{"id":338,"date":"2014-02-02T11:46:15","date_gmt":"2014-02-02T13:46:15","guid":{"rendered":"https:\/\/filosofiadasorigens.scb.org.br\/2014\/02\/02\/o-carvao-como-se-originou\/"},"modified":"2022-10-30T18:39:46","modified_gmt":"2022-10-30T21:39:46","slug":"o-carvao-como-se-originou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/artigos\/criacionismo\/o-carvao-como-se-originou\/","title":{"rendered":"O Carv\u00e3o: Como Se Originou?"},"content":{"rendered":"<p class=\"textopeq\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Harold G. Coffin<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Ph.D., Universidade do Sul da California) tem trabalhado como professor de Biologia no Canad\u00e1 e nos Estados Unidos, e pesquisador principal no Geoscience Research Institute, em Loma Linda, California. Tem escrito dezenas de artigos e v\u00e1rios livros, entre outros\u00a0<\/em>Creation: Accident or Design?<em>\u00a0(1969),\u00a0<\/em>Earth Story<em>\u00a0(1979) e\u00a0<\/em>Origin by Design<em>\u00a0(1983).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p class=\"indent\" style=\"text-align: justify;\">Bem podemos cham\u00e1-lo de diamante negro. Toda cesta \u00e9 poder e civiliza\u00e7\u00e3o.&#8221; &#8212;<em>Ralph Waldo Emerson<\/em><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Chamem-no diamante negro. Chamem-no cesta de poder. Ou chamem-no carv\u00e3o. \u00c9 um dos recursos naturais mais \u00fateis na Terra. \u00c9 composto de mat\u00e9ria vegetal modificada pelo calor, press\u00e3o, atividade catal\u00edtica e decomposi\u00e7\u00e3o. Mas como se originou a mat\u00e9ria vegetal? A quest\u00e3o tem sido ponto de controv\u00e9rsia. A maioria daqueles que estudaram o carv\u00e3o cr\u00eaem que seja derivado de acumula\u00e7\u00e3o org\u00e2nica natural tais como turfeiras e brejos que ficaram enterrados. Uma minoria sugere que parte do carv\u00e3o procede de mat\u00e9ria vegetal transportada de outro lugar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Durante o s\u00e9culo 17 e come\u00e7o do s\u00e9culo 18, ge\u00f3logos achavam que o carv\u00e3o veio de mat\u00e9ria vegetal enterrada durante uma cat\u00e1strofe (o Dil\u00favio). Estes indiv\u00edduos apontavam para evid\u00eancia que parecia sugerir que a forma\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o n\u00e3o se parecia com nenhum processo moderno. Observaram que os pantanais modernos e \u00e1reas semelhantes n\u00e3o s\u00e3o compar\u00e1veis a camadas de carv\u00e3o em extens\u00e3o lateral, profundidade e composi\u00e7\u00e3o.\u00a0<sup><span class=\"superscript\">1<\/span><\/sup><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"articleSection\" style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.3em;\"><span class=\"titulopretoneg\">Enterro catastr\u00f3fico ou ac\u00famulo gradual?<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"graphicRLB alignright size-full wp-image-333\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2014\/02\/carvao1.gif\" border=\"0\" width=\"177\" height=\"310\" align=\"right\" style=\"float: right; border: 0; margin: 3px;\" \/>Com o surgimento do uniformitarismo,\u00a0<sup><span class=\"superscript\">2<\/span><\/sup> os cientistas come\u00e7aram a explicar todos os fen\u00f4menos geol\u00f3gicos por processos observ\u00e1veis. Charles Lyell, que promoveu o uniformitarismo, visitou algumas das regi\u00f5es de carv\u00e3o tanto na Europa como na Am\u00e9rica do Norte.\u00a0<sup><span class=\"superscript\">3<\/span><\/sup> Ele e outros pesquisadores notaram a associa\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores petrificadas eretas com camadas de carv\u00e3o. Argumentaram que o carv\u00e3o n\u00e3o podia ser o produto de enterramento durante uma cat\u00e1strofe mundial porque o crescimento de \u00e1rvores associadas com camadas de carv\u00e3o requeriam tempo demasiado (<strong>Figura 1<\/strong>). Esta observa\u00e7\u00e3o e argumento foram fatores importantes em modificar a opini\u00e3o quanto \u00e0 origem do carv\u00e3o da de acumula\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e enterramento de restos de plantas para processos de crescimento gradual, acumula\u00e7\u00e3o e enterramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Qualquer opini\u00e3o que se ache mais convincente &#8212; enterramento catastr\u00f3fico ou acumula\u00e7\u00e3o gradual &#8212; depende do modelo com o qual se aborda o assunto. Como o autor e a maior parte dos leitores deste artigo s\u00e3o influenciados pela B\u00edblia, vamos concentrar-nos mais sobre as evid\u00eancias que apoiam o relato b\u00edblico. Contudo, alguns dos argumentos para crescimento e acumula\u00e7\u00e3o gradual tamb\u00e9m precisam ser examinados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A maior parte do carv\u00e3o \u00e9 claramente composta de mat\u00e9ria vegetal tais como troncos de \u00e1rvores, ramos, casca, folhas, agulhas e detritos. Os carv\u00f5es carbon\u00edferos (geralmente mais duros) s\u00e3o compostos de samambaias, musgos, cavalinhas e outras plantas n\u00e3o classificadas como plantas que produzem sementes. Os carv\u00f5es mais moles (geralmente mais em cima na coluna geol\u00f3gica) s\u00e3o na maior parte produto de con\u00edferas e \u00e1rvores dec\u00edduas. Porque o carv\u00e3o mostra ser composto de restos de plantas, as plantas devem ter crescido onde o carv\u00e3o est\u00e1 agora localizado (aut\u00f3ctones) ou devem ter sido transportadas ao local presente das camadas carbon\u00edferas (al\u00f3ctones).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"titulopretoneg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"titulopretoneg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Perguntas sobre camadas de carv\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Talvez a primeira pergunta que se podia fazer seja: &#8220;Parece-se uma camada de carv\u00e3o com uma turfeira?&#8221; Para responder esta pergunta precisamos saber algo de brejos e p\u00e2ntanos. Uma turfeira \u00e9 geralmente composta de um tipo especial de musgo (<em>Sphagnum<\/em>). Pode haver outras plantas associadas com a turfa, mas a planta dominante \u00e9 musgo estagno. Um p\u00e2ntano pode ter uma grande variedade de plantas &#8212; geralmente plantas que v\u00e3o bem num ambiente molhado. Para turfeiras, a resposta a pergunta acima \u00e9 um claro &#8220;N\u00e3o&#8221;. O carv\u00e3o, na maior parte, n\u00e3o e turfa enterrada.\u00a0<sup><span class=\"superscript\">4<\/span><\/sup> Para um p\u00e2ntano, a resposta n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o clara, especialmente para os carv\u00f5es carbon\u00edferos. Muitos dos tipos de plantas achados nestas camadas de carv\u00e3o s\u00e3o extintos.\u00a0<sup><span class=\"superscript\">5<\/span><\/sup> N\u00e3o podemos ter certeza de que n\u00e3o preferissem um h\u00e1bitat molhado. Estudo de parentes modernos daquelas plantas indica que a maior parte delas n\u00e3o eram plantas de brejo. Os carv\u00f5es do cret\u00e1ceo ao eoceno derivaram na maior parte de \u00e1rvores de florestas. Algumas \u00e1rvores como o cipreste crescem em terrenos pantanosos hoje, mas muitas das outras n\u00e3o poderiam sobreviver em tal ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Outra quest\u00e3o \u00f3bvia \u00e9: &#8220;Prov\u00eaem ambientes molhados modernos um modelo adequado para os grandes dep\u00f3sitos de carv\u00e3o?&#8221; Para esta pergunta a resposta \u00e9 mais definida, e foi usada pelos primeiros ge\u00f3logos para apoiar sua hip\u00f3tese de um dil\u00favio. Embora alguns p\u00e2ntanos (como, por exemplo, o Dismal Swamp, no Estado de Virginia) cubram grandes \u00e1reas nos Estados Unidos, muitas jazidas de carv\u00e3o s\u00e3o muito mais extensas. As jazidas de Pitsburgo cobrem parte dos Estados da Pennsylvania, Ohio e West Virginia, uma \u00e1rea de 5.000 km<\/span><sup style=\"line-height: 1.3em;\">2<\/sup><span style=\"line-height: 1.3em;\">, e t\u00eam na m\u00e9dia uma espessura de mais de dois metros. A bacia carbon\u00edfera dos Apalaches estende-se sobre mais de 180.000 km<\/span><sup style=\"line-height: 1.3em;\">2<\/sup><span style=\"line-height: 1.3em;\">. O carv\u00e3o que ainda pode ser obtido atinge milhares de milh\u00f5es de toneladas. Calcula-se que a bacia do Powder River, no Estado de Wyoming, nos Estados Unidos (30.000 km<\/span><sup style=\"line-height: 1.3em;\">2<\/sup><span style=\"line-height: 1.3em;\">), tem 22 bilh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o mineraliz\u00e1vel. Calcula-se que o Vale de Latrobe na Austr\u00e1lia poder\u00e1 fornecer 70 bilh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o. A espessura das jazidas de carv\u00e3o \u00e9 ainda menos compar\u00e1vel com as acumula\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas modernas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"line-height: 1.3em;\">Problemas da teoria de acumula\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"titulopretoneg\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"graphicRLB alignleft size-full wp-image-334\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2014\/02\/carvao2.gif\" border=\"0\" width=\"226\" height=\"221\" align=\"left\" style=\"float: left; border: 0; margin: 3px;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Sob um exame mais detalhado surgem problemas para a teoria aut\u00f3ctone. Alguns carv\u00f5es cont\u00eam restos de animais, geralmente animais marinhos.\u00a0<\/span><sup><span class=\"superscript\" style=\"line-height: 1.3em;\">6<\/span><\/sup><span style=\"line-height: 1.3em;\"> Um exemplo comum \u00e9 <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Spirorbis<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\">, um pequeno verme tubular de menos de 5 mm de di\u00e2metro (<strong>Figura 2<\/strong>). A presen\u00e7a de um verme marinho em turfeiras consideradas aut\u00f3ctones n\u00e3o calha bem com a hip\u00f3tese uniformizadora. Para evitar este problema, sup\u00f5e-se que o <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Spirorbis<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> tenha vivido num ambiente de \u00e1gua doce durante o per\u00edodo carbon\u00edfero, embora seja comumente achado atrav\u00e9s da coluna geol\u00f3gica e em oceanos modernos aderidos a corais, moluscos e algas marinhas.\u00a0<\/span><sup><span class=\"superscript\" style=\"line-height: 1.3em;\">7<\/span><\/sup><span style=\"line-height: 1.3em;\"> Evidentemente, um verme marinho misturado com carv\u00e3o \u00e9 um argumento a favor do mar estar envolvido na forma\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"graphicRLB alignright size-full wp-image-335\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2014\/02\/carvao3.gif\" border=\"0\" width=\"219\" height=\"280\" align=\"right\" style=\"float: right; border: 0; margin: 3px;\" \/>O carv\u00e3o freq\u00fcentemente mostra preserva\u00e7\u00e3o detalhada dos restos org\u00e2nicos originais. Se o carv\u00e3o fosse o produto de acumula\u00e7\u00e3o de plantas em p\u00e2ntanos, esperar-se-ia certa medida de deteriora\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, belos f\u00f3sseis de frondes e folhas de samambaia est\u00e3o localizados diretamente sob o sistema de ra\u00edzes de \u00e1rvores petrificadas eretas (<strong>Figura 3<\/strong>). Se as \u00e1rvores realmente crescessem onde hoje se encontram, qualquer resto org\u00e2nico tais como folhas ou frondes teria se decomposto durante o tempo exigido para o crescimento das \u00e1rvores e antes do enterramento e petrifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"graphicRLB alignright size-full wp-image-336\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2014\/02\/carvao4.gif\" border=\"0\" width=\"231\" height=\"253\" align=\"right\" style=\"float: left; border: 0; margin: 3px;\" \/>Um dos argumentos mais fortes a favor do carv\u00e3o ser resto de planta enterrado no local vem das &#8220;ra\u00edzes&#8221; (<\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\">) de \u00e1rvores petrificadas eretas associadas com o carv\u00e3o. Estes s\u00e3o licop\u00f3dios gigantes com troncos de um metro de di\u00e2metro e at\u00e9 35 metros de altura. As <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\">, geralmente com v\u00e1rios cent\u00edmetros de di\u00e2metro e \u00e0s vezes com v\u00e1rios metros de comprimento, sust\u00e9m v\u00e1rios ap\u00eandices que penetram nos sedimentos (<\/span><strong style=\"line-height: 1.3em;\">Figura 4<\/strong><span style=\"line-height: 1.3em;\">). Assemelham-se a uma gigantesca escova de garrafa. A ramifica\u00e7\u00e3o destes ap\u00eandices nos sedimentos \u00e9 considerada evid\u00eancia de estar na posi\u00e7\u00e3o de crescimento.\u00a0<\/span><sup style=\"line-height: 1.3em;\"><span class=\"superscript\">8<\/span><\/sup><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Controv\u00e9rsia sobre a natureza das &#8220;ra\u00edzes&#8221; das <em>Stigmaria<\/em> tem havido desde que o estudo do carv\u00e3o come\u00e7ou, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso. Licop\u00f3dios modernos (pequenas plantas rasteiras raramente com mais de um metro de altura) t\u00eam rizomas subterr\u00e2neos semelhantes em estrutura a <em>Stigmaria<\/em> dos licop\u00f3dios gigantes. Mas se as <em>Stigmaria<\/em> destes licop\u00f3dios s\u00e3o rizomas subterr\u00e2neos, onde est\u00e3o as verdadeiras ra\u00edzes? Nenhuma tem sido achada para estes f\u00f3sseis gigantes. Talvez estas <em>Stigmaria<\/em> tinham a fun\u00e7\u00e3o de verdadeiras ra\u00edzes bem como de propagar mais rebentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Embora as <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> com seus ap\u00eandices parecem superficialmente estar em sua posi\u00e7\u00e3o de crescimento, certos detalhes sugerem o contr\u00e1rio. Geralmente as <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> s\u00e3o pe\u00e7as isoladas sem liga\u00e7\u00e3o com a base de qualquer \u00e1rvore. Mas mesmo estas pe\u00e7as mostram ap\u00eandices que penetram nos sedimentos. Os troncos licop\u00f3dios petrificados e eretos s\u00e3o ocos e cheios de sedimento. Ocasionalmente, pe\u00e7as de <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> foram arrastadas com as lamas e areias que encheram os troncos ocos.\u00a0<\/span><sup><span class=\"superscript\" style=\"line-height: 1.3em;\">9<\/span><\/sup><span style=\"line-height: 1.3em;\"> Nestes casos tamb\u00e9m, os ap\u00eandices irradiam de onde est\u00e3o ligados a <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> em fileiras espiraladas. Aparentemente, os ap\u00eandices eram suficientemente r\u00edgidos para evitar colapso quando enterrados na lama e na areia. Talvez os xistos eram lamas nas quais peda\u00e7os de <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> com seus ap\u00eandices foram carregados. Ou a <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> e ap\u00eandices juntamente com sedimentos finos separaram-se de uma suspens\u00e3o de \u00e1gua lamacenta. Se peda\u00e7os de <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> fossem transportados por \u00e1gua ou lama, poderiam mostrar um alinhamento preferido. Este foi o caso em duas localidades na Nova Esc\u00f3ssia, Canad\u00e1 e na Holanda.\u00a0<\/span><sup><span class=\"superscript\" style=\"line-height: 1.3em;\">10<\/span><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Embora o problema das <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> e seus ap\u00eandices n\u00e3o possa ser resolvido plenamente, um estudo das <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Stigmaria<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> ap\u00f3ia argumentos em favor de transporte tanto quanto de crescimento na posi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"titulopretoneg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Transformando restos de plantas em carv\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O processo de transformar restos de plantas em carv\u00e3o tem sido objeto de interesse por muitos anos. Experi\u00eancias em laborat\u00f3rios t\u00eam conseguido transformar tecido vegetal em carv\u00e3o em um ano ou menos.\u00a0<\/span><sup><span class=\"superscript\" style=\"line-height: 1.3em;\">11<\/span><\/sup><span style=\"line-height: 1.3em;\"> Madeiramento usado em velhas minas de carv\u00e3o tem sido encontrado posteriormente como carv\u00e3o. Uma descoberta recente importante foi do papel da argila como catalista para a convers\u00e3o da madeira em carv\u00e3o.\u00a0<\/span><sup><span class=\"superscript\" style=\"line-height: 1.3em;\">12<\/span><\/sup><span style=\"line-height: 1.3em;\"> Se argila foi um ingrediente necess\u00e1rio para transformar mat\u00e9ria vegetal em carv\u00e3o, um dil\u00favio universal explicaria melhor a origem da argila do que um ambiente de pantanal como requer o uniformitarismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A quantidade de mat\u00e9ria vegetal necess\u00e1ria para produzir um metro de carv\u00e3o tem sido calculada entre 5 e 20 metros, dependendo da dureza do carv\u00e3o. Acumula\u00e7\u00f5es modernas de restos de plantas (como em turfeiras) raramente t\u00eam mais de 10 a 20 metros. De acordo com esta f\u00f3rmula, um brejo de 20 metros de profundidade produziria de um a quatro metros de carv\u00e3o. Muitas jazidas de carv\u00e3o s\u00e3o muito mais espessas que isto. Camadas de carv\u00e3o de 30 metros de espessura n\u00e3o s\u00e3o fora do comum. Algumas t\u00eam mais de 100 metros de espessura, e a Austr\u00e1lia possui uma de mais de 240 metros! A acumula\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria vegetal de 1.200 metros ou mais de espessura, necess\u00e1ria para produzir dep\u00f3sitos de carv\u00e3o t\u00e3o grossos, \u00e9 surpreendente, mesmo no modelo de um dil\u00favio. Contudo, por mais fora do normal que seja, uma acumula\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica de restos de plantas numa bacia profunda \u00e9 mais f\u00e1cil de imaginar que a forma\u00e7\u00e3o de brejos <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">in situ<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> de tais dimens\u00f5es.<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-337\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2014\/02\/carvao5.gif\" border=\"0\" width=\"205\" height=\"345\" align=\"right\" style=\"float: right; border: 0; margin: 3px;\" \/>Camadas sucessivas de carv\u00e3o separadas por uns poucos cent\u00edmetros ou poucos metros de sedimento s\u00e3o comuns. Se estas camadas s\u00e3o aut\u00f3ctones, elas exigiriam o desenvolvimento sucessivo de pantanais um sobre o outro atrav\u00e9s das eras. Pantanais requerem condi\u00e7\u00f5es especiais. A repeti\u00e7\u00e3o de tais condi\u00e7\u00f5es vez ap\u00f3s vez para produzir numerosos n\u00edveis de carv\u00e3o no mesmo local \u00e9 pouco prov\u00e1vel (<strong>Figura 5<\/strong>). Os processos geol\u00f3gicos que resultaram no enterramento de uma camada de mat\u00e9ria vegetal provavelmente excluiria as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a produ\u00e7\u00e3o de outro brejo no mesmo local.<span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O transporte e assentamento repetidos de massas de plantas flutuantes e seu enterramento subseq\u00fcente prov\u00eaem uma explica\u00e7\u00e3o mais razo\u00e1vel. Pesquisa recente sugere que mar\u00e9s, com sua subida e descida de n\u00edvel di\u00e1rias, poderiam estar envolvidas com a a\u00e7\u00e3o de transportar e depositar restos de plantas.\u00a0<sup><span class=\"superscript\">13<\/span><\/sup><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Na bacia de Indiana, tenho observado dep\u00f3sitos r\u00edtmicos (considerados como resultado de mar\u00e9s) associados com as caracter\u00edsticas de sedimentos contendo carv\u00e3o da \u00e9poca carbon\u00edfera. Contudo, flutua\u00e7\u00f5es di\u00e1rias da mar\u00e9 depositariam lama com excessiva rapidez para permitir o crescimento de plantas. Sua presen\u00e7a em tais dep\u00f3sitos exige transporte. Observa\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores flutuantes revelam que com suficiente tempo e \u00e1gua, muitas flutuar\u00e3o e afundar\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o ereta.\u00a0<sup><span class=\"superscript\">14<\/span><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O enterramento catastr\u00f3fico de restos de plantas e sua transforma\u00e7\u00e3o subseq\u00fcente em carv\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aceito pela maior parte dos ge\u00f3logos. Contudo, a teoria dominante das turfeiras apresenta problemas que permaneceram sem resposta por mais de cem anos. Um modelo baseado num dil\u00favio para a forma\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o esclarece alguns destes problemas e prov\u00ea uma explica\u00e7\u00e3o cientificamente razo\u00e1vel para a origem das vastas quantidades de carv\u00e3o que h\u00e1 no mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"about\" style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p class=\"titulopretoneg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Notas e Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Entre os primeiros a propor a origem diluviana de f\u00f3sseis e estratos sedimentares foi Nicolaus Steno (1630-1687). Em seu tempo estas eram sugest\u00f5es novas. Outros ge\u00f3logos not\u00e1veis e crentes num dil\u00favio foram John Woodward (1667-1727) e Jean-Andre Deluc (1727-1817).<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A interpreta\u00e7\u00e3o uniformitariana da hist\u00f3ria da Terra, originada especialmente com James Hutton e Charles Lyell, tenta aplicar as velocidades presentes dos processos geol\u00f3gicos ao passado. Por exemplo, velocidades m\u00e9dias de eros\u00e3o e sedimenta\u00e7\u00e3o como ocorrem hoje s\u00e3o tidas como modelos satisfat\u00f3rios para compreender processos semelhantes do passado.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Charles Lyell, &#8220;On the Upright Fossil Trees Found at Different Levels in the Coal Strata of Cumberland, Nova Scotia&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Proc. Geol. Soc. London<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 4 (1843), pp. 176-178.<\/span><\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Wilfrid Francis, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Coal, Its Formation and Composition<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> (London: Edward Arnold Publishers Ltd., 1961).<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A. C. Seward, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Fossil Plants<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> (New York: Hafner Pub. Co., Inc., 1898-1919, 1963).<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Sergius Mamay e Ellis L. Yochelson, &#8220;Occurrence and Significance of Marine Animal Remains in American Coal Balls&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">U.S. Geol. Surv. Prof. Papers<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 354-I (1961), pp. 193-224.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">Harold G. Coffin, &#8220;A Paleoecological Misinterpretation&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Creation Res. Soc. Quart. <\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\">5 (1968), p. 85. Spirorbis (phylum Annelida) tem uma larva troc\u00f3fora. V\u00e1rios outros filos t\u00eam tamb\u00e9m esp\u00e9cies com larvas troc\u00f3foras. Nenhuma esp\u00e9cie com larvas troc\u00f3foras tem sido achada em \u00e1gua doce.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">W. E. Logan, &#8220;On the Character of the Beds of Clay Immediately Below the Coal-Seams of S. Wales&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Proc. Geol. Soc. London<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 3 (1842), pp. 275-277. Esta nota interessante de Logan foi uma das primeiras a chamar aten\u00e7\u00e3o para a abund\u00e2ncia de stigmaria e ap\u00eandices nas argilas sob as camadas de carv\u00e3o. Logan prop\u00f4s que esta argila era o solo no qual as plantas que produziram o carv\u00e3o originaram e as stigmaria e ap\u00eandices representavam ra\u00edzes <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">in situ<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\">. Pesquisa feita desde ent\u00e3o n\u00e3o ap\u00f3ia a ideia de que argilas s\u00e3o solos. Ver Leonard G. Schulz, &#8220;Petrology of Underclays&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Geol. Soc. Am. Bull.<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 69 (1958), pp. 363-402.<\/span><\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Richard Brown, &#8220;Section of the Lower Coal-Measures of the Sydney Coalfield, in the Island of Cape Breton&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Quat. Jour. Geol. Soc. London<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 6 (1850), p. 127. Enquanto fazia pesquisa nas jazidas de carv\u00e3o da Nova Esc\u00f3cia, Canad\u00e1, tamb\u00e9m verifiquei dois exemplos de pe\u00e7as de stigmaria dentro de troncos ocos. Ver Harold G. Coffin, &#8220;Research on the Classic Joggins Petrified Trees&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Creation Res. Soc. Annual <\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\">(1969), pp. 35-40, 70.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">N. A. Rupke, &#8220;Sedimentary Evidence for the Allochtonous Origin of Stigmaria, Carboniferous, Nova Scotia&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Geol. Soc. Am. Bull.<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 80 (1969), pp. 2109-2114; W. F. M. Kimpe e A. A. Thiedens, &#8220;On the Occurrence of Coal Raft Above and Rhizome Inclusions in Seam Finefrau B, South Limbourg, Holland&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Proc. Third Inter. Cong. of Sedimentology<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\">, Groningen-Wageningen (1951), pp. 167-173.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">John Larsen, &#8220;From Lignin to Coal in a Year&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Nature<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 31 (28 de mar\u00e7o de 1985), p. 316.<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">R. Hayatsu, et al., &#8220;Artificial Coalification Study: Preparation and Characterization of Synthetic Macerals&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Organic Geochemistry<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 6 (1984).<\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">&#8220;Blame It on the Moon&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Scientific American<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\">, fevereiro de 1989, p. 18.<\/span><\/span><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">Harold G. Coffin, &#8220;The Puzzle of the Petrified Trees&#8221;, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">College and University Dialogue<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> 4:1 (1992), p. 11-13, 30-31.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo publicado em <br \/> <a href=\"http:\/\/dialogue.adventist.org\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-33\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2010\/12\/dialogo.jpg\" border=\"0\" width=\"200\" height=\"62\" style=\"border: 0px none; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Harold G. Coffin (Ph.D., Universidade do Sul da California) tem trabalhado como professor de Biologia no Canad\u00e1 e nos Estados Unidos, e pesquisador principal no Geoscience Research Institute, em Loma Linda, California. 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