{"id":385,"date":"1971-06-07T23:19:28","date_gmt":"1971-06-08T02:19:28","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/?p=385"},"modified":"2022-10-27T00:22:44","modified_gmt":"2022-10-27T03:22:44","slug":"a-natureza-do-pensamento-evolucionista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/artigos\/a-natureza-do-pensamento-evolucionista\/","title":{"rendered":"A Natureza do Pensamento Evolucionista"},"content":{"rendered":"<p>O argumento de que a ci\u00eancia moderna \u00e9 objetiva, e que, portanto, os crist\u00e3os devem aceitar suas conclus\u00f5es relativamente \u00e0 Evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 respondido do ponto de vista da filosofia da ci\u00eancia. Examina-se o m\u00e9todo cientifico para lan\u00e7ar luz sobre a hierarquia de estruturas explicativas que guiam o cientista em suas pesquisas. Analisam-se ent\u00e3o a paleo-ci\u00eancia e a neo-ci\u00eancia, com o intuito de revelar as diferen\u00e7as radicais entre elas, com rela\u00e7\u00e3o a essas estruturas.<\/p>\n<p>Conclui-se que as estruturas da paleo-ci\u00eancia (das quais o Darwinismo \u00e9 um destacado exemplo) n\u00e3o podem ser cientificamente comprovadas ou reprovadas.<\/p>\n<p>Para ganhar significado emp\u00edrico, essas estruturas devem combinar-se com estruturas da neo-ci\u00eancia, a qual \u00e9 a \u00fanica que pode ser cientificamente testada. Na ado\u00e7\u00e3o e na conserva\u00e7\u00e3o de estruturas paleo-cient\u00edficas, s\u00e3o primordiais as posi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e religiosas.<\/p>\n<h3>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>No debate sobre a Evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 freq\u00fcentemente levantado um argumento particular contra a posi\u00e7\u00e3o criacionista, que pode ser expresso da seguinte maneira:<\/p>\n<p>&#8220;A ci\u00eancia, tal qual a conhecemos, teve suas ra\u00edzes em solo crist\u00e3o. Os primeiros cientistas reconheciam que a natureza \u00e9 tamb\u00e9m um livro de Deus, e que deveriam humildemente estudar a Sua Cria\u00e7\u00e3o se desejassem aprender os seus segredos.<\/p>\n<p>Desta maneira contornavam as est\u00e9reis controv\u00e9rsias da filosofia (escol\u00e1stica) e desenvolviam um procedimento objetivo neutro com rela\u00e7\u00e3o a cren\u00e7as filos\u00f3ficas e religiosas.<\/p>\n<p>Mesmo T. H. Huxley escreveu que &#8220;a grande verdade que se incorpora na concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de entrega completa \u00e0 vontade de Deus&#8221; \u00e9 &#8220;sentar-se diante do fato como uma crian\u00e7a, preparar-se para deixar de lado cada no\u00e7\u00e3o preconcebida, seguir humildemente por qualquer que seja o abismo pelo qual a natureza conduza, ou ent\u00e3o n\u00e3o aprender nada&#8221; (1).<\/p>\n<p>Assim, se os atuais herdeiros desta tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 nos dizem que suas pesquisas demonstram ser a evolu\u00e7\u00e3o um fato, devemos humildemente aceit\u00e1-lo. Entretanto, seria melhor devotarmos nossas energias \u00e0 tarefa mais importante de atacar a filosofia materialista do evolucionismo, que foi constru\u00edda sobre dados cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Certamente n\u00e3o devemos cair na mesma armadilha que os humanistas, introduzindo considera\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e religiosas na discuss\u00e3o de teorias biol\u00f3gicas&#8221;.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio fato de que tal argumento possa ser seriamente levantado \u00e9, no meu entender, uma s\u00e9ria acusa\u00e7\u00e3o ao nosso sistema educacional. A nossa educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 quase que projetada para restringir nossa capacidade cr\u00edtica. Em particular, a hist\u00f3ria e a filosofia da ci\u00eancia s\u00e3o quase completamente desprezadas.<\/p>\n<p>Assim, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 tentativa de pesquisar o quanto eram realmente crist\u00e3os em seus pensamentos os primeiros cientistas, ou mesmo de discutir o que exatamente significa na pr\u00e1tica o &#8220;pensamento crist\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O efeito desta defici\u00eancia em nossa educa\u00e7\u00e3o transparece claramente no debate a respeito da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>O m\u00e9todo cient\u00edfico<\/h3>\n<p>Como a maior parte dos cientistas tem pouca ou nenhuma base filos\u00f3fica, n\u00e3o \u00e9 surpreendente que a filosofia da ci\u00eancia seja geralmente considerada como irrelevante. De fato, ela freq\u00fcentemente \u00e9 pintada como mera especula\u00e7\u00e3o de pessoas incompetentes cientificamente! Esse preconceito profundamente arraigado leva muitos cientistas a adotar um ponto de vista simplesmente emp\u00edrico a respeito do m\u00e9todo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Assim, diz-se que o cientista inicia sua tarefa colecionando fatos atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o e da experimenta\u00e7\u00e3o. A inspe\u00e7\u00e3o desses fatos revelar\u00e1 algumas caracter\u00edsticas de ordem, alguma tend\u00eancia, permitindo ao cientista a formula\u00e7\u00e3o de uma hip\u00f3tese preliminar. Finalmente, se esta hip\u00f3tese sobreviver aos testes, o cientista anunciar\u00e1 a descoberta de uma nova teoria ou de uma nova lei da natureza (2).<\/p>\n<p>Se fosse verdadeiro, tal procedimento claramente garantiria a objetividade e neutralidade da ci\u00eancia. Por\u00e9m \u00e9 ele t\u00e3o m\u00edtico qu\u00e3o popular. Por mais restrita que seja a \u00e1rea de investiga\u00e7\u00e3o, o cientista sempre se depara com tal avalanche de fatos que, se sentasse diante deles como uma crian\u00e7a, seria esmagado. O cientista deve enfrentar o seu trabalho com uma teoria (preliminar) que lhe permitir\u00e1 selecionar os fatos que s\u00e3o relevantes para o seu problema. Ele tem, por assim dizer, uma rede com uma determinada malha, e o que a sua rede n\u00e3o segurar, n\u00e3o \u00e9 fato.<\/p>\n<p>Por outro lado, a sua rede \u00e9 tamb\u00e9m um sistema de coordenadas, pois ela interpreta os fatos. Sem o contexto que ela prov\u00ea, ele n\u00e3o saberia o que est\u00e1 observando. De fato, sobre uma simples base emp\u00edrica n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para um problema cientifico: se conhe\u00e7o aquilo a que estou procurando, n\u00e3o h\u00e1 problema; se n\u00e3o conhe\u00e7o, como posso ter esperan\u00e7a de jamais descobrir algo?! (3)<\/p>\n<h3>Estruturas Conceituais<\/h3>\n<p>Contudo, at\u00e9 aqui temos somente adiado o problema. Se houver milhares de fatos que possam ser relevantes para um dado problema, h\u00e1 tamb\u00e9m milhares de teorias que poderiam explicar os milhares de fatos. Assim, se n\u00e3o levarmos em conta, no momento, certos per\u00edodos cr\u00edticos, \u00e9 claro que um cientista considerar\u00e1 somente um certo tipo de teoria, e ter\u00e1 mesmo de ser um g\u00eanio para elaborar uma \u00fanica teoria. Neste sentido, tamb\u00e9m o cientista usa tapa-olhos para progredir.<\/p>\n<p>Da mesma maneira em que ele escolhe os fatos que s\u00e3o relevantes para uma teoria, escolhe tamb\u00e9m as teorias que s\u00e3o especificadas por uma estrutura conceitual &#8211; uma estrutura de refer\u00eancia conceitual para teorias (4) (designada doravante pelas iniciais E.C.). Como exemplo de tais E.C. temos o logicismo, o intuicionismo e o formalismo na Matem\u00e1tica, as teorias at\u00f4mica, termodin\u00e2mica e qu\u00e2ntica na F\u00edsica e na Qu\u00edmica, e o Weismannismo, o Mendelismo e a Teoria Celular na Biologia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-387\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/h2o.jpg\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/h2o.jpg 215w, https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/h2o-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/><\/p>\n<p>Em outras palavras, a teoria que expomos em nosso trabalho \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o particular de nossas id\u00e9ias anteriores (ou id\u00e9ias de outrem) sobre a natureza das coisas. As E.C., por sua vez, baseiam-se num ponto de vista filos\u00f3fico da realidade.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, de continuar essa an\u00e1lise imediatamente, desejo passar \u00e0 quest\u00e3o do &#8220;status&#8221; cient\u00edfico: como determinamos se uma teoria ou E.C. pertence ou n\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia? Isto \u00e9, por que crit\u00e9rios podemos fazer distin\u00e7\u00e3o entre os conceitos da Qu\u00edmica e da Alquimia, ou entre a Astronomia e a Astrologia? Desejo restringir a discuss\u00e3o ao crit\u00e9rio da falseabilidade ou falsificabilidade, de Popper (5). Este crit\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 completamente adequado, por\u00e9m traz \u00e0 luz aspectos das teorias que s\u00e3o extremamente relevantes para uma an\u00e1lise da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>O &#8220;status&#8221; das teorias<\/h3>\n<p>Em termos do crit\u00e9rio de Popper, admitimos uma teoria como cient\u00edfica se a sua estrutura l\u00f3gica for tal que seja poss\u00edvel indicar observa\u00e7\u00f5es que a refutem. Essa exig\u00eancia \u00e9 baseada na assimetria l\u00f3gica entre verifica\u00e7\u00e3o e falsifica\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o podemos jamais verificar uma teoria por observa\u00e7\u00f5es (pois outra teoria pode tamb\u00e9m explic\u00e1-las), mas podemos refut\u00e1-la pelas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>O &#8220;status&#8221; das Estruturas Conceituais<\/h3>\n<p>Aqui, o crit\u00e9rio de Popper revela um ponto importante: as E.C. n\u00e3o podem ser refutadas pela observa\u00e7\u00e3o. Uma lei tal como a lei de Boyle &#8211; a press\u00e3o e o volume de um g\u00e1s variam inversamente, mantida constante a temperatura &#8211; \u00e9 refut\u00e1vel porque os conceitos empregados s\u00e3o instanciativos (6), isto \u00e9, os conceitos de &#8220;press\u00e3o&#8221;, &#8220;volume&#8221; e &#8220;g\u00e1s&#8221; referem-se a coisas que podemos observar ou experimentar (inst\u00e2ncias). Para a comprova\u00e7\u00e3o desta lei derivamos uma simples predi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>(1) Este corpo \u00e9 um g\u00e1s.<br \/>\n(2) Portanto este corpo obedecer\u00e1 \u00e0 lei de Boyle<\/p>\n<p>Uma lei de estrutura conceitual como o Primeiro Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica (a energia \u00e9 sempre conservada, isto \u00e9, n\u00e3o pode ser nem criada nem destru\u00edda) \u00e9 muito menos tang\u00edvel. &#8220;Energia&#8221; \u00e9 um conceito n\u00e3o instanciativo (7). Esse \u00e9 um ponto importante, e seria \u00fatil tentar explicar essa diferen\u00e7a de outro modo.<\/p>\n<p>Nossa experi\u00eancia di\u00e1ria \u00e9 de coisas e fatos concretos. A nossa experi\u00eancia relativa a um cachorro n\u00e3o \u00e9 dividida em experi\u00eancias separadas relativas a sua unicidade matem\u00e1tica, sua massa f\u00edsica, seu crescimento biol\u00f3gico, sua forma est\u00e9tica, etc. Nossa experi\u00eancia relativa ao cachorro (como de outras coisas mais), \u00e9 integral e indivis\u00edvel.<\/p>\n<p>Entretanto, nas Ci\u00eancias investigamos tais abstra\u00e7\u00f5es de primeira ordem como as que foram mencionadas &#8211; as v\u00e1rias qualidades ou fun\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, biol\u00f3gicas, etc. Em seguida, descobrimos que cada um desses tipos de fun\u00e7\u00e3o tem um denominador comum que nos permite derivar abstra\u00e7\u00f5es de segunda ordem tais como &#8220;n\u00famero&#8221; (abstra\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica), &#8220;movimento&#8221; (abstra\u00e7\u00e3o cin\u00e9tica), &#8220;energia&#8221; (abstra\u00e7\u00e3o f\u00edsica), &#8220;vida&#8221; (abstra\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica), que denotam na nossa experi\u00eancia do universo aquilo que nos habilita a distinguir um certo tipo de qualidade dentre todos os demais (8).<\/p>\n<p>Ora, por causa disso, qualquer estrutura que contenha somente conceitos de segunda ordem, ou n\u00e3o instanciativos, n\u00e3o pode ser refutada pela observa\u00e7\u00e3o. Para manipular o Primeiro Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica temos de formular teorias espec\u00edficas envolvendo formas conhecidas (isto \u00e9, especificadas) do efeito-energia (mec\u00e2nica, t\u00e9rmica, etc.). (Observe que esses s\u00e3o conceitos de primeira ordem).<br \/>\nSe qualquer dessas teorias for refutada, ent\u00e3o a estrutura conceitual nos dir\u00e1 como construir nova teoria (possivelmente supondo a exist\u00eancia de nova forma de energia, o que realmente aconteceu no caso da energia nuclear). No curso normal dos acontecimentos, a E.C. propriamente dita nem sequer ser\u00e1 questionada.<\/p>\n<h3>Refuta\u00e7\u00e3o das Estruturas Conceituais<\/h3>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o program\u00e1tica ou regulativa permite-nos formular um crit\u00e9rio (popperiano) de &#8220;status&#8221; cient\u00edfico. Para ser admitida como cientifica, uma E.C. deve ser capaz de interpreta\u00e7\u00e3o emp\u00edrica; isto significa que devemos ser capazes de ligar seus termos e conceitos a aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas dentro do contexto das teorias espec\u00edficas refut\u00e1veis Desta maneira, somos incapazes de aceitar o conceito de Driesch sobre &#8220;entel\u00e9quia&#8221;, por\u00e9m somos capazes de aceitar a igualmente m\u00edstica &#8220;for\u00e7a gravitacional&#8221; de Newton.<\/p>\n<p>Se uma E.C. permite a formula\u00e7\u00e3o de teorias test\u00e1veis, ent\u00e3o ela \u00e9 pass\u00edvel de ser refutada, e isso atrav\u00e9s de teorias, as quais s\u00e3o independentemente baseadas (9). Exemplificando, a formula\u00e7\u00e3o da equa\u00e7\u00e3o de onda de Schr\u00f6dinger (que prediz o espectro de emiss\u00e3o do \u00e1tomo de Hidrog\u00eanio) prov\u00ea uma teoria que refuta o princ\u00edpio da estrutura conceitual de que a energia ocorre em todas as quantidades poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Esse exemplo revela um ponto crucial. Nossa discuss\u00e3o at\u00e9 aqui implicava que a falsifica\u00e7\u00e3o opera in vacuo, isto \u00e9, que ela deve levar \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 raramente o caso, entretanto. Uma refuta\u00e7\u00e3o tem o necess\u00e1rio poder para eliminar uma teoria ou E.C. somente quando tiver o suporte de uma alternativa aceit\u00e1vel. Na aus\u00eancia de tal alternativa, as observa\u00e7\u00f5es discordantes s\u00e3o simplesmente ignoradas, engavetadas ou deixadas sem explica\u00e7\u00e3o. Desta maneira, a equa\u00e7\u00e3o de onda de Schr\u00f6dinger foi desenvolvida depois de ter vindo \u00e0 exist\u00eancia a E.C. do &#8220;quantum&#8221;, utilizando os conceitos por ela providos (10).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-388\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/paisagem2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"162\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/paisagem2.jpg 500w, https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/paisagem2-300x97.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h3>A Origem das Estruturas Conceituais<\/h3>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de uma E.C. (isto \u00e9, a determina\u00e7\u00e3o de sua aceitabilidade) envolve uma decis\u00e3o filos\u00f3fica, e n\u00e3o meramente uma decis\u00e3o cient\u00edfica. Teorias alternativas geralmente s\u00e3o comparadas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mesma estrutura conceitual, o que garante um significado est\u00e1vel para os termos empregados. Por\u00e9m E.C. alternativas podem n\u00e3o ter sequer uma afirma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em comum. E.C. que se oponham n\u00e3o podem nunca incorporar os mesmos dados cient\u00edficos, porque eles estar\u00e3o completamente permeados pela configura\u00e7\u00e3o conceitual diversa (11).<\/p>\n<p>Considerem-se, por exemplo, os diferentes significados atribu\u00eddos aos termos &#8220;espa\u00e7o&#8221;, &#8220;tempo&#8221;, &#8220;movimento&#8221;, &#8220;mat\u00e9ria&#8221; e &#8220;for\u00e7a&#8221; na F\u00edsica Newtoniana e na Einsteiniana. Na discuss\u00e3o entre adeptos de diferentes E.C., cada um deles se v\u00ea amarrado fundamentalmente a pontos de vista opostos, porque ningu\u00e9m permitir\u00e1 ao oponente as hip\u00f3teses extracient\u00edficas necess\u00e1rias \u00e0 defesa de sua causa.<\/p>\n<h3>Estruturas Conceituais Evolucionistas<\/h3>\n<p>A pr\u00f3pria &#8220;teoria da evolu\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o \u00e9, de fato, nem uma teoria, nem uma E.C. e sim um dogma filos\u00f3fico de continuidade. E, dentro desta posi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, tr\u00eas E.C. principais foram objeto de articula\u00e7\u00e3o: o Darwinismo, o &#8220;Saltacionismo&#8221; e o Lamarquismo. Deve ser ressaltado que se trata de E.C. &#8211; elas n\u00e3o podem ser provadas nem rejeitadas pela observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9, portanto bastante interessante quando os evolucionistas declaram que &#8220;rejeitamos a cria\u00e7\u00e3o especial como explica\u00e7\u00e3o adequada porque n\u00e3o podemos imaginar qualquer meio pelo qual ela possa ser submetida a comprova\u00e7\u00e3o v\u00e1lida, porque n\u00e3o podemos imaginar qualquer observa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se enquadre dentro das possibilidades de um Criador possuindo capacidade ilimitada&#8221; (12). De fato, precisamente o mesmo \u00e9 verdade quanto ao Darwinismo: &#8220;Um amigo de paradoxos poderia dizer que a principal obje\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria da sele\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela n\u00e3o pode ser refutada &#8230; parece imposs\u00edvel apontar qualquer fen\u00f4meno biol\u00f3gico que a refutasse plenamente&#8221;(13).<\/p>\n<h3>Paleo e Neoci\u00eancia<\/h3>\n<p>Seguir-se-ia de nossa an\u00e1lise anterior que, embora n\u00e3o possamos comprovar o Darwinismo por meio de observa\u00e7\u00f5es, podemos, n\u00e3o obstante, faz\u00ea-lo por meio de teorias. Por\u00e9m isso, de fato, n\u00e3o procede. Aceitamos, por hip\u00f3tese, tacitamente, que as estruturas cient\u00edficas s\u00e3o todas da mesma natureza. E esta hip\u00f3tese \u00e9, na realidade, falsa.<\/p>\n<p>Nesse contexto podemos distinguir duas classes particulares de estruturas:<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-389\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/folha.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"247\" \/><br \/>\n(1) as da neoci\u00eancia, e<br \/>\n(2) as da paleo-ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Nas teorias da neoci\u00eancia (isto \u00e9, as que lidam com fen\u00f4menos que se passam atualmente), h\u00e1 uma simetria l\u00f3gica entre a explica\u00e7\u00e3o e a predi\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, se um evento pode ser explicado dedutivamente por um conjunto de premissas depois de ter ocorrido, ent\u00e3o ele poderia tamb\u00e9m, em princ\u00edpio, ter sido predito a partir das mesmas premissas, a priori.<\/p>\n<p>Nestes casos, nossa explica\u00e7\u00e3o pode ser expressa na forma de uma afirma\u00e7\u00e3o de leis gerais e condi\u00e7\u00f5es iniciais. Por exemplo, podemos predizer a deforma\u00e7\u00e3o de uma mola se conhecermos primeiramente a lei de Hooke, e em seguida a carga a ser aplicada e a constante da mola (as condi\u00e7\u00f5es iniciais).<\/p>\n<p>Em outras palavras, a neo-ci\u00eancia depende de duas coisas:<\/p>\n<p>(a) deve haver uma repeti\u00e7\u00e3o dos eventos, e<br \/>\n(b) deve haver um sistema de leis que explique a repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, as teorias evolucionistas s\u00e3o &#8220;interpreta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas&#8221; (14), isto \u00e9, elas estabelecem que os fen\u00f4menos (distribui\u00e7\u00e3o e diversidade das esp\u00e9cies, homologias, sucess\u00e3o dos f\u00f3sseis, etc.) podem ser explicados como provenientes de um processo hist\u00f3rico. Os eventos n\u00e3o podem ser enunciados como resultados de leis gerais como exemplos de uma esp\u00e9cie; s\u00e3o eles fen\u00f4menos individuais entre os quais se mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es individuais, e n\u00e3o s\u00e3o recorrentes (15). Como essas teorias agem somente ex post facto, elas n\u00e3o prov\u00eaem base nem para a predi\u00e7\u00e3o, nem para a refuta\u00e7\u00e3o de outra E.C.<\/p>\n<h3>Darwinismo<\/h3>\n<p>As proposi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas desta E.C. s\u00e3o:<\/p>\n<p>(1) Varia\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias heredit\u00e1rias est\u00e3o surgindo constantemente (aleat\u00f3rias = sem correla\u00e7\u00e3o com as necessidades adaptativas do organismo).<\/p>\n<p>(2) As varia\u00e7\u00f5es relevantes s\u00e3o cont\u00ednuas, isto \u00e9, as diferen\u00e7as variacionais s\u00e3o pequenas.<\/p>\n<p>(3) A sele\u00e7\u00e3o natural \u00e9 efetiva na utiliza\u00e7\u00e3o das varia\u00e7\u00f5es para proporcionar a adapta\u00e7\u00e3o do organismo ao seu ambiente.<\/p>\n<p>A E.C. \u00e9 incomprov\u00e1vel porque os conceitos chaves de &#8220;varia\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;adapta\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;sele\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;ambiente&#8221; s\u00e3o de segunda ordem. Por exemplo, &#8220;varia\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 um an\u00e1logo biol\u00f3gico de &#8220;movimento&#8221; (isto \u00e9, mudan\u00e7a de car\u00e1ter) e &#8220;ambiente&#8221; \u00e9 um an\u00e1logo biol\u00f3gico de &#8220;espa\u00e7o&#8221; (16). A presen\u00e7a destes conceitos nas E.C., e a posi\u00e7\u00e3o das E.C. na paleo-ci\u00eancia, asseguram assim que o Darwinismo \u00e9 cientificamente irrefut\u00e1vel. Ele n\u00e3o formula quaisquer leis, mas simplesmente prov\u00ea as categorias sob as quais as vari\u00e1veis independentes envolvidas no processo evolutivo devem ser arranjadas, e mostra como essas categorias se relacionam conceitualmente uma com a outra.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para trabalhar dentro desta E.C., o cientista deve dar-lhe significado emp\u00edrico; isto \u00e9, ele deve ser capaz de articular teorias que especifiquem formas concretas dos conceitos empregados. Por exemplo, ele deve ser capaz de especificar que a muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica deve ser considerada como forma relevante de varia\u00e7\u00e3o, ou que locais remanescentes (tais como troncos de \u00e1rvores enegrecidas) s\u00e3o formas significativas do ambiente. Em outras palavras, ele deve combinar Darwinismo com E.C. de neo-biologia, especialmente com uma E.C. relativa a hereditariedade. Assim, a E.C. original do Darwinismo baseou-se nos seguintes postulados: (17)<\/p>\n<p>(1) O sistema heredit\u00e1rio \u00e9 caracterizado por &#8220;heran\u00e7a misturada&#8221; (A isso Darwin acrescentou sua Teoria da Pang\u00eanese).<\/p>\n<p>(2) A varia\u00e7\u00e3o relevante \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, flutuante, vista em todos os organismos.<\/p>\n<p>(3) A varia\u00e7\u00e3o \u00e9 herdada.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o implica que a E.C. \u00e9 refut\u00e1vel, isto \u00e9, refut\u00e1vel no sentido de que seus componentes biol\u00f3gicos est\u00e3o sujeitos a falsifica\u00e7\u00e3o. Assim, a E.C. de Darwin foi refutada quando a redescoberta da teoria de Mendel levou \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o dos componentes neobiol\u00f3gicos (18).<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1890 come\u00e7ou a surgir uma E.C. alternativa ao Darwinismo (mutacionismo), entretanto somente em torno de 1930 \u00e9 que emergiu uma nova E.C. Darwinista (19). Esse Neo-Darwinismo, ou Teoria Sint\u00e9tica da Evolu\u00e7\u00e3o (20) baseou-se nas E.C. neobiol\u00f3gicas do Mendelismo e Weismannismo:<\/p>\n<p>(1) A hereditariedade \u00e9 at\u00f4mica, isto \u00e9, o sistema heredit\u00e1rio tem a propriedade de depend\u00eancia de estados alternativos discretos (alelos) dos fatores heredit\u00e1rios (genes) que podem segregar e recombinar (Mendelismo). Na E.C. esta doutrina \u00e9 transferida do n\u00edvel individual ao n\u00edvel populacional (o conceito de &#8220;pool&#8221; gen\u00e9tico).<\/p>\n<p>(2) A varia\u00e7\u00e3o relevante \u00e9 produzida por muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica aleat\u00f3ria nas c\u00e9lulas germinativas.<\/p>\n<p>(3) Altera\u00e7\u00f5es no material heredit\u00e1rio s\u00e3o independentes de, ou somente arbitrariamente relacionadas com, altera\u00e7\u00f5es no soma (Weismannismo). Na E.C. esta doutrina \u00e9 tamb\u00e9m transferida ao n\u00edvel de popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segue-se, de nossa an\u00e1lise, que o Neo-Darwinismo \u00e9 suscet\u00edvel de falsifica\u00e7\u00e3o, no sentido de que o Mendelismo e o Weismannismo podem ser falsificados (21). Certamente isso \u00e9 verdadeiro, e espero em um pr\u00f3ximo artigo indicar um modo pelo qual isso pode ser feito. Contudo deveria ser notado aqui que o desenvolvimento interno do Mendelismo e da combina\u00e7\u00e3o Neo-Darwinista resultou em ter-se tornado o Neo-Darwinismo uma metaf\u00edsica completamente fossilizada (o pr\u00f3prio Darwinismo sempre o foi!).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-390 aligncenter\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/lago.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"130\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/lago.jpg 400w, https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/lago-300x98.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<h3>O Mendelismo explicado<\/h3>\n<p>As E.C. da neo-ci\u00eancia s\u00e3o filosoficamente informadas tanto quanto as da paleo-ci\u00eancia. As filosofias existentes s\u00e3o primariamente as do mecanicismo, do vitalismo e do organicismo, sendo que o Mendelismo \u00e9 usualmente apresentado em termos da primeira delas. Cont\u00e9m ele, portanto, os seguintes postulados:<\/p>\n<p>(1) Os organismos, em ess\u00eancia, consistem de genes que t\u00eam puramente propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>(2) O corpo de um organismo \u00e9 um complexo sistema f\u00edsico-qu\u00edmico cujas partes moleculares s\u00e3o casualmente ligadas \u00e0 estrutura molecular dos genes.<\/p>\n<p>(3) A hereditariedade consiste, em \u00faltima an\u00e1lise, do processo f\u00edsico-qu\u00edmico de duplica\u00e7\u00e3o dos genes.<\/p>\n<p>(4) As altera\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias s\u00e3o provenientes de processos f\u00edsico-qu\u00edmicos de recombina\u00e7\u00e3o e muta\u00e7\u00e3o de genes.<\/p>\n<p>A predomin\u00e2ncia deste ponto de vista \u00e9 indicada pela refer\u00eancia de Hershey (22) ao &#8220;dogma n\u00e3o escrito, de acordo com o qual a evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u00e9 meramente a evolu\u00e7\u00e3o das seq\u00fc\u00eancias dos nucleot\u00eddeos&#8221;. O Mendelismo \u00e9 o que \u00e9, n\u00e3o por causa dos fatos, mas por causa da filosofia mecanicista na qual repousa.<\/p>\n<p>Para o apoio da continuidade evolutiva, a invariabilidade das esp\u00e9cies \u00e9 substitu\u00edda pela invariabilidade dos processos gen\u00e9ticos. Se as esp\u00e9cies s\u00e3o a soma dos genes, ent\u00e3o por altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas as esp\u00e9cies podem ser alteradas, e a continuidade da evolu\u00e7\u00e3o pode ser explicada. Pelo menos esta tem sido a esperan\u00e7a.<\/p>\n<h3>O Mendelismo Cl\u00e1ssico<\/h3>\n<p>A teoria original de Mendel baseava-se nos postulados de que o gene:<\/p>\n<p>(1) \u00e9 um corp\u00fasculo do cromossomo.<br \/>\n(2) tem uma fun\u00e7\u00e3o definida.<br \/>\n(3) tem a capacidade de muta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n(4) \u00e9 a menor unidade de recombina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, o gene foi definido como uma unidade de fun\u00e7\u00e3o, muta\u00e7\u00e3o e recombina\u00e7\u00e3o, que mant\u00e9m correspond\u00eancia biun\u00edvoca com o car\u00e1ter adulto. Nesta base, o processo evolutivo elementar poderia ser considerado como uma altera\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da freq\u00fc\u00eancia dos genes numa popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<h3>O Neo-Mendelismo contrastado<\/h3>\n<p>Experi\u00eancias de cruzamentos logo abalaram a estrutura, pois se descobriu, por exemplo, que o mesmo resultado fenot\u00edpico poderia ser produzido pelo cruzamento de diferentes linhagens de plantas ou animais. Em termos de E.C., diferentes genes estavam causando o mesmo efeito. Era necess\u00e1ria uma nova teoria. Da\u00ed o Neo-Mendelismo modificar os postulados:<\/p>\n<p>(1) Os genes s\u00e3o (ainda considerados como) discretos (23).<br \/>\n(2) As unidades de fun\u00e7\u00e3o, muta\u00e7\u00e3o e recombina\u00e7\u00e3o s\u00e3o raramente co-extensivas.<br \/>\n(3) As intera\u00e7\u00f5es dos genes d\u00e3o origem \u00e0s caracter\u00edsticas observ\u00e1veis do organismo (24).<\/p>\n<p>Essa nova teoria pode salvar a E.C., mas enterra o gene sob uma superestrutura epic\u00edclica, se assim for negada a secular persist\u00eancia de qualquer relacionamento entre os genes e os caracteres (como por Huxley (25), Carter (26), Waddington (27), Mayr (28), etc.). Isto \u00e9, se o fen\u00f3tipo \u00e9 a express\u00e3o de intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o especific\u00e1veis, imprediz\u00edveis e inconstantes, entre o total dos genes mut\u00e1veis (que posteriormente interagem com o ambiente e mesmo com o ambiente interno vari\u00e1vel durante o desenvolvimento), ent\u00e3o \u00e9 inteiramente sem sentido dizer que a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;altera\u00e7\u00e3o nas freq\u00fc\u00eancias dos genes&#8221; (29). A interpreta\u00e7\u00e3o moderna do gene torna ainda mais espessas as nuvens:<\/p>\n<p>quando o &#8220;gene fora de moda&#8221; se transforma em uma seq\u00fc\u00eancia para replica\u00e7\u00e3o de bases no DNA, ativa para o controle da seq\u00fc\u00eancia prot\u00eaica do DNA-RNA, os biologistas te\u00f3ricos t\u00eam pouca raz\u00e3o para crer que existem s\u00f3lidas teorias da evolu\u00e7\u00e3o e desenvolvimento aguardando serem enriquecidas, em vez de lan\u00e7adas no caos pela nova compreens\u00e3o (30).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-391\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/ervilhaMendel-1.jpg\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/ervilhaMendel-1.jpg 494w, https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2019\/10\/ervilhaMendel-1-300x121.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 494px) 100vw, 494px\" \/><\/p>\n<h3>Neo-Darwinismo e Neo-Mendelismo<\/h3>\n<p>O Mendelismo moderno lan\u00e7a pouca luz sobre o Darwinismo, e mesmo a claridade parcial \u00e9 obnubilada pela importa\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses ad hoc que obscurecem o relacionamento entre o Darwinismo e o Mendelismo. O problema \u00e9 criado pelo fato de que a imensa maioria das muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas estudadas em laborat\u00f3rio \u00e9 admitida como delet\u00e9ria aos organismos considerados.<\/p>\n<p>Para obviar essa dificuldade, tr\u00eas hip\u00f3teses suplementares t\u00eam sido aventadas:<\/p>\n<p>(1) a teoria de Fisher dos &#8220;genes supressores (modificadores, ou tamp\u00f5es)&#8221; (que tornam in\u00f3cuos os efeitos das muta\u00e7\u00f5es delet\u00e9rias);<\/p>\n<p>(2) a teoria de East de que as muta\u00e7\u00f5es relevantes s\u00e3o infinitesimamente pequenas (isto \u00e9, n\u00e3o s\u00e3o as normalmente observadas nos estudos experimentais);<\/p>\n<p>(3) a alega\u00e7\u00e3o de Dobzhansky de que o fato de uma muta\u00e7\u00e3o ser delet\u00e9ria \u00e9 relativo ao ambiente particular no qual o organismo se encontra (31).<\/p>\n<p>Sejam ou n\u00e3o verdadeiras essas hip\u00f3teses suplementares, todas elas compartilham do mesmo defeito metodol\u00f3gico: elas explicam completamente as dificuldades criadas pela alega\u00e7\u00e3o de que a muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica prov\u00ea a varia\u00e7\u00e3o utilizada na evolu\u00e7\u00e3o, sem sugerir quaisquer conseq\u00fc\u00eancias inesperadas que possam ser testadas (32). Este triste estado de coisas \u00e9 bastante t\u00edpico da moderna paleo-ci\u00eancia.<\/p>\n<h3>A estrat\u00e9gia criacionista<\/h3>\n<p>A an\u00e1lise precedente foi necessariamente bastante complexa, por\u00e9m a conclus\u00e3o \u00e9 de fato simples e familiar: na aus\u00eancia da revela\u00e7\u00e3o (isto \u00e9, do relato hist\u00f3rico de uma testemunha visual) n\u00e3o podemos cientificamente investigar o passado. Kerkut estava usando a linguagem adequada quando escreveu que &#8220;parece por vezes como se muitos de nossos escritores modernos sobre a evolu\u00e7\u00e3o tivessem tido suas opini\u00f5es atrav\u00e9s de alguma esp\u00e9cie de revela\u00e7\u00e3o&#8230;&#8221; (33). Posi\u00e7\u00f5es religiosas e filos\u00f3ficas s\u00e3o decisivas. N\u00e3o poderia ter existido a &#8220;evolu\u00e7\u00e3o&#8221; na ci\u00eancia sem a anterior aceita\u00e7\u00e3o de um evolucionismo na filosofia, e de um humanismo na religi\u00e3o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise n\u00e3o pode, por\u00e9m, encerrar-se com um tom puramente negativo. O crist\u00e3o \u00e9 chamado para dar uma resposta. N\u00e3o mais devemos nos contentar com ataques esparsos (que os evolucionistas corretamente n\u00e3o levam em conta, por ser irrelevante). Nossa apolog\u00e9tica deve ser tanto integral como todo abrangente. Devemos nos lembrar do lado de Quem estamos, e formular um ataque triplo:<\/p>\n<p>(a) Ataque desmascarando a estrutura filos\u00f3fica e a raiz religiosa do pensamento evolucionista.<\/p>\n<p>(b) Ataque revelando a natureza autodestrutiva de todos esses pensamentos antropoc\u00eantricos.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria estrutura da paleo-ci\u00eancia impede uma refuta\u00e7\u00e3o puramente cient\u00edfica do Darwinismo. Ao inv\u00e9s disso, devemos descer \u00e0s ra\u00edzes e proclamar sua podrid\u00e3o ao mundo. Devemos ter a coragem de nossas convic\u00e7\u00f5es para sustentar que somente no pensamento Cristoc\u00eantrico podemos divisar real significado em qualquer \u00e1rea da vida. Isso \u00e9 verdadeiro tanto na ci\u00eancia natural quanto na ci\u00eancia teol\u00f3gica (34).<\/p>\n<p>(c) Ataque articulando alternativas cient\u00edficas globais para a evolu\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, E.C. e teorias para a cosmogonia, geologia e biologia hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Morris e Whitcomb (35) deram-nos a dire\u00e7\u00e3o na Geologia, Mulfinger (36) providenciou-nos uma base na Astronomia, e compete a todos n\u00f3s aceitar o desafio. Nossos esfor\u00e7os na Ci\u00eancia devem sempre ser preliminares e sujeitos a revis\u00e3o, por\u00e9m a B\u00edblia prov\u00ea um s\u00f3lido fundamento, e nosso Senhor \u00e9 n\u00e3o somente um Salvador, mas tamb\u00e9m Aquele que criou e mant\u00e9m todo o Universo.<\/p>\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n<p>(1) Huxley, L. 1900. Life and letters of Thomas Henry Huxley. Macmillan, London, Vol. 1, p. 219.<br \/>\n(2) Este m\u00e9todo &#8220;indutivo&#8221; foi defendido por J. S. Mill e T. H. Huxley, e ainda persiste entre os cientistas como uma cren\u00e7a geral. Ver, por exemplo, Villee. C. A. 1962. Biology. Fourth Edition W. B. Saunders Co., Philadelphia, p. 3.<br \/>\n(3) Este paradoxo foi proposto em Meno de Plat\u00e3o. Ver a discuss\u00e3o feita por Polanyi, M. 1967. The tacit dimension. Routledge and Kegan Paul, London, Cap\u00edtulo 1.<br \/>\n(4) A partir da obra de Kuhn, T. S. 1962. The structure of scientific revolutions. University of Chicago Press, Chicago, o termo paradigma passou a ser usado com freq\u00fc\u00eancia, por\u00e9m, esse uso da palavra n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito, o que, na minha experi\u00eancia, tem induzido confus\u00e3o.<br \/>\n(5) Popper, K. R. 1963. Conjectures and refutations. Routledge and Kegan Paul, London.<br \/>\n(6) Wisdom, J. O. 1952. Foundations of inference in natural science. Methuen &amp; Co., Ltd., London, e 1957. A reply to Dr. Das&#8217;s criticisms, British Journal for the Philosophy of Science, 8:325-328.<br \/>\n(7) Em termos da filosofia crist\u00e3 de Dooyeweerd, esses s\u00e3o conceitos modais, isto \u00e9, conceitos anal\u00f3gicos e conceitos referindo-se diretamente aos n\u00facleos modais.<br \/>\n(8) Observe-se que, a despeito da forma do nome, os conceitos de segunda ordem n\u00e3o s\u00e3o substantivos, isto \u00e9, &#8220;movimento&#8221;, &#8220;energia&#8221; e &#8220;vida&#8221; n\u00e3o s\u00e3o o que (coisas, subst\u00e2ncias), mas como (como as coisas funcionam).<br \/>\n(9) Wisdom, J. O. 1963. The refutability of &#8220;Irrefutable&#8221; laws, British Journal for the Philosophy of Science, 13:303-306.<br \/>\n(10) Observe-se aqui a import\u00e2ncia do contexto. Na aus\u00eancia da E.C. do quantum, o espectro de emiss\u00e3o do Hidrog\u00eanio n\u00e3o poderia ser visto como um fato relevante (e refut\u00e1vel).<br \/>\n(1l) Feyerabend, P. K, 1963. How to be a good empiricist (in) Philosophy of Science. The Delaware Seminar, Volume 2:pp. 339. Interscience Publishers. Reimpresso em Philosophy of Science. P. H. Nidditch, Editor. Oxford University Press, London, 1968, pp. 12-39.<br \/>\n(12) Wallace, B. 1967, Chromosomes, giant molecules, and evolution. Macmillan, London, p. 5.<br \/>\n(13) Bertalanffy, L. von. 1952. Problems of life. Watts and Co., London, p. 89.<br \/>\n(14) Popper, K. R. 1961. The poverty of historicism. Second Edition. Routledge and Kegan Paul, London, p. 151.<br \/>\n(15) Popper, ibid., Chapter 27.<br \/>\n(16) Ver Dooyeweerd, H. 1954. The analogical concepts. Trad. R. D. Knudsen. A. A. C. S. (Mimeografado).<br \/>\n(17) Darwin, C. R. 1859. On the origin of species. John Murray, London.<br \/>\n(18) Bateson, W. 1894. Materials for the study of variation. Macmillan, New York.<br \/>\n(19) Fisher, R. A. 1930. The genetical theory of natural selection. Clarendon Press, Oxford.<br \/>\n(20) Huxley, J. S, 1942. Evolution, the modern synthesis. George, Allen and Unwin, London.<br \/>\n(2l) Ver Waddington, C. H. (Editor). 1969. Towards a theoretical biology. 2. Sketches. Edinburgh University Press, Edinburgh, pp. 82-128.<br \/>\n(22) Hershey, A. D. 1970. Genes and hereditary characteristics. Nature, 226:697-700.<br \/>\n(23) Na express\u00e3o de Espinasse, &#8220;little causal thingummies&#8221;. Ver Grene, M. 1966. The knower and the known. Faber and Faber, London, p. 235.<br \/>\n(24) Observe-se, novamente, que uma E.C. \u00e9 sempre suficientemente el\u00e1stica para ser capaz de acomodar quaisquer observa\u00e7\u00f5es (&#8220;fatos&#8221;).<br \/>\n(25) Huxley, J. S., ibid., pp. 121-124.<br \/>\n(26) Carter, G. S. 1957. A hundred years of evolution, Sidgwick and Jackson, London, pp. 129-130.<br \/>\n(27) Waddington, C. H. 1957. The strategy of the genes. Allen and Unwin, London.<br \/>\n(28) Mayr, E. 1963. Animal species and evolution. Harvard University Press, Cambridge, Mass., pp. 158ff, 263ff.<br \/>\n(29) Dobzhansky, Th. 1955. Evolution, genetics and man. John Wiley and Sons, New York, p. 119.<br \/>\n(30) Waddington, C. H. (Editor). 1968, Towards a theoretical biology. 1. Prolegomena. Edinburgh University Press, Edinburgh, P. 104.<br \/>\n(3l) Ver Ho, W. M. 1965. Methodological issues in evolutionary theory. Doctor of Philosophy Thesis, Oxford.<br \/>\n(32) Temos aqui o que Lakatos chama de um &#8220;degenerating problem-shift&#8221;. Ver Lakatos, I. 1968. Criticism and the methodology of scientific research programmes. Proceedings of the Aristotelian Society, 69:149-186.<br \/>\n(33) Kerkut, G. A. 1960. Implications of evolution. Pergamon Press, Oxford, p. 155.<br \/>\n(34) Ver Rushdoony, R. J. 1958. By what standard? Presbyterian and Reformed Publishing Company, Philadelphia.<br \/>\n(35) Morris, H. M. and Whitcomb, J. C. 1961. The Genesis flood. Presbyterian and Reformed Publishing Company, Philadelphia (Evangelical Press, London. 1969).<br \/>\n(36) Mulfinger, G. 1970. Critique of stellar evolution, Creation Research Society Quarterly, 7(1):7-24.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O argumento de que a ci\u00eancia moderna \u00e9 objetiva, e que, portanto, os crist\u00e3os devem aceitar suas conclus\u00f5es relativamente \u00e0 Evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 respondido do ponto de vista da filosofia da ci\u00eancia. Examina-se o m\u00e9todo cientifico para lan\u00e7ar luz sobre a hierarquia de estruturas explicativas que guiam o cientista em suas pesquisas. 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