{"id":676,"date":"1994-10-22T00:46:04","date_gmt":"1994-10-22T02:46:04","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/?p=676"},"modified":"2022-10-27T00:08:24","modified_gmt":"2022-10-27T03:08:24","slug":"dias-literais-ou-periodos-de-tempo-figurados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/artigos\/dias-literais-ou-periodos-de-tempo-figurados\/","title":{"rendered":"Dias Literais ou Per\u00edodos de Tempo Figurados?"},"content":{"rendered":"<table class=\"textopreto\" border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"texto\" valign=\"TOP\">\n<p class=\"articleTitle\"><b>I. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas o destaque crescente que tem sido dado ao criacionismo, \u00e0 \u201cci\u00eancia criacionista\u201d (1), \u00e0 \u201cci\u00eancia das origens\u201d (2), e \u00e0 \u201cci\u00eancia te\u00edsta\u201d (3), tem criado um clima em que perguntas antigas t\u00eam surgido com enfoques espec\u00edficos e nova sofistica\u00e7\u00e3o. Uma delas refere-se ao significado que se d\u00e1 ao termo \u201cdia\u201d nos primeiros cap\u00edtulos de G\u00eanesis.<\/p>\n<div align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-668 alignnone\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/7dias-1.jpg\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/7dias-1.jpg 490w, https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/7dias-1-300x61.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 490px) 100vw, 490px\" \/><\/div>\n<p>A natureza do relato da cria\u00e7\u00e3o com os seus seis \u201cdias\u201d (G\u00eanesis 1:5-31) seguidos do \u201cs\u00e9timo dia\u201d (G\u00eanesis 2:2-3) \u00e9 de interesse especial, porque costumeiramente esse per\u00edodo \u00e9 entendido como significando o curto lapso de uma semana literal. Com base na moderna teoria da evolu\u00e7\u00e3o natural, tem sido questionado esse curto intervalo de tempo apresentado no relato b\u00edblico da cria\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um contraste entre o curto per\u00edodo de tempo do relato da cria\u00e7\u00e3o e as longas eras exigidas pela evolu\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>Este artigo tentar\u00e1 desincumbir-se de v\u00e1rias tarefas interrelacionadas:<\/p>\n<p>1. Prover algumas observa\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas, com um breve hist\u00f3rico da interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica pertinente;<\/p>\n<p>2. Citar opini\u00f5es representativas recentemente publicadas sugerindo que os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o constituem longos per\u00edodos de tempo, ou \u00e9pocas, e n\u00e3o dias literais de vinte e quatro horas;<\/p>\n<p>3. Apresentar os dados encontrados em G\u00eanesis 1 no seu relacionamento com outros dados do Velho Testamento; e<\/p>\n<p>4. Aplicar na an\u00e1lise dos dados de G\u00eanesis 1 a metodologia usual das pesquisas ling\u00fc\u00edsticas e sem\u00e2nticas, levando em conta o mais apurado conhecimento atual.<\/p>\n<p><b>II. OBSERVA\u00c7\u00d5ES METODOL\u00d3GICAS E A HIST\u00d3RIA DA INTERPRETA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>O conhecimento de certos aspectos da hist\u00f3ria da interpreta\u00e7\u00e3o dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o de G\u00eanesis 1 pode ser de utilidade dentro da perspectiva da metodologia usada para a interpreta\u00e7\u00e3o. A informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ajuda o int\u00e9rprete moderno a reconhecer que n\u00e3o \u00e9 correto sugerir que s\u00f3mente ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de \u201cA Origem das Esp\u00e9cies\u201d, de Charles Darwin, em 1859, \u00e9 que os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o tivessem passado a ser considerados como per\u00edodos de tempo n\u00e3o literais. Houve raz\u00f5es extra-b\u00edblicas anteriores que levaram alguns int\u00e9rpretes a se afastar do significado literal dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">1. Algumas interpreta\u00e7\u00f5es medievais dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>Or\u00edgenes de Alexandria, um dos Pais da Igreja (* c. 185 A.D., + c. 254 A.D.), defensor e praticante do m\u00e9todo aleg\u00f3rico de interpreta\u00e7\u00e3o (4), \u00e9 considerado como o primeiro a entender os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o no sentido aleg\u00f3rico, e n\u00e3o literal (5).<\/p>\n<p>Agostinho (* 354 A.D., + 430 A.D.), o mais famoso dos Pais da Igreja latinos, acompanhou a Or\u00edgenes na argumenta\u00e7\u00e3o de que os \u201cdias\u201d devem ser entendidos como aleg\u00f3ricos, e n\u00e3o literais (6). Entende-se que Agostinho ensinava que Deus criou o mundo num s\u00f3 instante imediato.<\/p>\n<p>Conv\u00eam aqui algumas considera\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas. Nem Agostinho nem Or\u00edgenes tinham em mente qualquer conceito evolucionista. Eles consideravam os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o como n\u00e3o literais com base em algo distinto &#8211; era obriga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica atribuir a Deus atividade criadora sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o tempo humano. Como os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o se relacionam com Deus, argumentava-se que esses \u201cdias\u201d tinham de ser representativos de no\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas associadas a Deus, tomadas nas suas respectivas perspectivas.<\/p>\n<p>Na filosofia grega Deus \u00e9 intemporal. Como os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o incorporam-se \u00e0 atividade divina, supunha-se que eles tamb\u00e9m deviam ser entendidos num sentido n\u00e3o temporal. O pensamento de Or\u00edgenes e de Agostinho havia sido influenciado pela filosofia grega, e n\u00e3o por especula\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que pudessem levar a uma reinterpreta\u00e7\u00e3o dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta abordagem tem em comum com as tentativas modernas que tamb\u00e9m tomam os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o como significando algo distinto do que a sua acep\u00e7\u00e3o literal indica, o fato de que ambas baseiam-se em influ\u00eancias externas ao pr\u00f3prio texto b\u00edblico. Os te\u00f3logos medievais que tomaram os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o como n\u00e3o literais basearam-se em modos de pensar da filosofia pag\u00e3, extra-b\u00edblicos.<\/p>\n<p>Existe hoje tamb\u00e9m outra influ\u00eancia extra-b\u00edblica que induz os int\u00e9rpretes a alterar o que parece ser o claro significado dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma hip\u00f3tese cient\u00edfica baseada num ponto de vista natural\u00edstico, a moderna teoria da evolu\u00e7\u00e3o, que tem impulsionado essa altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pensamento dos te\u00f3logos cat\u00f3licos medievais foi influenciado pelo m\u00e9todo aleg\u00f3rico alexandrino de interpreta\u00e7\u00e3o. Nos tempos medievais (7) foi adotado, e ainda encontra apoio no catolicismo romano atual, o sentido qu\u00e1druplo das Escrituras (8). Os tr\u00eas sentidos n\u00e3o literais dessa interpreta\u00e7\u00e3o qu\u00e1drupla das Escrituras (a saber, alegoria, anagogia, tropologia) destacaram-se e mantiveram import\u00e2ncia fundamental por mais de um mil\u00eanio na Cristandade, provendo a base hermen\u00eautica para a reinterpreta\u00e7\u00e3o do sentido literal dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">2. O entendimento dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o pela Reforma<\/span><\/p>\n<p>Os Reformadores do d\u00e9cimo-sexto s\u00e9culo concordaram em que o sentido qu\u00e1druplo da interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras comprometia o significado literal da B\u00edblia, tornando nula e vazia a sua autoridade quanto \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 vida. Insistiram os Reformadores que o \u00fanico e verdadeiro sentido das Escrituras \u00e9 o literal, o significado claro e direto do texto.<\/p>\n<p>Uma das principais conquistas da Reforma Protestante foi o retorno \u00e0s Escrituras. Isto significou que as Escrituras n\u00e3o necessitam de uma chave externa para a sua interpreta\u00e7\u00e3o &#8211; seja ela o Papa, os conc\u00edlios da igreja, a filosofia, ou qualquer outra autoridade humana. A clareza e a lucidez tornaram-se norma; a leitura a partir do seu pr\u00f3prio contexto tornou-se fundamental. Conceitos externos n\u00e3o lhe deviam ser sobrepostos, como se tornara pr\u00e1tica no catolicismo medieval. A B\u00edblia tinha de ser lida no seu sentido literal e gramatical (9).<\/p>\n<p>Martinho Lutero, consistentemente, defendeu a interpreta\u00e7\u00e3o literal do relato da cria\u00e7\u00e3o: \u201cAfirmamos que Mois\u00e9s falou no sentido literal, e n\u00e3o aleg\u00f3rica ou figurativamente, isto \u00e9, que o mundo, com todas as suas criaturas, foi criado em seis dias, como se l\u00ea no texto\u201d (10). Tamb\u00e9m os outros Reformadores entendiam os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o da mesma forma.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o literal e gramatical, conhecida na hist\u00f3ria da Hermen\u00eautica como o m\u00e9todo hist\u00f3rico-gramatical, foi a norma da interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica mais ou menos at\u00e9 o s\u00e9culo dezenove (11).<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">3. Mudan\u00e7as sob a influ\u00eancia do Modernismo<\/span><\/p>\n<p>\u00c0 medida em que o conceito de longos per\u00edodos de tempo se infiltrava na explica\u00e7\u00e3o das origens da Terra, a partir das publica\u00e7\u00f5es de James Hutton (* 1726, + 1797) e Charles Lyell (* 1797, + 1875), alguns int\u00e9rpretes crist\u00e3os, seguindo uma linha de concilia\u00e7\u00e3o, come\u00e7aram a reinterpretar os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o de forma n\u00e3o literal. O impulso nessa dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encontrava na pr\u00f3pria B\u00edblia, mas numa nova vis\u00e3o de mundo que estava a desenvolver-se com base no conceito uniformista, e na resultante concep\u00e7\u00e3o das origens demandando longos intervalos de tempo.<\/p>\n<p>O entendimento dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o como sendo \u201cdias de restaura\u00e7\u00e3o\u201d (12), \u201cdias de revela\u00e7\u00e3o\u201d (13), al\u00e9m de considerar um \u201cdia\u201d como uma \u201c\u00e9poca\u201d (teoria do \u201cdia-\u00e9poca\u201d) ou como uma \u201c\u00e9poca\/era\u201d (14) remonta a esse tempo, da mesma forma que as mudan\u00e7as de cronologia exigidas pela nova Geologia. A abordagem de uma reinterpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o literal dos \u201cdias\u201d foi t\u00edpica dos que seguiam uma linha de concilia\u00e7\u00e3o, chamados de \u201cconcordistas\u201d, que passaram a aceitar longos intervalos de tempo para a origem da Terra (15). Tendo em vista essas altera\u00e7\u00f5es, \u00e9 inevit\u00e1vel concluir que as influ\u00eancias externas exercidas por uma nova compreens\u00e3o das idades geol\u00f3gicas tornaram-se o catalisador para a reinterpreta\u00e7\u00e3o dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">4. Altera\u00e7\u00f5es recentes na interpreta\u00e7\u00e3o dos \u201cConcordistas\u201d<\/span><\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada os \u201cconcordistas\u201d, ou conciliadores liberais, t\u00eam tentado interpretar cada vez mais os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o relatada em G\u00eanesis de maneiras n\u00e3o literais, para fazer concordar as longas eras explicitadas pela teoria evolucionista com as implica\u00e7\u00f5es cronol\u00f3gicas do relato b\u00edblico da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um fato reconhecido que a longa e controvertida hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o ocasionou seu impacto no atual entendimento da B\u00edblia (16). Provavelmente o exemplo mais c\u00e9lebre disso tenha sido a mudan\u00e7a do ponto de vista geoc\u00eantrico para o helioc\u00eantrico (17).<\/p>\n<p>O sistema ptolomaico, n\u00e3o crist\u00e3o, havia sido adotado pelos te\u00f3logos medievais tanto como sendo o ponto de vista crist\u00e3o correto, quanto sendo b\u00edblico, para a compreens\u00e3o de nosso planeta. A Terra era concebida como o centro do sistema solar, e freq\u00fcentemente tamb\u00e9m do universo. Estabeleceu-se um enorme dilema quando o sistema helioc\u00eantrico de Cop\u00e9rnico tornou-se proeminente e aparentemente irrefut\u00e1vel.<\/p>\n<p>De um ponto de vista metodol\u00f3gico, o modelo interpretativo que os cientistas operam para a interpreta\u00e7\u00e3o dos dados observados na natureza predeterminar\u00e1 em grande grau os resultados a serem obtidos, o mesmo acontecendo com o significado dos dados provenientes de fontes n\u00e3o naturais, dentre as quais se insere a B\u00edblia. \u00c9 reconhecido, de maneira geral que as \u201cteorias cient\u00edficas afetam, sem d\u00favida, a interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica pelo menos \u00e0 medida em que elas abrem a oportunidade para a reavalia\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o de algumas passagens (G\u00eanesis 1-2; 6-8)\u201d (18). A quest\u00e3o decisiva que surge ent\u00e3o \u00e9 se essa reavalia\u00e7\u00e3o vai configurar ou n\u00e3o uma imposi\u00e7\u00e3o ao texto b\u00edblico a ser feita pelos \u201cconcordistas\u201d ou outros &#8211; imposi\u00e7\u00e3o de um significado alheio ao que se encontra nas Escrituras dentro de seu pr\u00f3prio contexto.<\/p>\n<p>Pelo menos duas principais op\u00e7\u00f5es parecem apresentar-se ent\u00e3o:<\/p>\n<p>1. A reavalia\u00e7\u00e3o com base nas conclus\u00f5es \u201ccient\u00edficas\u201d poderia levar a uma interpreta\u00e7\u00e3o dos textos b\u00edblicos que seja permiss\u00edvel dentro da estrutura conceitual do contexto e da inten\u00e7\u00e3o da totalidade das Escrituras. Nesse caso a reavalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o colide com as normas internas de coes\u00e3o e unidade das Escrituras.<\/p>\n<p>2. A reavalia\u00e7\u00e3o de um texto b\u00edblico poderia tamb\u00e9m levar a uma conclus\u00e3o referente ao significado espec\u00edfico desse texto em discord\u00e2ncia com aquilo que certa hip\u00f3tese cient\u00edfica aceita atualmente. Para aqueles que aceitam a autoridade b\u00edblica plena isso deveria levar ao reexame da conclus\u00e3o resultante da interpreta\u00e7\u00e3o dos dados provenientes da natureza obtidos pelos cientistas. Neste caso, isso por sua vez poder\u00e1 atingir a pr\u00f3pria teoria cient\u00edfica, ou at\u00e9 mesmo a ci\u00eancia em seu todo, \u201cpelo menos levando-nos a reavaliar se todas as conclus\u00f5es tiradas de uma teoria cient\u00edfica s\u00e3o fidedignas, ou em alguns casos indagar se toda a teoria est\u00e1 sob suspei\u00e7\u00e3o\u201d (19).<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">5. A autoridade inerente das Escrituras<\/span><\/p>\n<p>Alguns t\u00eam aceito a id\u00e9ia de que uma teoria cient\u00edfica, pela sua pr\u00f3pria natureza, e pela abrang\u00eancia de sua aceita\u00e7\u00e3o, tem prioridade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Escrituras (20). Est\u00e1 muito al\u00e9m dos limites deste artigo desvendar a complexidade dessa quest\u00e3o. Bastar\u00e1 dizer que, se as Escrituras s\u00e3o entendidas como resultado da revela\u00e7\u00e3o divina, e escritas de maneira inspirada, elas deveriam ter uma dimens\u00e3o de autoridade n\u00e3o encontrada no livro da natureza. Com base nessa dimens\u00e3o de autoridade superior, as Escrituras podem auxiliar na interpreta\u00e7\u00e3o do livro da natureza, provendo um modelo de interpreta\u00e7\u00e3o mais abrangente do que poderia ser esperado de um modelo puramente natural\u00edstico.<\/p>\n<p>Se as Escrituras devem manter sua integridade pr\u00f3pria, dificilmente poder\u00e3o ser interpretadas de forma a se acomodarem, a todo o momento, a altera\u00e7\u00f5es que derivem da ci\u00eancia, da sociologia, da hist\u00f3ria, etc. As Escrituras, baseadas em sua pr\u00f3pria natureza e autoridade, incorporam sua pr\u00f3pria integridade quanto ao seu sentido e seus reclamos de verdade inerente. Isto se torna cada vez mais claro a partir de um estudo cuidadoso da B\u00edblia com s\u00f3lidos m\u00e9todos de interpreta\u00e7\u00e3o que se harmonizam e se fundamentam no testemunho das pr\u00f3prias Escrituras. Isto implica que a autoridade das Escrituras reside nelas mesmas, e baseia-se na revela\u00e7\u00e3o e na inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A auto-sufici\u00eancia das Escrituras, de que falamos, n\u00e3o significa que qualquer quest\u00e3o levantada a partir de outras \u00e1reas de investiga\u00e7\u00e3o, tais como a ci\u00eancia, a hist\u00f3ria, a sociologia, etc. n\u00e3o possa ser discutida com refer\u00eancia \u00e0s Escrituras. Existe, entretanto, uma enorme diferen\u00e7a entre perscrutar novas quest\u00f5es referentes \u00e0s Escrituras e impor novos significados ao texto b\u00edblico.<\/p>\n<p><b>III. INTERPRETA\u00c7\u00d5ES FIGURATIVAS DOS \u201cDIAS\u201d DA CRIA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p class=\"txtazulneg\">1. Argumentos representativos a favor de longas \u00e9pocas<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito claramente expresso das tentativas atuais de interpretar os \u201cdias\u201d de G\u00eanesis 1 em termos outros que n\u00e3o literais freq\u00fcentemente \u00e9 exposto tamb\u00e9m de forma bastante clara. Algumas cita\u00e7\u00f5es de respeitados estudiosos falar\u00e3o por si mesmas.<\/p>\n<p>O erudito brit\u00e2nico John C. L. Gibson argumenta que G\u00eanesis 1 deve ser tomado como uma \u201cmet\u00e1fora\u201d (21), \u201chist\u00f3ria\u201d, ou \u201cpar\u00e1bola\u201d (22), e n\u00e3o como um registro direto dos acontecimentos da cria\u00e7\u00e3o. Escreveu ele em seu coment\u00e1rio sobre G\u00eanesis, de 1981:<\/p>\n<p>\u201c&#8230; Se entendermos \u201cdia\u201d como equivalente a \u201c\u00e9poca\u201d ou \u201cera\u201d, poderemos p\u00f4r a seq\u00fc\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o, apresentada no cap\u00edtulo 1, em conex\u00e3o com os relatos da moderna teoria da evolu\u00e7\u00e3o, e assim caminhar um pouco no sentido da recupera\u00e7\u00e3o da reputa\u00e7\u00e3o da B\u00edblia em nossa era cient\u00edfica &#8230; Tanto quanto este argumento inicie uma tentativa de ultrapassar o sentido literal, atribuindo \u00e0 semana da cria\u00e7\u00e3o o sentido de uma par\u00e1bola, com uma dura\u00e7\u00e3o muito mais extensa, isso ser\u00e1 digno de elogios.\u201d (23)<\/p>\n<p>Em 1983 o comentarista alem\u00e3o Hansj\u00f6rg Br\u00e4umer afirmou:<\/p>\n<p>\u201cO \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o que \u00e9 descrito como contendo \u201cmanh\u00e3 e tarde\u201d (sic) n\u00e3o \u00e9 uma unidade de tempo que possa ser determinada com um rel\u00f3gio. \u00c9 um dia divino no qual mil anos s\u00e3o como o dia de ontem (Salmo 90:4, margem). O dia primeiro da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um dia divino. N\u00e3o pode ser um dia terrestre, pois ainda est\u00e1 faltando a medida do tempo, o Sol. N\u00e3o ocasionar\u00e1 nenhum dano ao relato da cria\u00e7\u00e3o, portanto, entend\u00ea-la dentro do ritmo de milh\u00f5es de anos\u201d (24).<\/p>\n<p>D. Stuart Briscoe, criacionista \u201cprogressista\u201d americano, aborda o assunto em seu coment\u00e1rio sobre G\u00eanesis, da mesma forma:<\/p>\n<p>\u201cO naturalista fala convincentemente em termos de milh\u00f5es de anos e eras evolutivas, enquanto o crente na B\u00edblia olha para os seis dias e fica perplexo, sem saber o que fazer &#8230; N\u00e3o \u00e9 absolutamente irrazo\u00e1vel crer que \u201cdia\u201d (em Hebraico y\u00f4m), que pode ser traduzido literalmente como \u201cper\u00edodo\u201d, refira-se n\u00e3o a dias literais, mas a eras e \u00e9pocas em que a obra criadora de Deus estava sendo realizada.\u201d (25)<\/p>\n<p>Explica\u00e7\u00f5es desse tipo podem ser multiplicadas e prov\u00eaem de estudiosos que militam no campo dos \u201cconcordistas\u201d. Mais precisamente, pertencem eles ao ramo dos \u201cconcordistas abrangentes\u201d, que em tempos recentes associaram-se ao criacionismo \u201cprogressista\u201d (26).<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">2. An\u00e1lise e avalia\u00e7\u00e3o de Salmo 90:4 e de II Pedro 3:8<\/span><\/p>\n<p>Comecemos considerando Salmo 90:4. Esta passagem tem sido invocada com freq\u00fc\u00eancia para indicar que os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o literais, mas representam per\u00edodos, \u00e9pocas, ou idades na cronologia.<\/p>\n<p>Reza o texto: \u201cPois mil anos, aos Teus olhos, s\u00e3o como o dia de ontem que se foi, e como a vig\u00edlia da noite\u201d (27). De interesse imediato \u00e9 a compara\u00e7\u00e3o do longo per\u00edodo de tempo de mil anos com t\u00e3o somente o dia de ontem e a vig\u00edlia da noite. Esta passagem das Escrituras cont\u00e9m uma part\u00edcula comparativa no original hebraico, para fazer a compara\u00e7\u00e3o entre os mil anos e \u201contem\u201d, e a \u201cvig\u00edlia\u201d. A part\u00edcula comparativa, em Portugu\u00eas, foi traduzida por \u201ccomo\u201d.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da sintaxe hebraica essa part\u00edcula comparativa refere-se n\u00e3o somente \u00e0 express\u00e3o \u201cdia de ontem\u201d, mas tamb\u00e9m \u00e0 express\u00e3o \u201cvig\u00edlia da noite\u201d. Ela aplica-se a ambas as frases. Isto demonstra que a compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 entre um \u201cdia\u201d ser igual a mil anos. Mil anos com Deus s\u00e3o como ontem, isto \u00e9, o dia que passou, ou como a \u201cvig\u00edlia da noite\u201d, que \u00e9 um per\u00edodo de tempo menor mesmo do que \u201contem\u201d. O ponto fundamental \u00e9 que Deus computa o tempo de maneira distinta dos seres humanos.<\/p>\n<p>G\u00eanesis 1 n\u00e3o est\u00e1 interessado em mostrar como Deus calcula o tempo. O contexto da cria\u00e7\u00e3o em G\u00eanesis fala de \u201cdias\u201d no sentido do tempo da cria\u00e7\u00e3o durante o qual Deus criou este mundo, e pelo qual estabeleceu Ele o ritmo do ciclo semanal de contagem do tempo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, em G\u00eanesis 1 falta qualquer part\u00edcula comparativa semelhante a \u201ccomo\u201d, em conex\u00e3o com o uso do termo \u201cdia\u201d. A falta de uma express\u00e3o hebraica comparativa, em G\u00eanesis 1, seja relativa ao termo \u201cdia\u201d, seja relativa \u00e0 express\u00e3o \u201ctarde e manh\u00e3\u201d, indica que n\u00e3o se pretende compara\u00e7\u00e3o alguma. Compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o problema de G\u00eanesis 1. O problema \u00e9 a extens\u00e3o de tempo que Deus usa para criar o mundo, e se esse per\u00edodo de tempo \u00e9 ou n\u00e3o id\u00eantico \u00e0 semana de sete dias que estabeleceu o ritmo para o tempo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>A partir de pontos de vista contextuais, bem como de sem\u00e2ntica e de sintaxe gramatical, a aplica\u00e7\u00e3o de Salmo 90:4 a G\u00eanesis 1 n\u00e3o tem cabimento. Crit\u00e9rios adequados de compara\u00e7\u00e3o, tanto ling\u00fc\u00edsticos como fraseol\u00f3gicos, inexistem no caso. As pessoas que ligam entre si os dois textos n\u00e3o apresentam sensibilidade a quaisquer crit\u00e9rios contextuais ling\u00fc\u00edsticos e fraseol\u00f3gicos. Fica a impress\u00e3o de que as pessoas que comparam os \u201cdias\u201d de G\u00eanesis 1 com o \u201contem\u201d e a \u201cvig\u00edlia\u201d, ou os mil anos da escala de tempo divina, est\u00e3o \u201ccomparando laranjas com bananas\u201d.<\/p>\n<p>Outro tipo de obje\u00e7\u00e3o tem sido levantado ao se considerarem os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o como longos per\u00edodos de tempo: se tiv\u00e9ssemos de entender \u201co sexto dia como a sexta \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o, isso abriria a porta \u00e0 exist\u00eancia de algum tipo pre-ad\u00e2mico de homo (sic) sapiens\u201d (28). Em outras palavras, a substitui\u00e7\u00e3o de \u201cdia\u201d literal por longas eras colide com a vis\u00e3o de Ad\u00e3o e Eva como os primeiros seres humanos que Deus criou sobre a Terra.<\/p>\n<p>Uma terceira dificuldade relaciona-se com o fato de que o Salmo 90 n\u00e3o \u00e9 um Salmo que versa sobre a cria\u00e7\u00e3o. Contextualmente, o Salmo 90 n\u00e3o aborda o t\u00f3pico referente a como Deus encara os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o, mas sim como os seres humanos devem encarar o tempo quando posto em compara\u00e7\u00e3o com a eternidade de Deus. Em Portugu\u00eas h\u00e1 uma palavra para essa compara\u00e7\u00e3o, \u201contem\u201d. E \u201contem\u201d no Salmo 90:4 est\u00e1 em paralelismo com a express\u00e3o \u201cvig\u00edlia da noite\u201d, isto \u00e9, um intervalo de tempo bastante mais curto. Isso significa que os mil anos n\u00e3o est\u00e3o sendo comparados simplesmente com um dia, mas com um intervalo de tempo mais curto.<\/p>\n<p>Em resumo, Salmo 90:4 n\u00e3o define o significado do que \u00e9 designado como \u201cdia\u201dem G\u00eanesis 1. Em face dos problemas citados, e de outras dificuldades existentes (29), n\u00e3o se deve surpreender com o fato de que muitos que normalmente aceitam a \u201cteoria do dia\/\u00e9poca\u201d como solu\u00e7\u00e3o para a contraposi\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o, evitam de fazer refer\u00eancia a Salmo 90:4. Esse texto, quando lido em seus devidos termos, nada tem a ver com a extens\u00e3o dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segunda Ep\u00edstola de S. Pedro 3:8<\/p>\n<p>Os \u201cconcordistas abrangentes\u201d tamb\u00e9m t\u00eam usado a segunda ep\u00edstola de S. Pedro, cap\u00edtulo 3, vers\u00edculo 8 (\u201cpara com o Senhor, um dia \u00e9 como mil anos &#8230;\u201d) para apoiar a teoria do dia\/\u00e9poca. Isso tem sido considerado por alguns como uma esp\u00e9cie de equival\u00eancia matem\u00e1tica \u201cb\u00edblica\u201d, igualando literalmente um dia a mil anos. Outros t\u00eam considerado os mil anos como significando um longo per\u00edodo, uma \u00e9poca, ou algo semelhante. Neste caso, argumenta-se que \u201cum dia \u00e9 igual a um longo per\u00edodo de tempo\u201d, ou \u201cum dia \u00e9 igual a uma \u00e9poca\u201d.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m assinalar que os que invocam este texto desta forma deparam-se com v\u00e1rios problemas importantes:<\/p>\n<p>1) II S. Pedro 3:8 n\u00e3o apresenta nenhum contexto criacionista;<\/p>\n<p>2) II S. Pedro 3:8 incorpora uma part\u00edcula comparativa que n\u00e3o consta no texto de G\u00eanesis 1;<\/p>\n<p>3) II S. Pedro 3:8 passa a ser interpretado n\u00e3o literalmente quando os mil anos s\u00e3o supostos como significando uma \u201c\u00e9poca\u201d ou algo semelhante;<\/p>\n<p>4) II S. Pedro 3:8 revela que Deus n\u00e3o est\u00e1 limitado ao fator tempo, nem sujeito a ele no cumprimento de suas promessas.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o dessa passagem \u00e9 bem posta por Lloyd R. Bailey, ele mesmo um \u201cconcordista abrangente\u201d:<\/p>\n<p>\u201cO texto de II S. Pedro 3:8 tem sido mal interpretado por aqueles que querem utiliz\u00e1-lo para amparar o sentido da palavra \u201cdia\u201d em G\u00eanesis 1. &#8230; Entretanto, o prop\u00f3sito daquele texto \u00e9 destacar que \u201cO Senhor n\u00e3o retarda a sua promessa &#8230; mas \u00e9 long\u00e2nimo &#8230; n\u00e3o querendo que ningu\u00e9m pere\u00e7a &#8230;\u201d (vers\u00edculo 9; cf. vers\u00edculo 4). Isto \u00e9, Deus n\u00e3o est\u00e1 sujeito ao tempo no sentido em que os seres humanos est\u00e3o (\u201c&#8230; como alguns a julgam demorada\u201d, vers\u00edculo 9). A inten\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 de asseverar a fidelidade de Deus a suas promessas, e n\u00e3o de definir o significado da palavra \u201cdia\u201d como ela \u00e9 usada em G\u00eanesis 1.\u201d (30)<\/p>\n<p>Melhor seria deixarmos que II S. Pedro 3:8 cumpra o seu prop\u00f3sito original, e n\u00e3o dar-lhe uma interpreta\u00e7\u00e3o sem qualquer conota\u00e7\u00e3o t\u00f3pica, contextual e ling\u00fc\u00edstica.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">3. \u201cDias de Revela\u00e7\u00e3o\u201d?<\/span><\/p>\n<p>A teoria de que os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o de fato \u201cdias de revela\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 hoje defendida somente por alguns poucos estudiosos do assunto.<\/p>\n<p>Essa teoria foi proposta no d\u00e9cimo-nono s\u00e9culo pelo ge\u00f3logo escoc\u00eas Hugh Miller (31). Hoje em dia foi ela reavivada por P. J. Wiseman, em sua publica\u00e7\u00e3o \u201cCreation Revealed in Six Days\u201d, reeditada em 1977 (32).<\/p>\n<p>De acordo com essa interpreta\u00e7\u00e3o, Deus n\u00e3o criou o mundo em seis dias, mas sim \u201crevelou\u201d e explicou ao homem em seis dias literais aquilo que Ele j\u00e1 teria feito no decorrer de numerosos intervalos de tempo. A frase recorrente \u201ce disse Deus\u201d \u00e9 considerada como apoiando a teoria de que os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o constituem realmente \u201cdias de revela\u00e7\u00e3o\u201d. Esta teoria n\u00e3o exige uma idade recente para a origem do mundo, nem a cria\u00e7\u00e3o em seis dias literais de 24 horas.<\/p>\n<p>Tem sido observado de maneira incisiva que a concep\u00e7\u00e3o dos \u201cdias da teoria da revela\u00e7\u00e3o\u201d resulta em grande parte de uma \u201ccompreens\u00e3o errada da palavra fez em \u00caxodo 20:11\u201d (33), para a qual Wiseman defende o significado de \u201cmostrou\u201d (34).<\/p>\n<p>\u201cMostrou\u201d n\u00e3o \u00e9 um significado v\u00e1lido para o termo hebraico \u2018asah. Nenhum dicion\u00e1rio da l\u00edngua hebraica apoia esse significado para esta palavra. O termo hebraico \u2018asah, usado mais de 2.600 vezes no Velho Testamento, significa \u201cfazer, manufaturar, produzir\u201d, etc., (35) e em nem uma s\u00f3 vez seu significado pode ser associado a \u201cmostrar\u201d, tanto no Velho Testamento quanto no Hebraico extra-b\u00edblico (36). Este significado, \u201cmostrar\u201d, foi inventado exclusivamente em fun\u00e7\u00e3o da teoria em quest\u00e3o. Em vista desse fato, n\u00e3o \u00e9 surpresa que os \u201cdias da teoria da revela\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o tenham tido maior repercuss\u00e3o (37).<\/p>\n<p>Em resumo, os \u201cconcordistas abrangentes\u201d atuais parecem interpretar G\u00eanesis 1 de alguma forma \u201cfigurativa, simb\u00f3lica, ou em senso lato, como por exemplo com a id\u00e9ia de que os \u201cdias\u201d de G\u00eanesis 1 podem ser interpretados como longos per\u00edodos de tempo\u201d (38). Seu prop\u00f3sito \u00e9 tentar uma acomoda\u00e7\u00e3o com as alega\u00e7\u00f5es da teoria da evolu\u00e7\u00e3o quanto aos longos per\u00edodos de tempo. Com base nessa hip\u00f3tese para a cronologia, as Escrituras s\u00e3o reinterpretadas na busca de uma harmoniza\u00e7\u00e3o entre o seu relato da cria\u00e7\u00e3o e o quadro evolutivo naturalista. Os que procuram ajustar as Escrituras, nessa linha, s\u00e3o conhecidos como \u201cconcordistas abrangentes\u201d.<\/p>\n<p>Contrastando com essa posi\u00e7\u00e3o est\u00e3o os \u201cconcordistas estritos\u201d, estudiosos de igual erudi\u00e7\u00e3o e capacidade, que tamb\u00e9m procuram harmonizar a ci\u00eancia com a religi\u00e3o, mas sem pretender atribuir ao texto b\u00edblico uma \u201cleitura vaga\u201d. Concordam eles que o significado de um texto deva basear-se em crit\u00e9rios de linguagem internos, bem como no emprego de padr\u00f5es ling\u00fc\u00edsticos comumente aceitos. Concordam tamb\u00e9m que o contexto das Escrituras \u00e9 primordial e que as normas ling\u00fc\u00edsticas precisam seguir s\u00f3lidas conven\u00e7\u00f5es sint\u00e1tico-gramaticais. Assim, os \u201cconcordistas estritos\u201d est\u00e3o perfeitamente c\u00f4nscios das tens\u00f5es existentes, mas resistem contra for\u00e7ar um significado para o texto b\u00edblico sem o apoio de s\u00f3lida an\u00e1lise ling\u00fc\u00edstica.<\/p>\n<p><b>IV. O G\u00caNERO LITER\u00c1RIO DE G\u00caNESIS 1<\/b><\/p>\n<p class=\"txtazulneg\">1.G\u00eanero liter\u00e1rio \/ Argumento formal<\/p>\n<p>O recente coment\u00e1rio sobre o livro de G\u00eanesis, de autoria do erudito evang\u00e9lico Victor P. Hamilton, assume a posi\u00e7\u00e3o de que os \u201cdias\u201d de G\u00eanesis 1 devem ser considerados como n\u00e3o figurativos e n\u00e3o metaf\u00f3ricos, isto \u00e9, devem ser dias solares de 24 horas (39). Entretanto, como \u201cconcordista abrangente\u201d que \u00e9, comprometido com longos per\u00edodos de tempo, continua ele interessado na busca da harmonia com a moderna ci\u00eancia naturalista. Para conseguir esse objetivo, apela ele para uma \u201cleitura liter\u00e1ria de G\u00eanesis 1 que ainda permita a perman\u00eancia de dia como um dia solar de 24<br \/>\nhoras\u201d (40). Como pode isso acontecer?<\/p>\n<p>Hamilton fala de uma \u201cleitura liter\u00e1ria\u201d do relato da cria\u00e7\u00e3o em G\u00eanesis. Essa \u201cleitura liter\u00e1ria\u201d permite-lhe entender os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o literalmente, mas n\u00e3o \u201ccomo um relato cronol\u00f3gico a respeito de quantas horas Deus despendeu em Seu projeto criativo, mas como uma analogia referente \u00e0 atividade criadora de Deus\u201d (41). Sob este ponto de vista, os \u201cdias\u201d de 24 horas em G\u00eanesis 1 nada mais s\u00e3o do que uma \u201canalogia\u201d baseada em uma \u201cleitura liter\u00e1ria (n\u00e3o hist\u00f3rica)\u201d do relato da cria\u00e7\u00e3o apresentado em G\u00eanesis.<\/p>\n<p>Este ponto de vista sobre a \u201cleitura liter\u00e1ria\u201d baseia-se em Charles E. Hummel (42). Hummel argumenta que mesmo que os \u201cdias\u201d em G\u00eanesis 1 tivessem de ser considerados como dias solares de 24 horas, como ele acredita que sejam, \u201cpermanece ainda a quest\u00e3o sobre se a forma (liter\u00e1ria) \u00e9 figurativa ou literal, isto \u00e9, uma analogia da atividade criadora de Deus, ou um relato cronol\u00f3gico a respeito de quantas horas Ele trabalhou\u201d (43). Hummel acredita que s\u00e3o importantes o \u201cquem\u201d e o \u201cporqu\u00ea\u201d da cria\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o o \u201ccomo\u201d (acompanhando Bernard Ramm), e que, portanto, a \u201canalogia &#8230; prov\u00ea um modelo para o trabalho humano\u201d (44).<\/p>\n<p>A teoria da \u201canalogia\u201d consiste em entender o \u201cdia\u201d literal no contexto de \u201cuma met\u00e1fora\u201d que \u201cutiliza o significado usual de uma palavra\u201d (no caso a palavra \u201cdia\u201d) \u201cde uma maneira figurativa\u201d (45). A transfer\u00eancia anal\u00f3gica sugerida pela teoria da \u201canalogia\u201d suprime de um documento cronol\u00f3gico o esquema de seis dias de trabalho e um de repouso, passando a caracteriz\u00e1-lo t\u00e3o somente como uma ampla configura\u00e7\u00e3o relacionada com o trabalho e o repouso aplic\u00e1vel \u00e0 humanidade (46).<\/p>\n<p>Por mais atraente que essa teoria da \u201canalogia\u201d possa parecer, permanecer\u00e1 sempre o problema da fidedignidade contextual e liter\u00e1ria dentro do cap\u00edtulo 1 de G\u00eanesis e da B\u00edblia como um todo, para aceitar a designa\u00e7\u00e3o do tempo expressa na palavra \u201cdia\u201d simplesmente como uma analogia para o conceito de trabalho\/repouso. Hummel (acompanhado por Hamilton) foi for\u00e7ado a redefinir o g\u00eanero liter\u00e1rio de G\u00eanesis 1, deixando de lado o relato direto da cria\u00e7\u00e3o, e aceitando um g\u00eanero designado como \u201cnarrativa semi-po\u00e9tica\u201d (47). Isso enquadra-se na abordagem hist\u00f3rico-cultural da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Torna-se evidente que estes eruditos \u201cconcordistas\u201d em parte s\u00e3o influenciados pela cr\u00edtica formal e seu estilo metodol\u00f3gico de interpreta\u00e7\u00e3o. A cr\u00edtica formal, um sub-m\u00e9todo do m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico, iniciou-se com Hermann Gunkel, conhecido como o pai da cr\u00edtica formal, na virada do s\u00e9culo (49). Gunkel levantou a quest\u00e3o sobre se \u201cas narrativas de G\u00eanesis s\u00e3o hist\u00f3ria ou lenda\u201d (50). Sua premissa era que \u201cmuitas coisas relatadas em G\u00eanesis &#8230; v\u00e3o diretamente de encontro ao que temos de melhor em nosso conhecimento\u201d (51). A id\u00e9ia contida no \u201cmelhor em nosso conhecimento\u201d constitui uma admiss\u00e3o t\u00e1cita da parte de Gunkel de que a concep\u00e7\u00e3o do mundo evolucionista natural\u00edstica constitui a norma autorizada para julgar o que \u00e9 hist\u00f3ria ou o que \u00e9 lenda. Desta forma, sugeriu ele que o g\u00eanero liter\u00e1rio de G\u00eanesis n\u00e3o \u00e9 hist\u00f3ria, e sim \u201clenda\u201d. Gunkel foi o primeiro erudito liberal a atribuir ao relato da cria\u00e7\u00e3o, constante de G\u00eanesis, outro g\u00eanero liter\u00e1rio que n\u00e3o hist\u00f3ria no sentido de um relato factual. Posteriormente acompanharam-no outros eruditos liberais e te\u00f3logos neo-ortodoxos, e tamb\u00e9m hoje, em parte, eruditos neo-evang\u00e9licos que s\u00e3o \u201cconcordistas abrangentes\u201d.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o precisemos tentar ser exaustivos na cita\u00e7\u00e3o de categorias de estilos liter\u00e1rios que t\u00eam sido propostos para classificar G\u00eanesis, poder\u00e3o ser citados alguns dos principais exemplos representativos. Karl Barth, o pai da teologia neo-ortodoxa, considera G\u00eanesis 1 e 2 como \u201csaga\u201d (52), e conseq\u00fcentemente n\u00e3o hist\u00f3rico. S. M. Hooke, l\u00edder da escola do mito-e-ritual, afirma que o relato da cria\u00e7\u00e3o de G\u00eanesis \u00e9 uma \u201cliturgia cultual\u201d (53). Gordon Wenham, erudito n\u00e3o-evang\u00e9lico, acredita ser ele um \u201chino\u201d (54). Walter Brueggemann, n\u00e3o-concordista liberal, sugere que \u00e9 um \u201cpoema\u201d (55). Claus Westermann, cr\u00edtico formal, chama-o de \u201cnarrativa\u201d (56). John H. Steck, \u201cconcordista abrangente\u201d, chama-o de \u201cnarra\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica\u201d (57). Gerhard von Rad, cr\u00edtico da tradi\u00e7\u00e3o, designa-o como \u201cdoutrina\u201d (58). Outros sustentam ser um \u201cmito\u201d (59), uma \u201cpar\u00e1bola\u201d (60), \u201chist\u00f3ria\u201d, \u201cteologia\u201d (61), \u201calegoria\u201d, etc.<\/p>\n<p>Diversas observa\u00e7\u00f5es essenciais devem ser feitas em vista dessa pletora de opini\u00f5es correntes sobre a natureza do g\u00eanero liter\u00e1rio do relato da cria\u00e7\u00e3o de G\u00eanesis.<\/p>\n<p>1) O consenso \u00f3bvio \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre o g\u00eanero liter\u00e1rio de G\u00eanesis 1. Isso faz com que a abordagem do estilo liter\u00e1rio para uma leitura n\u00e3o liter\u00e1ria de G\u00eanesis 1 seja considerada suspeita em suas alega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1 consenso, o int\u00e9rprete cuidadoso deveria ser mais cauteloso, evitando engrossar o cortejo triunfal da identifica\u00e7\u00e3o do g\u00eanero liter\u00e1rio com o prop\u00f3sito de redefinir a inten\u00e7\u00e3o de G\u00eanesis 1. A inten\u00e7\u00e3o da descri\u00e7\u00e3o do estilo pela cr\u00edtica formal, desde o in\u00edcio, dos tempos de Gunkel at\u00e9 hoje, tem sido fazer com que o texto de G\u00eanesis 1 n\u00e3o seja considerado como hist\u00f3rico e factual em sua natureza (62).<\/p>\n<p>2) A abordagem do \u201cg\u00eanero liter\u00e1rio\u201d revela ser este outro caminho, inicialmente usado pelos n\u00e3o-concordistas, para evitar que o relato da cria\u00e7\u00e3o em G\u00eanesis seja compreendido como um texto literal, com autoridade, com implica\u00e7\u00f5es quanto ao relacionamento entre a ci\u00eancia e a B\u00edblia. \u00c9 sugerido corretamente que \u201ca maneira pela qual Deus revelou a hist\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o deve ser ela mesma justificada pelas Escrituras\u201d (63), e n\u00e3o apelando-se \u00e0 descri\u00e7\u00e3o do g\u00eanero liter\u00e1rio pela cr\u00edtica formal, da qual tenha sido removida a historicidade.<\/p>\n<p>3) Int\u00e9rpretes que adotam a abordagem do \u201cestilo liter\u00e1rio\u201d com o objetivo de retirar o relato da cria\u00e7\u00e3o do \u00e2mbito de sua inten\u00e7\u00e3o literal sentem-se livres, n\u00e3o obstante, para interpretar os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o de uma maneira literal e gramatical.<\/p>\n<p>Usar a abordagem do \u201cestilo liter\u00e1rio\u201d significa restringir o significado de G\u00eanesis 1 a uma forma de pensamento que n\u00e3o exige uma leitura hist\u00f3rica, factual, daquilo que aconteceu. A redefini\u00e7\u00e3o do relato da cria\u00e7\u00e3o realizada nessa abordagem pretende suprimir para o leitor moderno a informa\u00e7\u00e3o sobre \u201ccomo\u201d e \u201cde que maneira\u201d e \u201cquando\u201d Deus criou o mundo. Ela simplesmente deseja afirmar de maneira minimal\u00edstica que Deus \u00e9 Criador. E esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com significado teol\u00f3gico, e n\u00e3o cient\u00edfico, sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com a maneira pela qual a Terra e o Universo tenham vindo \u00e0 exist\u00eancia e se desenvolvido subseq\u00fcentemente.<\/p>\n<p>A abordagem do \u201cestilo liter\u00e1rio\u201d baseia-se em uma metodologia da cr\u00edtica liter\u00e1ria (64) que pretende atribuir ao relato da cria\u00e7\u00e3o, como um todo, uma fun\u00e7\u00e3o distinta daquela da historicidade ou da factualidade. Nesse caso, n\u00e3o importa se os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o considerados como dias literais de 24 horas, pois esses dias, bem como o relato em seu todo, teriam outro sentido que n\u00e3o o hist\u00f3rico ou factual.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">2. G\u00eanesis 1 : literal ou figurativo?<\/span><\/p>\n<p>Permanece a quest\u00e3o sobre se o relato da cria\u00e7\u00e3o em G\u00eanesis 1 \u00e9 literal ou figurativo em seu todo (65). Freq\u00fcentemente G\u00eanesis 1 \u00e9 considerado como parte de uma unidade maior, que abrange os cap\u00edtulos de 1 a 11, para dar resposta \u00e0s quest\u00f5es ligadas \u00e0 sua natureza, prop\u00f3sito e fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um fato reconhecido que estes cap\u00edtulos iniciais do livro de G\u00eanesis apresentam singularidades, isto \u00e9, eventos acontecidos uma s\u00f3 vez, n\u00e3o mais repetidos, e que n\u00e3o encontram nada an\u00e1logo na nossa experi\u00eancia atual.<\/p>\n<p>Como o historiador moderno encara tais singularidades? A posi\u00e7\u00e3o padr\u00e3o da historiografia moderna baseia-se no princ\u00edpio da analogia (cf. Ernst Troeltsch), isto \u00e9, o princ\u00edpio de que nada na experi\u00eancia do passado pode ser reconhecido como hist\u00f3rico a n\u00e3o ser quando corresponda \u00e0 experi\u00eancia atual (66). Este princ\u00edpio baseia-se, por sua vez, na no\u00e7\u00e3o da uniformidade b\u00e1sica da experi\u00eancia humana e dos acontecimentos hist\u00f3ricos (67). O princ\u00edpio da analogia sustenta que o passado somente \u00e9 compreendido atrav\u00e9s da contribui\u00e7\u00e3o do presente, com sua aplica\u00e7\u00e3o ao passado.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o consistente deste fundamento uniformista que se manifesta no princ\u00edpio da analogia leva \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da historicidade e da factualidade da maior parte dos cap\u00edtulos 1 a 11 de G\u00eanesis, a\u00ed inclu\u00eddo o relato da cria\u00e7\u00e3o de<br \/>\nG\u00eanesis 1.<\/p>\n<p>Poderia e deveria o princ\u00edpio uniformista da analogia reinar como a suprema norma para a compreens\u00e3o do passado? (68) \u201cSurge um problema quando o uniformismo \u00e9 al\u00e7ado \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de um princ\u00edpio universal que torna inadmiss\u00edveis certas evid\u00eancias\u201d, declara um forte adepto do princ\u00edpio da analogia e da historiografia modernista (69). Esta admiss\u00e3o da exist\u00eancia do problema exige grande cautela na aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio uniformista da analogia.<\/p>\n<p>A humanidade conhece experi\u00eancias da realidade atual que s\u00e3o singulares e n\u00e3o encontram paralelo no passado. Por exemplo, h\u00e1 vinte e cinco anos os primeiros seres humanos caminharam sobre a superf\u00edcie da Lua. Isto nunca havia acontecido antes. Outro exemplo foi o uso de bombas at\u00f4micas para a destrui\u00e7\u00e3o de duas cidades japonesas em 1945. Este tipo de destrui\u00e7\u00e3o jamais havia acontecido anteriormente, e permanece at\u00e9 hoje como singular. Muitas outras singularidades poderiam ser mencionadas.<\/p>\n<p>Da mesma forma que existem singularidades hoje, que s\u00e3o resultado da atua\u00e7\u00e3o humana ou de outra causa qualquer, e que constituem eventos e situa\u00e7\u00f5es reais que n\u00e3o encontram analogia no passado, podem ser citadas tamb\u00e9m singularidades verificadas no passado que n\u00e3o encontram analogia no presente. Por exemplo, o famoso fil\u00f3sofo da hist\u00f3ria brit\u00e2nico R. G. Collingwood observou que os antigos Romanos envolveram-se num processo de controle de popula\u00e7\u00e3o mediante o infantic\u00eddio de rec\u00e9m-nascidos. Foi esta uma singularidade que n\u00e3o encontra analogia no presente, nas tentativas de controle de popula\u00e7\u00e3o (70).<\/p>\n<p>Com estas limita\u00e7\u00f5es do princ\u00edpio da analogia em mente (71), n\u00e3o \u00e9 sensato rejeitar o relato da cria\u00e7\u00e3o supondo-o como n\u00e3o hist\u00f3rico e n\u00e3o factual, simplesmente por n\u00e3o conhecermos qualquer analogia sua nos dias de hoje. G\u00eanesis 1 cont\u00e9m singularidades que podem ser aceitas como t\u00e3o reais, hist\u00f3ricas e factuais como as singularidades de qualquer outra esp\u00e9cie no presente ou no passado.<\/p>\n<p>Existem boas raz\u00f5es para sustentar que G\u00eanesis 1 \u00e9 um relato factual da origem do mundo habit\u00e1vel. Este registro b\u00edblico \u00e9 preciso, aut\u00eantico e hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">3. G\u00eanesis 1 e a literatura antiga cong\u00eanere<\/span><\/p>\n<p>A partir da abordagem puramente comparativa das estruturas liter\u00e1rias, G\u00eanesis 1 n\u00e3o difere do resto do livro de G\u00eanesis (72) ou do Pentateuco, quanto \u00e0 configura\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica, \u00e0 sintaxe, aos fen\u00f4menos ling\u00fc\u00edsticos, \u00e0 terminologia, \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o seq\u00fcencial dos eventos no relato da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Comparado com os hinos da B\u00edblia, o relato da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um hino; comparado com as par\u00e1bolas da B\u00edblia, o relato da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma par\u00e1bola; comparado com a poesia b\u00edblica, o relato da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um poema; comparado com a liturgia do culto, o relato da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma liturgia. Comparado com v\u00e1rias esp\u00e9cies de formas liter\u00e1rias, o relato da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem met\u00e1fora, nem hist\u00f3ria, nem par\u00e1bola, nem poesia, nem coisa semelhante.<\/p>\n<p>Um estudo recente da forma liter\u00e1ria dos cap\u00edtulos 1 a 11 de G\u00eanesis, feito com base na literatura contempor\u00e2nea do Oriente Pr\u00f3ximo, concluiu que \u201cestamos lidando com g\u00eaneros de narrativa em prosa, entremeados com algumas listagens, refer\u00eancias, prov\u00e9rbios e linhas po\u00e9ticas\u201d (73). Sem d\u00favida \u00e9 esta uma descri\u00e7\u00e3o bastante boa do conte\u00fado de G\u00eanesis 1.<\/p>\n<p>Um estudo detalhado da forma liter\u00e1ria de G\u00eanesis 1 concluiu que estamos em face de um g\u00eanero de \u201cgenealogia em prosa\u201d (74). O pr\u00f3prio Gunkel observou, h\u00e1 muito tempo, que G\u00eanesis \u00e9 \u201cprosa\u201d. Observou, tamb\u00e9m, que G\u00eanesis \u00e9 \u201cmais art\u00edstico em sua composi\u00e7\u00e3o, e tem algo de constru\u00e7\u00e3o r\u00edtmica\u201d (75). A natureza n\u00e3o po\u00e9tica de G\u00eanesis 1 indica que a sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 exprimir o seu sentido de maneira clara e simples, como um registro acurado e direto de eventos criativos.<\/p>\n<p>Olhando-se para a informa\u00e7\u00e3o transmitida pelo primeiro cap\u00edtulo de G\u00eanesis de forma comparativa com outras literaturas antigas do Oriente Pr\u00f3ximo, deve-se concluir que \u201cG\u00eanesis 1 n\u00e3o encontra paralelo em coisa alguma do mundo antigo externa \u00e0 B\u00edblia\u201d (76). G\u00eanesis 1 constitui o registro mais coerente e profundo produzido no mundo antigo sobre \u201ccomo\u201d, \u201cquando\u201d, \u201cpor quem\u201d, e \u201cde que modo\u201d veio o mundo \u00e0 exist\u00eancia. Em nenhum tipo de literatura do mundo antigo encontra ele qualquer paralelo. Existem fragmentos e peda\u00e7os de textos de v\u00e1rios mitos cosmog\u00f4nicos e especula\u00e7\u00f5es com os quais o relato b\u00edblico da cria\u00e7\u00e3o tem sido comparado, resultando sempre sua singularidade, no mundo antigo, em termos de sua abrang\u00eancia e consist\u00eancia (77).<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">4. A forma liter\u00e1ria de G\u00eanesis 1 no seu contexto b\u00edblico<\/span><\/p>\n<p>Seria \u00fatil analisar a forma liter\u00e1ria como algo distinto do \u201cestilo liter\u00e1rio\u201d da cr\u00edtica formal que j\u00e1 foi discutido anteriormente.<\/p>\n<p>John H. Stek sugere que o \u201ctipo liter\u00e1rio (de G\u00eanesis 1), tanto quanto se saiba hoje, n\u00e3o encontra paralelo estrito; ele \u00e9 sui generis\u201d (78). J\u00e1 foi observado que a apresenta\u00e7\u00e3o e o conte\u00fado de G\u00eanesis 1 como um todo n\u00e3o tem paralelo no mundo antigo (79). Significa isso, portanto, que ele \u00e9 sui generis no sentido de que ele n\u00e3o deveria ser compreeendido como literal em sua inten\u00e7\u00e3o? Como a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o certamente \u00e9 singular, da mesma forma o relato da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 necessariamente singular. Entretanto, dificilmente poderia ele ser considerado sui generis no sentido exclusivamente liter\u00e1rio, que retiraria dele a comunica\u00e7\u00e3o no n\u00edvel factual, hist\u00f3rico e preciso.<\/p>\n<p>Com base no relacionamento com o restante de G\u00eanesis (e com a B\u00edblia em seu todo), o relato da cria\u00e7\u00e3o (G\u00eanesis 1:1 a 2:3) pode ser adequadamente designado quanto \u00e0 sua forma liter\u00e1ria. O relato \u00e9 um registro hist\u00f3rico em prosa, escrito em estilo r\u00edtmico, registrando factualmente e acuradamente \u201co que\u201d aconteceu na cria\u00e7\u00e3o \u201cdos c\u00e9us e da terra\u201d, retratando o tempo \u201cem que\u201d ela ocorreu, descrevendo os processos do \u201ccomo\u201d ela foi feita, e identificando o Ser divino que (\u201cquem\u201d) a executou. O resultado da semana da cria\u00e7\u00e3o foi um mundo \u201cmuito bom\u201d, com o mais adequado ambiente para viverem os seres humanos ent\u00e3o criados. Este registro hist\u00f3rico em prosa da cria\u00e7\u00e3o relata corretamente os eventos criativos em seq\u00fc\u00eancias espec\u00edficas, dentro de \u201cdias\u201d literais cronol\u00f3gicos seq\u00fcenciais. Esses \u201cdias\u201d instauram o processo hist\u00f3rico subseq\u00fcente, da ordena\u00e7\u00e3o do tempo em ciclos semanais nos quais se inserem os seres humanos e a natureza sob o controle \u00faltimo de Deus. Nesse sentido, G\u00eanesis 1 \u00e9 a hist\u00f3ria inaugural (80) das origens, que modela o fluxo da hist\u00f3ria da humanidade e do mundo a partir da semana da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>V. INTERPRETA\u00c7\u00c3O LITERAL DOS \u201cDIAS\u201d DA CRIA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Consideraremos o uso da palavra \u201cdia\u201d (em Hebraico y\u00f4m) de conformidade com as principais linhas da erudi\u00e7\u00e3o atual. Existem eruditos liberais e n\u00e3o-liberais que chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que a palavra \u201cdia\u201d (em Hebraico y\u00f4m) em G\u00eanesis 1 deve ser compreendida de maneira singular no sentido literal. Faremos uma revis\u00e3o cr\u00edtica de algumas de suas raz\u00f5es e adicionaremos outras.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">1. Considera\u00e7\u00f5es extra\u00eddas de Coment\u00e1rios<\/span><\/p>\n<p>O influente te\u00f3logo e exegeta liberal europeu, Gerhard von Rad, especialista em Velho Testamento, declara: \u201cOs sete dias inquestionavelmente devem ser entendidos como dias reais, e como um lapso de tempo singular, n\u00e3o repetit\u00edvel, em nosso mundo\u201d (81). Gordon Wenham, erudito n\u00e3o-concordista brit\u00e2nico, especialista em Velho Testamento, conclui que: \u201cPouca d\u00favida pode existir de que aqui \u201cdia\u201d tem o seu sentido b\u00e1sico de um per\u00edodo de 24 horas\u201d (82). James Barr, renomado Semitista, e especialista em Velho Testamento, op\u00f5e-se com veem\u00eancia aos int\u00e9rpretes figurativos, observando que os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o foram seis dias literais completando um per\u00edodo de 144 horas (83). H\u00e1 muito tempo o cr\u00edtico formal Hermann Gunkel concluiu que: \u201cOs \u201cdias\u201d s\u00e3o de fato dias e nada mais\u201d (84). Este elenco de cita\u00e7\u00f5es poderia continuar com a adi\u00e7\u00e3o de numerosas outras vozes partilhando da mesma posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o-concordista.<\/p>\n<p>Victor P. Hamilton conclui, da mesma forma que outros eruditos neo-evang\u00e9licos concordistas abrangentes, que: \u201cQuem quer que tenha escrito G\u00eanesis 1 acreditava estar falando de dias literais\u201d (85). John H. Stek, outro concordista abrangente, traz numerosos fatores em defesa de sua posi\u00e7\u00e3o a favor de \u201cdias\u201d literais\u201d:<\/p>\n<p>\u201cCertamente n\u00e3o existe sinal algum, nem siquer insinua\u00e7\u00e3o, dentro da narrativa (de G\u00eanesis 1) de que o autor pensava que seus \u201cdias\u201d deveriam corresponder a designa\u00e7\u00f5es n\u00e3o regulares de tempo &#8211; primeiro uma s\u00e9rie de per\u00edodos indefinidos, depois uma s\u00e9rie de dias solares &#8211; ou que os dias por ele delimitados com \u201ctarde e manh\u00e3\u201d pudessem possivelmente ser entendidos como longos eons de tempo. Sua linguagem \u00e9 simples e direta, usando palavras simples e diretas das mais comuns nas experi\u00eancias de vida da humanidade &#8230; Ao historiar os atos criativos de Deus, o autor foi \u201cmovido\u201d a coloc\u00e1-los em seq\u00fc\u00eancia como se fossem atos humanos, e a \u201ctemporaliz\u00e1-los\u201d de acordo com a configura\u00e7\u00e3o do tempo criado na arena da experi\u00eancia humana.\u201d (86)<\/p>\n<p>Numerosos estudiosos e comentaristas, independentemente de serem concordistas ou n\u00e3o, t\u00eam concluido que os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser nada mais do que dias literais de 24 horas. Est\u00e3o eles perfeitamente cientes das interpreta\u00e7\u00f5es figurativas, n\u00e3o literais, da palavra \u201cdia\u201d em G\u00eanesis 1, com a inten\u00e7\u00e3o de harmoniz\u00e1-las com as extensas eras exigidas pelo modelo evolucionista das origens. Apesar disso, insistem eles, com base em cuidadosas investiga\u00e7\u00f5es feitas sobre o uso da palavra \u201cdia\u201d em G\u00eanesis 1 e em outras passagens, que o verdadeiro significado e inten\u00e7\u00e3o do \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um dia de 24 horas.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">2. Considera\u00e7\u00f5es feitas a partir da Lexicografia<\/span><\/p>\n<p>A grande maioria dos l\u00e9xicos e dicion\u00e1rios da l\u00edngua hebraica amplamente aceitos, publicados no s\u00e9culo vinte, traz a afirma\u00e7\u00e3o de que a designa\u00e7\u00e3o \u201cdia\u201d em G\u00eanesis 1 significa um dia de 24 horas, a saber, um dia solar.<\/p>\n<p>Um prestigioso l\u00e9xico recentemente publicado refere-se a G\u00eanesis 1:5 como a primeira entrada escritur\u00edstica para a defini\u00e7\u00e3o de \u201cdia de 24 horas\u201d para o voc\u00e1bulo hebraico y\u00f4m (\u201cdia\u201d) (87). O L\u00e9xico Hebraico-Ingl\u00eas de Holladay segue o exemplo do \u201cdia de 24 horas\u201d (88). Brown-Driver-Briggs, l\u00e9xico cl\u00e1ssico Hebraico-Ingl\u00eas, tamb\u00e9m define o \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o em G\u00eanesis 1 como \u201cum dia regular, definido por uma tarde e uma manh\u00e3\u201d (89).<\/p>\n<p>Lexic\u00f3grafos da l\u00edngua hebraica colocam-se entre os mais qualificados eruditos hebraicos. Espera-se que eles tenham o maior cuidado em suas defini\u00e7\u00f5es, e que tamb\u00e9m usualmente indiquem significados alternativos, se houver seguran\u00e7a para assim procederem em certas inst\u00e2ncias. Nenhum lexic\u00f3grafo afastou-se do significado da palavra \u201cdia\u201d como um dia literal de 24 horas em G\u00eanesis 1.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">3. Considera\u00e7\u00f5es feitas a partir de Dicion\u00e1rios<\/span><\/p>\n<p>Magne Saeboe escreve no elogiado \u201cTheological Dictionary of the Old Testament\u201d que a palavra \u201cdia\u201d (y\u00f4m) em G\u00eanesis 1 tem significado literal no sentido de \u201cum dia completo\u201d (90). Ele n\u00e3o entrev\u00ea qualquer outro significado ou alternativa.<\/p>\n<p>Ernst Jenni, aplaudido erudito hebreu deste s\u00e9culo, afirma no mais amplamente utilizado dicion\u00e1rio teol\u00f3gico da l\u00edngua hebraica que o significado de \u201cdia\u201d no relato da cria\u00e7\u00e3o deve ser entendido na acep\u00e7\u00e3o literal, como \u201cdia de 24 horas, no sentido de uma unidade de tempo astron\u00f4mica ou calendarial\u201d (91).<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">4. Considera\u00e7\u00f5es baseadas na Sem\u00e2ntica<\/span><\/p>\n<p>O campo da sem\u00e2ntica nos estudos ling\u00fc\u00edsticos refere-se \u00e0quilo que \u00e9 chamado de significa\u00e7\u00e3o (92). Isso cobre os problemas da \u201cavalia\u00e7\u00e3o acurada do significado das express\u00f5es (palavras, frases, cl\u00e1usulas, senten\u00e7as, etc.), que realmente t\u00eam sido usadas\u201d (93).<\/p>\n<p>A sem\u00e2ntica chama aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o crucial do significado exato da palavra hebraica y\u00f4m. Poderia a designa\u00e7\u00e3o \u201cdia\u201d em G\u00eanesis 1 ter um significado figurativo nesse cap\u00edtulo? Deve ela ser entendida, com base nas normas da sem\u00e2ntica, como um \u201cdia\u201d literal? Essa quest\u00e3o de sem\u00e2ntica \u00e9 particularmente importante devido ao fato de que o voc\u00e1bulo hebraico y\u00f4m, tanto no singular como no plural, apresenta uma grande variedade de significados, incluindo significados extensivos como \u201ctempo\u201d, \u201ctempo de vida\u201d, etc. \u00c9 poss\u00edvel transpor para G\u00eanesis 1 um significado extensivo qualquer encontrado no Velho Testamento? N\u00e3o poderia isso resolver o problema do conflito entre o curto per\u00edodo de uma semana da cria\u00e7\u00e3o e as longas eras necess\u00e1rias para a evolu\u00e7\u00e3o natural?<\/p>\n<p>O termo hebraico y\u00f4m, na sua variedade de formas, pode significar, al\u00e9m de um \u201cdia\u201d literal, tamb\u00e9m um tempo ou per\u00edodo de tempo (Ju\u00edzes 14:4), e em um sentido mais geral \u201co tempo de um m\u00eas\u201d (G\u00eanesis 29:14), o \u201ctempo de dois anos\u201d (II Samuel 13:23 e 14:28; Jeremias 28:3 e 11), o \u201ctempo de tr\u00eas semanas\u201d (Daniel 11:2 e 3). No plural pode significar \u201cano\u201d (I Samuel 27:7), um \u201ctempo de vida\u201d (G\u00eanesis 47:8), etc. Qualquer bom l\u00e9xico poder\u00e1 prover uma lista abrangente das v\u00e1rias possibilidades (94).<\/p>\n<p>\u00c9 importante ter em mente que \u201co conte\u00fado sem\u00e2ntico das palavras pode ser visto mais claramente em suas v\u00e1rias combina\u00e7\u00f5es com outras palavras e seu campo sem\u00e2ntico extensivo\u201d (95).<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as normas sem\u00e2ntico-sint\u00e1ticas para o sentido n\u00e3o literal, extensivo, do termo hebraico y\u00f4m? Os significados extensivos, n\u00e3o literais, do termo y\u00f4m s\u00e3o sempre encontrados em conex\u00e3o com preposi\u00e7\u00f5es (96), frases preposicionais com um verbo, constru\u00e7\u00f5es compostas, f\u00f3rmulas, express\u00f5es t\u00e9cnicas, combina\u00e7\u00f5es genitivas, frases construtivas, etc. (97). Em outras palavras, os significados extensivos, n\u00e3o literais, deste voc\u00e1bulo hebraico apresentam conex\u00f5es ling\u00fc\u00edsticas e contextuais especiais que indicam claramente a inten\u00e7\u00e3o de um sentido n\u00e3o literal. Se tais conex\u00f5es ling\u00fc\u00edsticas especiais estiverem ausentes, o termo y\u00f4m n\u00e3o ter\u00e1 significado extensivo n\u00e3o literal; ter\u00e1 seu sentido normal de dia literal de 24 horas.<\/p>\n<p>Em vista da riqueza de usos deste termo hebraico, imp\u00f5e-se o estudo do uso de y\u00f4m em G\u00eanesis 1 para a compara\u00e7\u00e3o com seus outros usos. Conteria este cap\u00edtulo de G\u00eanesis os indicadores necess\u00e1rios pelos quais y\u00f4m pudesse ser claramente reconhecido como tendo um sentido literal ou n\u00e3o? Como \u00e9 este voc\u00e1bulo usado em G\u00eanesis 1? \u00c9 ele usado juntamente com combina\u00e7\u00f5es de outras palavras, preposi\u00e7\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es genitivas, estados construtivos, etc. como mencionado no par\u00e1grafo anterior, o que poderia indicar um sentido n\u00e3o literal? S\u00e3o exatamente essas esp\u00e9cies de combina\u00e7\u00f5es sem\u00e2ntico-sint\u00e1ticas que nos podem informar sobre a inten\u00e7\u00e3o do significado do termo.<\/p>\n<p>Apresentemos os fatos a respeito do uso do termo y\u00f4m, \u201cdia\u201d, em G\u00eanesis 1, como qualquer estudioso do Hebraico poderia fazer:<\/p>\n<p>1) O termo y\u00f4m \u00e9 sempre usado no singular.<\/p>\n<p>2) O termo y\u00f4m est\u00e1 sempre justaposto a um numeral. Em G\u00eanesis 1:5 tem-se um cardinal, e nos demais vers\u00edculos, de G\u00eanesis 1:1 a 2:3, sempre um ordinal. Isto ser\u00e1 considerado mais abaixo.<\/p>\n<p>3) O termo y\u00f4m nunca est\u00e1 combinado com uma preposi\u00e7\u00e3o, combina\u00e7\u00e3o genitiva, estado construtivo, constru\u00e7\u00e3o composta, ou algo semelhante. Ele sempre aparece como um simples substantivo.<\/p>\n<p>4) O termo y\u00f4m \u00e9 definido de forma consistente por uma frase temporal na senten\u00e7a precedente &#8211; \u201ce houve tarde e manh\u00e3\u201d. Esta cl\u00e1usula serve como fun\u00e7\u00e3o definidora para a palavra \u201cdia\u201d.<\/p>\n<p>5) O relato complementar da cria\u00e7\u00e3o, de G\u00eanesis 2:4-25, cont\u00e9m um significado figurativo, n\u00e3o literal, do termo y\u00f4m, \u201cdia\u201d. Quando \u00e9 pretendido um sentido n\u00e3o literal, s\u00e3o empregadas as conven\u00e7\u00f5es sem\u00e2ntico-sint\u00e1ticas observadas no restante do Velho Testamento para tal significado, e isto \u00e9 exatamente o que acontece para o uso n\u00e3o literal em G\u00eanesis 2:4.<\/p>\n<p>Observemos como esses crit\u00e9rios aplicam-se a G\u00eanesis 2:4. O substantivo y\u00f4m se justap\u00f5e \u00e0 preposi\u00e7\u00e3o be para formar bey\u00f4m. Ainda mais, ele \u00e9 usado em uma rela\u00e7\u00e3o construtiva com a forma infinitiva de \u2018asah, \u201cfazer\u201d, lendo-se ent\u00e3o literalmente \u201cno dia do &#8230; fazer\u201d. Essa combina\u00e7\u00e3o do singular com uma preposi\u00e7\u00e3o em uma constru\u00e7\u00e3o com o infinitivo (98) faz dessa combina\u00e7\u00e3o uma \u201cconjun\u00e7\u00e3o temporal\u201d (99), que serve como uma \u201cintrodu\u00e7\u00e3o geral do tempo\u201d (100).<\/p>\n<p>G\u00eanesis 2:4, segunda parte, reza literalmente \u201cem (o) dia do Senhor Deus fazer a terra e o c\u00e9u\u201d. A boa linguagem requer que a tradu\u00e7\u00e3o literal \u201cem (o) dia de\u201d, que sintaticamente \u00e9 uma conjun\u00e7\u00e3o temporal que serve para a introdu\u00e7\u00e3o geral do tempo, seja substituida por \u201cquando\u201d. Esta senten\u00e7a passa a rezar ent\u00e3o: \u201cQuando o Senhor Deus os criou &#8230;\u201d. Este claro exemplo de um uso extensivo n\u00e3o literal de y\u00f4m no relato da cria\u00e7\u00e3o, em G\u00eanesis 2:4-25, indica que o uso de y\u00f4m em G\u00eanesis 1, sem qualquer qualificativo que possa marcar o seu uso n\u00e3o literal, em contraposi\u00e7\u00e3o tem um sentido literal. O termo y\u00f4m em G\u00eanesis 1 n\u00e3o se liga a qualquer preposi\u00e7\u00e3o; n\u00e3o \u00e9 usado em uma rela\u00e7\u00e3o construtiva; e n\u00e3o tem nenhum indicador sint\u00e1tico que seria de esperar para um uso extensivo n\u00e3o literal. Assim, em G\u00eanesis 1 y\u00f4m s\u00f3 pode significar um \u201cdia\u201d literal de 24 horas.<\/p>\n<p>Em resumo, os usos sem\u00e2ntico-sint\u00e1ticos de y\u00f4m, \u201cdia\u201d, em G\u00eanesis 1, quando comparados com os correspondentes usos e conex\u00f5es ling\u00fc\u00edsticas do mesmo termo em outras passagens do Velho Testamento nas quais ele tem um sentido extensivo, n\u00e3o permitem que o seu significado seja o de um longo per\u00edodo de tempo, uma \u00e9poca, ou algo semelhante. A l\u00edngua hebraica, sua gram\u00e1tica, sua sintaxe, suas estruturas ling\u00fc\u00edsticas, bem como o seu uso sem\u00e2ntico, permite somente o significado literal para \u201cdia\u201d nos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o de G\u00eanesis 1.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">5. Considera\u00e7\u00f5es baseadas no uso do singular<\/span><\/p>\n<p>O termo hebraico y\u00f4m aparece no Velho Testamento em Hebraico 2304 vezes, das quais 1452 no singular (102).<\/p>\n<p>Nos cinco livros de Mois\u00e9s (o Pentateuco), este termo \u00e9 usado 668 vezes, e no livro de G\u00eanesis \u00e9 empregado 152 vezes (103). Em G\u00eanesis o uso do singular aparece 83 vezes.<\/p>\n<p>Na enumera\u00e7\u00e3o dos seis \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o o termo \u201cdia\u201d \u00e9 usado de forma consistente no singular. H\u00e1 um uso do plural na frase \u201cpara dias e anos\u201d no vers\u00edculo 14, que evidentemente n\u00e3o se refere a um \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o. Esse uso do plural no vers\u00edculo 14 dificilmente influi na discuss\u00e3o sobre os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o serem longos per\u00edodos de tempo, pois o uso de \u201cdias e anos\u201d com rela\u00e7\u00e3o ao calend\u00e1rio por si s\u00f3 estabelece o seu sentido literal. N\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida quanto a ser literal o sentido de \u201cdias\u201d, com 24 horas, no vers\u00edculo 14, da mesma forma que o sentido de \u201canos\u201d.<\/p>\n<p>Os usos adicionais de \u201cdia\u201d, no singular, em G\u00eanesis 1 encontram-se nos vers\u00edculos 5 e 16. \u201cChamou Deus \u00e0 luz \u201cDia\u201d (y\u00f4m)\u201d (vers\u00edculo 5) e Deus fez os luzeiros, \u201co maior para governar o dia\u201d (vers\u00edculo 16). O termo no vers\u00edculo 5 \u00e9 empregado no sentido literal de per\u00edodo diurno, parte clara do per\u00edodo de 24 horas, em contraste com o per\u00edodo noturno, a parte escura, a \u201cnoite\u201d (vers\u00edculo 16), do mesmo per\u00edodo de 24 horas (104). \u201cDia\u201d, juntamente com \u201cnoite\u201d, perfazem um \u201cdia completo\u201d (105).<\/p>\n<p>Temos de reconhecer o fato de que o termo y\u00f4m em cada um dos seis dias apresenta as mesmas conex\u00f5es:<\/p>\n<p>a) Ele \u00e9 usado no singular;<\/p>\n<p>b) Ele se associa a um numeral; e<\/p>\n<p>c) Ele \u00e9 precedido pela frase \u201chouve tarde e manh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Esta tripla conex\u00e3o entre o uso do singular e de um numeral, e a defini\u00e7\u00e3o temporal de \u201ctarde e manh\u00e3\u201d, mant\u00e9m a homogeneidade do \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o ao longo do relato todo da cria\u00e7\u00e3o. Isto revela tamb\u00e9m que o \u201ctempo \u00e9 concebido como linear, os eventos ocorrendo dentro dele sucessivamente\u201d (106). Afastar-se da liga\u00e7\u00e3o num\u00e9rica consecutiva, e das fronteiras estabelecidas pela express\u00e3o \u201ctarde e manh\u00e3\u201d em linguagem t\u00e3o direta, seria assumir extrema liberdade com o significado claro e direto da l\u00edngua hebraica (107).<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">6. Considera\u00e7\u00f5es baseadas no uso dos numerais<\/span><\/p>\n<p>Os seis \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o associam-se em todas as inst\u00e2ncias com um numeral, na seq\u00fc\u00eancia de 1 a 6 (G\u00eanesis 1:5, 8, 13, 19, 23, 31). O dia seguinte ao \u201csexto dia\u201d, o \u201cdia\u201d em que Deus repousou, \u00e9 designado como o \u201cs\u00e9timo dia\u201d [G\u00eanesis 2:2 (duas vezes), e v.3].<\/p>\n<p>O que parece ser significativo \u00e9 a \u00eanfase dada \u00e0 seq\u00fc\u00eancia dos numerais de 1 a 7, sem qualquer hiato ou interrup\u00e7\u00e3o temporal. Este esquema de sete dias, o esquema da semana de seis dias de trabalho seguidos por um \u201cs\u00e9timo dia\u201d como dia de repouso, interliga os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o como dias normais em uma seq\u00fc\u00eancia consecutiva e ininterrupta.<\/p>\n<p>Quando a palavra y\u00f4m, \u201cdia\u201d, \u00e9 empregada juntamente com um numeral, o que acontece 150 vezes no Velho Testamento, refere-se invariavelmente a um dia literal de 24 horas.<\/p>\n<p>A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o, em n\u00fameros de 1 a 1000, encontra-se em um texto escatol\u00f3gico em Zacarias 14:7. A express\u00e3o hebraica y\u00f4m \u2018echad empregada em Zacarias 14:7 tem sido traduzida de v\u00e1rias maneiras: \u201cMas ser\u00e1 um dia singular\u201d (Almeida revista e atualizada); \u201ce haver\u00e1 dia cont\u00ednuo\u201d (New Revised Standard Version); \u201cser\u00e1 dia cont\u00ednuo\u201d (Revised English Bible); ou \u201co dia ser\u00e1 um\u201d (108). O \u201cdia cont\u00ednuo\u201d ou o \u201cum dia\u201d do futuro escatol\u00f3gico ser\u00e1 um dia no qual o ritmo normal de tarde e manh\u00e3, dia e noite, como conhecido hoje, ser\u00e1 alterado de tal forma que naquele dia escatol\u00f3gico haver\u00e1 \u201cluz \u00e0 tarde\u201d (vers\u00edculo 7). \u00c9 geralmente aceito que este \u00e9 um texto dif\u00edcil da l\u00edngua hebraica, mas que dificilmente pode ser usado para alterar o uso direto do voc\u00e1bulo em G\u00eanesis 1 (109).<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">7. Considera\u00e7\u00f5es baseadas no uso do artigo<\/span><\/p>\n<p>O termo \u201cdia\u201d \u00e9 usado em Hebraico sem o artigo, em cada passagem referente aos dias da cria\u00e7\u00e3o, exceto nos casos do \u201csexto dia\u201d (G\u00eanesis 1:31, em Hebraico y\u00f4m hashshish\u00ee) e do \u201cs\u00e9timo dia\u201d (G\u00eanesis 2:2) (110).<\/p>\n<p>De tempos em tempos \u00e9 destacada a observa\u00e7\u00e3o de que o primeiro \u201cdia\u201d de G\u00eanesis 1:5 em Hebraico \u00e9 literalmente \u201cum dia\u201d (111), porque temos o numeral cardinal \u201cum\u201d usado com o termo \u201cdia\u201d.<\/p>\n<p>A falta do artigo definido tem sido interpretada como significando que todos os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o (exceto o sexto, que tem o artigo) permitem \u201ca possibilidade tanto de ordem cronol\u00f3gica quanto de ordem liter\u00e1ria ou aleat\u00f3ria\u201d (112). Esta \u00e9, entretanto, uma interpreta\u00e7\u00e3o muito duvidosa, que n\u00e3o pode ser apoiada mediante pontos de vista sem\u00e2ntico-sint\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Precisamos compreender a sintaxe do texto hebraico e interpretar o texto coerentemente, sem violar a estrutura interna da l\u00edngua. A recente gram\u00e1tica para pesquisa elaborada por Bruce K. Waltke e M. O\u2019Connor destaca que o substantivo indefinido y\u00f4m, com o numeral cardinal indefinido \u201cum\u201d (em Hebraico \u2018echad) em G\u00eanesis 1:5 tem \u201cuma for\u00e7a enf\u00e1tica de contagem\u201d, e um \u201csentido definido\u201d, al\u00e9m de ter a for\u00e7a de um n\u00famero ordinal que deve ser compreendido como \u201co primeiro dia\u201d (113).<\/p>\n<p>Com base nessa observa\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica a respeito da l\u00edngua hebraica, \u201co primeiro dia\u201d e \u201co sexto dia\u201d da semana da cria\u00e7\u00e3o devem ter significado definido, no sentido de terem recebido o artigo em fun\u00e7\u00e3o de regra sint\u00e1tica ou de ortografia (para n\u00e3o falar do \u201cs\u00e9timo dia\u201d, o qual ser\u00e1 considerado em seguida). O primeiro e o \u00faltimo \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o definidos pela sintaxe ou pela ortografia, o primeiro pela fun\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica, e o \u00faltimo pelo uso do artigo. Cabe uma observa\u00e7\u00e3o &#8211; esse uso definido do primeiro e do \u00faltimo dia da cria\u00e7\u00e3o constitui um dispositivo liter\u00e1rio, uma inclus\u00e3o, que enquadra os seis \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o como dias definidos ou articulados. Uma das inten\u00e7\u00f5es desse uso parece ser levar \u00e0 conclus\u00e3o de que os \u201cdias\u201d de G\u00eanesis 1 n\u00e3o permitem concluir que a ordem aleat\u00f3ria ou a ordem cronol\u00f3gica sejam assuntos encerrados (114).<\/p>\n<p>Na realidade acontece o contr\u00e1rio. Como o primeiro e o sexto dia s\u00e3o definidos, estabelecendo fronteiras claras, isso significa que os dias t\u00eam sentido cronol\u00f3gico e seq\u00fcencial, formando um per\u00edodo ininterrupto de seis dias literais de 24 horas na cria\u00e7\u00e3o. Assim, o uso definido do primeiro e do sexto dia, respectivamente, marca e enquadra a seq\u00fc\u00eancia dos seis dias dentro de uma unidade de tempo coerente, seq\u00fcencial e cronol\u00f3gica, que ser\u00e1 repetida em cada semana sucessiva.<\/p>\n<p>\u201cO s\u00e9timo dia\u201d tamb\u00e9m recebe o artigo em Hebraico. Como \u201co primeiro dia\u201d (vers\u00edculo 5) \u00e9 definido, da mesma forma que \u201co sexto dia\u201d (vers\u00edculo 31), forma-se uma unidade de tempo mais ampla. \u00c9 a unidade de seis dias de trabalho seguidos pelo \u201cs\u00e9timo dia\u201d (G\u00eanesis 2:2-3), o dia de repouso. Desta forma a seq\u00fc\u00eancia de seis dias de trabalho encontra o seu fim e cl\u00edmax cronologicamente e seq\u00fcencialmente no s\u00e9timo dia\u201d, constituindo em seu conjunto o ciclo semanal, com o dia de repouso sendo o \u201cs\u00e9timo dia\u201d da semana.<\/p>\n<p>A maior unidade de tempo literal, conseq\u00fcentemente, consiste da unidade divinamente planejada do esquema \u201cseis mais um\u201d, composto de \u201cseis\u201d dias de trabalho em seq\u00fc\u00eancia ininterrupta, seguidos pelo \u201cs\u00e9timo dia\u201d de repouso. Esta seq\u00fc\u00eancia ininterrupta \u00e9 divinamente planejada e ordenada para marcar o ritmo do tempo para cada semana sucessiva.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">8. Considera\u00e7\u00f5es baseadas na fronteira \u201ctarde-manh\u00e3\u201d<\/span><\/p>\n<p>O relato da cria\u00e7\u00e3o em G\u00eanesis n\u00e3o somente liga cada dia a um numeral seq\u00fcencial, como tamb\u00e9m estabelece as fronteiras do tempo mediante \u201ctarde e manh\u00e3\u201d (vers\u00edculos 5, 8, 13, 19, 23, 31). A frase r\u00edtmica \u201ce houve tarde e manh\u00e3\u201d prov\u00ea uma defini\u00e7\u00e3o para o \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o: o \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o define-se como consistindo de \u201ctarde\u201d e de \u201cmanh\u00e3\u201d. \u00c9 ele portanto um dia literal.<\/p>\n<p>O termo para \u201ctarde\u201d (em Hebraico \u2018ereb) (115) abrange a parte escura do dia, numa representa\u00e7\u00e3o pars pro toto (significando que uma parte, neste caso a \u201ctarde\u201d, representa toda a parte escura do dia) (cf. \u201cdia-noite\u201d em G\u00eanesis 1:14). O termo correspondente, \u201cmanh\u00e3\u201d (em Hebraico bqer) representa, pars pro toto (significando que uma parte, neste caso a \u201cmanh\u00e3\u201d, representa a parte clara do dia), todo o per\u00edodo de claridade do dia (116). Deve-se observar que a express\u00e3o \u201ctarde-manh\u00e3\u201d deve ser compreendida como tendo o mesmo significado em cada um dos seus seis usos no texto de<br \/>\nG\u00eanesis 1 (117).<\/p>\n<p>\u201cTarde e manh\u00e3\u201d \u00e9 uma express\u00e3o temporal que define cada \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o como um dia literal. Ela n\u00e3o pode significar nada mais.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">9. Considera\u00e7\u00f5es baseadas em passagens sobre o s\u00e1bado no Pentateuco<\/span><\/p>\n<p>Outra esp\u00e9cie de evid\u00eancia interna provida no Velho Testamento para o significado dos dias resulta de duas passagens sobre o s\u00e1bado no Pentateuco, que se referem aos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o. Elas informam ao leitor quanto a como os \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o foram compreendidos por Deus.<\/p>\n<p>A primeira passagem faz parte do quarto mandamento expresso por Deus no Monte Sinai e registrado em \u00caxodo 20:9-11 &#8211; \u201cSeis dias trabalhar\u00e1s &#8230; mas o s\u00e9timo dia \u00e9 o s\u00e1bado do Senhor teu Deus &#8230; porque em seis dias fez o Senhor os c\u00e9us e a terra &#8230; e ao s\u00e9timo dia descansou; por isso o Senhor aben\u00e7oou o dia de s\u00e1bado e o santificou\u201d.<\/p>\n<p>Estas palavras s\u00e3o proferidas pelo pr\u00f3prio Jeov\u00e1 (vers\u00edculo 1). As liga\u00e7\u00f5es com a cria\u00e7\u00e3o transparecem do vocabul\u00e1rio (\u201cs\u00e9timo dia\u201d, \u201cos c\u00e9us e a terra\u201d, \u201cdescansou\u201d, \u201caben\u00e7oou\u201d, \u201csantificou\u201d) e no esquema \u201cseis mais um\u201d (ver tamb\u00e9m Deuteron\u00f4mio 5:13-14), apenas para mencionar algumas (118). Evidentemente as palavras usadas nos Dez Mandamentos consideram o \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o como um \u201cdia regular\u201d (119) de 24 horas e demonstram que o ciclo semanal \u00e9 uma ordenan\u00e7a temporal da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estas palavras do Senhor fornecem um balisamento interno no Pentateuco e no Velho Testamento sobre a quest\u00e3o de como Deus, o doador das \u201cDez Palavras\u201d, compreende o \u201cdia\u201d na cria\u00e7\u00e3o. A palavra divina que promulga o mandamento do s\u00e1bado toma os \u201cseis dias\u201d da cria\u00e7\u00e3o como seq\u00fcenciais, cronol\u00f3gicos e literais (120).<\/p>\n<p>O argumento de que as palavras do quarto mandamento nada mais s\u00e3o do que uma \u201canalogia\u201d ou \u201carqu\u00e9tipo\u201d, no sentido de que o repouso do ser humano no s\u00e9timo dia deveria ser semelhante ao repouso de Deus na cria\u00e7\u00e3o (121) baseia-se num reducionismo e numa impermiss\u00edvel altera\u00e7\u00e3o de imagem liter\u00e1ria. Terence Frotheim observou de forma incisiva que o mandamento n\u00e3o usa analogia nem pensamento arquet\u00edpico, mas que a sua \u00eanfase \u201cfirma-se em termos da imita\u00e7\u00e3o de Deus ou em um precedente divino que deve ser seguido: Deus trabalhou durante seis dias e descansou no s\u00e9timo, e portanto n\u00f3s temos que fazer o mesmo\u201d (122).<\/p>\n<p>A segunda passagem sobre o s\u00e1bado no Pentateuco \u00e9 \u00caxodo 31:15-17, que novamente s\u00e3o palavras do pr\u00f3prio Deus. Ela mant\u00e9m v\u00e1rias liga\u00e7\u00f5es terminol\u00f3gicas com G\u00eanesis 1, com cujo texto se relaciona conceitual e tematicamente. Esta passagem deve ser entendida como significando que o \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o foi um dia literal, e que a seq\u00fc\u00eancia dos dias foi cronol\u00f3gica. O s\u00e1bado semanal para o povo de Deus baseia-se na imita\u00e7\u00e3o do exemplo, pois \u201cem seis dias fez o Senhor os c\u00e9us e a terra, e ao s\u00e9timo dia descansou e tomou alento\u201d (vers\u00edculo 17, vers\u00e3o Almeida revista e atualizada;<br \/>\n\u201c&#8230; descansou e achou refrig\u00e9rio\u201d, vers\u00e3o Brasileira).<\/p>\n<p>Deus achou refrig\u00e9rio porque teve prazer em sua obra rec\u00e9m-completada. A humanidade tamb\u00e9m achar\u00e1 refrig\u00e9rio e ter\u00e1 prazer quando observar o s\u00e1bado do s\u00e9timo dia (vers\u00edculo 15).<\/p>\n<p>A natureza do s\u00e1bado como \u201csinal\u201d no vers\u00edculo 15 revela que o observador do s\u00e1bado segue o exemplo divino. Deus mesmo guardou o \u201cs\u00e9timo dia\u201d que os seres humanos que Lhe pertencem dever\u00e3o imitar. Eles assim proceder\u00e3o no mesmo ritmo do ciclo semanal de seis dias literais de trabalho seguidos cronol\u00f3gica e seq\u00fcencialmente pelo \u201cs\u00e9timo dia\u201d como dia de repouso e refrig\u00e9rio, como fez o seu Criador na semana da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span class=\"txtazulneg\">10. Considera\u00e7\u00f5es baseadas na seq\u00fc\u00eancia de eventos<\/span><\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o com plantas produzindo semente, e \u00e1rvores frut\u00edferas, ocorreu no terceiro dia (G\u00eanesis 1:11-12). Grande parte dessa vegeta\u00e7\u00e3o parece ter necessitado de insetos para a poliniza\u00e7\u00e3o. Os insetos, entretanto, foram criados no quinto dia (vers\u00edculo 20). Se a sobreviv\u00eancia desses tipos de plantas que necessitam de insetos para a poliniza\u00e7\u00e3o dependesse deles para a produ\u00e7\u00e3o de sementes e a sua perpetua\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o haveria um s\u00e9rio problema se o \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o significasse \u201c\u00e9poca\u201d ou \u201ceons\u201d. Ainda mais, \u201ca consist\u00eancia da interpreta\u00e7\u00e3o na \u201cteoria do dia-\u00e9poca\u201d exigiria um longo per\u00edodo de ilumina\u00e7\u00e3o e outro de escurid\u00e3o para cada uma das \u00e9pocas supostas. Isto seria imediatamente fatal tanto para as plantas quanto para os animais\u201d (123).<\/p>\n<p>Parece que o \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o deve ser entendido como um dia literal e n\u00e3o como um longo per\u00edodo de tempo, sejam eras, \u00e9pocas ou eons.<\/p>\n<p>Embora esses argumentos possam n\u00e3o ser decisivos, entretanto eles apontam na mesma dire\u00e7\u00e3o que os argumentos ling\u00fc\u00edsticos e sem\u00e2nticos decisivos encontrados no pr\u00f3prio texto hebraico.<\/p>\n<p><b>VI. CONCLUS\u00d5ES<\/b><\/p>\n<p>Este artigo investigou o significado dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o. Ele considerou argumentos-chave a favor de um significado figurativo, n\u00e3o literal, dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o, e achou-os carentes de base quanto \u00e0 pesquisa do g\u00eanero liter\u00e1rio, considera\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias outras, estudo gramatical, usos sint\u00e1ticos e conex\u00f5es sem\u00e2nticas. As evid\u00eancias cumulativas baseadas em considera\u00e7\u00f5es comparativas, liter\u00e1rias, ling\u00fc\u00edsticas e outras, convergem em todos os n\u00edveis, levando \u00e0 conclus\u00e3o \u00fanica de que a designa\u00e7\u00e3o y\u00f4m, \u201cdia\u201d, em G\u00eanesis 1 significa consistentemente um dia literal de 24 horas.<\/p>\n<p>O autor de G\u00eanesis 1 n\u00e3o poderia ter usado meios mais abrangentes e todo-inclusivos para exprimir a id\u00e9ia de um \u201cdia\u201d literal, do que aqueles que escolheu. H\u00e1 uma completa falta de indicadores como preposi\u00e7\u00f5es, express\u00f5es qualificativas, frases construtivas, conex\u00f5es sem\u00e2ntico-sint\u00e1ticas, etc., com base nos quais a designa\u00e7\u00e3o \u201cdia\u201d na semana da cria\u00e7\u00e3o pudesse ser tomada como sendo algo diferente de um dia regular de 24 horas. As combina\u00e7\u00f5es de fatores como o uso de artigos, do n\u00famero singular, das constru\u00e7\u00f5es sem\u00e2ntico-sint\u00e1ticas, das fronteiras do tempo, etc., corroboradas pelas promulga\u00e7\u00f5es divinas como em \u00caxodo 20:8-11 e \u00caxodo 31:12-17, sugerem de maneira \u00fanica e consistente que o \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o tem significado literal, seq\u00fcencial e cronol\u00f3gico.<\/p>\n<p><b>NOTAS<\/b><\/p>\n<p><span class=\"textoCinza\"><i>1. A designa\u00e7\u00e3o \u201cci\u00eancia criacionista\u201d foi definida por lei no Estado de Louisiana (Lei do Senado n\u00ba 86, 1981) da seguinte maneira: \u201c\u201cCi\u00eancia criacionista\u201d significa o conjunto de evid\u00eancias a favor da cria\u00e7\u00e3o, e as infer\u00eancias delas resultantes\u201d. Um palavreado semelhante havia sido usado pouco antes no Estado de Arkansas (Lei 590 de 19 de mar\u00e7o de 1981). Para detalhes, ver Norman L. Geisler, The Creator in the Courtroom (Milford, MI: Mott Media, 1982), 5, 224. Phillip E. Johnson [Darwin on Trial, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o (Doeners Grove, IL: Inter Varsity Press, 1993), 4 n\u00ba 1] afirma que \u201cci\u00eancia criacionista\u201d refere-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o especial de uma terra recente, em seis dias\u201d.<\/i><\/span><\/p>\n<p>2. Esta designa\u00e7\u00e3o \u00e9 prefer\u00edvel, e defendida por Norman L. Geisler e J. Kerby Anderson, Origin Science: A Proposal for the Creation-Evolution Controversy (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1987).<\/p>\n<p>3. O significativo volume de ensaios editados por J. P. Moreland [The Creation Hypothesis: Scientific Evidence for an Intelligent Designer (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1994)] utiliza a designa\u00e7\u00e3o \u201cci\u00eancia te\u00edsta\u201d em oposi\u00e7\u00e3o a \u201cci\u00eancia naturalista\u201d, a acep\u00e7\u00e3o comum da ci\u00eancia que exclui a hip\u00f3tese da exist\u00eancia de Deus desde o in\u00edcio. A \u201cci\u00eancia te\u00edsta\u201d constitui um \u201cprograma de pesquisa &#8230; que, entre outras coisas, baseia-se em duas proposi\u00e7\u00f5es:<br \/>\na. Deus, concebido como um agente pessoal transcendente, de grande poder e intelig\u00eancia, criou e projetou o mundo, atrav\u00e9s de causa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, direta, e causa\u00e7\u00e3o indireta, secund\u00e1ria, tendo um prop\u00f3sito, e interveio no curso de seu desenvolvimento em v\u00e1rias ocasi\u00f5es&#8230;<br \/>\nb. O compromisso expresso na proposi\u00e7\u00e3o anterior pode ser introduzido de maneira adequada na pr\u00f3pria tessitura da pr\u00e1tica cient\u00edfica, e na utiliza\u00e7\u00e3o da metodologia cient\u00edfica\u201d (pp.41-42). Esta defini\u00e7\u00e3o foi elaborada no restante do ensaio inicial de J. P. Moreland no volume citado (\u201cTheistic Science and Metodological Naturalism\u201d, 41-66).<\/p>\n<p>4. Frederic W. Farrar, History of Interpretation (1866; reedi\u00e7\u00e3o, Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1961), 187-203.<\/p>\n<p>5. A sec\u00e7\u00e3o final da obra de Or\u00edgenes \u201cSobre os Primeiros Princ\u00edpios\u201d, Livro Quarto [excerto citado in Karlfried Froehlich, trad.\/ed., Biblical Interpretation in the Early Church (Philadelphia: Fortress Press, 1984), 63] observou que os dias da cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser compreendidos como literais, pois \u00e9 \u201cmuita tolice crer que, como um agricultor humano, Deus plantou um jardim ao ocidente do \u00c9den, e nele criou uma \u00e1rvore da vida, real e vis\u00edvel&#8230;\u201d Ver tamb\u00e9m Terence E. Fretheim, \u201cWere the Days of Creation Twenty-Four Hours Long?\u201d in The Genesis Debate: Persistent Questions About Creation and the Flood, ed. Ronald R. Youngblood (Nashville, TN: Thomas Nelson, 1986), 12-35.<\/p>\n<p>6. Agostinho, A Cidade de Deus, XI, iv, vi-vii.<\/p>\n<p>7. O sentido qu\u00e1druplo das Escrituras consiste do seguinte: 1) sentido literal; 2) sentido aleg\u00f3rico (espiritual-m\u00edstico); 3) sentido anag\u00f3gico (futuro), e 4) sentido tropol\u00f3gico (moral). Ver Farrar, 205.<\/p>\n<p>8. O New Catechism of the Catholic Church, publicado em Ingl\u00eas em 1994, afirma: \u201cDe acordo com uma tradi\u00e7\u00e3o antiga, pode-se distinguir entre dois sentidos das Escrituras: o literal e o espiritual, o \u00faltimo sendo subdividido nos sentidos aleg\u00f3rico, moral (tropol\u00f3gico), e anag\u00f3gico. A concord\u00e2ncia profunda dos quatro sentidos garante toda a sua riqueza para a leitura viva das Escrituras na Igreja\u201d. Em seguida, na mesma p\u00e1gina, \u00e9 afirmado que: \u201c\u00c9 tarefa dos exegetas operar, de acordo com estas regras, melhor entendimento e explica\u00e7\u00e3o do significado das Escrituras Sagradas&#8230;\u201d [Catechism of the Catholic Church (Cidade do Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 1994), 33].<\/p>\n<p>9. Ver: a) Robert M. Grant, A Short History of the Interpretation of the Bible (New York: Macmillan, 1963), 128-129; b) Emil G. Kraeling, The Old Testament since the Reformation (New York: Schocken Books, 1969), 9-32; c) John Rogerson, Christopher Rowland, e Barnabas Lindars, The Study and Use of the Bible, vol. 2 de The History of Christian Theology (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1988), 77-95.<\/p>\n<p>10. Martinho Lutero (em Ingl\u00eas), Lectures on Genesis: Chapters 1-5, Luther\u2019s Works (St. Louis, MO: Concordia Publishing House, 1958), 1:5. Lutero, ao comentar a frase \u201ctarde e manh\u00e3\u201d afirma que o dia da cria\u00e7\u00e3o \u201cconsiste de 24 horas\u201d (1:42).<\/p>\n<p>11. O desenvolvimento do m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico a partir do s\u00e9culo dezessete at\u00e9 atingir a sua plena maturidade no fim do s\u00e9culo dezenove, n\u00e3o alterou de forma decisiva a interpreta\u00e7\u00e3o dos \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o. A raz\u00e3o para isso foi que o texto b\u00edblico passou a ser visto como um artefato do passado sem qualquer rela\u00e7\u00e3o direta com o sistema de cren\u00e7as do presente.<\/p>\n<p>12. O te\u00f3logo escoc\u00eas Thomas Chalmers (1780-1847) \u00e9 tido como o primeiro proponente do ponto de vista de que os seis \u201cdias\u201d da cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o na realidade \u201cdias de reconstru\u00e7\u00e3o\u201d, dando origem \u00e0 \u201chip\u00f3tese da ru\u00edna-reconstru\u00e7\u00e3o\u201d [ver W. Hanna, ed., Select Works of Thomas Chalmers (Edinburgh: T. Constable and Co., 1855), 5:146-150]. Esta hip\u00f3tese encontrou fortes defensores tais como George H. Pember [Earth\u2019s Earliest Ages, 2\u00aa ed. (Londres: Hodder and Stoughton, 1907)] e mais recentemente A. C. Custance, Without Form and Void (Brookville, Ont: Pelo Autor, 1970). A cr\u00edtica mais detalhada e erudita da \u201chip\u00f3tese da ru\u00edna-reconstru\u00e7\u00e3o\u201d foi produzida por Weston W. Fields, Unformed and Unfilled: The Gap Theory (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1978). Ver tamb\u00e9m Henri Blocher, In the Beginning: The Opening Chapters of Genesis (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1984), 41-43.<\/p>\n<p>13. Embora n\u00e3o tenha sido o primeiro a alegar que os dias da cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o realmente seis dias de revela\u00e7\u00e3o, o ge\u00f3logo escoc\u00eas Hugh Miller (1802-1856) foi o mais proeminente autor do s\u00e9culo dezenove a proclamar essa id\u00e9ia [Francis Haber, The Age of the World: Moses to Darwin (Baltimore, MD: The Johns Hopkins University Press, 1959), 236-237]. No s\u00e9culo vinte esse ponto de vista foi proposto por P. J. Wiseman, pai do famoso assiriologista Donald Wiseman. Mais al\u00e9m ser\u00e1 apresentado mais a esse respeito.<\/p>\n<p>14. A teoria do \u201cdia-\u00e9poca\u201d originou-se no s\u00e9culo dezoito e atingiu preemin\u00eancia no s\u00e9culo dezenove com os escritos dos ge\u00f3logos James D. Dana e J. W. Dawson. Ver Bernard Ramm, The Christian View of Science and Scripture, 2\u00aa ed. (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1971), 211; e Haber, 122-123, 199-200, 255.<\/p>\n<p>15. Para uma revis\u00e3o cr\u00edtica dessas id\u00e9ias, ver Thomas A. McIver, \u201cCreationism: Intellectual Origins, Cultural Context and Theoretical Diversity\u201d (disserta\u00e7ao de doutorado, Universidade da Calif\u00f3rnia, Los Angeles, 1989), 450-495.<\/p>\n<p>16. Dentre os muitos estudos que se dedicaram a esse assunto, ver Charles Coulston Gillispie, Genesis and Geology: A Study in the Relations of Scientific Thought, Natural Theology and Social Opinion in Great Britain, 1790-1850 (New York: Harper Torchbooks, 1959); R. Hooykaas, Religion and the Rise of Modern Science (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1972).<\/p>\n<p>17. Algumas publica\u00e7\u00f5es recentes ilustrativas desta mudan\u00e7a incluem Richard J. Blackwell, Galileo, Bellarmine, and the Bible (Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press, 1991); Charles E. Hummel, The Galileo Connection: Resolving Conflicts between Science and the Bible (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1986); William John Hausmann, Science and the Bible in Lutheran Theology (Washington, DC: University Press of America, 1978).<\/p>\n<p>18. Vern S. Poythress, Science and Hermeneutics: Implications of Scientific Method for Biblical Interpretation (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1988), 24.<\/p>\n<p>19. Ibidem.<\/p>\n<p>20. Na an\u00e1lise final, a conclus\u00e3o \u00faltima a respeito da norma final quanto aos pontos de vista cient\u00edficos e a f\u00e9 religiosa provavelmente \u00e9 tirada com base na convic\u00e7\u00e3o, ou pressuposi\u00e7\u00e3o, da postura do int\u00e9rprete com rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de autoridade da ci\u00eancia e da f\u00e9. Devemos tamb\u00e9m argumentar que a ci\u00eancia est\u00e1 constantemente em transforma\u00e7\u00e3o, e que ela n\u00e3o faz nenhuma alega\u00e7\u00e3o absoluta.<\/p>\n<p>21. John C. L. Gibson, Genesis, The Daily Study Bible, vol. 1 (Edinburgh: The Saint Andrews Press, 1981), 56.<\/p>\n<p>22. Ibidem, 55.<\/p>\n<p>23. Ibidem.<\/p>\n<p>24. Hansj\u00f6rg Br\u00e4umer, Das erst Buch Mose. Wuppertaler Studienbibel, Kapitel 1-11 (Wuppertal: R. Brockhaus Verlag, 1983), 44.<\/p>\n<p>25. D. Stuart Briscoe, Genesis, The Communicator\u2019s Commentary (Waco, TX: Word Books, 1987), 37.<\/p>\n<p>26. Observe a discuss\u00e3o bastante \u00fatil a respeito dos v\u00e1rios grupos e defini\u00e7\u00f5es de concordismo feita por John T. Baldwin, em \u201cInspiration, the Natural Sciences, and a Window of Opportunity\u201d, Journal of the Adventist Theological Society 5\/1 (1994), 131-154, esp. 139-43; por Davis A. Young, em \u201cThe Discovery of Terrestrial History\u201d, Portraits of Creation: Biblical and Scientific Perspectives on the World\u2019s Formation, eds. Howard J. Van Till, Robert E. Snow, John H. Stek, e Davis A. Young (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1990), 27 n\u00ba 2; por Clark Pinnock, em \u201cClimbing out of a Swamp: The Evangelical Struggle to Understand the Creation Texts\u201d, Interpretation 43\/2 (1989): 143-155.<\/p>\n<p>27. Por exemplo, Derek Kidner, Genesis: An Introduction and a Commentary, Tyndale Old Testament Commentaries (Chicago: InterVarsity Press, 1967), 56.<\/p>\n<p>28. Victor P. Hamilton, The Book of Genesis: Chapters 1-17, The New International Commmentary of the Old Testament (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1990), 54.<\/p>\n<p>29. Para a cr\u00edtica de outros aspectos da \u201cteoria do dia\/\u00e9poca\u201d, ver Lloyd R. Bayley, Genesis, Creation, and Creationism (New York\/Malwah, NJ: Paulist Press, 1993), 125-128.<\/p>\n<p>30. Ibidem, 126.<\/p>\n<p>31. Ver refer\u00eancia n\u00ba 13 acima; cf. Carl F. H. Henry, God Who Stands and Stays, vol. 6 of God, Revelation and Authority (Waco, TX: Word Books, 1983), 2:112.<\/p>\n<p>32. Reimpresso em P. J. Wiseman, Clues to Creation in Genesis, ed. DOnald J. Wiseman (London: Marshall, Morgan &amp; Scott, 1977), 109-207.<\/p>\n<p>33. Kidner, 54.<\/p>\n<p>34. Wiseman, 132-133.<\/p>\n<p>35. William L. Holladay, Jr., A Concise Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1971), 284-285; Francis Brown, S. R. Driver, and Charles A. Briggs, A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (Oxford: Clarendon Press, 1974), 793-795; etc. Ver tamb\u00e9m Helmer Ringgren, \u201c\u2018asah,\u201d in Theologisches W\u00f6rterbuch des alten Testaments, eds. G. Johannes Botterweck and Helmer Ringgren (Stuttgart: W. Kohlhammer, 1987), 6:413-432.<\/p>\n<p>36. Marcus Jastrow, Dictionary of the Targumim, the Talmud Babli and Yerushalmi, and the Midrashic Literature (New York: Pardes Publishing House, 1943), 2:1124-1125).<\/p>\n<p>37. Uma exce\u00e7\u00e3o recente \u00e9 Duane Garrett, Rethinking Genesis: the Sources and Authorship of the First Book of the Pentateuch (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1991), 192-194, que reconhece que a apresenta\u00e7\u00e3o de Wiseman \u201cfoi, entretanto, algo confusa, e n\u00e3o convenceu a muitos\u201d (193 n\u00ba 12). Garrett parece apoiar a id\u00e9ia de \u201cdias\u201d como \u201csete dias de revela\u00e7\u00e3o divina a Mois\u00e9s\u201d, com argumentos da cr\u00edtica formal, tentativa bastante problem\u00e1tica em si mesma.<\/p>\n<p>38. Davis, 27 n\u00ba 2.<\/p>\n<p>39. Hamilton, 54-55.<\/p>\n<p>40. Ibidem, 55.<\/p>\n<p>41. Ibidem, 55-56.<\/p>\n<p>42. Hamilton, 56 n\u00ba 1, refers to C. E. Hummel, \u201cInterpreting Genesis 1\u201d, \u201cJournal of the American Scientific Affiliation 38, (1986): 175-186.<\/p>\n<p>43. Hummel, The Galileo Connection, 214 (it\u00e1licos inseridos)<\/p>\n<p>44. Ibidem, 215.<\/p>\n<p>45. Ibidem.<\/p>\n<p>46. Ibidem, 213-216.<\/p>\n<p>47. Ibidem, 214.<\/p>\n<p>48. Ibidem, 213.<\/p>\n<p>49. Ver as tradu\u00e7\u00f5es recentes do principal estudo de Gunkel: Hermann Gunkel, The Folktale in the Old Testament, trad. Michael D. Rutter (Sheffield: Almond Press, 1987). Excelentes an\u00e1lises e cr\u00edticas sobre a cr\u00edtica formal s\u00e3o fornecidas por Patricia G. Kirkpatrick, The Old Testament and Folklore Study (Sheffield: JSOT Press, 1987) e especialmente por Garrett, 35-50.<\/p>\n<p>50. Hermann Gunkel, The Legends of Genesis: The Biblical Saga and History (New York: Schocken Books, 1964), 1.<\/p>\n<p>51. Ibidem, 7.<\/p>\n<p>52. Ver a penetrante discuss\u00e3o de Jerome Hamer, Karl Barth (Westminster, MD: Newman Press, 1962), 119-122.<\/p>\n<p>53. S. H. Hooke, Middle Eastern Mythology (Baltimore, MD: Penguin Books, 1963), 119-121.<\/p>\n<p>54. Gordon J. Wenham, Genesis 1-15, Word Biblical Commentary, vol. 1: Genesis (Waco, TX: Word Books, 1987), 10.<\/p>\n<p>55. Walter Brueggemann, Genesis: A Bible Commentary for Teaching and Preaching (Atlanta, GA: John Knox Press, 1982), 26.<\/p>\n<p>56. Claus Westermann, Genesis 1-11: A Commentary (London: SPCK Press, 1984), 80.<\/p>\n<p>57. John H. Stek, \u201cWhat Says Scripture?\u201d Portraits of Creation, 236.<\/p>\n<p>58. Gerhard von Rad, Genesis: A Commentary (Philadelphia: Westminster Press, 1972), 65.<br \/>\n59. Atualmente Conrad Hyers, The Meaning of Creation: Genesis and Modern Science (Atlanta: John Knox Press, 1984), 93-114; Susan Niditch, Chaos to Cosmos: Studies in Biblical Patterns of Creation (Chico, CA: Scholars Press, 1985); e muitos outros. Os eruditos encontram uma dificuldade muito maior para definir o que se entende por \u201cmito\u201d. G. B. Caird [The Language and Imagery of the Bible (Philadelphia: Westminster Press, 1980), 219-224] identificou nove diferentes defini\u00e7\u00f5es de \u201cmito\u201d, e John W. Rogerson [Myth in Old Testament Interpretation (Berlin: W. de Gruyter, 1974), 274-278] destacou doze aspectos do mito. Os cap\u00edtulos 1 a 11 de G\u00eanesis n\u00e3o s\u00e3o enquadrados no conceito de mito [ver Benedikt Otzen, Hans Gottlieb, e Knud Jeppesen, Myths in the Old Testament (Londres: SCM Press, 1980)].<\/p>\n<p>60. Gibson, 55; Donald D. Evans, The Logic of Self-Involvement (London: SCM Press, 1963), 242-252.<\/p>\n<p>61. J. A. Thompson, \u201cGenesis 1-3. Science? History? Theology\u201d. Theological Review 3(1966): 25.<\/p>\n<p>62. A abordagem estilo\/forma t\u00e3o amplamente utilizada hoje, especialmente por eruditos da cr\u00edtica, mas tamb\u00e9m aplicada por outras raz\u00f5es por alguns evang\u00e9licos ao cap\u00edtulo 1 de G\u00eanesis, formalmente \u00e9 id\u00eantica ou intimamente associada ao programa de desmitologiza\u00e7\u00e3o de Rudolph Bultmann. Em seu programa, ele desmitologiza o Novo Testamento onde quer que ele se afaste do ponto de vista do homem moderno. Assim, a narrativa da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 desmitologizada de forma a que a ressurrei\u00e7\u00e3o jamais tivesse ocorrido no sentido literal. Os evang\u00e9licos devem estar alertados para o fato de que n\u00e3o podem desmitologizar G\u00eanesis 1 sem fazer o mesmo, de forma extensiva, com o Novo Testamento.<\/p>\n<p>63. Noel Weeks, \u201cThe Hermeneutical Problem of Genesis 1-11\u201d, Themelios 4\/1 (1978):14.<\/p>\n<p>64. Ver Norman C. Habel, Literary Criticism of the Old Testament (Philadelphia: Fortress Press, 1971), 69-70.<\/p>\n<p>65. N\u00e3o vamos tratar da quest\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o estrutural de G\u00eanesis 1 pelo m\u00e9todo do estruturalismo que procura expor as supostas estruturas profundas do texto. O m\u00e9todo subseq\u00fcente do desconstrutivismo na ling\u00fc\u00edstica \u201c\u00e9 uma tentativa de abalar as expectativas do leitor de que um texto comunicar\u00e1 alguma verdade existente independentemente, mostrando que tanto o autor como o leitor s\u00e3o envolvidos pelo sistema de restri\u00e7\u00f5es imposto pelo sistema ling\u00fc\u00edstico e liter\u00e1rio ao qual pertencem, e s\u00e3o capazes de comunicar ou receber somente os significados que o sistema torna poss\u00edveis\u201d. [John Barton, \u201cStructuralism\u201d, Anchor Bible Dictionary, ed. David N. Freedman NY: Doubleday, 1992), 6:216; cf. Jonathan D. Culler, The Pursuit of Signs: Semiotics, Literature, Deconstruction (Ithaca: Cornell University Press, 1981)]. Da mesma forma que o desconstrucionismo nega a qualquer texto um significado fixo e est\u00e1vel, tamb\u00e9m na \u201ccr\u00edtica da resposta-leitor\u201d a id\u00e9ia do significado fixo de um texto \u00e9 deixada de lado [Ver J. Severino Croatto, Biblical Hermeneutics: Towards a Theory of Reading as the Production of Meaning (Maryknoll, NY: Orbis Books, 1987); Edgar V. McNight, The Postmodern Use of the Bible: The Emergence of Reader-Oriented Criticism (Nashville, TN: Abingdon Press, 1988)].<\/p>\n<p>66. Um acontecimento registrado em uma fonte hist\u00f3rica deve ter paralelos na experi\u00eancia moderna) rejeitar\u00e1 todas as reconstru\u00e7\u00f5es do \u00eaxodo do Egito, ou da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que care\u00e7am de explica\u00e7\u00e3o dentro da rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito compreendida pela ci\u00eancia moderna\u201d.<\/p>\n<p>67. Van A. Harvey, The Historian and the Beliver (New York: Macmillan, 1966), 43-64.<\/p>\n<p>68. Edward H. Carr, What Is History? (Harmondsworth: Penguin Books, 1964), 87-108.<\/p>\n<p>69. Edward Krentz, The Historical-Critical Method (Philadelphia Fortress Press, 1975), 57.<\/p>\n<p>70. R. G. Collingwood, The Idea of History (London: Oxford University Press, 1956), 240.<\/p>\n<p>71. Para uma cr\u00edtica do princ\u00edpio da analogia, ver T. Peters, \u201cThe Use of Analogy in Historical Method\u201d, Catholic Biblical Quarterly, 35 (1973): 473-482; Wolfhart Pannenberg, Questions in Theology (Philadelp0hia: Westminster Press, 1970), 1:39-53.<\/p>\n<p>72. Ver o estudo cl\u00e1ssico de William Henry Green, The Unit of the Book Of Genesis (1895; reprint, Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1979).<\/p>\n<p>73. Walter C. Kaiser, \u201cThe Literary Form of Genesis 1-11\u201d, New Perspectives on the Old Testament, ed. J. Barton Payne (Waco, TX: Word Books, 1970), 61.<\/p>\n<p>74. Jacques B. Douklan, The Genesis Creation Story: Its Literary Structure, Andrews University Seminary Doctoral Dissertation Series (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 1978), 5:182.<\/p>\n<p>75. Gunkel, Legends, 38.<\/p>\n<p>76. Garrett, 192.<\/p>\n<p>77. Gerhard F. Hasel, \u201cThe Polemical Nature of the Genesis Cosmology\u201d, Evangelical Quarterly, 46(1974), 81-102, destacou a exist\u00eancia de numerosas \u00eanfases pol\u00eamicas, expl\u00edcitas e impl\u00edcitas, em G\u00eanesis 1. Este fato n\u00e3o diminui em nada o prop\u00f3sito do autor b\u00edblico em escrever um relato que tenha intento liter\u00e1rio para prover informa\u00e7\u00e3o factual e hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>78. Stek, 241.<\/p>\n<p>79. Hummel, The Galileo Connection, 216: \u201cG\u00eanesis 1 est\u00e1 em franco contraste com as descri\u00e7\u00f5es da cria\u00e7\u00e3o feitas pelos vizinhos pag\u00e3os de Israel, c\u00edclicas e recorrentes.<\/p>\n<p>80. Ela n\u00e3o \u00e9 nem \u201cmeta-hist\u00f3ria\u201d, removida da hist\u00f3ria real, nem \u201chist\u00f3ria-salva\u00e7\u00e3o\u201d que nunca ocorreu da forma em que se encontra escrita no Velho Testamento. Cf. Robert Gnuse, Heilsgeschichte as a Model for Biblical Theology (Lanham, MD: University Press of America, 1989).<\/p>\n<p>81. von Rad, 65.<\/p>\n<p>82. Wenham, 19.<\/p>\n<p>83. James Barr, Fundamentalism (Philadelphia: Westminster Press, 1978), 40-43.<\/p>\n<p>84. Hermann Gunkel, Genesis \u00fcbersetzt und erkl\u00e4rt (G\u00f6ttingen: Vandenhoeck &amp; Ruprecht, 1901), 97.<\/p>\n<p>85. Hamilton, 53.<\/p>\n<p>86. Stek, 237-238.<\/p>\n<p>87. Benedickt Hartmann, Philippe Reymond, and Johann Jakob Stamm, Hebr\u00e4isches und Aram\u00e4isches W\u00f6rterbuch der Hebr\u00e4ischen Sprache (Leiden: E. J. Brill, 1990), 382, daqui para diante designado pela sigla HAL. O seu predecessor, Ludwig Koehler and Walter Baumgartner, Lexikon in Veteris Testamenti Libros (Leiden: E. J. Brill, 1958), 372, reza \u201cdia (de 24 horas)\u201d para o dia da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>88. William H. Holladay, A Concise Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1971), 130.<\/p>\n<p>89. Brown, Driver and Briggs, 398.<\/p>\n<p>90. Magne Saeboe, \u201cy\u00f4m\u201d, in Theological Dictionary of the Old Testament, eds. G. Johannes Botterweck and Helmer Ringgren (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1990), 6:23.<\/p>\n<p>91. Ernst Jenni, \u201cjom Tag\u201d, Theologisches Handw\u00f6rterbuch zum Alten Testament, eds. Ernst Jenni and Claus Westermann (Zurich\/Munich: Theologischer Verlag, 1971) 1:709.<\/p>\n<p>92. James Barr, The Semantics of Biblical Language, 3rd ed. (London: SCM Press, 1991), 1.<\/p>\n<p>93. Ibidem<\/p>\n<p>94. HAL, 382-384; Brown, Driver and Briggs, 398-401.<\/p>\n<p>95. Saeboe, 14.<\/p>\n<p>96. Ibidem, 15 : \u201c&#8230; no Hebraico do Velho Testamento , 1057 (45,9%) envolve uma preposi\u00e7\u00e3o (especialmente com o singular)\u201d.<\/p>\n<p>97. Ibidem, 14-20.<\/p>\n<p>98. E. Kautzsch and A. E. Cowley, eds., Gesenius\u2019 Hebrew Grammar, 2\u00ba ed. (Oxford: Clarendon Press, 1910), 347 #114e: \u201cEste uso da constru\u00e7\u00e3o infinitiva \u00e9 especialmente freq\u00fcente em conex\u00e3o com be ou ke para exprimir determina\u00e7\u00f5es temporais (em Ingl\u00eas resumido a uma cl\u00e1usula temporal&#8230;)&#8230;\u201d<\/p>\n<p>99. Westermann, 198.<\/p>\n<p>100. Saeboe, 15.<\/p>\n<p>101. Ibid., 13; Jenni, 708.<\/p>\n<p>102. Jenni, 707, notes that there are only four nouns used more often in the Old Testament.<\/p>\n<p>103. Ibid., 708.<\/p>\n<p>104. Stek, 237, est\u00e1 certo em observar que cada \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o tem de ser o mesmo, pois a express\u00e3o temporal \u201ctarde e manh\u00e3\u201d e o numeral respectivo s\u00e3o id\u00eanticos em todos os casos. Em outras palavras, cada \u201cdia\u201d da cria\u00e7\u00e3o tem igual dura\u00e7\u00e3o. A partir disto, mostra ele que n\u00e3o \u00e9 defens\u00e1vel argumentar que os primeiros tr\u00eas \u201cdias\u201d foram longos per\u00edodos de tempo, enquanto que os restantes \u201cdias\u201d foram de 24 horas. Esta \u00faltima posi\u00e7\u00e3o foi discutida por Edward J. Young, Studies in Genesis One (Philadelphia: Presbyterian and Reformed Publishing House, 1964), 104, e encontrou um recente defensor em R. Clyde McCone, \u201cWere the Days of Creation Twenty-four Hours Long?\u201d The Genesis Debate, 24. Young e adeptos inclinam-se a separar a dura\u00e7\u00e3o dos dias da cria\u00e7\u00e3o alegando que o sol e a lua n\u00e3o tinham sido criados ainda at\u00e9 o quarto dia. A quest\u00e3o realmente \u00e9 quanto a ser realmente este o caso. Parece prov\u00e1vel que no quarto dia Deus designou o sol e a lua para governar respectivamente o dia e a noite. Esta designa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o se contrap\u00f5e \u00e0 exist\u00eancia anterior do sol e da lua. \u00c9 poss\u00edvel que eles n\u00e3o estivessem vis\u00edveis \u00e0 vista humana antes do quarto dia. Por esta raz\u00e3o muitos sugerem que poderia ter existido uma cobertura de n\u00favens ou de vapor anterormente ao quarto dia.<\/p>\n<p>105. Saeboe, 22-23.<\/p>\n<p>106. Bruce K. Waltke, \u201cy\u00f4m, day, time, year\u201d, Theological Wordbook of the Old Testament, ed. R. Laird Harris (Chicago: Moody Press, 1980), 371.<\/p>\n<p>107. Hamilton, 54.<\/p>\n<p>108. Ralph L. Smith, Micah-Malachi, Word Biblical Commentary (Waco, TX: Word Books, 1984), 277.<\/p>\n<p>109. A outra exce\u00e7\u00e3o \u00e9 com n\u00fameros acima de 1000 no texto apocal\u00edptico de Daniel 12:11-12 com refer\u00eancia aos 1290 \u201cdias\u201d e aos 1335 \u201cdias\u201d. Existem algumas diferen\u00e7as com rela\u00e7\u00e3o a G\u00eanesis 1. Nas duas passagens de Daniel 12 a forma plural de \u201cdias\u201d \u00e9 empregada em contraste com G\u00eanesis 1. Em G\u00eanesis 1 o \u201cdia\u201d refere-se ao que aconteceu no passado; em Daniel 12 \u201cdias\u201d referem-se a um tempo prof\u00e9tico no futuro. O contexto de todas as outras predi\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas no livro de Daniel torna claro que na perspectiva prof\u00e9tica cada elemento de tempo, sejam \u201ctempos\u201d (4:16, 23, 25, 32), \u201ctempo, tempos e metade de um tempo\u201d (7:25), \u201ctardes e manh\u00e3s\u201d (8:14), \u201csemanas\u201d (9:24), e \u201cdias\u201d (12:11-12), representa uma outra realidade no tempo hist\u00f3rico real. Em outras palavras, em Daniel o princ\u00edpio do dia\/ano est\u00e1 presente todas as vezes que se apresenta uma profecia temporal. O contexto apocal\u00edptico de Daniel \u00e9 diferente do contexto da cria\u00e7\u00e3o de G\u00eanesis 1. O tempo no in\u00edcio, na cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 id\u00eantico ao tempo preditivo que encontra o seu cumprimento no futuro hist\u00f3rico. Em G\u00eanesis 1 nada h\u00e1 de preditivo. Este texto \u00e9 um registro em prosa do passado, e n\u00e3o profecia apocal\u00edptica do futuro. Essas perspectivas de conte\u00fado e de contexto n\u00e3o garantem o afastamento do significado direto no relato da cria\u00e7\u00e3o em G\u00eanesis.<\/p>\n<p>110. Em G\u00eanesis 1:31 o Hebraico tem um artigo tanto antes de y\u00f4m quanto do numeral. Em G\u00eanesis 2:3 o artigo est\u00e1 somente antes do numeral que segue o substantivo y\u00f4m. De acordo com a sintaxe hebraica, o artigo no \u00faltimo caso torna articular a palavra que o numeral qualifica.<\/p>\n<p>111. Ronald F. Youngblood, The Book of Genesis, 2\u00aa ed. (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1991), 26. Westermann, 76, de fato traduz \u201cum dia\u201d.<\/p>\n<p>112. Youngblood, Genesis, 26.<\/p>\n<p>113. Bruce. K. Waltke and M. O\u2019Connor, An Introduction to Biblical Hebrew Syntax (Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1990), 274. A tradu\u00e7\u00e3o \u201cdia um\u201d n\u00e3o est\u00e1 sintaticamente correta, mesmo que seja usado aqui o cardinal. Em cl\u00e1usulas do tipo de G\u00eanesis 1:5 o cardinal serve efetivamente como um n\u00famero ordinal (Nahum M. Sarna, Genesis, The JPS Torah Commentary [Philadelphia: Jewish Publication Society, 1989], 8, 353).<\/p>\n<p>114. Youngblood, Genesis, 26.<\/p>\n<p>115. Ver Herbert Niehr, \u201c\u2018ereb\u201d, Theologisches W\u00f6rterbuch zum Alten Testament, 6:359-366.<\/p>\n<p>116. M. Barth, \u201cboqer\u201d, Theological Dictionary of the Old Testament, 2:225.<\/p>\n<p>117. Werner H. Schmidt, Die Sch\u00f6pfungsgeschichte der Priesterschrift, 2d ed. (Neukirchen-Vluyn: Neukirchener Verlag, 1967), 68.<\/p>\n<p>118. Ver Niels-Erik A. Andreasen, The Old Testament Sabbath: A Tradition-Historical Interpretation, SBL Dissertation Series N\u00ba 7 (Missoula, MT: Society of Biblical Literature, 1972), 174-202; Gerhard F. Hasel, \u201cThe Sabbath in the Pentateuch\u201d, The Sabbath in Scripture and History, ed. Kenneth A. Strand (Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, 1982), 21-43; idem, \u201cSabbath\u201d, The Anchor Bible Dictionary, 849-856; Gnana Robinson. The Origin and Development of the Old Testament Sabbath: A Comprehensive Exegetical Approach (Frankfurt: Peter Lang, 1988), 139-142, 296-301.<\/p>\n<p>119. Schmidt, 68 n\u00ba 5.<\/p>\n<p>120. Ver tamb\u00e9m Weeks, 18: \u201cO mandamento perde completamente sua for\u00e7a convincente se eles (os \u201cdias\u201d) n\u00e3o forem tomados literalmente.<\/p>\n<p>121. Blocher, 48; ver tamb\u00e9m Henricus Renckens, Israel\u2019s Concept of the Beginning: The Theology of Genesis 1-3 (New York: Herder &amp; Herder, 1964), 98-100.<\/p>\n<p>122. Fretheim, 20.<\/p>\n<p>123. Bailey, 126.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"textoLaranja\" align=\"center\" valign=\"TOP\">Artigo publicado na<a class=\"titulogrdazul\" href=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/revistas\/folha-criacionista-no-53-2o-semestre-de-1995-ano-24\/\">Folha Criacionista 53<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I. INTRODU\u00c7\u00c3O Nas \u00faltimas d\u00e9cadas o destaque crescente que tem sido dado ao criacionismo, \u00e0 \u201cci\u00eancia criacionista\u201d (1), \u00e0 \u201cci\u00eancia das origens\u201d (2), e \u00e0 \u201cci\u00eancia te\u00edsta\u201d (3), tem criado um clima em que perguntas antigas t\u00eam surgido com enfoques espec\u00edficos e nova sofistica\u00e7\u00e3o. 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