{"id":372,"date":"1971-09-07T23:06:15","date_gmt":"1971-09-08T02:06:15","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/?p=372"},"modified":"2022-10-27T00:22:33","modified_gmt":"2022-10-27T03:22:33","slug":"observacao-sobre-a-natureza-insatisfatoria-dos-fosseis-da-serie-do-cavalo-como-evidencia-da-evolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/artigos\/observacao-sobre-a-natureza-insatisfatoria-dos-fosseis-da-serie-do-cavalo-como-evidencia-da-evolucao\/","title":{"rendered":"Observa\u00e7\u00e3o sobre a natureza insatisfat\u00f3ria dos f\u00f3sseis da s\u00e9rie do cavalo, como evid\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o(*)"},"content":{"rendered":"<p>O Professor H. Nilsson reuniu poderosos argumentos referentes ao car\u00e1ter artificial da assim chamada \u201c\u00e1rvore geneal\u00f3gica\u201d da evolu\u00e7\u00e3o do cavalo. Neste artigo s\u00e3o traduzidas, discutidas e ilustradas as afirmativas de Nilsson. Numa an\u00e1lise mais profunda, a cole\u00e7\u00e3o de restos f\u00f3sseis do cavalo n\u00e3o \u00e9 um cont\u00ednuo de f\u00f3sseis bem integrados, mas sim um conjunto de grupos separados variando grandemente em tamanho e outras caracter\u00edsticas. O Hyracotherium (Eohippus), por exemplo, foi muito provavelmente n\u00e3o um cavalo, mas um animal muito semelhante ao contempor\u00e2neo Hyrax ou Daman. Os restos do Mesohippus e do Parahippus representam um grupo separado que n\u00e3o se relaciona com o Hyracotherium nem com o Equus, o cavalo moderno. A \u201c\u00e1rvore geneal\u00f3gica\u201d do cavalo \u00e9 artificial porque foi constru\u00edda com partes n\u00e3o equivalentes que n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o entre si. \u00c9 considerada tamb\u00e9m a evid\u00eancia posterior ao estudo de Nilsson. Conclui-se que a fam\u00edlia do cavalo \u00e9 singular e separada, e que as evid\u00eancias podem ser ajustadas, sem qualquer viol\u00eancia, ao caso da cria\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<h3>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>\u00c9 grandemente difundido o uso de \u00e1rvores geneal\u00f3gicas constru\u00eddas para indicar poss\u00edveis liga\u00e7\u00f5es entre v\u00e1rias esp\u00e9cies e grupos maiores do reino animal, visando \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa uma forma particularmente sutil de apresenta\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 freq\u00fcentemente suposto pelo leitor que o pr\u00f3prio desenho seja evid\u00eancia dos elos de liga\u00e7\u00e3o for\u00e7adamente sugeridos pelo desenho (Ver Figura 1).<\/p>\n<p>V\u00eam imediatamente \u00e0 mem\u00f3ria dois casos recentes em que, sem absolutamente nenhuma evid\u00eancia para apoiar seu ponto de vista, comiss\u00f5es de estudiosos despenderam enorme esfor\u00e7o simplesmente para mostrar que uma \u00e1rvore paleobiol\u00f3gica pode ser tra\u00e7ada para o seu grupo escolhido de animais (***). Isto, por si mesmo, n\u00e3o \u00e9 objet\u00e1vel, por\u00e9m os incautos s\u00e3o facilmente colhidos intelectualmente pela erudi\u00e7\u00e3o manifestada, sendo levados a acreditar que tal foi, de fato a maneira pela qual se deu o desenvolvimento daquele grupo de animais na natureza &#8211; realmente essa \u00e9 a conclus\u00e3o inevit\u00e1vel dos autores do esquema.<\/p>\n<p>Volvendo agora \u00e0 supostamente mais poderosa evid\u00eancia em apoio a evolu\u00e7\u00e3o, (isto \u00e9, a transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies), somos convidados a considerar o caso da alegada evolu\u00e7\u00e3o do cavalo. Mostrando que de fato assim \u00e9, transcrevo de um artigo recente do Professor F. H. T. Rhodes (1).<\/p>\n<p>Em um n\u00edvel taxon\u00f4mico mais baixo, entre g\u00eaneros, por exemplo, temos tamb\u00e9m um n\u00famero substancial de seq\u00fc\u00eancias transicionais. Uma das melhores de todas \u00e9 a seq\u00fc\u00eancia de cavalos ligando a forma eoc\u00eanica do primitivo Hyracotherium, de tamanho reduzido, com o atual cavalo. Esta foi uma das primeiras seq\u00fc\u00eancias f\u00f3sseis j\u00e1 descritas. Primeiramente foi descrita por Kovalevsky em 1874, e posteriormente foi ampliada por Marsh e interpretada por Huxley. A bela seq\u00fc\u00eancia gradativa, que esses f\u00f3sseis mostram est\u00e1 agora t\u00e3o bem descrita [por exemplo Simpson, 1951 (****)] que precisamos somente resumir seus principais aspectos. Estes envolvem o aumento no tamanho do corpo, o aumento na capacidade craniana e a altera\u00e7\u00e3o de sua forma, altera\u00e7\u00f5es nos dentes, envolvendo a premolariza\u00e7\u00e3o dos molares, e o aprofundamento dos dentes, juntamente com o preenchimento das depress\u00f5es nas superf\u00edcies superiores com cimento. A esses aspectos se associaram altera\u00e7\u00f5es nos membros, com redu\u00e7\u00e3o gradual do n\u00famero de dedos, e com altera\u00e7\u00e3o total na estrutura dos membros, associada com a altera\u00e7\u00e3o na postura, ao passar do apoio nas plantas dos p\u00e9s ao apoio el\u00e1stico. Ora, essa s\u00e9rie \u00e9 incontroversa. Ela prov\u00ea clara evid\u00eancia da transi\u00e7\u00e3o de um g\u00eanero a outro ao longo de um per\u00edodo de aproximadamente setenta milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, em todos os n\u00edveis taxon\u00f4micos existem agora, em um n\u00famero limitado de casos, exemplos de continuidade. Consideremos primeiramente os n\u00edveis taxon\u00f4micos elevados. Temos aqui, especialmente nos vertebrados, not\u00e1veis formas transicionais entre v\u00e1rias classes. Entre os peixes crossopter\u00edgios e os anf\u00edbios, temos os ictiosteg\u00eddeos, parte peixes e parte anf\u00edbios, conhecidos no Devoniano Superior ou no Mississipiano Inferior da Groenl\u00e2ndia. O elpistost\u00e9gio do Devoniano Superior \u00e9 intermedi\u00e1rio entre os ictiosteg\u00eddeos e os osteolip\u00eddeos (Westoll, 1938, 1943, 1958). Entre p\u00e1ssaros e repteis temos o famoso arqueopt\u00e9rix.<\/p>\n<p>Da mesma maneira,encontra-se no livro do Dr. G. A. Kerkut: (2)<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exeq\u00fc\u00edvel, ao discutir as implica\u00e7\u00f5es da Evolu\u00e7\u00e3o, deixar fora da discuss\u00e3o a evolu\u00e7\u00e3o do cavalo. A evolu\u00e7\u00e3o do cavalo prov\u00ea uma das chaves mestras do ensino da doutrina evolucionista, embora a hist\u00f3ria real dependa em grande parte de quem est\u00e1 contando, e de quando ela est\u00e1 sendo contada.<\/p>\n<p>Continuarei, agora, mostrando que \u00e9 pass\u00edvel de s\u00e9rias d\u00favidas a id\u00e9ia evolucionista de que o cavalo constitui evid\u00eancia v\u00e1lida de transforma\u00e7\u00e3o. Espero mostrar em seguida que a apresenta\u00e7\u00e3o geral dos argumentos evolucionistas n\u00e3o pode levar \u00e0 convic\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 universalmente creditada pelos n\u00e3o especialistas em Biologia, que, naturalmente, sup\u00f5em que os biologistas estudem as evid\u00eancias sem paix\u00e3o, tanto quanto isso seja poss\u00edvel, na defesa do ponto de vista controvertido por eles esposado.<\/p>\n<p>Volto-me aos poderosos argumentos expostos pelo falecido Professor H. Nilsson no seu trabalho \u201cSynthetische Artbildung\u201d (3). Infelizmente, essa obra enciclop\u00e9dica \u00e9 bastante cara, al\u00e9m de rara; al\u00e9m disso, \u00e9 escrita em Alem\u00e3o, e portanto n\u00e3o facilmente acess\u00edvel a leitores de outras l\u00ednguas. Sou agradecido, portanto, a meu amigo Sr. C. H. Greenstreet, por ter feito, a meu pedido, uma tradu\u00e7\u00e3o da parte relevante do \u201cSynthetische Artbildung\u201d sobre o cavalo, sendo meu privil\u00e9gio apresent\u00e1-la pela primeira vez em Ingl\u00eas. Agrade\u00e7o tamb\u00e9m a gentileza dos Editores de \u201cSynthetische Artbildung\u201d, Sra. C. W. K. Gleerup, de \u00d6resundv\u00e4gen, Lund, Su\u00e9cia, pela permiss\u00e3o para publicar esta tradu\u00e7\u00e3o e assim trazer essas importantes id\u00e9ias a um p\u00fablico maior. As figuras, as notas de rodap\u00e9, a introdu\u00e7\u00e3o, a conclus\u00e3o e a extensa bibliografia apresentadas aqui constituem minha contribui\u00e7\u00e3o a este estudo e n\u00e3o fazem parte do trabalho original do Professor Nilsson.<br \/>\n(*) Nota do Editor da C.R.S.- Este artigo baseia-se no cap\u00edtulo do livro lan\u00e7ado, intitulado \u201cSimp\u00f3sio sobre a Cria\u00e7\u00e3o, III\u201d, sendo reproduzido aqui pela gentil permiss\u00e3o do editor, Donald W. Patten, e da publicadora, Baker Book House, Grand Rapids, Michigan. \u201cSimp\u00f3sio sobre a Cria\u00e7\u00e3o, III\u201d (efetivamente lan\u00e7ado em setembro de 1971). Ser\u00e1 o terceiro de uma s\u00e9rie de tr\u00eas simp\u00f3sios tratando de t\u00f3picos criacionistas selecionados. O volume III conter\u00e1 os seguintes ensaios: \u201cTeorias sobre a vida e sua origem\u201d, Por J. Hewitt Tier; \u201cA suposta evolu\u00e7\u00e3o do cavalo\u201d, por Frank W. Cousins; \u201cA suposta evolu\u00e7\u00e3o dos p\u00e1ssaros (arqueopt\u00e9rix)\u201d, por Frank W. Cousins; \u201cO processo Scopes\u201d, por Bolton Davidheiser; \u201cA c\u00e9lula\u201d, por David Tilney.<\/p>\n<p>(***) \u201cG\u00eanesis dos Hymenoptera e as fases de sua evolu\u00e7\u00e3o\u201d, S. I Malyshev, Londres, 1969 (63\/-), Os Cnidaria e sua evolu\u00e7\u00e3o, Simp\u00f3sios da Sociedade Zool\u00f3gica, Londres, n\u00ba 16, Editado por W. J. Rees, Londres, 1966 (1051).<\/p>\n<p>(****) Simpson, G. G., (1951), \u201cHorses\u201d, Oxford University Press, New York.<\/p>\n<h3><b>O Cavalo<\/b><\/h3>\n<p>Qu\u00e3o inumer\u00e1veis s\u00e3o as \u00e1rvores geneal\u00f3gicas que se estruturam t\u00e3o somente porque \u201clinhas de liga\u00e7\u00e3o sobre o papel\u201d formam as pontes intermedi\u00e1rias! Sem elas, a constru\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica seria praticamente imposs\u00edvel, pois s\u00e3o particularmente as forquilhas de liga\u00e7\u00e3o que na realidade quase sempre est\u00e3o ausentes. Facilmente pode algu\u00e9m certificar-se disto em qualquer literatura pertinente.<\/p>\n<p>Aqui algu\u00e9m poder\u00e1 interromper: Mas n\u00e3o! Mesmo que todas as outras \u00e1rvores geneal\u00f3gicas fossem demolidas, uma entretanto seria mantida, fundamentada paleobiologicamente, constru\u00edda continuamente e seq\u00fcencialmente, estabelecida atrav\u00e9s de todo o Cenoz\u00f3ico (*) \u2013 \u201ca \u00e1rvore geneal\u00f3gica do cavalo\u201d. (**)<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que se tem falado do \u201cdesfile eq\u00fcestre\u201d evolucionista, chamando-se a aten\u00e7\u00e3o orgulhosamente por um lado \u00e0 integralidade de uma longa s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es, enquanto que por outro lado enfatizando desdenhosamente a natureza da s\u00e9rie como um not\u00e1vel caso particular de sucesso.<br \/>\n(*) Cenoz\u00f3ico &#8211; a \u00e9poca dos mam\u00edferos, considerada como se estendendo de sessenta milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, at\u00e9 nossos dias.<br \/>\n(**) A id\u00e9ia da evolu\u00e7\u00e3o do cavalo iniciou-se com o trabalho de Kowalewskii sobre formas europ\u00e9ias e asi\u00e1ticas; ver Kowalewskii, V. D. (1842), \u201cSur L&#8217;Amchiterium aurelianense et sur l\u2019histoire paleontologique des chevaux\u201d, Mem. Acad. Imp. Sci. St. Pet., 7, vol. 20.<\/p>\n<figure id=\"attachment_375\" aria-describedby=\"caption-attachment-375\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-375 size-full\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/1971\/09\/Filogenia_animal.gif\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"409\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-375\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1 &#8211; Filogenia animal (apud de Beer) (De \u201cFossil Man, a Reappraisal of the Evidence\u201d , por F. W. Cousins, 1961, publicado pelo The Evolution Protest Movement, Hampshire, Inglaterra.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esta \u00e1rvore filogen\u00e9tica \u00e9 t\u00edpica da maneira pela qual os evolucionistas apresentam sua causa. Foi ela redesenhada pelo autor, do \u201cAtlas da Evolu\u00e7\u00e3o\u201d, de Beer, Nelson, 1964, p\u00e1gina 155. Ao apresent\u00e1-la, de Beer declara: \u201cOs animais evoluiram a partir dos Prot\u00f3fita pela perda da clorofila e aquisi\u00e7\u00e3o de nutri\u00e7\u00e3o holoz\u00f3ica. A partir dos Protozoa os Parazoa produziram as esponjas, e os Metazoa deram origem a dois grupos principais conduzindo aos invertebrados superiores e aos vertebrados, respectivamente\u201d. N\u00e3o h\u00e1, entretanto, evid\u00eancia alguma de tal cadeia evolutiva. N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que no in\u00edcio da cadeia um \u00fanico protozo\u00e1rio tenha se transformado em um metazo\u00e1rio. (6) O autor n\u00e3o achou dificuldade em desenhar esta \u00e1rvore filogen\u00e9tica, por\u00e9m as linhas, a sua inclina\u00e7\u00e3o, a sua espessura, e a sua graciosa curvatura, n\u00e3o devem ser confundidas com a evid\u00eancia de liga\u00e7\u00f5es geneal\u00f3gicas reais (de Heywood, V. H., e McNeill, J. &#8211; Phenetic and Phylogenetic Classification. Nature, vol. 203, n\u00ba 4951, p\u00e1ginas 1220-1224, 19 de setembro de 1964).<br \/>\nS\u00e3o in\u00fameros os entusiastas. Pode-se ainda ver nas recentes publica\u00e7\u00f5es de sum\u00e1rios cr\u00edticos sobre a evolu\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o mais s\u00e3o escritos por especialistas em filosofia natural ou por morfologistas puros), como a \u00e1rvore geneal\u00f3gica do cavalo \u00e9 comparada a um verdadeiro \u201cexperimentum crucis\u201d. Isso \u00e9 assim destacado no livro \u201cA Causa da Evolu\u00e7\u00e3o\u201d, de autoria do geneticista e bioestat\u00edstico J. B. S. Haldane (4) (e no recente \u201cAtlas da Evolu\u00e7\u00e3o\u201d do preeminente darwinista Sir Gavin de Beer (5) \u2013 ver Figura 2).<br \/>\nDevemos nos deter um pouco mais profundamente em todas as ocorr\u00eancias para discernir qu\u00e3o profundamente est\u00e1 ancorada a credibilidade da sua s\u00e9rie evolutiva, a despeito do fato de que o bioestat\u00edstico a aceite rapidamente. De fato, certamente \u00e9 claro que nem o n\u00famero das formas, nem a possibilidade de arranj\u00e1-las em uma s\u00e9rie constitui prova a seu favor.<\/p>\n<p>\u00c9 instrutivo relembrar como os f\u00f3sseis mais antigos do Eoceno pertencentes a essa s\u00e9rie eram interpretados anteriormente, Davies (6) faz um bom apanhado a respeito. Longe est\u00e1 ele de abrigar pensamentos antievolucionistas, tanto que escreveu seu livro mais como contribui\u00e7\u00e3o pol\u00eamica contra o verdadeiro cr\u00edtico ingl\u00eas da teoria da evolu\u00e7\u00e3o, Dewar (7).<\/p>\n<p>Owen, (8) o descobridor do primeiro f\u00f3ssil eoz\u00f3ico (*) nas argilas de Londres, interpretou o fragmento de cr\u00e2nio como o de um novo g\u00eanero de ungulados que denominou de Hyracotherium. Esse nome se refere ao g\u00eanero Hyrax, o \u201cKlippschliefer\u201d ou \u201cDaman\u201d (**) que hoje \u00e9 nativo nas montanhas da \u00c1frica e da \u00c1sia Ocidental. Owen n\u00e3o quis afirmar que o Hyracotherium se assemelha mais ao \u201cKlippschliefer\u201d do que qualquer outro g\u00eanero de paquidermes, mas somente que o tamanho do animal parecia se aproximar mais daquele g\u00eanero. Seu nome bin\u00e1rio era \u201cHyracotherium leporinum\u201d; pelo nome espec\u00edfico desejava chamar a aten\u00e7\u00e3o para certos aspectos do cr\u00e2nio que lhe pareciam semelhantes aos dos roedores. Quando posteriormente ele foi capaz de descrever um cr\u00e2nio quase completo e partes dos membros, n\u00e3o ousou identificar as duas formas, mas introduziu uma nova forma, o \u201cPholophus vuliapeps\u201d, isto \u00e9, um tipo com cabe\u00e7a de raposa, por\u00e9m com dentes posteriores m\u00faltiplos como nos animais ungulados. Essa forma tem sido inclu\u00edda pelos paleontologistas, mais recentemente, no g\u00eanero Hyracotherium.<\/p>\n<p>Como ser\u00e1 visto imediatamente, a partir dessa situa\u00e7\u00e3o, Owen achou uma indica\u00e7\u00e3o de correspond\u00eancia de caracter\u00edsticas do Hyracotherium com diversas ordens, inclusive a dos ungulados. Entretanto, n\u00e3o fez ele men\u00e7\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o com os eq\u00fc\u00eddeos.<\/p>\n<p>Quando, perto do fim do s\u00e9culo XIX, ainda foram feitas novas descobertas de f\u00f3sseis semelhantes ao Hyracotherium, achou-se que eles se aproximavam mais de outras formas, incluindo o tapir e o rinoceronte. Os animais ungulados do Eoz\u00f3ico, do tipo perissod\u00e1tilo(***) foram ent\u00e3o reunidos em uma fam\u00edlia, a dos Lophiodont\u00eddeos (****).<\/p>\n<p>Muito cedo, portanto, j\u00e1 no meio do septuag\u00e9simo ano do s\u00e9culo anterior, foram lan\u00e7adas as ra\u00edzes de uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica do atual cavalo, a partir desse material. As descobertas do paleontologista americano Marsh, e de outros, foram exibidas esquematicamente em uma confer\u00eancia pronunciada por Thomas H. Huxley em Nova York, mostrando-se em ordem crescente e em s\u00e9rie, os p\u00e9s dianteiros e traseiros, os antebra\u00e7os, o osso da perna traseira, os tipos de dentes, e as superf\u00edcies dos dentes posteriores. [O autor reproduziu o quadro na Figura 3]. A partir deste trabalho, os ancestrais do cavalo imediatamente se completaram. Isso foi publicado por Marsh em 1879 e desde ent\u00e3o achou r\u00e1pido acolhimento em muitas publica\u00e7\u00f5es e livros did\u00e1ticos; de fato, \u00e9 o que se v\u00ea ainda hoje, totalmente ou em parte, quase sem altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, mais de setenta anos se passaram, e foi feita grande quantidade de novos achados. A continuidade da s\u00e9rie tornou-se em certos casos mais \u00edntima. Osborn, o c\u00e9lebre especialista em cavalos f\u00f3sseis, que tanto t\u00eam aumentado em n\u00famero, tamb\u00e9m ficou t\u00e3o grandemente impressionado com as transi\u00e7\u00f5es graduais, que considerava todo o processo de \u201cse tornar um cavalo\u201d em resultado de um deslocamento das propor\u00e7\u00f5es de caracter\u00edsticas, como um puro caso de transformismo, no sentido darwinista. Ap\u00f3s a discuss\u00e3o da s\u00e9rie eq\u00fcina, ele resumiu sua opini\u00e3o na seguinte afirma\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica [Osborn, (9) p\u00e1gina 268]:<\/p>\n<p>(*) Eoz\u00f3ico &#8211; termo sugerido para o sistema pr\u00e9-cambriano, por\u00e9m pouco utilizado. Significa \u201ca aurora da vida\u201d.<br \/>\n(**) Daman &#8211; do nome ar\u00e1bico Daman israil, \u201ccarneiro ou cordeiro de Israel\u201d (n\u00e3o tendo embora semelhan\u00e7a de cordeiro). O \u201ccoelho das rochas\u201d na S\u00edria, ou \u201clebre\u201d das Escrituras (Hyrax syriacus) \u00e9 denomina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estendida \u00e0 esp\u00e9cie encontrada no Cabo (Hyrax capensis, ou saphan das Escrituras).<br \/>\n(***) Perissod\u00e1tila \u2013 ungulados, ordem de mam\u00edferos que inclui cavalos, tapires e rinocerontes.<br \/>\n(****) Lophiodonte &#8211; mam\u00edfero f\u00f3ssil do per\u00edodo eoc\u00eanico, relacionado com os tapires.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_376\" aria-describedby=\"caption-attachment-376\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-376\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/1971\/09\/evolucaoCavalo.gif\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"579\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-376\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2 &#8211; A evolu\u00e7\u00e3o do cavalo<br \/>(De acordo com de Beer, \u201cAtlas of Evolution\u201d, 1964)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os exemplos acima ilustram o fato geral de que altera\u00e7\u00f5es de propor\u00e7\u00e3o produzem a maior parte da evolu\u00e7\u00e3o e da adapta\u00e7\u00e3o dos mam\u00edferos. O ganho e a perda de partes, que constituem um fen\u00f4meno t\u00e3o consp\u00edcuo na hereditariedade estudada do ponto de vista mendeliano, \u00e9 um fen\u00f4meno comparativamente raro. As altera\u00e7\u00f5es de propor\u00e7\u00e3o s\u00e3o estabelecidas atrav\u00e9s da maior ou menor velocidade dos caracteres isolados e de grupos de caracteres; por exemplo, a transforma\u00e7\u00e3o do cavalo com quatro dedos situado na base do Eoceno inferior, em embri\u00e3o do cavalo moderno com tr\u00eas dedos, \u00e9 produzida pela acelera\u00e7\u00e3o do d\u00edgito central e o retardamento dos d\u00edgitos laterais. Esse processo \u00e9 t\u00e3o gradual que exigiu um milh\u00e3o de anos para completar a redu\u00e7\u00e3o do quinto d\u00edgito, a qual levou o cavalo originalmente tetrad\u00e1tilo ao est\u00e1gio trid\u00e1tilo; e exigiu mais dois milh\u00f5es de anos para completar o retardamento do segundo e do quarto d\u00edgitos, que s\u00e3o ainda retidos na cromatina e se desenvolvem lado a lado com o terceiro d\u00edgito por v\u00e1rios meses durante a vida intrauterina inicial do cavalo.<br \/>\nDe acordo com Osborn, o dedo m\u00ednimo tamb\u00e9m exigiu um milh\u00e3o de anos para ser continuamente reduzido at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o. Ele raciocinava, entretanto, com somente tr\u00eas milh\u00f5es de anos para todo o per\u00edodo Cenoz\u00f3ico. Hoje em dia esse per\u00edodo \u00e9 estimado em pelo menos trinta milh\u00f5es de anos (*). A redu\u00e7\u00e3o de um determinado dedo assim exigiu dez milh\u00f5es de anos (**). O pensamento n\u00e3o \u00e9 pouco engenhoso (***).<br \/>\nAlgu\u00e9m poder\u00e1 perguntar: \u00c9 a continuidade ent\u00e3o realmente t\u00e3o marcante no caso da s\u00e9rie dos Hippi (os nomes tamb\u00e9m s\u00e3o cont\u00ednuos) estabelecida em torno de 1879?<\/p>\n<p>Procuramos o melhor especialista europeu em f\u00f3sseis de cavalos, Abel, (10) que tamb\u00e9m est\u00e1 bem familiarizado com as descobertas americanas. Em seu \u201cPaleobiologia e Hist\u00f3ria Geneal\u00f3gica\u201d que \u00e9 cinq\u00fcenta anos mais recente do que a obra de Marsh, \u00e9 tratado o problema do cavalo a partir do ponto de vista moderno, de tal modo que se pode dizer ser relevante o trabalho representativo da atual situa\u00e7\u00e3o da pesquisa.<\/p>\n<p>Na Figura 4 esquematizei a \u00e1rvore geneal\u00f3gica dos eq\u00fc\u00eddeos, em conformidade com a p\u00e1gina 288 do livro de Abel, de maneira integrada, acrescentando os est\u00e1gios e forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas tanto para a Europa quanto para a Am\u00e9rica do Norte. Como se pode ver, constroi-se aqui uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica hipot\u00e9tica, de maneira bastante destacada. Muitas formas foram acrescentadas, ramificando-se do tronco principal e desaparecendo. Aqui tamb\u00e9m tudo parece desenvolver-se numa s\u00e9rie temporal ininterrupta e imperturb\u00e1vel. Um desfile eq\u00fcestre, na verdade, surge perfeito da escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, quando se estuda cuidadosamente a descri\u00e7\u00e3o da g\u00eanese do cavalo feita por Abe1, n\u00e3o \u00e9 pequena a surpresa diante de diversas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 despertada a aten\u00e7\u00e3o, como anteriormente, \u00e0 plena continuidade da \u00e1rvore geneal\u00f3gica do Equus, de tal modo que se tem imediatamente a impress\u00e3o de que ocorreu desenvolvimento sem perturba\u00e7\u00e3o alguma. N\u00e3o se esperam nesse caso descontinuidades quer biol\u00f3gicas quer geol\u00f3gicas. Entretanto, Abel fala de \u201cantigos cavalos\u201d e \u201ccavalos recentes\u201d. Estes \u00faltimos formam dois grupos claramente independentes: o dos cavalos pequenos e mais primitivos, e o dos grandes cavalos semelhantes ao equus. Este \u00faltimo grupo se inicia com o Merychippus. O aspecto deste g\u00eanero \u00e9 descrito como segue:<br \/>\n(*) Esse per\u00edodo duplicou de 1930 para c\u00e1. Hoje \u00e9 de 60 milh\u00f5es de anos e n\u00e3o 30 milh\u00f5es. O argumento de Nilsson \u00e9 portanto grandemente refor\u00e7ado.<br \/>\n(**) Esta cifra seria hoje de 20 milh\u00f5es de anos.<br \/>\n(***) Nota do Editor: \u00c9 \u00f3bvio ao leitor que Nilsson tinha alguma f\u00e9 nas supostas imensas idades da coluna geol\u00f3gica uniformista, como tinham Douglas Dewar e alguns outros criacionistas de uma gera\u00e7\u00e3o anterior. A Creation Research Society mant\u00e9m-se inalteravelmente em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 hip\u00f3tese das \u201cIdades-longas\u201d, e a favor de uma cria\u00e7\u00e3o relativamente recente (embora n\u00e3o necessariamente datando de 4004 a.C.), Apesar disto, \u00e9 de interesse, como o autor Frank Cousins ressalta, que a evid\u00eancia a favor da cria\u00e7\u00e3o dos cavalos \u00e9 t\u00e3o clara que n\u00e3o pode ser negada mesmo que se recorra \u00e0 chamada \u201cci\u00eancia\u201d da estratigrafia, ou a supostas longas \u00e9pocas de tempo geol\u00f3gico. Para numerosos artigos relativos a evid\u00eancias provenientes de v\u00e1rios campos, a favor de uma \u201cTerra relativamente jovem\u201d, consultar n\u00fameros anteriores da revista da Creation Research Society. (Ver tamb\u00e9m os artigos publicados na Folha Criacionista \/ Revista Criacionista, consultando o seu \u00cdndice Tem\u00e1tico \u2013 Nota do Tradutor).<\/p>\n<figure id=\"attachment_378\" aria-describedby=\"caption-attachment-378\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-378\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/1971\/09\/genealogiaCavalo.gif\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"534\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-378\" class=\"wp-caption-text\">Figura 3 \u2013 Suposta genealogia do cavalo<br \/>(Segundo Marsh, \u201cPolydactyl Horses\u201d, American Journal of Science, 1879, p. 505)<br \/>As partes contidas nos ret\u00e2ngulos s\u00e3o as partes usadas por de Beer para defender sua causa, em 1964. (Ver Figura 2)<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_379\" aria-describedby=\"caption-attachment-379\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-379\" src=\"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/1971\/09\/historiaEquidea.gif\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"340\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-379\" class=\"wp-caption-text\">Figura 4 \u2013 A hist\u00f3ria eq\u00fcidea, conforme O. Abel<br \/>(ligeiramente simplificada)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Portanto, a pr\u00f3pria s\u00e9rie eq\u00fc\u00eddea mostra muito claramente que o desenvolvimento filogen\u00e9tico de um tronco intimamente relacionado teve lugar sob formas tranq\u00fcilas, uniformes, poder-se-ia dizer sempre uniformes, e que ent\u00e3o na s\u00e9rie aqui mencionada, a qual na verdade n\u00e3o inclui todos os g\u00eaneros do cavalo norte-americano, iniciou-se uma era de transforma\u00e7\u00e3o muito mais r\u00e1pida, que surgiu quase tempestuosamente. Essa era \u00e9 caracterizada pela origem do tipo Merychippus (10).<br \/>\nEm outro trecho assevera ele que<\/p>\n<p>ao mesmo tempo em que na Am\u00e9rica do Norte ocorria a forma\u00e7\u00e3o de numerosos novos troncos a partir do Merychippus, de maneira quase explosiva (Mioceno m\u00e9dio e superior), tinha lugar tamb\u00e9m no caso das baleias a origem das duas fam\u00edlias dos physerit\u00eddeos e dos ziphudeo (10).<\/p>\n<p>Teve lugar, assim, durante a \u00faltima metade do Mioceno, uma transforma\u00e7\u00e3o \u201ctempestuosa\u201d, \u201cexplosiva\u201d, da \u00e1rvore geneal\u00f3gica do cavalo, poder\u00edamos dizer um processo emicativo. Isso se aplica tanto ao grau de altera\u00e7\u00e3o no car\u00e1ter quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de novas formas. Disse tamb\u00e9m Abel: \u201cTenho a impress\u00e3o de que o maior salto, al\u00e9m da descontinuidade entre o Mesohippus e o Epihippus consiste na forma\u00e7\u00e3o do Merycchippus\u201d.<\/p>\n<p>A \u00faltima afirma\u00e7\u00e3o refere-se tamb\u00e9m a uma nova ruptura no esqueleto da \u00e1rvore geneal\u00f3gica. Mencionei h\u00e1 pouco que Abel fazia distin\u00e7\u00e3o entre os cavalos antigos e recentes. O Eohippus \u00e9 o \u00faltimo dos cavalos antigos, enquanto que o Mesohippus \u00e9 o primeiro dos cavalos recentes. Entre os dois h\u00e1 um consider\u00e1vel hiato. Os primeiros eram pequenos, do tamanho da raposa, com patas dianteiras com quatro dedos; somente os \u00faltimos apresentam tamanho maior, com tr\u00eas dedos.<\/p>\n<p>A tentativa de Abel de reconstru\u00e7\u00e3o da biologia e do ambiente desses \u201ccavalos antigos\u201d, obviamente muito peculiares, pelo tamanho e semelhan\u00e7a com o cavalo atual, \u00e9 de grande interesse. Isso nos leva de volta ao Hyracotherium de Owen. Este g\u00eanero europeu \u00e9 chamado de Eohippus na Am\u00e9rica do Norte. Quanto ao fato de serem sin\u00f4nimos, Davies apresenta os seguintes argumentos, certamente dignos de nota:<\/p>\n<p>Aceito aqui a identidade dos g\u00eaneros Hyracotherium e Eohippus como parece concluir-se inevitavelmente da recente revis\u00e3o dos f\u00f3sseis ingleses (1932) efetuada por Forster Cooper. Tecnicamente isso significa que o nome Eohippus deve ser abandonado, a favor do nome anterior Hyracotherium. Entretanto, ao escrever para o leitor comum, sinto justificado o uso do nome bem mais apropriado do Eohippus (cavalo da aurora) no lugar de Hyracotherium, que pode levar a confus\u00e3o (11).<\/p>\n<p>Davies inclina-se, assim, a abolir a regra da prioridade de nomenclatura, pelo menos para o leigo, para que n\u00e3o sejam abaladas as suas convic\u00e7\u00f5es evolucionistas, mediante a ado\u00e7\u00e3o de um nome impr\u00f3prio para as formas propostas para o in\u00edcio da \u00e1rvore geneal\u00f3gica.<\/p>\n<p>Talvez, por\u00e9m, a base da rejei\u00e7\u00e3o do nome Hyracotherium por Davies n\u00e3o seja s\u00f3 evitar um falso significado etimol\u00f3gico. De fato, os primeiros supostos ancestrais s\u00e3o, como mencionado antes, muito pouco semelhantes ao cavalo, tanto morfologicamente quanto no habitat. Esse era o caso tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua maneira de viver e \u00e0 situa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica global, como Abel imaginava ser, com o apoio de v\u00e1rios investigadores. Descrevia ele o Hyracotherium e seu ambiente, bastante vigorosamente, da seguinte maneira:<\/p>\n<p>Os mais antigos cavalos n\u00e3o eram habitantes das estepes, mas pequenos animais que em pormenores e na sua apar\u00eancia externa total deviam ter apresentado muito mais o aspecto de um veado do Chile (Puduhirsch) ou de um veado de Java (Kantschils tragulus), do que de um cavalo an\u00e3o recente. Matthew chamou aten\u00e7\u00e3o ao fato de que esses cavalos mais antigos eram habitantes de floresta, que se salvavam no caso de perigo iminente n\u00e3o por carreira veloz, mas por se embrenharem na floresta protetora, e que viviam principalmente de folhas tenras e vegetais suculentos, devendo este ponto de vista ser plenamente endossado. A corrida prolongada nas duras estepes, e a alimenta\u00e7\u00e3o com as gram\u00edneas rijas das estepes n\u00e3o teria sido poss\u00edvel a esses pequenos antigos cavalos (12).<\/p>\n<p>Por que raz\u00e3o esses animais do Eoceno se tornaram cavalos verdadeiros, se t\u00e3o pouco se assemelhavam a eles, tanto morfologicamente quanto biologicamente? N\u00e3o existem hoje animais que se assemelhem e vivam como eles? Sim, parece-me muito singular que ningu\u00e9m tenha pensado no g\u00eanero de animais dos quais foi tirado o nome dado por Owens, de Hyracotherium, a saber o Hirax. No material incompleto existente j\u00e1 mostra ele tra\u00e7os hyrac\u00f3ides, e n\u00e3o eq\u00fcinos. E aqueles tra\u00e7os se tornaram progressivamente mais distintos \u00e0 medida que o tipo foi se tornando mais completo atrav\u00e9s de novos achados.<\/p>\n<p>O Hyrax \u00e9 um animal bastante not\u00e1vel na fauna atual, n\u00e3o se adaptando a nenhuma ordem, e imitando muitas ordens. Na maior parte das vezes \u00e9 ele colocado no g\u00eanero dos animais ungulados, por\u00e9m tamb\u00e9m tem sido colocado entre os inset\u00edvoros e os roedores. De fato, tamb\u00e9m houve quem procurasse achar nele caracter\u00edsticas de elefantes, marsupiais e desdentados(*). A verdade \u00e9 que encontramos aqui uma forma recente de combina\u00e7\u00e3o t\u00e3o peculiar quanto o \u201choatzin\u201d sul-americano dentre os p\u00e1ssaros atualmente existentes. Owen descobriu exatamente isso com rela\u00e7\u00e3o ao Hyracotherium.<\/p>\n<p>(*) Desdentados (Edentata) &#8211; Ordem de mam\u00edferos caracterizados pela aus\u00eancia dos dentes frontais (tamandu\u00e1, tatu, pregui\u00e7a, etc).<\/p>\n<p>O Hyrax, como o Hyracotherium, \u00e9 um pequeno animal, aproximadamente do tamanho de um coelho ou raposa. Como eles, o Hyrax, tem quatro dedos nas patas dianteiras e tr\u00eas nas traseiras, o que constitui uma marcante semelhan\u00e7a. Os dentes posteriores dos dois g\u00eaneros apresentam muitas semelhan\u00e7as parecendo-se com os do rinoceronte, mais do que com os do cavalo. Deve ser acrescentado que o Hyrax \u00e9 um animal muito t\u00edmido que usualmente vive em escarpas montanhosas e nas florestas dos planaltos, e que quando por acaso ultrapassa as fraldas das florestas em dire\u00e7\u00e3o aos campos, amedronta-se de maneira extraordinariamente f\u00e1cil, desaparecendo rapidamente de volta \u00e0s florestas. Seu h\u00e1bito de vida, como tamb\u00e9m o nome, relembra assim t\u00e3o exatamente quanto poss\u00edvel os que haviam sido postuladas para o Hyracotherium.<\/p>\n<p>Assim, o Hyracotherium n\u00e3o se assemelha ao atual cavalo em nenhum aspecto, sendo, por\u00e9m, por outro lado, muito impressionantemente semelhante ao atual daman. Pode-se exprimir essa situa\u00e7\u00e3o dizendo que os \u201ccavalos\u201d do Eoceno est\u00e3o ainda vivendo hoje. Naturalmente n\u00e3o podem eles ser considerados como cavalos, pois isso significaria que a evolu\u00e7\u00e3o estacionou. Como esses remanescentes n\u00e3o se enquadram em nenhuma das ordens recentes, fala-se deles o m\u00ednimo poss\u00edvel, para evitar o rid\u00edculo. De fato eles se enquadrariam somente na ordem Lophiodontidae do Eoceno, por\u00e9m isso seria um grande absurdo.<\/p>\n<p>O Hyracotherium \u00e9 um g\u00eanero do Eoceno. Ao seu lado s\u00e3o colocados v\u00e1rios g\u00eaneros europeus intimamente ligados e, como visto na Figura 4, os g\u00eaneros Propachynolophus e Pachynolophus prosseguem no Eoceno m\u00e9dio e superior, enquanto que o Hyracotherium desaparece no Eoceno inferior. Assim, um belo desenvolvimento transgressivo parece ter lugar aqui. Uma recapitula\u00e7\u00e3o dos cavalos europeus antigos feita por Foster Cooper (13) mostrou, entretanto, que aqueles g\u00eaneros n\u00e3o podem ser distinguidos. Assim, o Hyracotherium viveu durante todo o Eoceno e o desenvolvimento permaneceu estacionado. Parece que somente os nomes \u00e9 que se desenvolveram.<\/p>\n<p>Encontra-se ainda a opini\u00e3o de que os cavalos se tornaram sucessivamente de maior porte. Isso \u00e9 certamente correto no que diz respeito a ser o Equus maior do que o Hyracotherium, da mesma maneira que o cavalo da fauna atual \u00e9 maior do que o daman, existindo entre os dois extremos nos dois casos v\u00e1rias formas intermedi\u00e1rias de ungulados. Ora, as pessoas estavam t\u00e3o firmemente convencidas do aumento do tamanho dos cavalos nos estratos geol\u00f3gicos, que em alguns casos as idades dos estratos foram determinadas pelos tamanhos dos restos f\u00f3sseis neles encontrados (*). Como destacou Cooper, n\u00e3o h\u00e1 forte paralelismo nesse caso. O Eohippus que aparece no Eoceno inferior \u00e9 a maior forma dos cavalos do Eoceno. Todas as formas do Eoceno m\u00e9dio e superior s\u00e3o menores. Somente no Oligoceno, com o Mesohippus, surge um repentino e significativo aumento no tamanho. Aparece aqui um tipo de cavalo que tamb\u00e9m sofreu altera\u00e7\u00f5es sob muitos aspectos &#8211; um tipo de cavalo recente, de pequenas dimens\u00f5es, do tamanho de um carneiro.<\/p>\n<p>Com isso vem \u00e0 luz a primeira lacuna na hipot\u00e9tica \u00e1rvore geneal\u00f3gica do cavalo atual. Nesses animais do g\u00eanero Mesohippus e Parahippus, tanto as patas dianteiras quanto as traseiras t\u00eam tr\u00eas dedos, diferindo dos cavalos antigos em muitas outras caracter\u00edsticas cujos detalhes n\u00e3o podemos abordar aqui. Seus h\u00e1bitos de vida tamb\u00e9m eram novos. Assim, Abel (14) pensava que eles eram animais que viviam nas estepes, habitando plan\u00edcies alagadas formadas durante o Oligoceno. Um novo tipo, tanto morfol\u00f3gica quanto biologicamente, ocorreu com o Oligoceno e permaneceu at\u00e9 o Mioceno inferior, desaparecendo tamb\u00e9m, ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ap\u00f3s isso, apareceu pela primeira vez o cavalo verdadeiro, ou cavalo recente. A interrup\u00e7\u00e3o da hipot\u00e9tica s\u00e9rie evolutiva dificilmente poderia ser mais definida do que com o aparecimento deste tipo. Passou a dominar a exist\u00eancia de um s\u00f3 dedo, embora pudessem ocorrer rudimentos bastante claros de dois dedos laterais. Ocorreu, por\u00e9m, um tipo importante de desvio com rela\u00e7\u00e3o aos dentes e \u00e0 natureza da denti\u00e7\u00e3o. Os dentes do cavalo s\u00e3o muito compridos, prism\u00e1ticos, sem raiz, e ricamente cobertos com cimento. Neste particular constituem eles estruturas singulares em toda a fauna. Os animais com denti\u00e7\u00e3o ocorrem primeiramente no Mioceno superior. Esses \u201cungulados hypsodentais\u201d aparecem todos simultaneamente, sem est\u00e1gios intermedi\u00e1rios. S\u00e3o mesmo naturalmente variados, como outros grupos, por terem aparecido imediatamente em pleno desabrochar. Junto com o Merychippus e o Hipparion h\u00e1 um rico grupo de formas semelhantes ao Equus, todas elas separadas dos primeiros grupos brachydontais por uma imensa descontinuidade evolutiva. Esses primeiros grupos se extinguiram, sendo totalmente eliminados da pesquisa. Aqui n\u00e3o se pode falar de evolu\u00e7\u00e3o. A extin\u00e7\u00e3o completa de uma fauna ungulada, e o aparecimento repentino de outra &#8211; e esta logo diferenciada ricamente, o que descrevi anteriormente como uma ocorr\u00eancia emicativa &#8211; \u00e9 na verdade um fato criativo.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore geneal\u00f3gica do cavalo \u00e9 bonita e continua somente nos livros did\u00e1ticos. Na realidade decorrente dos resultados da pesquisa \u00e9 uma justaposi\u00e7\u00e3o de tr\u00eas partes, das quais somente a \u00faltima pode ser descrita como incluindo cavalos. As formas da primeira parte podem ser t\u00e3o consideradas como cavalos pequenos quanto os atuais damans podem ser considerados cavalos. A constru\u00e7\u00e3o de toda a \u00e1rvore geneal\u00f3gica cenoz\u00f3ica do cavalo \u00e9 portanto muito artificial, pois constitui uma justaposi\u00e7\u00e3o de partes n\u00e3o equivalentes, e n\u00e3o pode, assim, constituir uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas. O seu valor evolucion\u00e1rio \u00e9 portanto inteiramente insustent\u00e1vel sob a luz de novas pesquisas.<\/p>\n<p>(*) Esse \u00e9 um bom exemplo do c\u00edrculo vicioso estabelecido na \u201cci\u00eancia\u201d da Estratigrafia.<\/p>\n<h3><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p>Desde o trabalho de Nilsson sobre o cavalo, apresentado aqui, n\u00e3o h\u00e1 novas evid\u00eancias conhecidas por mim que me levem a desejar alterar as conclus\u00f5es a que ele chegou. Seu trabalho terminou antes de 1954, por\u00e9m o Dr. G. A. Kerkut do Departamento de F\u00edsica e Bioqu\u00edmica da Universidade de Southampton, escrevendo em 1960 e reimprimindo em 1965 as suas pesquisas (Ver Refer\u00eancia 2) apela fortemente aos biologistas para porem sua casa em ordem com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica sobre o cavalo e os f\u00f3sseis \u201cper se\u201d.<\/p>\n<p>Ele ressalta que nenhuma informa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica sobre os f\u00f3sseis conhecidos foi dada depois de 1926 e 1930, e que \u00e9 dif\u00edcil descobrir quantas esp\u00e9cies de um dado g\u00eanero s\u00e3o dispon\u00edveis para estudo. Julga ele que existem no mundo provavelmente cem esqueletos de cavalos f\u00f3sseis recompostos. N\u00e3o h\u00e1 esqueletos recompostos de Eohippus, Archaeohippus, Megahippus, Stylohipparion, Nannippus, Calippus, Onohippidium ou Parahippies, e nos Estados Unidos nenhum esqueleto de Anchitherium ou Hipparion.<\/p>\n<p>Chama ele ent\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o para os g\u00eaneros da fam\u00edlia do cavalo. Kowalewski em 1874 conhecia tr\u00eas; Lull em 1917 descreveu 15, Simpson listou 26 em 1945, e Kerkut preocupa-se com a validez desses g\u00eaneros. O Eoceno atualmente \u00e9 fixado h\u00e1 sessenta milh\u00f5es de anos, e ningu\u00e9m ainda sabe p\u00f4r os alegados 26 g\u00eaneros em rela\u00e7\u00e3o com este vasto per\u00edodo de tempo, aberto a severas cr\u00edticas quanto aos m\u00e9todos de data\u00e7\u00e3o utilizados.<\/p>\n<p>Existem ainda alguns dos cavalos de Przewalski. O Zool\u00f3gico de Praga mant\u00e9m registros deste animal, que se sup\u00f5e ser o cavalo desenhado nas grutas de Lascaux (15.000 anos atr\u00e1s?). Uma tropa de oito foi vista na Mong\u00f3lia em 1966. O Dr. R. M. Stecher em um artigo na Acta Zool\u00f3gica et Pathologica, em 1968, apresenta o resultado da contagem das v\u00e9rtebras das espinhas de 61 esqueletos do cavalo de Przewalski, comparando-as com contagens semelhantes de outros cavalos &#8211; o cavalo dom\u00e9stico, o burro (E. asinus), a mula (E. caballus e E. asinus) e o hem\u00edono (E. hemionus). Tentou ele tamb\u00e9m relacionar esses n\u00fameros com o n\u00famero de pares de cromossomos na c\u00e9lula de cada cavalo.<\/p>\n<p>Os cavalos de Przewalski t\u00eam o segmento tor\u00e1cico mais longo da espinha, o segmento lombar pouco menor, t\u00eam o mais curto segmento sacral e v\u00e1rias juntas laterais na espinha lombar pouco maiores. T\u00eam tamb\u00e9m a maior contagem cromoss\u00f4mica &#8211; 66 pares contra 64 do cavalo dom\u00e9stico, 63 da mula, 62 do cavalo, e 54 do hem\u00edono.<\/p>\n<p>O Dr. Stecher faz ent\u00e3o a hip\u00f3tese completamente invalidada de que isso sugere a evolu\u00e7\u00e3o do cavalo, pois a espinha se alterou e essas altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o correlacionadas com a contagem cromoss\u00f4mica. Isso nada sugere \u00e0 minha mente; pelo contr\u00e1rio, mostra conclusivamente que as espinhas e as contagens cromoss\u00f4micas s\u00e3o diferentes em animais diferentes, e que jamais pode legitimamente ser atribu\u00edda a suas pesquisas alguma prova da evolu\u00e7\u00e3o. Ele deveria saber que tudo \u00e9 classificado pelas suas diferen\u00e7as constitutivas, e que um estado da morfologia do cavalo n\u00e3o pode ser usado para decidir a respeito das raz\u00f5es para as diferen\u00e7as constitutivas.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o do cavalo \u00e9 ainda em 1969 objeto de conjectura, e n\u00e3o se baseia em evid\u00eancia clara e inatac\u00e1vel. A fam\u00edlia eq\u00fcina \u00e9 singular e separada, e as evid\u00eancias existentes podem, sem qualquer viol\u00eancia, ser adaptadas ao caso da cria\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<h3><b>Refer\u00eancias<\/b><\/h3>\n<p>(1) Rhodes, F. H. T. 1966. The course of evolution, Proceedings of the Geologist&#8217;s Association, Vol 77, Part 1.<br \/>\n(2) Kerkut, G. A. 1960. Implications of evolution. Pergamon Press. London. p. 144.<br \/>\n(3) Nilsson, H. 1954. Synthetische Artbildung. Verlag CWE Gleerup, Lund, Sweden.<br \/>\n(4) Haldane, Jo B. S. 1932, The cause of evolution. p. 6.<br \/>\n(5) de Beer, G. 1964, Atlas of evolution. Nelson, London, (Ver minhas cr\u00edticas a este trabalho em Book Review N\u00ba. 142, Evolution Protest Movement, October, 1966 &#8211; Atlas of evolution, A Critique por Frank W. Cousins).<br \/>\n(6) Davies, A. Morley. 1937. Evolution and its modern critics. London.<br \/>\n(7) Dewar D. 1931. Difficulties of the evolution theory. London, and 1937. Um desafio para os evolucionistas.<br \/>\n(8) Owen, R. 1841. Description of the fossil remains of a mammal Hyracotherium lepinorum and a bird Lithornis culturinus from the London clay. Transactions of the Geological Society of London. 6:203-208.<br \/>\n(9) Osborn, H. 1917. American Journal of Science, 46:268.<br \/>\n(10) Abel, O. 1929. Palae biologie und Stammesgeschichte. Jena. pp. 286, 294, 285.<br \/>\n(11) Davies. Op. cit., p. 54.<br \/>\n(12) Abel, O. Op. cit. p. 288.<br \/>\n(13) Cooper, C. Forster. 1932. The genus Hyracotherium, Philosophical Transactions of the Royal Society of London, Series B, p. 221.<br \/>\n(14) Abel, O. Op. cit., p. 286.<\/p>\n<hr \/>\n<p>AS CALOSIDADES DA PARTE INTERNA DA PERNA DO CAVALO<\/p>\n<p>(Esta Nota foi acrescentada \u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o deste n\u00famero da Folha Criacionista)<\/p>\n<p>Glen W. Wolfrom apresentou interessante coment\u00e1rio no boletim peri\u00f3dico Creation Matters de julho\/agosto de 1998, publicado pela Creation Research Society, sobre as \u201ccastanhas\u201d ou calosidades que se encontram na parte interna das pernas dos cavalos, cujo formato e tamanho s\u00e3o peculiares a cada esp\u00e9cime, pelo que t\u00eam sido usadas tradicionalmente pelos criadores para auxiliar a identifica\u00e7\u00e3o individual dos cavalos.<\/p>\n<p>Algumas pessoas t\u00eam admitido que essas calosidades s\u00e3o \u201cres\u00edduos evolutivos\u201d, ou seja, d\u00edgitos rudimentares, ou vestigiais, remanescentes de anteriores dedos das patas dos cavalos ancestrais, na escala evolutiva. Sem d\u00favida, pareceria pelo menos estranho que algo perto do joelho da perna dianteira, e do jarrete na perna traseira, pudesse ser considerado como remanescente de um dedo, mas essa \u00e9 a opini\u00e3o que se encontra em muitos livros-textos e na literatura de divulga\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para criadores.<\/p>\n<p>O artigo em quest\u00e3o menciona que Evans e outros pesquisadores, em 1990, defenderam a tese de que essas \u201ccastanhas\u201d s\u00e3o excresc\u00eancias semi-calosas derivadas da camada epid\u00e9rmica. Estruturas semelhantes, chamadas de \u201cespig\u00f5es\u201d localizam-se na superf\u00edcie p\u00f3stero-ventral do \u201cmachinho\u201d das patas dos cavalos. Sua dimens\u00e3o depende da ra\u00e7a, e geralmente ficam eles escondidos pela pelagem do animal.<\/p>\n<p>Os autores referidos declaram que \u201cn\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia a favor da teoria de que (as \u201ccastanhas\u201d) representem vest\u00edgios de d\u00edgitos perdidos que existissem em esp\u00e9cies de cavalos extintas\u201d (p. 128), e \u201cn\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica que sugira que as \u201ccastanhas\u201d ou os \u201cespig\u00f5es\u201d sejam vest\u00edgios reduzidos de d\u00edgitos\u201d. (p. 688).<\/p>\n<p>Como bibliografia auxiliar, o artigo recomenda:<br \/>\n1. Bergman, J., and G. F. Howe. 1990. \u201cVestigial Organs\u201d are fully functional. CRS Books, St. Joseph, MO., U.S.A.<br \/>\n2. Evans, J. W., A. Borton, H. F. Hintz, L. D. Van Vleck. 1990. The Horse, 2nd ed. W. H. Freeman Co., New York.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Professor H. 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