{"id":1172,"date":"2004-03-24T22:44:48","date_gmt":"2004-03-25T01:44:48","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/?p=1172"},"modified":"2022-10-27T00:09:03","modified_gmt":"2022-10-27T03:09:03","slug":"a-fe-e-o-genoma-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/revistas-conteudo\/folha-70\/a-fe-e-o-genoma-humano\/","title":{"rendered":"A f\u00e9 e o genoma humano &#8211; Planejamento Inteligente &#8211; Resumo da palestra de Francis S. Collins"},"content":{"rendered":"<p>Com o t\u00edtulo acima, a \u201cAmerican Scientific Affiliation\u201d \u2013 ASA, conhecida entidade criacionista norte-americana, publicou em seu peri\u00f3dico \u201cPerspectives on Science and Christian Faith\u201d, de setembro de 2003, um interessante artigo de autoria de Francis S. Collins.<\/p>\n<p>Neste artigo, Collins faz uma pequena introdu\u00e7\u00e3o, mas bastante significativa, para em seguida falar um pouco de sua experi\u00eancia pessoal como crist\u00e3o, e finalmente tratar de interessantes detalhes do Projeto Genoma.<\/p>\n<p>Consideramos de utilidade para nossos leitores transcrever na integra a introdu\u00e7\u00e3o e as declara\u00e7\u00f5es de Collins a respeito de sua f\u00e9, seguidas de alguns trechos de sua exposi\u00e7\u00e3o sobre o Projeto Genoma.<\/p>\n<p><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Apesar dos melhores esfor\u00e7os da \u201cAmerican Scientific Affiliation\u201d para eliminar o hiato entre ci\u00eancia e f\u00e9, poucos encontros de cientistas envolvidos com Biologia t\u00eam inclu\u00eddo qualquer discuss\u00e3o importante sobre o significado espiritual da revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e1 ocorrendo na Gen\u00e9tica e na Gen\u00f4mica. A maior parte dos biologistas e geneticistas parece ter conclu\u00eddo que ci\u00eancia e f\u00e9 s\u00e3o incompat\u00edveis, por\u00e9m poucos que aceitam esta conclus\u00e3o parecem ter considerado as evid\u00eancias seriamente.<\/p>\n<p>Da minha perspectiva de Diretor do Projeto Genoma Humano, as vis\u00f5es de mundo, cient\u00edfica e religiosa, n\u00e3o somente s\u00e3o compat\u00edveis, como tamb\u00e9m inerentemente complementares. Assim, \u00e9 uma fonte de grande preocupa\u00e7\u00e3o a profunda polariza\u00e7\u00e3o entre as perspectivas cient\u00edficas e religiosas, ora claramente evidenciada nos campos da Biologia e da Gen\u00e9tica. Extremados defensores de cada campo pintam quadros crescentemente exclusivistas que for\u00e7am os pesquisadores sinceros a escolher uma das vis\u00f5es em detrimento da outra. Como tudo isso deve ferir os sentimentos de Deus! A eleg\u00e2ncia e a complexidade do genoma humano \u00e9 uma fonte de profundo embevecimento. Suas maravilhas somente refor\u00e7am minha f\u00e9, pois prov\u00eaem relances de aspectos referentes \u00e0 humanidade, que em sua onisci\u00eancia Deus sempre conheceu, mas que somente agora n\u00f3s estamos come\u00e7ando a descobrir.<\/p>\n<p><b>Declara\u00e7\u00f5es de Collins sobre a sua F\u00e9<\/b><\/p>\n<p>Estamos na beira de uma infinidade de desenvolvimentos impulsionados pela Gen\u00e9tica, que requerem exame cuidadoso e deliberado. Aqueles de n\u00f3s que t\u00eam a b\u00ean\u00e7\u00e3o de ter um firme fundamento para decidir em que dire\u00e7\u00e3o iremos (a saber, nossa f\u00e9), precisam estar profundamente engajados, para que o resultado seja algo de que o Deus todo poderoso possa se orgulhar.<\/p>\n<p><b>O Salmo 8 refere-se \u00e0 interface entre a ci\u00eancia e a f\u00e9:<\/b><\/p>\n<p>\u201c\u00d3 Senhor, Senhor nosso, qu\u00e3o magn\u00edfico em toda a terra \u00e9 o Teu nome, pois expuseste nos c\u00e9us a Tua majestade. Da boca de pequeninos e crian\u00e7as de peito suscitaste for\u00e7a, por causa dos Teus advers\u00e1rios, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador. Quando contemplo os Teus c\u00e9us, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que \u00e9 o homem, que dele Te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus, e de gl\u00f3ria e de honra o coroaste. Deste-lhe dom\u00ednio sobre as obras da Tua m\u00e3o, e sob seus p\u00e9s tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e tamb\u00e9m os animais do campo; as aves do c\u00e9u e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares. \u00d3 Senhor, Senhor nosso, qu\u00e3o magn\u00edfico em toda a terra \u00e9 o Teu nome!\u201d<\/p>\n<p>Como cientista, aprecio esse Salmo porque ele realmente exprime o fundo do cora\u00e7\u00e3o de Davi e descreve as gl\u00f3rias dos c\u00e9us, as maravilhas da Biologia, e ainda apresenta a mensagem real: \u201cQu\u00e3o magn\u00edfico em toda a terra \u00e9 o Teu nome!\u201d<\/p>\n<p>Durante cerca de vinte anos tenho sido membro da ASA. Esta \u00e9 a primeira vez que pude comparecer a um encontro anual. Confesso que me vejo constrangido a fala sobre a interface entre a ci\u00eancia e a f\u00e9, pois muitos dos presentes j\u00e1 escreveram eloq\u00fcentemente sobre as peculiaridades da s\u00edntese desses dois diferentes componentes. Minha conceitua\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a esse respeito ainda est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas encontrar\u00e3o lugar para me desafiar, e espero que o fa\u00e7am. Para mim, a ASA tem sido constante fonte de encorajamento ao longo desses \u00faltimos cerca de vinte anos.<\/p>\n<p>Observem estas duas imagens bastante ilustrativas, que s\u00e3o t\u00e3o parecidas entre si: O belo vitral rosiforme da York Minster Cathedral, e uma vista pouco comum do DNA, em que a espiral \u00e9 vista de dentro para fora, de tal modo que a h\u00e9lice dupla adquire um aspecto particularmente belo.<\/p>\n<p>Estas imagens podem representar duas vis\u00f5es de mundo que a maioria das pessoas julgam incompat\u00edveis \u2013 a vis\u00e3o espiritual, e a vis\u00e3o cient\u00edfica. Alternativamente, a s\u00edntese dessas duas vis\u00f5es de mundo pode constituir uma magn\u00edfica oportunidade para apreciar cada uma delas de maneira particularmente especial.<br \/>\nMinha forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Nasci e cresci em Shenandoah Valley, na Virginia, em um lar onde era exercitada a f\u00e9 de maneira regular. Meus pais eram pessoas muitos criativas, especialmente no teatro e nas artes. Meus primeiros anos escolares, at\u00e9 a sexta s\u00e9rie, foram em casa, n\u00e3o pelo desejo de me instilarem cren\u00e7as religiosas, como hoje \u00e9 freq\u00fcente, mas para me manter afastado das escolas do povoado, cujos professores eram tidos como pouco incentivadores dos instintos criativos dos quatro filhos de minha m\u00e3e. Ela me inspirava o desejo de aprender coisas, por\u00e9m pouco eu aprendi sobre a f\u00e9 ou a cren\u00e7a em Deus. Freq\u00fcentei a igreja a partir dos seis anos de idade, por uma raz\u00e3o bastante espec\u00edfica \u2013 participar do coral juvenil para aprender m\u00fasica. Lembro-me de uma admoesta\u00e7\u00e3o de meu pai: \u201c Voc\u00ea est\u00e1 l\u00e1 para aprender m\u00fasica. Voc\u00ea enfrentar\u00e1 outros questionamentos sobre teologia. N\u00e3o preste aten\u00e7\u00e3o neles, pois eles somente deixar\u00e3o voc\u00ea confuso\u201d. Assim, segui essas instru\u00e7\u00f5es e aprendi bastante sobre m\u00fasica, mas nada aprendi sobre o restante dos servi\u00e7os religiosos.<\/p>\n<p>Quando meus amigos no dormit\u00f3rio do col\u00e9gio perguntaram-me sobre o que eu cria, verifiquei que n\u00e3o tinha absolutamente qualquer id\u00e9ia sobre o assunto. Foi muito f\u00e1cil para eu decidir-me que n\u00e3o cria em nada daquilo sobre o que os outros falavam \u2013 sobre Cristo, ou outras formas de f\u00e9 religiosa. Eu supunha que tudo isso era supersti\u00e7\u00e3o. Eu tinha vivido bem sem isso, e n\u00e3o sentia qualquer necessidade particular de aceitar tudo isso.<\/p>\n<p>Terminei minha gradua\u00e7\u00e3o em Qu\u00edmica, e iniciei um doutorado em F\u00edsica Qu\u00edmica em Yale. Ap\u00f3s me aprofundar nesse campo espec\u00edfico, e concluir que as \u00fanicas verdades reais eram equa\u00e7\u00f5es diferenciais de segunda ordem, parecia-me haver menos necessidade ainda de Deus. Tornei-me assim um not\u00f3rio ateu no curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Se algu\u00e9m fosse almo\u00e7ar comigo, certamente n\u00e3o apreciaria a experi\u00eancia. Eu n\u00e3o tinha absolutamente interesse algum em coisas relacionadas com a vida espiritual, pois n\u00e3o achava que tais coisas realmente existissem.<\/p>\n<p>Nessa ocasi\u00e3o, mudei de dire\u00e7\u00e3o em minha carreira. Decidindo que a Biologia era bastante mais interessante do que eu supunha anteriormente, determinei-me ingressar na carreira m\u00e9dica. Eu desejava seguir essa carreira para dirigir minha inclina\u00e7\u00e3o para a ci\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o da sa\u00fade humana. Como estudante de medicina, deparei-me com muitas pessoas passando por sofrimentos terr\u00edveis, afetadas por doen\u00e7as pelas quais n\u00e3o tinham culpa. Embora eu n\u00e3o conseguisse ajud\u00e1-las, observei que algumas dessas pessoas pareciam possuir uma incr\u00edvel f\u00e9. N\u00e3o contendiam com Deus, o que eu achava que deveriam fazer. Se eles acreditavam em um Deus que permitia que o c\u00e2ncer os atingisse, por que n\u00e3o o estavam confrontando? Pelo contr\u00e1rio, eles pareciam derivar esse not\u00e1vel sentimento de conforto de sua f\u00e9, mesmo em ocasi\u00f5es de enorme adversidade. Essa posi\u00e7\u00e3o realmente me intrigava. Poucos de meus pacientes me perguntaram em que eu cria. Eu titubeava, e me via muito embara\u00e7ado ao dizer: \u201cEu n\u00e3o sei!\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o algo me aconteceu. Como cientista, sempre eu tinha insistido na coleta rigorosa de dados antes de tirar uma conclus\u00e3o. E apesar disso, na quest\u00e3o da f\u00e9 jamais eu tinha coletado qualquer tipo de dado. Eu n\u00e3o estava sabendo o que eu rejeitava. Ent\u00e3o decidi que eu deveria estar um pouco melhor fundamentado no meu ate\u00edsmo. Seria melhor que eu descobrisse, afinal, do que se tratava. Encontrando na rua um paciente que era ministro metodista, apresentei-lhe meus desafios. Ap\u00f3s ouvir meu questionamento, e entendendo que eu n\u00e3o estava possuindo bastante informa\u00e7\u00e3o, ele me sugeriu que eu lesse o Evangelho de S. Jo\u00e3o. E foi o que fiz. Descobri que as Escrituras eram interessantes e faziam-me pensar, ao contr\u00e1rio do que sempre pensei que a f\u00e9 fazia. Entretanto, eu n\u00e3o estava pronto ainda para considerar a plausibilidade da f\u00e9. Eu necessitava uma base intelectual maior para superar meus pr\u00f3prios argumentos sobre tudo isso ser apenas supersti\u00e7\u00e3o. Com essa inten\u00e7\u00e3o, voltei-me ao livro cl\u00e1ssico \u201cMere Crhistianity\u201d, de C. S. Lewis. (At\u00e9 hoje \u201cMere Crhistianity\u201d parece ainda ser o melhor livro para ser posto nas m\u00e3os de um jovem em busca da verdade sobre a racionalidade da f\u00e9). Ao ler \u201cMere Crhistianity\u201d, logo minha vis\u00e3o materialista foi posta em ru\u00ednas. Particularmente incisivo foi para mim o argumento de Lewis sobre a lei da natureza humana. Por que ela existe? Por que ela \u00e9 universal? E tamb\u00e9m o seu argumento: N\u00e3o seria este o lugar para procurar evid\u00eancias de um Deus pessoal, perfeito e santo, se \u00e9 que ele existe?<\/p>\n<p>Os sociobiologistas alegar\u00e3o que, afinal, de alguma maneira a natureza humana \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o. Isso nunca me pareceu uma alega\u00e7\u00e3o particularmente impelente como explica\u00e7\u00e3o para a lei moral que conhecemos como algo intr\u00ednseco, embora freq\u00fcentemente a desobede\u00e7amos. Segue uma magn\u00edfica frase de Lewis:<\/p>\n<p>\u201cDescobrimos mais a respeito de Deus a partir da lei moral do que do universo em geral, da mesma maneira que descobrimos mais a respeito de uma pessoa ouvindo sua conversa\u00e7\u00e3o do que olhando para a casa que ele construiu.\u201d<\/p>\n<p>Compreendi que minha vida cient\u00edfica estava olhando para a casa, enquanto eu jamais havia considerado a conversa\u00e7\u00e3o (a lei moral) como evid\u00eancia de Deus. Eu precisava estudar o Criador. Ap\u00f3s uma luta interna de v\u00e1rios meses, compreendi que, se existisse Deus, Ele era santo, e eu n\u00e3o. Pela primeira vez compreendi qu\u00e3o deficiente eu era. Ent\u00e3o entendi o que Cristo fez provendo uma ponte entre Deus, com toda a sua santidade, e mim, com toda minha imperfei\u00e7\u00e3o. Finalmente, cedi e rendi-me \u2013 n\u00e3o talvez como Lewis, \u201co mais abomin\u00e1vel e relutante converso em toda a Inglaterra\u201d, que \u00e9 como ele descreve sua convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Certamente tamb\u00e9m n\u00e3o senti uma onda de calor emocional. Pelo contr\u00e1rio, parecia-me estar caminhando por algo completamente desconhecido. Deus \u00e9 bom, e no decorrer de muitos outros anos de aprendizagem \u2013 e ainda estou percorrendo esse caminho \u2013 minha f\u00e9 se tornou a luz que passou a guiar minha vida.<\/p>\n<p>Minha vis\u00e3o do mundo cient\u00edfico come\u00e7ou cedo. Interessei-me muito por ci\u00eancias quando ainda estudante do segundo grau, e em seguida pela qu\u00edmica, continuando pela medicina, e finalmente pela gen\u00e9tica como meio de desvendar todos os dif\u00edceis mist\u00e9rios das doen\u00e7as. Certamente, nunca imaginei que pudesse receber um convite para participar do \u201cNational Institutes of Health\u201d (NIH) e tornar-me um servidor p\u00fablico, dirigindo um projeto visando ao mapeamento e seq\u00fcenciamento de todo o alfabeto do manual do ser humano. Esse foi verdadeiramente um not\u00e1vel momento na hist\u00f3ria, momento esse que estamos vivendo essencialmente agora. Passaram-se nove anos desde que vim para o NIH, durante os quais fiz uma carreira incr\u00edvel, que ainda continua! Sob muitos aspectos, estamos no fim do come\u00e7o. Para onde estamos indo em seguida, penso eu, haver\u00e1 ainda impactos mais profundos na medicina e na sociedade. Como crist\u00e3os, temos uma perspectiva especial sobre como conduzir essa nova revolu\u00e7\u00e3o de maneira a ter os m\u00e1ximos benef\u00edcios seguindo o melhor caminho.<\/p>\n<p><b>O Futuro do Projeto Genoma Humano<\/b><\/p>\n<p>O Projeto Genoma Humano (PGH) j\u00e1 tem doze anos de vida. Todos os seus objetivos iniciais foram atingidos com antecipa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos relativamente \u00e0 data prevista, de 2005. Fico contente ao dizer que o PGH realizou-se com recursos financeiros muito menores do que os previsto inicialmente. O PGH \u00e9 um projeto financiado pelo governo federal americano, que gastou menos do que o previsto, e que foi realizado antecipando-se ao prazo!<\/p>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es do PGH exceder\u00e3o as expectativas virtualmente em todas as \u00e1reas da medicina, porque praticamente todas as doen\u00e7as t\u00eam alguma componente gen\u00e9tica. Os cientistas tenderam a enfatizar as doen\u00e7as que s\u00e3o herdadas geneticamente, como a fibrose c\u00edstica, a doen\u00e7a de Huntington ou a anemia falciforme. Por\u00e9m, virtualmente todas, exceto talvez alguns casos de trauma, t\u00eam componente gen\u00e9tica \u2013 diabetes, doen\u00e7as card\u00edacas, dist\u00farbios mentais, asma, hipertens\u00e3o, e c\u00e2ncer. Todas essas doen\u00e7as tendem a se manifestar hereditariamente, o que significa que deve haver algo na seq\u00fc\u00eancia do DNA que predisp\u00f5e as pessoas ao risco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, compreendemos que n\u00e3o existem indiv\u00edduos perfeitos. Esse \u00e9 o equivalente biol\u00f3gico do pecado original. Todos n\u00f3s somos imperfeitos; todos n\u00f3s estamos geneticamente longe da perfei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o existe seq\u00fc\u00eancia de DNA perfeita; existe erro em todos n\u00f3s. Todos n\u00f3s temos provavelmente dezenas de locais em nossa seq\u00fc\u00eancia de DNA em que gostar\u00edamos que estivesse um T (timina), mas onde realmente est\u00e1 um C (citosina). Conseq\u00fcentemente, essa altera\u00e7\u00e3o acarreta um risco para n\u00f3s com rela\u00e7\u00e3o a alguma doen\u00e7a. N\u00e3o seremos incomodados por muitos desses riscos porque n\u00e3o encontraremos o gatilho ambiental necess\u00e1rio para ocasionar a doen\u00e7a, ou n\u00e3o teremos o conjunto de susceptibilidades para nos levar a transpor certo limite. Entretanto, temos todos n\u00f3s algo que est\u00e1 oculto em nosso genoma, e carregamos a probabilidade de que nosso genoma espec\u00edfico poder\u00e1 nos causa algum inc\u00f4modo. Estamos prestes a podermos descobrir, dentro de aproximadamente 10 anos, quais s\u00e3o essas probabilidades, para cada um de n\u00f3s. \u00c9 realmente s\u00e9rio contemplar todo esse potencial.<\/p>\n<p>Hoje, cinq\u00fcenta anos ap\u00f3s Watson e Crick terem desvendado a estrutura da h\u00e9lice dupla, acho interessante contemplar a eleg\u00e2ncia do DNA que armazena informa\u00e7\u00e3o \u2013 essa linguagem que \u00e9 partilhada por todas as formas de vida. De maneira bastante f\u00e1cil para ser copiada, esse c\u00f3digo digital permite levar uma quantidade enorme de informa\u00e7\u00e3o para dentro de cada c\u00e9lula do corpo humano. Essa dupla h\u00e9lice de DNA \u00e9 constru\u00edda com pares b\u00e1sicos de letras. O genoma humano todo consiste de 3 bilh\u00f5es desses pares, todos armazenados dentro do n\u00facleo da c\u00e9lula (Ver Figura 2 na RC).<\/p>\n<p>Embora este seja um n\u00famero enorme, para mim \u00e9 surpreendente que ainda seja um n\u00famero finito. Os 3 bilh\u00f5es da letras s\u00e3o capazes de dirigir todas as propriedades biol\u00f3gicas de um ser humano. Apesar de existir uma imensidade de propriedades biol\u00f3gicas em um ser humano, especialmente se considerarmos as complexidades do crescimento, essa estrutura ainda \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>O PGH visava a leitura de todas essas letras, e o desenvolvimento de t\u00e9cnicas que levem \u00e0 compreens\u00e3o do significado dessa linguagem, sem o que de pouco serviria. Assim, enquanto parte do sucesso do projeto foi a leituras das letras, a parte principal foi o desenvolvimento de outros m\u00e9todos para a compreens\u00e3o do que est\u00e1 codificado nelas.<\/p>\n<p>&#8230;Descobrimos algumas belas surpresas na leitura da seq\u00fc\u00eancia do genoma humano. Dentre elas podemos destacar as seguintes (transcreveremos aqui apenas uma delas):<\/p>\n<p><b>Os seres humanos t\u00eam menos genes do que se esperava<\/b>.<\/p>\n<p>Minha defini\u00e7\u00e3o de gene, aqui, j\u00e1 que \u00e9 diversificada a terminologia utilizada, \u00e9 um segmento do DNA que codifica uma prote\u00edna determinada. Provavelmente h\u00e1 segmentos do DNA que codificam RNA que n\u00e3o produzem prote\u00ednas. Esse entendimento est\u00e1 somente em seu in\u00edcio, e pode ser muito complexo. Por\u00e9m, a defini\u00e7\u00e3o padr\u00e3o do gene como \u201cum segmento de DNA que codifica uma prote\u00edna\u201d nos leva surpreendentemente ao pequeno n\u00famero de cerca de 30.000 genes humanos. Considerando que temos estado a falar de cerca de 100.000 genes durante os \u00faltimos quinze anos (e \u00e9 ainda o que a maioria dos livros did\u00e1ticos afirma), isso foi algo chocante para algumas pessoas, penso que porque o n\u00famero de genes de outros organismos mais simples j\u00e1 haviam sido determinados anteriormente. Afinal de contas, um nemat\u00f3ide tem 19.000 genes, e a mostarda selvagem 25.000, e n\u00f3s s\u00f3 temos 30.000?! Isso est\u00e1 correto? Pior ainda, quando decodificaram o genoma do arroz, ele apareceu com cerca de 55.000 genes. O que isso significa? Certamente, um extraterrestre vindo do espa\u00e7o, olhando para um ser humano e para um p\u00e9 de arroz, diria que o ser humano \u00e9 biologicamente mais complexo, sem d\u00favida. Assim, o n\u00famero de genes n\u00e3o parece ser significativo!<\/p>\n<p>O artigo continua com numerosas outras considera\u00e7\u00f5es sobre aspectos gen\u00e9ticos e m\u00e9dicos, de car\u00e1ter bastante t\u00e9cnico, que deixamos de transcrever pela sua especificidade. Finalizamos esta nossa transcri\u00e7\u00e3o com as considera\u00e7\u00f5es sobre Bio\u00e9tica bastante interessantes expostas pelo autor:<\/p>\n<p>&#8230;Por\u00e9m ser\u00e3o desenvolvidos muitos debates sobre quest\u00f5es \u00e9ticas. O que dizer dos usos n\u00e3o-m\u00e9dicos da gen\u00e9tica? Um artigo na revista Science descreveu um grupo da Nova Zel\u00e2ndia que identificou uma variante em um gene do cromossomo X que, conforme eles, desempenha um papel de destaque na quest\u00e3o sobre se rapazes que na inf\u00e2ncia sofreram sev\u00edcias, se tornam criminosos ao crescerem (2). Nesse estudo, em particular, mais de 30% dos que foram seviciados na inf\u00e2ncia, e que tinham essa variante espec\u00edfica no gene monoaminaoxidase, foram condenados devido a atividades criminosas. Esse percentual foi muito superior ao obtido considerando-se isoladamente cada um dos dois fatores citados. Poder-se-ia imaginar como isso se desdobraria no sistema judicial atual? Seria uma defesa a favor da atividade criminosa \u2013 \u201cmeus genes me levaram a proceder assim\u201d, e ainda \u201ctive uma inf\u00e2ncia prejudicada, e portanto n\u00e3o sou respons\u00e1vel\u201d? Ou isso seria usado de maneira a negar oportunidades a quem tiver essa vers\u00e3o de alto risco de gene monoaminaoxidase, por causa de um eventual poss\u00edvel mau comportamento futuro? Esses s\u00e3o assuntos s\u00e9rios envoltos nas sombras do futuro \u2013 n\u00e3o t\u00e3o distante.<\/p>\n<p>Especialmente em face destas \u00faltimas declara\u00e7\u00f5es de Francis S. Collins, pode-se adiantar a pergunta que sem d\u00favida fazem muitos interessados no aspecto \u00e9tico dos problemas que poder\u00e3o surgir:: Aproxima-se de n\u00f3s uma cat\u00e1strofe bio\u00e9tica? E com rela\u00e7\u00e3o a estes aspectos, conclui Francis S. Collins:<\/p>\n<p>Uma perspectiva de f\u00e9 ser\u00e1 cada vez mais necess\u00e1ria. De fato, o debate desses assuntos bio\u00e9ticos \u00e9 feito por pessoas inteligentes, por\u00e9m nem sempre firmadas sobre um fundamento s\u00f3lido quanto ao sentido do que \u00e9 certo ou errado. Os crist\u00e3os s\u00e3o incrivelmente aben\u00e7oados por terem uma Rocha sobre a qual se firmarem ao tentarem fazer ju\u00edzo sobre complicados t\u00f3picos \u00e9ticos. Certamente, embora essa Rocha fa\u00e7a alguns de nossos colegas ficarem apreensivos, sob nossa perspectiva isso deveria nos colocar em uma posi\u00e7\u00e3o especial para contribuirmos nesse debates de maneira altamente significativa.<\/p>\n<p><span class=\"tituloVermelho\">(Leia todo o texto com Figuras\/Fotos na Revista Criacionista)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o t\u00edtulo acima, a \u201cAmerican Scientific Affiliation\u201d \u2013 ASA, conhecida entidade criacionista norte-americana, publicou em seu peri\u00f3dico \u201cPerspectives on Science and Christian Faith\u201d, de setembro de 2003, um interessante artigo de autoria de Francis S. Collins. 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