{"id":1149,"date":"2004-03-24T22:16:34","date_gmt":"2004-03-25T01:16:34","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacriacionista.org.br\/?p=1149"},"modified":"2022-10-27T00:09:50","modified_gmt":"2022-10-27T03:09:50","slug":"o-colapso-da-coluna-geologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/revistacriacionista\/revistas-conteudo\/folha-70\/o-colapso-da-coluna-geologica\/","title":{"rendered":"O COLAPSO DA COLUNA GEOL\u00d3GICA"},"content":{"rendered":"<p>A CAT\u00c1STROFE DE UM CONCEITO SUPOSTAMENTE CIENT\u00cdFICO<\/p>\n<p>Em alguns campos da ci\u00eancia \u2013 como por exemplo a Mec\u00e2nica, na F\u00edsica \u2013 existem determinados fen\u00f4menos que podem ser considerados como casos particulares de outros, sempre que se busque a sistematiza\u00e7\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es e o estabelecimento de leis que possam explicar o comportamento geral dos eventos que s\u00e3o objeto dessas observa\u00e7\u00f5es. Assim, por exemplo as \u201cLeis de Newton\u201d da Din\u00e2mica podem abranger como caso particular toda a Est\u00e1tica.<\/p>\n<p>Da mesma forma, o processo de deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos em suspens\u00e3o dentro de uma massa fluida pode tanto ser considerado como um processo \u201cest\u00e1tico\u201d (quando ocorre com a massa fluida em repouso), como um processo \u201cdin\u00e2mico\u201d (quando ocorre com a massa fluida em escoamento). Evidentemente, neste caso, o processo \u201cest\u00e1tico\u201d ser\u00e1 um caso particular do processo \u201cdin\u00e2mico\u201d mais geral.<\/p>\n<p>A Estratigrafia, ramo da Geologia que estuda a ordem e a posi\u00e7\u00e3o relativa das rochas sedimentares que ocorrem na crosta terrestre, basicamente iniciou-se com Nicolau Steno, que no s\u00e9culo XVII, com seu trabalho \u201cProdromus\u201d, lan\u00e7ou a no\u00e7\u00e3o fundamental da superposi\u00e7\u00e3o dos estratos rochosos. Desta no\u00e7\u00e3o resultou o Princ\u00edpio da Superposi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 hoje aceito na Estratigrafia como fundamental para a interpreta\u00e7\u00e3o dos relacionamentos existentes entre as seq\u00fc\u00eancias sucessivas das camadas de rochas sedimentares.<\/p>\n<p>Este Princ\u00edpio da Superposi\u00e7\u00e3o basicamente estabelece que, em uma seq\u00fc\u00eancia de estratos, as camadas superiores foram depositadas anteriormente \u00e0s camadas inferiores. Foi este Princ\u00edpio que proporcionou um crit\u00e9rio para a possibilidade de determina\u00e7\u00e3o das idades relativas das camadas rochosas sucessivas. Robert Hooke, contempor\u00e2neo de Steno, foi quem prop\u00f4s que os f\u00f3sseis encontrados nos dep\u00f3sitos sedimentares poderiam ser utilizados para estabelecer uma cronologia para as correspondentes camadas rochosas, id\u00e9ia essa secundada por William Smith praticamente cem anos depois, embora demorasse ainda mais um s\u00e9culo para que essa id\u00e9ia viesse a ser adotada amplamente, j\u00e1 \u00e0 luz da teoria da evolu\u00e7\u00e3o proposta por Charles Darwin.<\/p>\n<p>N\u00e3o deveria ter passado despercebido pelos pesquisadores mais argutos que ficava assim estabelecido o c\u00edrculo vicioso da data\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica \u2013 os \u201cf\u00f3sseis \u00edndices\u201d ditando as idades geol\u00f3gicas das rochas, de conformidade com um suposto processo evolutivo, e as rochas, por sua vez, caracterizando a evolu\u00e7\u00e3o dos \u201cf\u00f3sseis \u00edndices\u201d.<\/p>\n<p>Em busca da determina\u00e7\u00e3o das idades das forma\u00e7\u00f5es rochosas sedimentares, e com a aceita\u00e7\u00e3o do \u201cAtualismo\u201d \u2013 isto \u00e9, do \u201cPrinc\u00edpio do Uniformismo\u201d, ou seja, que o presente descreve o passado \u2013 passaram a ser atribu\u00eddos longos intervalos de tempo para a deposi\u00e7\u00e3o dos sedimentos que estivesem em suspens\u00e3o em massas de \u00e1gua, supostamente em repouso, estabelecendo-se assim a chamada \u201cColuna Geol\u00f3gica\u201d com suas camadas dispostas em uma seq\u00fc\u00eancia cronol\u00f3gica padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Acontece, por\u00e9m, que as evid\u00eancias n\u00e3o favorecem a suposi\u00e7\u00e3o de que a maioria das camadas sedimentares tenham sido formadas por deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos que estivessem em suspens\u00e3o em massas de \u00e1gua em repouso, em condi\u00e7\u00f5es \u201cest\u00e1ticas\u201d. Pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 dados de campo, como tamb\u00e9m dados experimentais obtidos em laborat\u00f3rio mediante experimentos cuidadosamente elaborados, apontam para a possibilidade de forma\u00e7\u00e3o r\u00e1pida dos estratos rochosos sob condi\u00e7\u00f5es \u201cdin\u00e2micas\u201d decorrentes de escoamentos de \u00e1gua carregando sedimentos em suspens\u00e3o.<\/p>\n<p>Surge assim, modernamente, um questionamento de peso ao Princ\u00edpio da Superposi\u00e7\u00e3o \u2013 tal como formulado h\u00e1 cerca de 300 anos \u2013 como explica\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para a forma\u00e7\u00e3o de todos os estratos rochosos encontrados na crosta terrestre!<\/p>\n<p>Para melhor esclarecer esta linha de argumenta\u00e7\u00e3o, os Editores julgaram apropriado apresentar a seguir a narra\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias procedidas pelo sedimentologista franc\u00eas Guy Berthault, que constam de um excelente v\u00eddeo produzido por Sarong Jersey, e que j\u00e1 se encontra dublado em portugu\u00eas, podendo ser disponibilizado aos interessados no \u201csite\u201d da Sociedade Criacionista Brasileira.<\/p>\n<p>Guy Berthault \u00e9 formado pela \u00c9cole Polytechnique de Paris, e \u00e9 membro da Sociedade Geol\u00f3gica e da Associa\u00e7\u00e3o dos Sedimentologistas da Fran\u00e7a. Seus trabalhos experimentais originais foram publicados pela Academia de Ci\u00eancias Francesa e pela Revista da Sociedade Geol\u00f3gica da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><b>NARRA\u00c7\u00c3O DO FILME \u201cEXPERIMENTOS DE ESTRATIFICA\u00c7\u00c3O\u201d<\/b><br \/>\nGuy Berthault<br \/>\n(Video-teipe com 35 minutos de dura\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Sempre fiquei curioso com as longas eras da Geologia Hist\u00f3rica, com seus milh\u00f5es de anos, e interessei-me em saber at\u00e9 que ponto isso estaria correto, e se era algo que tinha sido testado experimentalmente. Foi por essa raz\u00e3o que h\u00e1 alguns anos retomei meus estudos sobre o assunto, focalizando particularmente a aplica\u00e7\u00e3o dos Princ\u00edpios da Estratifica\u00e7\u00e3o para a obten\u00e7\u00e3o da cronologia relativa da superposi\u00e7\u00e3o dos estratos. Iniciei, na d\u00e9cada de 1970, a leitura dos relat\u00f3rios da Geological Society of America sobre as campanhas de perfura\u00e7\u00e3o do leito oce\u00e2nico feitas pelo navio \u201cGlomar Challenger\u201d. Foi a partir desses relat\u00f3rios que fiquei conhecendo os trabalhos do ge\u00f3logo alem\u00e3o Johannes Walther, um dos principais fundadores da Sedimentologia.<\/p>\n<p>Antes de continuar, vejamos o significado de alguns dos termos envolvidos:<br \/>\n\u00b7 Estratifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o termo geral para a forma\u00e7\u00e3o de camadas nas rochas sedimentares.<br \/>\n\u00b7 Estrato \u00e9 uma camada individualizada de uma forma\u00e7\u00e3o litol\u00f3gica homog\u00eanea, depositada paralelamente \u00e0s forma\u00e7\u00f5es mais profundas anteriores. Cada estrato separa-se dos estratos adjacentes, ou co-estratos, por superf\u00edcies de eros\u00e3o, aus\u00eancia de deposi\u00e7\u00e3o, ou mudan\u00e7a abrupta de caracter\u00edsticas. O termo estratos inclui camadas e l\u00e2minas, que t\u00eam conota\u00e7\u00f5es bem definidas: A espessura dos estratos varia desde menos do que 1 mil\u00edmetro para as l\u00e2minas de micro-estratos, at\u00e9 mais de 1 metro. Freq\u00fcentemente os estratos mostram evid\u00eancias de segrega\u00e7\u00e3o das part\u00edculas que os comp\u00f5em, com seu tamanho decrescendo de baixo para cima. As part\u00edculas maiores de baixo v\u00e3o sendo segregadas at\u00e9 as menores de cima. As superf\u00edcies de separa\u00e7\u00e3o encontram-se entre as part\u00edculas mais finas de cima de um estrato e as maiores de baixo do estrato superposto. S\u00e3o planos de acamamento que podem separar dois estratos ocasionados por sedimentos provenientes de eros\u00e3o.<br \/>\n\u00b7 Uma f\u00e1cies \u00e9 uma s\u00e9rie de estratos superpostos que t\u00eam o mesmo conte\u00fado litol\u00f3gico. Por exemplo, uma s\u00e9rie de estratos, compostos individualmente de arenito, argila ou calc\u00e1rio, constitui uma f\u00e1cies. A encosta desta montanha est\u00e1 dividida em f\u00e1cies.<br \/>\n\u00b7 Alguns dep\u00f3sitos sedimentares s\u00e3o ainda classificados de acordo com a sua colora\u00e7\u00e3o. Por exemplo, arenito, amarelo; argilito, azul; calc\u00e1rio, alaranjado. Cada dep\u00f3sito subdivide-se em estratos.<\/p>\n<p>Durante dois s\u00e9culos, desde que a Estratigrafia foi fundada, sem comprova\u00e7\u00e3o experimental, os estratos superpostos um sobre o outro, e numa escala maior, as f\u00e1cies superpostas, foram considerados como camadas sucessivas de sedimentos depositados isocronicamente. Isso quer dizer que a camada inferior foi formada primeiro, a que se sobrep\u00f5e a ela foi formada em seguida, e assim por diante.<\/p>\n<p>Os Princ\u00edpios da Estratigrafia derivaram da aceita\u00e7\u00e3o dessa cren\u00e7a de que os estratos nas f\u00e1cies s\u00e3o camadas sucessivas. O termo \u201cPrinc\u00edpio\u201d, como usado na Estratigrafia, \u00e9 definido no \u201cOxford Dictionary\u201d como \u201cuma lei geral e inclusiva exemplificada em numerosos casos\u201d. Foi em 1669, que Nicolau Steno, naturalista dinamarqu\u00eas que viveu na Toscana, definiu os Princ\u00edpios da Estratigrafia, em seu livro \u201cPr\u00f3dromos\u201d.<\/p>\n<p>Esses Princ\u00edpios inclu\u00edram o Princ\u00edpio da Superposi\u00e7\u00e3o, pelo qual, numa seq\u00fc\u00eancia de estratos, qualquer estrato \u00e9 mais recente do que a seq\u00fc\u00eancia de estratos sobre os quais ele fica, e mais velho que os estratos que ficam acima dele. Na \u00e9poca em que qualquer estrato estava sendo formado, toda a mat\u00e9ria existente acima dele era fluida, e portanto, nessa \u00e9poca n\u00e3o existiam estratos acima dele (Steno, 1669).<\/p>\n<p>O Princ\u00edpio da Horizontalidade Inicial declara que os estratos s\u00e3o depositados horizontalmente, e ent\u00e3o deformados em v\u00e1rias atitudes. Estratos hoje perpendiculares ou inclinados relativamente ao horizonte, inicialmente eram paralelos ao horizonte (Steno, 1669).<\/p>\n<p>O Princ\u00edpio da Continuidade dos Estratos afirma que se pode supor que os estratos no passado continuavam lateralmente para bem al\u00e9m de onde hoje eles terminam. Todos os estratos foram formados por acr\u00e9scimos cont\u00ednuos de dep\u00f3sitos sobre a superf\u00edcie da Terra, a menos que outros corpos s\u00f3lidos interferissem na sua forma\u00e7\u00e3o (Steno, 1669).<\/p>\n<p>Estes tr\u00eas Princ\u00edpios da Estratigrafia forneceram a base sobre a qual os ge\u00f3logos estabeleceram a \u201cColuna Geol\u00f3gica\u201d no final do S\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do XIX. Eles supuseram que os sedimentos foram depositados horizontalmente em todo o mundo, e que a taxa de deposi\u00e7\u00e3o foi a mesma em todos os locais, para cada camada. Al\u00e9m disso, desde os dias dos ge\u00f3logos James Hutton e Charles Lyell, foi suposto que as taxas de eros\u00e3o e de sedimenta\u00e7\u00e3o no passado eram as mesmas observadas hoje. Conseq\u00fcentemente, a idade de um estrato era calculada a partir das atuais taxas de deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos, e tamb\u00e9m da profundidade do estrato na hipot\u00e9tica coluna das rochas sedimentares. Hipot\u00e9tica, sim, porque todos os est\u00e1gios que supostamente constituem a coluna, nunca foram encontrados juntos em qualquer forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo usado para a data\u00e7\u00e3o de rochas sedimentares desde o Per\u00edodo Cambriano at\u00e9 hoje baseou-se, portanto, no Princ\u00edpio da Superposi\u00e7\u00e3o. Aplicando-se o Princ\u00edpio da Continuidade, a mesma idade poderia ser atribu\u00edda \u00e0s demais rochas pertencentes \u00e0s forma\u00e7\u00f5es que supostamente pertenceriam \u00e0 mesma f\u00e1cies, seja na Am\u00e9rica do Sul, na \u00c1frica do Sul, ou na Austr\u00e1lia. Posteriormente, o conte\u00fado f\u00f3ssil das forma\u00e7\u00f5es sedimentares, em diferentes locais, passou a ser usado para mostrar correspond\u00eancia de idades entre os f\u00f3sseis de um local e os de outro local.<\/p>\n<p>Isso deu origem ao Quarto Princ\u00edpio da Estratigrafia \u2013 o Princ\u00edpio da Identidade Paleontol\u00f3gica. Esse Princ\u00edpio afirma que dois estratos com o mesmo conte\u00fado paleontol\u00f3gico apresentam a mesma idade. Isso significa que, se os f\u00f3sseis de uma determinada camada, ou de uma f\u00e1cies, s\u00e3o iguais em camadas correspondentes, ent\u00e3o elas podem ser consideradas como sendo da mesma idade.<\/p>\n<p><span class=\"tituloVermelho\">(Leia todo o artigo com Figuras na Revista Criacionista)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CAT\u00c1STROFE DE UM CONCEITO SUPOSTAMENTE CIENT\u00cdFICO Em alguns campos da ci\u00eancia \u2013 como por exemplo a Mec\u00e2nica, na F\u00edsica \u2013 existem determinados fen\u00f4menos que podem ser considerados como casos particulares de outros, sempre que se busque a sistematiza\u00e7\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es e o estabelecimento de leis que possam explicar o comportamento geral dos eventos que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"om_disable_all_campaigns":false,"footnotes":""},"categories":[29,92],"tags":[],"ppma_author":[48],"class_list":["post-1149","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-folha-70"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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