{"id":80,"date":"2019-03-23T15:52:31","date_gmt":"2019-03-23T18:52:31","guid":{"rendered":"https:\/\/npoa.scb.org.br\/?p=80"},"modified":"2019-07-25T13:46:29","modified_gmt":"2019-07-25T16:46:29","slug":"um-mundo-sem-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/npoa\/2019\/03\/23\/um-mundo-sem-religiao\/","title":{"rendered":"Um mundo sem Religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2>Parte 1<\/h2>\n<h3>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Neste artigo, pretendo explorar um pouco a id\u00e9ia inspirada na can\u00e7\u00e3o <em>Imagine<\/em>, do cantor e compositor John Lennon. Assim como ele, muitas pessoas imaginam que o mundo seria um lugar melhor se n\u00e3o existisse religi\u00e3o[1]. Richard Dawkins, que se considera c\u00e9tico e racional, \u00e9 uma dessas pessoas.<\/p>\n<p>Portanto, ao inv\u00e9s de citar alguns fatos hist\u00f3ricos e dar minha pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o, me propus a afastar a cortina do tempo e dar uma olhada mais de perto em alguns acontecimentos n\u00e3o muito comentados e facilmente esquecidos de um dos cap\u00edtulos mais intensos da hist\u00f3ria humana: a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa durante o Reino do Terror.<\/p>\n<p>\u00c9 importante refletir que, ao passo que geralmente se considera a Inquisi\u00e7\u00e3o e o Nazismo como cap\u00edtulos escuros da Hist\u00f3ria, a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, em si, \u00e9 vista como um marco da liberdade.<\/p>\n<p>Aqui questiono essa interpreta\u00e7\u00e3o com base nos acontecimentos que afetaram os que viveram e morreram naquele per\u00edodo. O que me leva a refletir um pouco sobre um problema humano mais b\u00e1sico e profundo: a exist\u00eancia do mal.<\/p>\n<h3>Imagine&#8230;<\/h3>\n<p>No pref\u00e1cio de seu livro <em>The God Delusion<\/em> (Deus, um del\u00edrio), Richard Dawkins, a prop\u00f3sito da m\u00fasica de Lennon, <em>Imagine<\/em>, comenta sobre como ele imagina que seria um mundo sem religi\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c \u2018Imagine um mundo sem religi\u00e3o.&#8217; \u2026 As torres g\u00eameas do World Trade Center estariam visivelmente presentes.<\/p>\n<p>&#8220;Imagine, com John Lennon, um mundo sem religi\u00e3o. Imagine nenhum homem bomba suicida, nenhum 11\/9, nenhum 7\/7, sem Cruzadas, sem ca\u00e7a \u00e0s bruxas, sem Conspira\u00e7\u00e3o da P\u00f3lvora, sem divis\u00e3o da \u00cdndia, sem guerras entre israelenses e palestinos, sem massacres de s\u00e9rvios, croatas e mu\u00e7ulmanos, sem persegui\u00e7\u00e3o de judeus como &#8216;assassinos de Cristo&#8217;, sem &#8216;problemas&#8217; na Irlanda do Norte, sem &#8216;crimes por honra&#8217;, sem televangelistas com ternos brilhantes e cabelos bufantes extorquindo dinheiro de pessoas cr\u00e9dulas (&#8216;Deus deseja que voc\u00ea doe at\u00e9 que doa&#8217;). Imagine nenhum Taliban para explodir est\u00e1tuas antigas, nenhuma decapita\u00e7\u00e3o p\u00fablica de blasfemadores, nenhuma flagela\u00e7\u00e3o da pele feminina devido ao crime de mostrar uma polegada dela.&#8221; (Tradu\u00e7\u00e3o Livre)<\/p><\/blockquote>\n<p>O mundo que John Lennon idealiza em sua m\u00fasica \u00e9 um mundo sem religi\u00e3o, sem C\u00e9u ou Inferno, sem posses, sem divis\u00e3o de pa\u00edses, sem gan\u00e2ncia e com as pessoas vivendo apenas para o presente, em paz em uma fraternidade. Em outras palavras, basta acabar com a ideia de uma vida futura de recompensas e puni\u00e7\u00f5es, acabar com a religi\u00e3o, e o mundo ficar\u00e1 automaticamente muito melhor, talvez at\u00e9 possam acabar as divis\u00f5es e gan\u00e2ncias, porque, afinal, o que faz tudo isto existir \u00e9 a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o fosse exatamente assim que Lennon pensasse, pode ser que apenas considerasse que a religi\u00e3o era um mal entre outros. De qualquer forma, a m\u00fasica passa essa impress\u00e3o, assim como Dawkins em seu livro. Como se os seres humanos n\u00e3o lutassem e discordassem por outros motivos que n\u00e3o religi\u00e3o. Os problemas mencionados por Dawkins certamente n\u00e3o teriam ocorrido, mas outros, por outros motivos, poderiam substitu\u00ed-los. Ou seria que o problema da humanidade \u00e9 ter religi\u00e3o, que sem ela, a humanidade seria um para\u00edso cheio de pessoas boas vivendo em paz como Lennon cantava?<\/p>\n<p>Dawkins acredita que n\u00e3o precisamos de Deus para sermos bons. Ele apoia sua opini\u00e3o em uma pesquisa em que pessoas responderam perguntas t\u00edpicas sobre dilemas morais.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA conclus\u00e3o principal do estudo de Hauser e Singer foi a de que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a estatisticamente significativa entre ateus e crentes religiosos ao tomar estas decis\u00f5es. Isto parece compat\u00edvel com a opini\u00e3o que eu e muitos outros mant\u00eam de que n\u00e3o necessitamos de Deus para sermos bons &#8211; ou maus.&#8221; (<em>The God Delusion<\/em>, p. 195, tradu\u00e7\u00e3o livre)<\/p><\/blockquote>\n<p>A quest\u00e3o com a qual eu gostaria de encerrar esta se\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: Se a maioria das pessoas t\u00eam plena consci\u00eancia de quais s\u00e3o as escolhas corretas a ser feitas, como demonstra o estudo acima citado, porque o mundo n\u00e3o \u00e9 um lugar melhor?<\/p>\n<h2>Parte 2<\/h2>\n<p>Na se\u00e7\u00e3o anterior introduzimos o assunto a partir da vis\u00e3o de Dawkins e da m\u00fasica Imagine de John Lennon. Terminamos aquela parte com a quest\u00e3o: Se a maioria das pessoas t\u00eam plena consci\u00eancia de quais s\u00e3o as escolhas corretas a ser feitas, como demonstra o estudo acima citado, porque o mundo n\u00e3o \u00e9 um lugar melhor?<\/p>\n<h3>Como seria um Mundo sem Religi\u00e3o?<\/h3>\n<p>Ser\u00e1 que basta que as pessoas tenham consci\u00eancia do que \u00e9 correto para que ajam assim? Outra quest\u00e3o: As cren\u00e7as n\u00e3o afetam o modo como elas realmente se comportar\u00e3o quando estiverem de fato vivendo uma quest\u00e3o de dilema moral que n\u00e3o seja hipot\u00e9tica e que represente riscos reais para elas?<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, parece bastante \u00f3bvio que meramente possuir uma religi\u00e3o n\u00e3o torna as pessoas boas, pois pessoas podem acreditar em coisas ruins derivadas de sua religi\u00e3o ou da distor\u00e7\u00e3o dela e o mundo est\u00e1 cheio de exemplos disto. Contudo, as pessoas que praticam o mal em nome de uma religi\u00e3o se tornaram m\u00e1s por causa de sua religi\u00e3o? Se o problema for a religi\u00e3o, ent\u00e3o todas as pessoas sem religi\u00e3o deveriam ser boas!<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos imaginar como seria um mundo sem religi\u00e3o como o fez John Lennon. J\u00e1 temos algumas pequenas amostras espalhadas pela hist\u00f3ria. Podemos afastar um pouco a cortina do tempo e olhar para a Fran\u00e7a durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, no per\u00edodo em que a religi\u00e3o foi expulsa de seus dom\u00ednios, durante a fase do Reino do Terror.<\/p>\n<p>John S. C. Abbott, no segundo volume de seu <em>French Revolution of 1789 &#8211; As Viewed in the Light of Republican Institutions<\/em>, justifica os atos realizados durante a Fase do Terror na Fran\u00e7a,<br \/>\ncom as seguintes palavras:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa tem sido contada tamb\u00e9m, muito frequentemente, neste esp\u00edrito, encobrindo as atrocidades dos opressores e ampliando a falta de humanidade do oprimido. Conquanto a verdade exija que toda a viol\u00eancia de um povo escravizado, em desespero rompendo seus la\u00e7os, deva ser fielmente retratada, a verdade, n\u00e3o menos imperiosamente, exige que a falta de miseric\u00f3rdia dos orgulhosos opressores, esmagando milh\u00f5es por eras, e incitando uma na\u00e7\u00e3o inteira na loucura do desespero, deveria ser tamb\u00e9m imparcialmente descrita.&#8221; (Tradu\u00e7\u00e3o Livre, p. 335.)<\/p><\/blockquote>\n<p>E o que ele diz \u00e9 verdadeiro, at\u00e9 certo ponto. Porque durante s\u00e9culos a Inquisi\u00e7\u00e3o e os desmandos de reis e nobres oprimiram o povo pobre, por\u00e9m isto n\u00e3o ocorria somente na Fran\u00e7a. Apesar disto, uma certa organiza\u00e7\u00e3o, ainda que injusta e cruel, permitia que os povos seguissem existindo. As cenas descritas por esse autor, e outros, retratam a implos\u00e3o de uma civiliza\u00e7\u00e3o. T\u00e3o autodestrutivos se tornaram os atos que, eles mesmos, teriam extinguido a pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o se n\u00e3o houvessem cessado. Como podemos ver das seguintes descri\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO esp\u00edrito ousado dos girondinos foi manifesto nas palavras de Vergniaud:<\/p>\n<p>&#8216;Temos testemunhado&#8217;, disse ele, &#8216;o desenvolvimento desse estranho sistema de liberdade em que nos \u00e9 dito:<br \/>\n&#8216;Voc\u00eas s\u00e3o livres, mas pensem conosco, ou os denunciaremos \u00e0 vingan\u00e7a do povo, s\u00e3o livres, mas inclinem a cabe\u00e7a ao \u00eddolo que adoramos, ou os denunciaremos \u00e0 vingan\u00e7a do povo, s\u00e3o livres, mas unam-se a n\u00f3s em perseguir os homens cuja probidade e intelig\u00eancia tememos, ou os denunciaremos \u00e0 vingan\u00e7a do povo.&#8217; Cidad\u00e3os! temos motivos para temer que a Revolu\u00e7\u00e3o, como Saturno, devorar\u00e1 sucessivamente todos os seus filhos, e apenas engendrar\u00e1 despotismo e as calamidades que o acompanham.&#8217; (Ibidem, p.p. 332-333. Tradu\u00e7\u00e3o Livre)<\/p>\n<p>&#8220;A insurrei\u00e7\u00e3o monarquista em La Vend\u00e9e, depois de um longo e terr\u00edvel conflito, foi esmagada. Nenhuma linguagem pode descrever os horrores de vingan\u00e7a que se seguiram. O relato da brutalidade \u00e9 demasiado horr\u00edvel para ser contado. Dem\u00f4nios n\u00e3o poderiam ter sido mais infernais em crueldade. &#8216;A morte pelo fogo e pela espada&#8217;, escreve Lamartine, fez ru\u00eddo, espalhou sangue e deixou corpos para serem enterrados e contados. As silenciosas \u00e1guas do Loire estavam mudas e n\u00e3o prestariam contas. Unicamente o fundo do mar saberia o n\u00famero de v\u00edtimas. Carrier tornou os marinheiros t\u00e3o impiedosos quanto ele pr\u00f3prio. Ordenou-lhes, sem muito mist\u00e9rio, perfurar certa quantidade de embarca\u00e7\u00f5es atracadas com buracos, de modo a afund\u00e1-las com suas cargas vivas em partes do rio. &#8216;Estas ordens foram a princ\u00edpio executadas secretamente e sob o aspecto de acidentes de navega\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, logo estas execu\u00e7\u00f5es navais, das quais as \u00e1guas do Loire foram testemunhas at\u00e9 sua foz, se tornaram um espet\u00e1culo para Carrier e seus cortes\u00e3os. Ele forneceu uma gal\u00e9 de prazer, a qual ele deu de presente para seu c\u00famplice Lambertye, sob o pretexto de vigiar as margens do rio. Esta embarca\u00e7\u00e3o, adornada com todos os requintes de mobili\u00e1rio, provida com todo o vinho e itens de banquete, se tornou o teatro principal destas execu\u00e7\u00f5es. O pr\u00f3prio Carrier embarcou ali algumas vezes, com seus carrascos e cortes\u00e3os, para viajar pela \u00e1gua. Enquanto se entregava \u00e0s alegrias do amor e do vinho no conv\u00e9s, suas v\u00edtimas, encerradas no por\u00e3o, viam, a um dado sinal, as comportas se abrirem e as ondas do Loire engolirem-nos. Um gemido abafado anunciava para a tripula\u00e7\u00e3o que centenas de vidas tinham dado seu \u00faltimo suspiro sob seus p\u00e9s. Eles continuavam suas orgias sobre esse sepulcro flutuante. &#8216;Algumas vezes Carrier, Lambertye e seus c\u00famplices se regozijavam no cruel prazer deste espet\u00e1culo de agonia.<br \/>\nEles faziam com que suas v\u00edtimas de ambos os sexos subissem para o conv\u00e9s. Despojados de suas vestes, eles os atavam face a face &#8211; um sacerdote com uma freira, um jovem com uma jovem. Suspendiam-nos, assim nus e entrela\u00e7ados, por uma corda que passava sob seus ombros atrav\u00e9s de um bloco da embarca\u00e7\u00e3o. Divertiam-se em horr\u00edveis sarcasmos com esta par\u00f3dia de casamento na morte, e, ent\u00e3o, afundavam as v\u00edtimas no rio. Este esporte canibal foi denominado &#8216;Casamentos Republicanos&#8217;. \u2026<\/p>\n<p>&#8220;As pris\u00f5es de Paris estavam agora repletas de v\u00edtimas. Instru\u00e7\u00f5es municipais, emitidas por Chaumette, catalogaram como segue os que deveriam ser presos como pessoas suspeitas:<br \/>\n1. Os que, por discursos enganosos, extinguissem a energia do povo. 2. Os que enigmaticamente deplorasssem o quinh\u00e3o do povo e propagassem m\u00e1s not\u00edcias com afetado pesar. 3. Os que, silenciosos a respeito das faltas dos monarquistas, falassem contra as faltas dos patriotas. 4. Os que tivessem piedade daqueles contra os quais a lei era obrigada a tomar medidas. 5. Os que se associassem com aristocratas, sacerdotes e moderados e tivessem interesse em seu destino. 6. Os que n\u00e3o tivessem tido parte ativa na Revolu\u00e7\u00e3o. 7. Os que tivessem recebido a Constitui\u00e7\u00e3o com indiferen\u00e7a e tivessem expressado temores com respeito a sua dura\u00e7\u00e3o. 8. Os que, embora n\u00e3o tivessem feito nada contra a liberdade, n\u00e3o tinham feito nada por ela. 9. Os que n\u00e3o assitissem \u00e0s sess\u00f5es. 10. Os que falassem com desprezo das autoridades constitu\u00eddas. 11. Os que tivessem assinado peti\u00e7\u00f5es contra-revolucion\u00e1rias. Os partid\u00e1rios de La Fayette e os que marcharam sob o comando no Campo de Marte.<\/p>\n<p>&#8220;Havia apenas poucas pessoas em Paris que n\u00e3o eram pass\u00edveis de ser presas, pelas maquina\u00e7\u00f5es de algum inimigo, sob alguma destas acusa\u00e7\u00f5es. Muitos milhares foram logo encarcerados.&#8221; (<em>The History of the French Revolution &#8211; 1789<\/em> -. Louis Adolphe Thiers, vol. 3, p.p. 342-345. London, 1895. Tradu\u00e7\u00e3o Livre)<\/p>\n<p>&#8221; &#8216;As miser\u00e1veis v\u00edtimas em Nantes&#8217;, diz Mr. Alison, &#8216;foram mortas com punhais nas pris\u00f5es ou levadas em uma embarca\u00e7\u00e3o e afogadas juntas no Loire. Em uma ocasi\u00e3o uma centena de sacerdotes foi tomada junta, despojada de suas vestes e precipitada nas ondas. Mulheres em gravidez adiantada, crian\u00e7as com oito, nove e dez anos de idade foram atiradas juntas na corrente, ao lado das quais, homens armados com sabres foram colocados para cortarem suas cabe\u00e7as se as ondas as lan\u00e7assem n\u00e3o afogadas na praia. Em uma ocasi\u00e3o, por ordens de Carrier, vinte e tr\u00eas dos monarquistas &#8211; em outra &#8211; vinte e quatro, foram guilhotinados juntos sem qualquer julgamento. O carrasco protestou, mas foi em v\u00e3o. Entre eles havia muitas crian\u00e7as com sete ou oito anos de idade e sete mulheres; o carrasco morreu dois ou tr\u00eas dias ap\u00f3s, com horror do que ele mesmo tinha feito. T\u00e3o grande era a multid\u00e3o de cativos que foram trazidos de todos os lados que os carrascos se declararam exaustos pela fadiga e um novo m\u00e9todo de execu\u00e7\u00e3o foi planejado. Duas pessoas de sexos diferentes, geralmente um idoso e uma idosa, desprovidos de qualquer esp\u00e9cie de roupa, eram atados juntos e atirados no rio. Foi determinado por documentos aut\u00eanticos que seiscentas crian\u00e7as pereceram por este tipo de morte desumana; e tal foi a quantidade de cad\u00e1veres acumulados no Loire, que a \u00e1gua se tornou contaminada. As cenas nas pris\u00f5es que precederam estas execu\u00e7\u00f5es excedem todas as mais terr\u00edveis que romances tenham concebido. Em uma ocasi\u00e3o o inspetor entrou na pris\u00e3o procurando por uma crian\u00e7a, onde, na noite anterior, haviam sido deixadas acima de tr\u00eas mil crian\u00e7as; elas tinham todas partido pela manh\u00e3, tendo sido afogadas na noite precedente. Para todos os representantes dos cidad\u00e3os em favor destas v\u00edtimas inocentes, Carrier apenas respondeu: &#8216;Elas s\u00e3o todas v\u00edboras, deixai-as serem sufocadas.&#8217; Trezentas jovens de Nantes foram afogadas por ele em uma noite: muito longe de terem tido qualquer parte em discuss\u00f5es pol\u00edticas, elas eram da desafortunada classe dos que vivem pelos prazeres de outros. Em outra ocasi\u00e3o, quinhentas crian\u00e7as de ambos os sexos, a mais velha das quais n\u00e3o tinha ainda quatorze anos, foram levadas para o mesmo local para serem baleadas. A pequenez de sua estatura fez com que a maioria das balas da primeira descarga voasse sobre suas cabe\u00e7as; elas soltaram seus liames, apressaram-se para as fileiras dos executores, se agarraram aos seus joelhos e pediram por miseric\u00f3rdia. Contudo, nada podia suavizar os assassinos. Eles as mataram mesmo enquanto jazendo a seus p\u00e9s.<br \/>\nUma mulher deu \u00e0 luz uma crian\u00e7a no cais; mal tinham cessado as agonias do parto, quando ela foi empurrada, com o inocente rec\u00e9m-nascido, para o barco fatal! Quinze mil pessoas pereceram em Nantes sob as m\u00e3os dos executores, ou de doen\u00e7as na pris\u00e3o, em um m\u00eas. O n\u00famero total de v\u00edtimas do Reino do Terror naquela cidade excedeu os trinta mil.&#8221; (<em>French Revolution of 1789 &#8211; As Viewed in the Light of Republican Institutions<\/em>, p.p. 533, 534. New York, 1887. Tradu\u00e7\u00e3o Livre.)<\/p><\/blockquote>\n<p>Estes relatos fazem parte de uma s\u00e9rie que ser\u00e1 apresentada aqui. Continuaremos na parte 3.<\/p>\n<h2>Parte 3<\/h2>\n<p>Nas se\u00e7\u00f5es anteriores introduzimos o assunto a partir da vis\u00e3o de Dawkins e da m\u00fasica Imagine de John Lennon. Tamb\u00e9m apresentamos relatos hist\u00f3ricos de um per\u00edodo crucial: A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, considerada marco da liberdade. Foi tamb\u00e9m um per\u00edodo que se destacou pela falta da religi\u00e3o. Seguimos aqui com os relatos da \u00e9poca.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;N\u00e3o podemos dar melhor relato do estado de Paris naquela \u00e9poca do que nas palavras de Desodoards, um calmo e filos\u00f3fico escritor, que tinha ardentemente esposado a causa da Revolu\u00e7\u00e3o, e que, consequentemente, n\u00e3o ser\u00e1 suspeito de exagero.<br \/>\n&#8216;O que ent\u00e3o&#8217;, diz ele, &#8216;foi este governo revolucion\u00e1rio? Cada direito, civil e pol\u00edtico, foi destru\u00eddo. Liberdade de imprensa e de pensamento estavam no fim. O povo todo estava dividido em duas classes, os privilegiados e os proscritos. A propriedade era descontroladamente violada, lettres de cachet [cartas assinadas pelo rei e secret\u00e1rio de estado autorizando a pris\u00e3o de algu\u00e9m] foram restabelecidas, o asilo das habita\u00e7\u00f5es exposto \u00e0 mais tir\u00e2nica inquisi\u00e7\u00e3o e a justi\u00e7a despojada de toda apar\u00eancia de humanidade e honra. A Fran\u00e7a estava coberta de pris\u00f5es; todos os excessos de anarquia e despotismo lutando em meio a uma confusa multid\u00e3o de comit\u00eas; terror em cada cora\u00e7\u00e3o; o cadafalso devorando uma centena cada dia e amea\u00e7ando devorar um n\u00famero ainda maior; em cada casa melancolia e pranto e, em cada rua, o sil\u00eancio da tumba.<\/p>\n<p>&#8216;A guerra era travada contra as emo\u00e7\u00f5es mais ternas da natureza. Fosse uma l\u00e1grima derramada sobre a tumba do pai, esposa ou amigo, isto era, de acordo com estes jacobinos, um assalto \u00e0 Rep\u00fablica. N\u00e3o se regozijar quando os jacobinos se regozijavam era trair a liberdade. Toda a turba de baixos oficiais de justi\u00e7a, alguns dos quais mal podiam ler, divertia-se com as vidas de homens sem a menor vergonha ou remorso. Frequentemente um ato de acusa\u00e7\u00e3o que se destinava a uma pessoa reca\u00eda sobre outra. O oficial apenas mudava o nome ao perceber seu erro e, frequentemente, n\u00e3o mudava. Enganos da mais inconceb\u00edvel natureza eram cometidos com impunidade. A duquesa de Biron foi julgada por um ato preparado contra seu agente. Um jovem de vinte anos foi julgado por ter, como foi alegado, um filho portando armas contra a Fran\u00e7a. Um rapaz de dezesseis, cujo nome era Mallet, foi preso sob uma acusa\u00e7\u00e3o de um homem de quarenta, chamado Bellay. &#8216;Qual a sua idade?&#8217; inquiriu o presidente, olhando-o com alguma surpresa. &#8216;Dezesseis&#8217;, respondeu o jovem. &#8216;Bem, voc\u00ea tem plenamente quarenta no crime&#8217;, disse o magistrado; &#8216;levem-no para a guilhotina.&#8217; &#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Em meio a tais cenas n\u00e3o \u00e9 estranho que todo o respeito pelo Evangelho de Jesus Cristo foi renunciado. Os jacobinos de Paris lotaram a Conven\u00e7\u00e3o, exigindo a abjura\u00e7\u00e3o de todas as formas de religi\u00e3o e todos os modos de adora\u00e7\u00e3o. Eles governavam a Conven\u00e7\u00e3o com controle desp\u00f3tico. A Comuna de Paris, investida como a pol\u00edcia local da cidade, passou leis proibindo o clero de executar cultos religiosos fora das igrejas. Ningu\u00e9m a n\u00e3o ser amigos e parentes eram permitidos seguir os restos do morto \u00e0 sepultura. Todos os s\u00edmbolos religiosos foram ordenados ser apagados dos cemit\u00e9rios e serem substitu\u00eddos por uma est\u00e1tua do sono. As seguintes divaga\u00e7\u00f5es de Anacharsis Cloots, um rico bar\u00e3o da Pr\u00fassia, que denominou-se o orador da ra\u00e7a humana, e que foi um dos mais consp\u00edcuos dos agitadores jacobinos, fortemente exibe o esp\u00edrito da \u00e9poca.<br \/>\n&#8216;Paris, a metr\u00f3pole do globo, \u00e9 o local apropriado para o orador da ra\u00e7a humana. N\u00e3o deixei Paris desde 1789. Foi ent\u00e3o que redobrei meu zelo contra os pretensos soberanos da Terra e do C\u00e9u. Ousadamente preguei que n\u00e3o existe outro deus a n\u00e3o ser a Natureza, nenhum outro soberano a n\u00e3o ser a ra\u00e7a humana &#8211; o povo deus. O povo \u00e9 suficiente para si mesmo. A Natureza n\u00e3o se ajoelha perante ela pr\u00f3pria. A religi\u00e3o \u00e9 o \u00fanico obst\u00e1culo para a felicidade universal. Chegou a hora de destru\u00ed-la.&#8217;<\/p>\n<p>\u201cA corrente popular em Paris ent\u00e3o se imp\u00f5e fortemente contra toda religi\u00e3o. &#8230;<\/p>\n<p>\u201cA Conven\u00e7\u00e3o indicou um comit\u00ea de doze homens, denominado de o Comit\u00ea de Seguran\u00e7a P\u00fablica, e o investiu de poder ditatorial. Todo o poder revolucion\u00e1rio estava agora alojado em suas m\u00e3os. Eles indicaram subcomit\u00eas como lhes agradava e governaram a Fran\u00e7a com terr\u00edvel energia. O Tribunal Revolucion\u00e1rio era apenas um de seus comit\u00eas. Em todos os departamentos eles estabeleceram suas ag\u00eancias. A pr\u00f3pria Conven\u00e7\u00e3o se tornou impotente contra este espantoso despotismo. Esta ditadura foi energicamente apoiada pelo populacho de Paris; e o governo da cidade de Paris era composto dos mais violentos jacobinos, que estavam em perfeita fraternidade com o Comit\u00ea de Seguran\u00e7a P\u00fablica. St. Just, que prop\u00f4s na Conven\u00e7\u00e3o o estabelecimento desta ditadura, disse:<br \/>\n&#8216;Voc\u00eas n\u00e3o devem mais mostrar qualquer indulg\u00eancia para com os inimigos da nova ordem de coisas. A liberdade deve triunfar a qualquer custo. Nas atuais circunst\u00e2ncias da Rep\u00fablica, a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser estabelecida, isto garantiria impunidade a ataques \u00e0 nossa liberdade, porque ela seria deficiente na viol\u00eancia necess\u00e1ria para restringi-los.&#8217; &#8221; (<em>The French Revolution of 1789 &#8211; as viewed in the light of republican institutions<\/em>. Vol 2, p.p. 358, 360-361)<\/p>\n<p>\u201cA se\u00e7\u00e3o de l&#8217;Homme-Arm\u00e9 declarou que n\u00e3o reconhecia nenhuma outra adora\u00e7\u00e3o al\u00e9m da verdade e da raz\u00e3o, nenhum outro fanatismo al\u00e9m da liberdade e igualdade, nenhuma outra doutrina al\u00e9m daquela da fraternidade e das leis republicanas decretadas desde 31 de maio de 1793. A se\u00e7\u00e3o de La R\u00e9union declarou que faria uma fogueira com todos os confession\u00e1rios e todos os livros usados pelos cat\u00f3licos e que fecharia a igreja de St. Mary. &#8230; Assim as se\u00e7\u00f5es, tomando a iniciativa, abjuraram a f\u00e9 cat\u00f3lica como a religi\u00e3o estabelecida e se apossaram de seus pr\u00e9dios e seus tesouros como pertencendo ao dom\u00ednio comunal. Os deputados em miss\u00e3o nos departamentos j\u00e1 tinham incitado um grande n\u00famero de comunas a se apoderarem da propriedade m\u00f3vel das igrejas, a qual, eles disseram, n\u00e3o era necess\u00e1ria para a religi\u00e3o e, a qual, al\u00e9m disso, como toda a propriedade p\u00fablica, pertencia ao Estado e poderia, portanto, ser usada conforme sua vontade. &#8230; Foram em prociss\u00e3o para a Conven\u00e7\u00e3o e a turba, indulgindo em sua inclina\u00e7\u00e3o pelo burlesco, caricaturou da maneira mais rid\u00edcula as cerim\u00f4nias da religi\u00e3o, e teve tanto prazer em profan\u00e1-las quanto tinha tido anteriormente em celebr\u00e1-las. Homens, usando sobrepeliz e vestes sacerdotais, vieram cantando Aleluias e dan\u00e7ando o Carmangnole para o tribunal da Conven\u00e7\u00e3o; onde eles depositaram a h\u00f3stia, os crucifixos e as est\u00e1tuas de ouro e prata; fizeram burlescos discursos e, algumas vezes, dirigiram as mais singulares exclama\u00e7\u00f5es para os pr\u00f3prios santos. &#8216;Oh, v\u00f3s!&#8217; exclamou uma delega\u00e7\u00e3o de St. Denis, &#8216;oh, v\u00f3s instrumentos de fanatismo, aben\u00e7oados santos de todos os tipos, sede afinal patriotas, erguei-vos em massa, servi o pa\u00eds por irdes para a Fundi\u00e7\u00e3o serdes derretidos e dai-nos neste mundo aquela felicidade que desej\u00e1veis obter para n\u00f3s no outro! &#8230; A pedido de Chaumette, foi resolvido que a igreja metropolitana de Notre Dame deveria ser convertida em um edif\u00edcio republicano denominado Templo da Raz\u00e3o. &#8230; O primeiro festival da Raz\u00e3o foi realizado com pompa no 20 de Brum\u00e1rio (10 de novembro). Foi assistido por todas as se\u00e7\u00f5es, junto com as autoridades constitu\u00eddas. Uma jovem mulher representava a deusa da Raz\u00e3o. &#8230; Discursos foram feitos e hinos cantados no templo da Raz\u00e3o; ent\u00e3o se dirigiram para a Conven\u00e7\u00e3o e Chaumette falou nestes termos:<br \/>\n&#8216;Legisladores! &#8211; o fanatismo tem dado lugar a raz\u00e3o. Seus olhos ofuscados n\u00e3o podem suportar o brilho da luz. Neste dia uma imensa multid\u00e3o se reuniu sob aquelas ab\u00f3badas g\u00f3ticas, as quais, pela primeira vez, ecoaram a verdade. Ali a Fran\u00e7a celebrou a \u00fanica verdadeira adora\u00e7\u00e3o, a da liberdade, da raz\u00e3o. Ali concebemos desejos pela prosperidade das armas da rep\u00fablica. Ali abandonamos os \u00eddolos inanimados pela raz\u00e3o, por aquela imagem animada, a obra-prima da Natureza.&#8217; &#8221; <em>(The history of the French Revolution, 1789-1800<\/em>, vol. 3, p.p. 241-243. London, 1895. Tradu\u00e7\u00e3o Livre.)<\/p>\n<p>&#8220;Cem mil pris\u00f5es e algumas centenas de condena\u00e7\u00f5es tornavam o aprisionamento e o cadafalso sempre presente nas mentes de vinte e cinco milh\u00f5es de franceses. Eles tinham de suportar pesados impostos. Se, por uma classifica\u00e7\u00e3o perfeitamente arbitr\u00e1ria, eles fossem colocados na lista dos ricos, eles perdiam durante aquele ano uma parte de sua renda. Algumas vezes, a pedido de um representante ou de um ou outro agente, eram obrigados a desistir de suas colheitas, ou de suas mais valiosas propriedades de ouro e prata. N\u00e3o ousavam mais exibir qualquer luxo ou condescender com prazeres ruidosos. &#8230; Nunca tinha o poder derrubado com maior viol\u00eancia os h\u00e1bitos do povo. Para amea\u00e7ar todas as vidas, dizimar todas as fortunas, fixar o padr\u00e3o de todas as trocas, dar novos nomes a todas as coisas, abolir as cerim\u00f4nias da religi\u00e3o, indisputavelmente, \u00e9 a mais atroz das tiranias, sem levarmos em conta o perigo do Estado, a inevit\u00e1vel crise do com\u00e9rcio e o esp\u00edrito do sistema insepar\u00e1vel do esp\u00edrito de inova\u00e7\u00e3o. (Ibidem, p.p. 244-245. Tradu\u00e7\u00e3o Livre)<\/p><\/blockquote>\n<p>A ironia de tudo isso \u00e9 que, enquanto na pr\u00e1tica, ningu\u00e9m desfrutou de verdadeira liberdade &#8211; os que estavam no poder em um dia eram os pr\u00f3ximos a ir para a guilhotina em outro &#8211; de real<br \/>\nigualdade, se n\u00e3o considerarmos que estavam todos igualmente em p\u00e9ssima situa\u00e7\u00e3o, e de uma fraternidade que n\u00e3o fosse fic\u00e7\u00e3o, eles realmente acreditavam que estavam estabelecendo tudo isso! Ent\u00e3o, enquanto a justi\u00e7a, a liberdade e os mais b\u00e1sicos dos direitos humanos eram todos pisados a p\u00e9s, as pessoas cegavam-se a si mesmas com palavras como liberdade, igualdade e fraternidade! Tenho certeza de que se fosse poss\u00edvel viajar no tempo e realizar a pesquisa citada mais acima por Dawkins, os franceses daquele tempo, em sua maioria, dariam as mesmas respostas moralmente boas.<br \/>\nEles, inclusive, se consideravam totalmente racionais e respeitadores da liberdade e direitos<br \/>\nhumanos (s\u00f3 que n\u00e3o!)<\/p>\n<p>Esse estado de coisas n\u00e3o durou por muito tempo na Fran\u00e7a, pois era um mecanismo autodestrutivo, os l\u00edderes extremistas acabaram todos na guilhotina como os milhares que foram condenados por eles. E outras vozes foram ouvidas depois deles.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cCamille Jordan se tornou o \u00f3rg\u00e3o das queixas que havia por toda a parte das infra\u00e7\u00f5es contra a liberdade de culto. Ele pronunciou um memor\u00e1vel discurso em favor de indiscriminada liberdade de consci\u00eancia para todos os cidad\u00e3os e n\u00e3o temeu pegar emprestados argumentos da excel\u00eancia do Cristianismo. \u2026 \u2018Se voc\u00eas desejam erigir um dique contra o tem\u00edvel progresso do crime e desordem, devem garantir completa liberdade religiosa.\u2019 Jordan ent\u00e3o prosseguiu explicando em detalhes, da maneira mais razo\u00e1vel, como esta liberdade deveria ser respeitada. \u2026 Este discurso foi um evento marcante. \u2026 A Assembl\u00e9ia, em esmagadora maioria, repeliu as leis mais intolerantes que ainda desgra\u00e7avam o c\u00f3digo da Fran\u00e7a. A liberdade de consci\u00eancia obteve um sinal de triunfo.\u201d (J. O. Lacroix, <em>Religion and The Reign of Terror or The Church During The French Revolution<\/em>. Carlton &amp; Lanahan: New York, 1869.Tradu\u00e7\u00e3o Livre, grifos no original.)<\/p><\/blockquote>\n<p>Esta foi a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Na pr\u00f3xima parte veremos outros momentos importantes da hist\u00f3ria, incluindo influ\u00eancias racionais trazidas pela religi\u00e3o e algumas consequ\u00eancias na sociedade moderna.<\/p>\n<h2>Parte 4<\/h2>\n<p>Nas se\u00e7\u00f5es anteriores introduzimos o assunto a partir da vis\u00e3o de Dawkins e a m\u00fasica Imagine de John Lennon. Tamb\u00e9m apresentamos relatos hist\u00f3ricos de um per\u00edodo crucial : A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, considerada marco da liberdade. Foi tamb\u00e9m um per\u00edodo que se destacou pela falta da religi\u00e3o. Vimos que a liberdade, igualdade e fraternidade n\u00e3o eram sen\u00e3o palavras bonitas durante o Reino do Terror. Seguiremos com mais momentos hist\u00f3ricos importantes na tem\u00e1tica.<\/p>\n<h3>Outros Exemplos de n\u00e3o Religi\u00e3o<\/h3>\n<p>Temos outros exemplos em nosso mundo de sociedades ou per\u00edodos da hist\u00f3ria em que a religi\u00e3o n\u00e3o estava no palco.<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, durante o per\u00edodo de governo de Stalin, estima-se que mais de vinte milh\u00f5es de pessoas tenham morrido por causa de seus programas de governo e durante o per\u00edodo de persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas conhecido como \u201co grande expurgo\u201d. No seu governo tamb\u00e9m houve um aumento de persegui\u00e7\u00e3o a homossexuais e combate \u00e0 religi\u00e3o (<a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" href=\"https:\/\/youtu.be\/Y4HKxYawyPw\">https:\/\/youtu.be\/Y4HKxYawyPw<\/a>).<\/p>\n<p>Durante a Segunda Guerra Mundial, o nazismo, embasado no Darwinismo Social (<a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" href=\"https:\/\/www.todamateria.com.br\/darwinismo-social\/\">https:\/\/www.todamateria.com.br\/darwinismo-social\/<\/a>) \u00e9 outro exemplo do que a humanidade \u00e9<br \/>\ncapaz, supostamente utilizando \u201craz\u00e3o\u201d e \u201cci\u00eancia\u201d. Calcula-se que durante essa guerra tenham<br \/>\nMorrido entre 66 e 85 milh\u00f5es de pessoas (<a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" href=\"http:\/\/segundaguerra.net\/os-mortos-na-segunda-guerra-mundial-civis-e-militares\/\">http:\/\/segundaguerra.net\/os-mortos-na-segunda-guerra-mundial-civis-e-militares\/<\/a>).<\/p>\n<p>Para um mundo que, no s\u00e9culo XIX, acreditava no progresso cont\u00ednuo da humanidade a partir de uma idade da raz\u00e3o, nos defrontamos com a realidade de que a racionalidade humana e consci\u00eancia moral n\u00e3o foram suficientes para proteger o mundo da injusti\u00e7a, desigualdade e desrespeito pela vida e liberdade.<\/p>\n<h3>Progresso Real<\/h3>\n<p>Apesar dos problemas que o mundo enfrentou na Idade Moderna, podemos constatar que houve um real progresso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Idade M\u00e9dia, principalmente em Ci\u00eancia, Tecnologia e qualidade de vida. Acredita-se, comumente, que este progresso se iniciou com a redescoberta dos cl\u00e1ssicos gregos e romanos e que o iluminismo e racionalismo, assim como o naturalismo, foram etapas importantes para o desenvolvimento cient\u00edfico.<br \/>\nA Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica considera que Newton foi o respons\u00e1vel pelo explos\u00e3o de conhecimento em todas as \u00e1reas, o que, na realidade, foi o que mudou nosso mundo:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u201cPara o mundo macrosc\u00f3pico, o Principia foi suficiente. As tr\u00eas leis de Newton de movimento e o princ\u00edpio da gravita\u00e7\u00e3o universal era tudo o que era necess\u00e1rio para analisar as rela\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas de corpos ordin\u00e1rios e o C\u00e1lculo provia as ferramentas matem\u00e1ticas essenciais. \u2026<br \/>\n\u201cAqui a obra seminal n\u00e3o foi o Principia, mas a obra prima de Newton sobre f\u00edsica experimental, a Opticks, publicada em 1704, na qual ele mostrou como examinar um assunto experimentalmente e descobrir as leis encobertas nele. Newton mostrou como o judicioso uso de hip\u00f3teses p\u00f4de abrir o caminho para adicional investiga\u00e7\u00e3o experimental at\u00e9 que uma teoria coerente foi alcan\u00e7ada. A Opticks veio a servir como modelo, nos s\u00e9culos 18 e 19, para a investiga\u00e7\u00e3o do calor, luz, eletricidade, magnetismo e qu\u00edmica dos \u00e1tomos.\u201d (L.P. Williams, <em>History of science: The Rise Of Modern Science<\/em>. Dispon\u00edvel em<br \/>\n<a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" href=\"https:\/\/www.britannica.com\/science\/history-of-science\/The-rise-of-modern-science\">https:\/\/www.britannica.com\/science\/history-of-science\/The-rise-of-modern-science<\/a>)<\/p><\/blockquote>\n<p>A <em>Opticks<\/em>, na verdade, come\u00e7a com defini\u00e7\u00f5es, consequ\u00eancias matem\u00e1ticas dessas defini\u00e7\u00f5es e, s\u00f3 ent\u00e3o, verifica\u00e7\u00e3o experimental. As investiga\u00e7\u00f5es sobre a luz, magnetismo, eletricidade e qu\u00edmica est\u00e3o na base do desenvolvimento da Biologia, Eletr\u00f4nica, Medicina, Inform\u00e1tica, Ind\u00fastria, etc.<\/p>\n<p>Anteriormente a Newton, outros pioneiros, como Roger Bacon, Galileu e Da Vince j\u00e1 acreditavam que a Ci\u00eancia se baseia em m\u00e9todos matem\u00e1ticos. (Galileu Galilei. <em>Il Saggiatore<\/em>; 1624. W.J. Meyer. <em>Concepts of mathematical modeling<\/em>. Mineola, New York: Dover Publications Inc., 1984.)<\/p>\n<p>N\u00e3o foi a Filosofia, nem a experimenta\u00e7\u00e3o (j\u00e1 utilizada em certa medida pelos gregos) o que causou a tremenda explos\u00e3o de conhecimentos que repercutiu em todas as \u00e1reas, mas o desenvolvimento de m\u00e9todos matem\u00e1ticos!<\/p>\n<p>Estes pioneiros n\u00e3o fizeram parte de movimentos racionalistas, nem foram naturalistas, mas eram todos homens que acreditavam em Deus. Newton passou tanto tempo estudando a B\u00edblia quanto a natureza ( <a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" href=\"http:\/\/www.newtonproject.ox.ac.uk\/texts\/newtons-works\/religious\">http:\/\/www.newtonproject.ox.ac.uk\/texts\/newtons-works\/religious<\/a>). Crer em Deus n\u00e3o significa colocar a raz\u00e3o de lado, ao contr\u00e1rio, aceitar a Deus na vida significa dar o melhor emprego a ela, como o fizeram os pioneiros da Ci\u00eancia.<\/p>\n<h3>Por que o Mundo n\u00e3o \u00e9 um Lugar Melhor?<\/h3>\n<p>Podemos constatar pela Hist\u00f3ria, que o mundo n\u00e3o se torna automaticamente melhor pela exist\u00eancia de religi\u00e3o, muito menos, pela aus\u00eancia dela. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 na religi\u00e3o, nem na tentativa de ser racional, o problema est\u00e1 com o ser humano. O problema humano come\u00e7ou no in\u00edcio da humanidade, com as escolhas que nossos ancestrais fizeram e com as que continuamos a fazer depois deles. A hist\u00f3ria humana \u00e9 como o caso de pessoas que se tornam viciadas em algo: antes de cair no v\u00edcio a pessoa era livre e poderia escolher o que fazer com a sua vida. No momento em que ela usa de sua liberdade para iniciar na estrada de algum v\u00edcio, ela envereda por um caminho do qual n\u00e3o consegue mais sair sozinha, perde a liberdade. Esta foi a hist\u00f3ria de nossos ancestrais e n\u00f3s a estamos repetindo. Assim como o uso de drogas e bebidas altera o senso de autocr\u00edtica, escolher o caminho da transgress\u00e3o moral escraviza e cega o praticante.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuem pode entender o cora\u00e7\u00e3o humano? N\u00e3o h\u00e1 nada que engane tanto como ele; est\u00e1 doente demais para ser curado.&#8221; (Jeremias 17:9.Nova Tradu\u00e7\u00e3o na Linguagem de Hoje)<\/p><\/blockquote>\n<p>Sem perceber a realidade do que o texto acima diz, a humanidade prossegue culpando a religi\u00e3o, a ideologia, os sistemas pol\u00edticos e econ\u00f4micos, as formas de governo e mesmo alguma coisa abstrata como a gan\u00e2ncia e o ego\u00edsmo, enquanto exalta a m\u00e1xima de \u201csiga seu cora\u00e7\u00e3o\u201d. O problema humano \u00e9 mais profundo do que meramente a ado\u00e7\u00e3o de religi\u00f5es, sistemas pol\u00edticos e ideologias errados ou mesmo um conjunto de ideias e sentimentos distorcidos.<\/p>\n<p>O per\u00edodo medieval n\u00e3o foi um per\u00edodo em que o cristianismo dominou o mundo, mas um per\u00edodo em que a religi\u00e3o crist\u00e3 se tornou um misto do que a B\u00edblia ensinava com a filosofia e pr\u00e1ticas religiosas de gregos e romanos (<a href=\"http:\/\/www.criacionismo.com.br\/2018\/04\/por-que-entender-o-que-significa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.criacionismo.com.br\/2018\/04\/por-que-entender-o-que-significa.html<\/a>).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a pr\u00e1tica da religi\u00e3o se tornou como o ser humano que a praticava, uma mistura do que vem de Deus com os resultados do afastamento dele. A filosofia e raz\u00e3o humanas tamb\u00e9m s\u00e3o uma mistura destas duas coisas. E o problema \u00e9 que estas s\u00e3o duas coisas que n\u00e3o se misturam, como o \u00f3leo e a \u00e1gua. Na pr\u00e1tica, o mal (mau funcionamento das coisas que foram usadas em desacordo com o manual do fabricante) \u00e9 o resultado desta tentativa de mistura.<\/p>\n<h3>Conclus\u00f5es<\/h3>\n<p>Algumas pessoas, como Dawkins e Lennon, acreditam que o ser humano seria bom automaticamente se n\u00e3o existisse religi\u00e3o para atrapalhar. Outros creem que a fun\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o \u00e9 apenas orientar no caminho do bem que as pessoas precisam seguir para adquirirem por si mesmas um estado melhor. Creem que seguir o cora\u00e7\u00e3o (no sentido de sentimentos e intui\u00e7\u00f5es) seria um caminho seguro porque o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 naturalmente bom. Acham que o problema s\u00e3o as filosofias, ideologias ou sentimentos e ideais ruins que v\u00eam de fora e contaminam o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 n\u00e3o reconhecer que a escolha do mal teve um efeito t\u00e3o devastador na capacidade humana de autocontrole e autopercep\u00e7\u00e3o quanto o efeito do uso de drogas.<\/p>\n<p>Desta forma, as pessoas podem enganar-se a si mesmas de tal modo a acreditarem que est\u00e3o estabelecendo a liberdade e igualdade enquanto destroem, na pr\u00e1tica, tudo o que estas palavras significam. Podem acreditar que est\u00e3o \u201cfazendo ci\u00eancia\u201d, quando \u00e9 apenas um tipo mais sistematizado de observa\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, ao inv\u00e9s do uso de m\u00e9todos matem\u00e1ticos expl\u00edcitos para cada etapa do processo, o que permitiria resultados que ultrapassariam a intui\u00e7\u00e3o e o racioc\u00ednio filos\u00f3fico, como \u00e9 o caso da Relatividade e Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica. O uso de m\u00e9todos matem\u00e1ticos para o ser humano em oposi\u00e7\u00e3o ao racioc\u00ednio qualitativo \u00e9 como um cego fazer uso de um guia ao inv\u00e9s de preferir tatear no escuro.<\/p>\n<p>O problema do mal, semelhante ao que ocorre com o uso de drogas, \u00e9 que ele cega para os problemas reais e para os m\u00e9todos de cura.<\/p>\n<p>O seguinte texto indica a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para o problema do mal:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cReplicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado \u00e9 escravo do pecado. \u2026 Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.\u201d (Jo\u00e3o 8:34 e 36.)<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8212;<\/p>\n[1] A palavra \u201creligi\u00e3o\u201d vem do latim \u201creligio\u201d ou \u201creligare\u201d (\u201cconectar-se\u201d, com Deus, por exemplo). Um amigo prefere a defini\u00e7\u00e3o de Chesterton, para o qual a religi\u00e3o seria um conjunto de dogmas, ou \u201cconstata\u00e7\u00f5es a respeito do mundo de onde todo o pensamento surge\u201d. Segundo esta defini\u00e7\u00e3o, ate\u00edsmo tamb\u00e9m seria religi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte 1 Introdu\u00e7\u00e3o Neste artigo, pretendo explorar um pouco a id\u00e9ia inspirada na can\u00e7\u00e3o Imagine, do cantor e compositor John Lennon. Assim como ele, muitas pessoas imaginam que o mundo seria um lugar melhor se n\u00e3o existisse religi\u00e3o[1]. Richard Dawkins, que se considera c\u00e9tico e racional, \u00e9 uma dessas pessoas. 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