial dessa fantástica obra criadora. E, da mesma forma, o relato do Dilúvio indubitavelmente apontava para uma catástrofe de extensão mundial.

Entretanto, embora os impactos de natureza histórica tivessem exercido notável papel para a consolidação da minha fé em Cristo como o Salvador e no plano divino para a restauração de todas as coisas, em meu íntimo os impactos de natureza científica a respeito da Criação e do Dilúvio permaneciam exigindo ainda alguma explicação adicional.

Em resumo, era tão somente pela fé que eu podia entender que “foi o Universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem” (Hebreus 11:3), e que, “de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus, pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água” (II Pedro 3:5-6).

Não obstante, sem minimizar a importância da fé para a aceitação daquilo que não foi revelado, eu sentia a necessidade de me apoiar também em evidências e argumentação científica para fazer face ao ceticismo de meus colegas de estudo na Universidade quanto a esses dois eventos tão significativos no contexto dos planos de Deus – A Criação e o Dilúvio.

Dentro deste panorama, preocupava-me a questão de como teria ocorrido, no decorrer do tempo, a degradação e a deturpação da verdade inicialmente transmitida pelo próprio Criador ao homem, mantida pelos patriarcas da linhagem de Abel até Noé e Abraão e posteriormente incorporada na revelação das Escrituras Sagradas.

Deixando a questão do Dilúvio para outra oportunidade, pretendo aqui trazer subsídios para evidenciar a continuidade da percepção de um Deus Criador no decorrer do tempo, não obstante a degradação e deturpação dessa percepção. Em síntese, as evidências a favor da percepção desse Deus Criador giram em torno do conflito entre duas posições antagônicas para a explicação da natureza ao nosso redor – a que defende o planejamento decorrente de desígnio e propósito de um Ser Criador, e a que defende simplesmente a atuação de um acaso cego.

Esta segunda posição passou hoje a ser dominante nos meios de comunicação e no sistema educacional secular, os quais cada vez mais intensamente continuam a contribuir para a degradação e a deturpação da revelação dada pelo Criador, influindo especialmente na (má) formação das gerações mais novas.

Passarei, assim, a tecer algumas considerações a respeito da preservação da percepção desse Deus Criador no decorrer da história antiga e na pregação cristã desde os tempos apostólicos até os nossos dias atuais.