{"id":1170,"date":"2004-03-24T22:43:43","date_gmt":"2004-03-25T01:43:43","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/?p=1170"},"modified":"2022-10-27T00:09:07","modified_gmt":"2022-10-27T03:09:07","slug":"licoes-da-radiestesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/revistas-conteudo\/folha-70\/licoes-da-radiestesia\/","title":{"rendered":"LI\u00c7\u00d5ES DA RADIESTESIA"},"content":{"rendered":"<p>A Radiestesia ou Rabdomancia \u00e9 uma pr\u00e1tica milenar que tem sido usada presumivelmente para a detec\u00e7\u00e3o de len\u00e7\u00f3is d\u2019\u00e1gua subterr\u00e2nea, utilizando as chamadas \u201cvarinhas m\u00e1gicas\u201d. Sua utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por pessoas \u201csensitivas\u201d, os rabdomantes ou hidr\u00f3scopos, e a sua efic\u00e1cia tem sido discutida no decorrer dos tempos.<\/p>\n<p>Evidentemente, em nossos dias \u2013 em que a ci\u00eancia tem-se multiplicado \u2013 existem condi\u00e7\u00f5es para a aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo cient\u00edfico, acompanhado de experimentos envolvendo tecnologias avan\u00e7adas, para pelo menos comprovar ou n\u00e3o a sua efic\u00e1cia, se n\u00e3o descobrir tamb\u00e9m os seus eventuais fundamentos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Entretanto, como exposto no artigo abaixo, de autoria de Johan B. Kloosteman, transcrito da revista \u201cCatastrophist Geology\u201d n\u00ba 2-2, de dezembro de 1977, \u00e9 este um caso a mais em que id\u00e9ias pr\u00e9-concebidas impedem uma an\u00e1lise verdadeiramente cient\u00edfica dos fatos. Sem querer defender a Radiestesia, pois nossa posi\u00e7\u00e3o sobre a sua efic\u00e1cia \u00e9 neutra (embora tenhamos pessoalmente uma interessante experi\u00eancia positiva a seu respeito, em ocasi\u00e3o em que profissionalmente nos dedic\u00e1vamos ao fascinante campo da Hidrogeologia), gostar\u00edamos de partilhar da opini\u00e3o impl\u00edcita do articulista quanto aos preconceitos que freq\u00fcentemente impedem o avan\u00e7o da ci\u00eancia, como \u00e9 o caso por exemplo da posi\u00e7\u00e3o oficial atual do \u201cestablishment\u201d cient\u00edfico com rela\u00e7\u00e3o ao Catastrofismo ou ao Criacionismo.<\/p>\n<p>Desejamos ressaltar que a revista \u201cCatastrophist Geology\u201d era publicada em Ingl\u00eas no Rio de Janeiro, tendo circula\u00e7\u00e3o em escala mundial nos meios cient\u00edficos mais abertos aos estudos que aparentemente contrariam os paradigmas convencionalmente aceitos.<\/p>\n<p>O \u201cUnited States Geological Survey\u201d<br \/>\ncontra a n\u00e3o-convencionalidade<\/p>\n<p>Alguns eventos casuais s\u00e3o menos conden\u00e1veis que outros, e alguns chegam t\u00e3o perto da aceita\u00e7\u00e3o que at\u00e9 transpassam a fronteira entre a n\u00e3o-convencionalidade e a convencionalidade, ou para permanecer ou para voltar atr\u00e1s, \u00e0s vezes repetidamente. Alguns desses persistentes eventos n\u00e3o usuais permanecem condenados somente durante poucas d\u00e9cadas, enquanto outros permanecem no \u201cIndex\u201d do sacerd\u00f3cio cient\u00edfico durante s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Do ponto de vista universit\u00e1rio ortodoxo, somente as condena\u00e7\u00f5es do passado t\u00eam import\u00e2ncia. O caso dos meteoritos, por exemplo \u00e9 citado freq\u00fcentemente. Sua exist\u00eancia era conhecida h\u00e1 mil\u00eanios (na Antig\u00fcidade Mediterr\u00e2nea o ferro era conhecido como \u201cmetal de origem celeste\u201d \u2013 comparem-se os voc\u00e1bulos siderurgia e sideral), por\u00e9m no final do s\u00e9culo XVIII foram repentinamente execrados, para depois serem novamente aceitos como de origem celeste. Entretanto, a seq\u00fc\u00eancia de constante oscila\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o entre a convencionalidade e a n\u00e3o-convencionalidade usualmente \u00e9 mantida fora dos registros cient\u00edficos. Tenho d\u00favidas de que algum historiador da ci\u00eancia estude as vicissitudes dos eventos ou o \u00e2mbito do conhecimento que s\u00e3o censurados nos peri\u00f3dicos cient\u00edficos do \u201cestablishment\u201d.<\/p>\n<p>Thomas Kuhn (1962) opunha-se ao ponto de vista de um progresso cont\u00ednuo da ci\u00eancia convencional, advogando um ponto de vista at\u00e9 certo ponto catastrofista de progresso descont\u00ednuo aos saltos. Ele encara, entretanto as revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas como ocasionadas por contradi\u00e7\u00f5es internas geradas pelo empreendimento cient\u00edfico, e n\u00e3o leva em conta a intera\u00e7\u00e3o entre a convencionalidade e a n\u00e3o-convencionalidade. Ele discute somente altera\u00e7\u00f5es menores do \u201cparadigma\u201d \u2013 por exemplo a descoberta do oxig\u00eanio \u2013 e n\u00e3o saltos maiores tais como a substitui\u00e7\u00e3o da Alquimia pela Qu\u00edmica, apesar de podermos legitimamente indagar se algo existe na nossa compreens\u00e3o do mundo que pudesse tornar prov\u00e1vel a descoberta do oxig\u00eanio e ao mesmo tempo tornar compreens\u00edvel a Alquimia.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do \u201cUnited States Geological Survey \u2013 USGS\u201d (ag\u00eancia norte-americana semelhante, no Brasil, \u00e0 Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais e ao Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral) prov\u00ea alguns exemplos interessantes da intera\u00e7\u00e3o entre a convencionalidade e a n\u00e3o-convencionalidade.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o USGS foi encarregado da responsabilidade de dar aconselhamento sobre recursos minerais, incluindo recursos h\u00eddricos. Um grande n\u00famero de quest\u00f5es sobre radioestesia lhe foi encaminhado, e iniciou-se ent\u00e3o um projeto visando proporcionar uma posi\u00e7\u00e3o oficial sobre o assunto. Foi publicado em 1917 um artigo (Ellis, 1917) descrevendo a radioestesia e sua hist\u00f3ria (\u201cuma curiosa supersti\u00e7\u00e3o\u201d) e apresentando uma lista de 500 refer\u00eancias (\u201cum enorme volume de literatura estranha\u201d). Muitos fatos curiosos foram relatados, alguns dos quais bastante curiosos. Por exemplo, as regras \u00e0s vezes prescritas para o corte das varinhas \u201crelacionavam-se muito amplamente com a magia e a astrologia pag\u00e3\u201d; em 1659 a varinha de adivinha\u00e7\u00e3o foi denunciada por um sacerdote jesu\u00edta como instrumento diab\u00f3lico, e em 1701 foi expedido um decreto contra elas pela Santa Inquisi\u00e7\u00e3o. E assim, quando a conclus\u00e3o do artigo foi de que a \u201cbruxaria hidrol\u00f3gica\u201d \u00e9 in\u00fatil, e que \u201cexperimentos ulteriores pelo USGS constituiriam &#8230;mal uso de fundos p\u00fablicos\u201d, os representantes da ci\u00eancia convencional mais uma vez se puseram como sucessores diretos das igrejas convencionais na repress\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o e do conhecimento antigo.<\/p>\n<p>Em resumo, o artigo do USGS baseava-se em opini\u00f5es pessoais, e nenhum experimento foi feito. Cinq\u00fcenta anos mais tarde, entretanto, (em 24\/12\/67), foi publicada uma not\u00edcia sobre radioestesia, dizendo que \u201cExperimentos controlados, feitos por grande n\u00famero de pesquisadores, mostraram de maneira conclusiva que a bruxaria hidrol\u00f3gica (radiestesia) n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo confi\u00e1vel para a localiza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea\u201d. Nenhuma evid\u00eancia negativa foi apresentada desde 1917, e as evid\u00eancias positivas foram ignoradas \u2013 como as pesquisas de Tromp (1949-1956), ou a ampla pesquisa desenvolvida nos pa\u00edses sovi\u00e9ticos. O USGS estava claramente \u201cblefando\u201d ao converter meras opini\u00f5es em \u201cexperimentos controlados\u201d, e quando foi interpelado, teve de retratar-se.<\/p>\n<p>William T Pecora, que tinha sido Diretor do USGS desde 1965, admitiu em 1969, em carta dirigida a R. C. Willey, Secret\u00e1rio da Sociedade Americana de Radioestesistas, que o USGS n\u00e3o possu\u00eda informa\u00e7\u00f5es suficientes para se pronunciar negativamente sobre a efic\u00e1cia da radiestesia. Pecora passou ent\u00e3o a envinar todas as solicita\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o sobre o assunto \u00e0 Sociedade. (Ver Willey, 1970).<\/p>\n<p>Luzes s\u00edsmicas \u2013 fen\u00f4menos luminosos visualizando pouco antes, durante e imediatamente ap\u00f3s terremotos \u2013 foram relegadas ao limbo dos fatos condenados durante um bom tempo (talvez um s\u00e9culo), mas hoje est\u00e3o sendo admitidas, embora friamente, em outra not\u00edcia divulgada pelo USGS, dez anos ap\u00f3s a \u201cBula da Bruxaria Geol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m do USGS \u201cviu as luzes\u201d e foi bem sucedido em pressionar a publica\u00e7\u00e3o de uma not\u00edcia a seu respeito, a qual foi publicada ap\u00f3s terem sido adotadas as devidas precau\u00e7\u00f5es no palavreado. Afirma\u00e7\u00f5es positivas foram colocadas entre aspas (\u201ca exist\u00eancia das luzes s\u00edsmicas \u00e9 algo bem estabelecido, afirma John Derr\u201d), e a observa\u00e7\u00e3o final, de que uma teoria sobre as luzes s\u00edsmicas poderia possivelmente ser \u00fatil para a previs\u00e3o de terremotos, foi feita como parecendo pedir desculpas pela publica\u00e7\u00e3o da not\u00edcia. Duvido tamb\u00e9m que algu\u00e9m no USGS tivesse pensado nos \u00faltimos 50 anos de pesquisas feitas por leigos (Ver, por exemplo, Fort, 1941; Corliss, 1974; e outros artigos em meia d\u00fazia de revistas leigas), ao escreverem que as luzes s\u00edsmicas merecem \u201cinvestiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica adicional (\u00eanfase minha), disse John Derr\u201d. Ou ser\u00e1 que \u201cinvestiga\u00e7\u00e3o adicional \u00e9 algum termo esot\u00e9rico do USGS, \u00e0 semelhan\u00e7a dos \u201cestudos ulteriores\u201d da radiestesia, com significado distinto para os n\u00e3o iniciados?<\/p>\n<p>A cr\u00edtica da terminologia, portanto, sem dar a ela o devido cr\u00e9dito, certamente seria um sinal de intoler\u00e2ncia. Ap\u00f3s a mencionada not\u00edcia divulgada naquele ano, os pesquisadores estar\u00e3o aptos a referir-se a ela e talvez encontrar\u00e3o menor resist\u00eancia dos editores ao tentar publicar os seus resultados. Talvez at\u00e9 possam receber recursos para suas pesquisas. Pode-se at\u00e9 esperar que a comunidade cient\u00edfica seja capaz de aplicar seu potencial intelectual, facilidades de laborat\u00f3rio e rede de comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o das luzes s\u00edsmicas. Algum tipo de passo positivo foi dado, sem d\u00favida, o que marca um tento a favor da n\u00e3o-convencionalidade e da ci\u00eancia. Alegremo-nos com isso, e congratulemo-nos com o USGS pela sua coragem.<\/p>\n<p>Para finalizar, uma previs\u00e3o&#8230; Tamb\u00e9m no USGS cada vez um n\u00famero maior de ge\u00f3logos est\u00e1 entendendo que ignorantes e supersticiosos s\u00e3o os que aceitam \u201cpela f\u00e9\u201d as opini\u00f5es de outros, sem coloc\u00e1-las \u00e0 prova. Daqui a mais uns anos, ser\u00e1 divulgada uma nova not\u00edcia declarando que a radioestesia merece investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas adicionais, seguida por um novo artigo sobre recursos h\u00eddricos subterr\u00e2neos com extensa bibliografia cobrindo tamb\u00e9m o per\u00edodo desde 1917, e recomendando o uso de fundos p\u00fablicos para pesquisas ulteriores.<\/p>\n<p><span class=\"tituloVermelho\">(Leia toda a not\u00edcia na Revista Criacionista impressa)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Radiestesia ou Rabdomancia \u00e9 uma pr\u00e1tica milenar que tem sido usada presumivelmente para a detec\u00e7\u00e3o de len\u00e7\u00f3is d\u2019\u00e1gua subterr\u00e2nea, utilizando as chamadas \u201cvarinhas m\u00e1gicas\u201d. Sua utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por pessoas \u201csensitivas\u201d, os rabdomantes ou hidr\u00f3scopos, e a sua efic\u00e1cia tem sido discutida no decorrer dos tempos. 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