{"id":328,"date":"2014-02-02T11:40:37","date_gmt":"2014-02-02T13:40:37","guid":{"rendered":"https:\/\/filosofiadasorigens.scb.org.br\/2014\/02\/02\/as-implicacoes-morais-do-darwinismo\/"},"modified":"2022-10-30T18:39:54","modified_gmt":"2022-10-30T21:39:54","slug":"as-implicacoes-morais-do-darwinismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/artigos\/estruturas-conceituais\/as-implicacoes-morais-do-darwinismo\/","title":{"rendered":"As Implica\u00e7\u00f5es Morais do Darwinismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"textopeq\">Earl Aagaard<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Ph.D., Colorado State University) \u00e9 professor de biologia no Pacific Union College. Seu endere\u00e7o postal: 3 College Ave., Angwin, California 94508. E-mail: eaagaard@puc.edu Para artigos anteriores sobre este t\u00f3pico em nossa revista, ver David Ekkens, \u201cAnimais e Seres Humanos: S\u00e3o Eles iguais?\u201d Di\u00e1logo 6:3 (1994), pp. 5-8, e James Walters, \u201c\u00c9 Koko uma pessoa?\u201d 9:2 (1997), pp. 15-17 e 34.<\/em>\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A vida humana parece ter perdido sua dignidade e valor. Pergunte a um mu\u00e7ulmano na S\u00e9rbia, um ba\u2019hai no Ir\u00e3, ou um crist\u00e3o no Sud\u00e3o. Observe Jack Kevorkian facilitando o suic\u00eddio e sendo abra\u00e7ado como um contribuidor s\u00e9rio e mesmo valioso \u00e0 sociedade. A quest\u00e3o surge: O que \u00e9 importante a respeito da natureza humana?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Tempo houve em que pod\u00edamos culpar de barbarismo, o pag\u00e3o, o selvagem, ou os fan\u00e1ticos. Nomes v\u00eam \u00e0 mente: Hitler, Ghengis Khan ou Pol Pot. Mas n\u00e3o estamos falando do passado. Estamos \u00e0 beira do s\u00e9culo 21. O conhecimento aumentou: astronautas cruzam o espa\u00e7o; sat\u00e9lites circulam o globo trazendo informa\u00e7\u00e3o de toda parte para todos os lugares em poucos momentos; gal\u00e1xias distantes s\u00e3o objeto de estudo; e genes dentro de nosso corpo s\u00e3o pesquisados em busca de uma chave para os mist\u00e9rios da vida humana. Mas ainda resta a pergunta \u2014 simples, contudo muito profunda: Que h\u00e1 de especial em pertencer ao g\u00eanero humano?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Para muitos fil\u00f3sofos, incluindo alguns que se dizem crist\u00e3os, a resposta \u00e9 cada vez mais, muito pouco. Com todo o conhecimento cient\u00edfico de hoje e o progresso t\u00e9cnico, uma vis\u00e3o completa do registro hist\u00f3rico, os seres humanos s\u00e3o ainda tentados a violar direitos humanos b\u00e1sicos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Depois da Segunda Guerra Mundial, os julgamentos de Nuremberg expuseram o mal que se oculta no cora\u00e7\u00e3o humano, e mostraram como a sociedade mais culta e civilizada pode chafurdar em esgotos morais, virtualmente apagando o significado espiritual de \u201chumanidade\u201d. As li\u00e7\u00f5es daquela guerra levaram as Na\u00e7\u00f5es Unidas a votar, em 1948, a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. Este documento afirmava a dignidade e igualdade de todo ser humano, exigindo que as sociedades civilizadas protegessem os fracos das agress\u00f5es dos fortes. A declara\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 de p\u00e9. Por que, ent\u00e3o, estamos falando de direitos humanos e dignidade?<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"line-height: 1.3em;\">O mito das origens<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A resposta pode ser achada na explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica aceita quanto \u00e0 origem da vida e sua diversidade, uma explica\u00e7\u00e3o que deixa fora o Deus da B\u00edblia. Esta perspectiva \u00e9 claramente exposta no livro de James Rachels, <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> (Criado Como Descendente de Animais: As Implica\u00e7\u00f5es Morais do darwinismo, New York: Oxford University Press). O autor arrazoa como um adepto da evolu\u00e7\u00e3o naturalista. Sua conclus\u00e3o, fortemente documentada, \u00e9 que o darwinismo subverte a doutrina da dignidade humana. Os seres humanos n\u00e3o ocupam um lugar especial na ordem moral; somos apenas uma outra forma de animal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Esta opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova. Em 1859, o Bispo Samuel Wilberforce advertiu que o darwinismo era \u201cabsolutamente incompat\u00edvel\u201d com a opini\u00e3o crist\u00e3 da condi\u00e7\u00e3o moral e espiritual do homem. A Igreja Batista do Sul dos Estados Unidos, em 1987, reafirmou a opini\u00e3o de Wilberforce. Mas n\u00e3o h\u00e1 unanimidade entre os crist\u00e3os. H\u00e1 um s\u00e9culo Henry Ward Beecher, o pregador famoso, sugeriu que a perspectiva evolucionista real\u00e7ava a gl\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o divina. O Papa Jo\u00e3o Paulo II est\u00e1 disposto a aceitar o processo evolucion\u00e1rio como o meio usado por Deus para criar o corpo humano (mas n\u00e3o o \u201cesp\u00edrito\u201d, o qual ele insiste que \u00e9 objeto da cria\u00e7\u00e3o imediata de Deus).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Mesmo os cientistas est\u00e3o divididos nesta quest\u00e3o. Alguns (tais como Steven Jay Gould) dizem que o darwinismo e a religi\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis, que uma pessoa pode ser ao mesmo tempo te\u00edsta e darwinista, enquanto outros (William Provine) afirmam que o darwinismo torna toda religi\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 sup\u00e9rflua, mas insustent\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Rachels argumenta (\u201cPrecisa um Darwinista ser C\u00e9ptico?\u201d) que a teleologia (dire\u00e7\u00e3o e prop\u00f3sito) na Natureza \u00e9 irrevogavelmente destru\u00edda pelo darwinismo. Sem teleologia, a religi\u00e3o precisa \u201cretrair-se para algo como de\u00edsmo, &#8230; n\u00e3o mais&#8230; apoiando a doutrina da dignidade humana\u201d (pp. 127, 128). Este argumento \u00e9 forte, e precisa ser refutado se um darwinista religioso quer resgatar o ensino b\u00edblico de que os seres humanos s\u00e3o criados \u00e0 imagem de Deus e ocupam um lugar especial na ordem divina. Como Rachels nos lembra: \u201cA tese da \u2018imagem de Deus\u2019 n\u00e3o se enquadra com qualquer opini\u00e3o te\u00edsta. Requer um te\u00edsmo que v\u00ea a Deus como ativamente planejando o homem e o mundo como um lar para o homem.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Em \u201cQu\u00e3o Diferentes s\u00e3o os Seres Humanos dos Animais?\u201d Rachels conclui que o darwinismo destr\u00f3i qualquer fundamento para uma diferen\u00e7a moralmente significante entre seres humanos e animais. Se o homem descende de s\u00edmios por sele\u00e7\u00e3o natural, ele pode ser fisicamente diferente de s\u00edmios, mas n\u00e3o pode s\u00ea-lo de modo essencial. Certamente n\u00e3o pode ser em qualquer aspecto que d\u00ea ao homem mais direitos do que a qualquer animal. Nas palavras de Rachels, \u201cn\u00e3o se pode fazer distin\u00e7\u00f5es em moralidade onde nenhuma existe de fato\u201d. Ele chama sua doutrina de \u201cindividualismo moral\u201d, e rejeita \u201ca doutrina tradicional da dignidade humana\u201d junto com a ideia de que a vida humana tenha qualquer valor inerente que os seres n\u00e3o humanos care\u00e7am.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"titulopretoneg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Individualismo moral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Em \u201cMoralidade Sem Que os Seres Humanos Sejam Especiais\u201d, Rachels trata primeiro da igualdade humana, e depois a rejeita! Os seres humanos podem ser \u201ctratados como iguais\u201d somente se n\u00e3o houver \u201cdiferen\u00e7as not\u00e1veis\u201d entre eles. Essas \u201cdiferen\u00e7as not\u00e1veis\u201d poderiam ser usadas para distinguir g\u00eaneros, ra\u00e7as, religi\u00f5es e indiv\u00edduos. Aceitando conceitos darwinistas ele estende a an\u00e1lise aos animais, n\u00e3o admitindo superioridade humana autom\u00e1tica sobre coelhos, porcos ou baleias. Sob \u201cindividualismo moral\u201d, quando confrontado com o uso de um ser humano ou de um chimpanz\u00e9 para um experimento m\u00e9dico letal, n\u00e3o mais podemos decidir a quest\u00e3o arguindo que o chimpanz\u00e9 n\u00e3o \u00e9 humano. \u201cTer\u00edamos de perguntar o que justifica usar este chimpanz\u00e9, e n\u00e3o aquele ser humano, e a resposta teria de ser em termos de suas caracter\u00edsticas individuais, e n\u00e3o simplesmente por pertencerem a este ou \u00e0quele grupo\u201d (p. 174).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Considerando o papel crucial de \u201cdiferen\u00e7as not\u00e1veis\u201d nesta \u00e9tica, a gente procura alguma defini\u00e7\u00e3o formal do termo. Rachels n\u00e3o d\u00e1 nenhuma. Em vez disso obtemos \u201calgo de como o conceito opera\u201d num exemplo de testar cosm\u00e9ticos nos olhos de coelhos, e um palavreado difuso. Isto n\u00e3o \u00e9 defesa contra o ego\u00edsmo e o mal que vemos em n\u00f3s mesmos e em nossos semelhantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A experi\u00eancia demonstra que qualquer norma moral fraca e relativista ser\u00e1 torcida em qualquer forma que seja necess\u00e1ria para nos permitir fazer o que quisermos a nosso pr\u00f3ximo. H\u00e1 muitos exemplos: escravid\u00e3o; persegui\u00e7\u00e3o racial e religiosa; um milh\u00e3o de abortos por ano nos Estados Unidos; a epidemia de abandono, abuso e morte de beb\u00eas; leis que permitem suic\u00eddio assistido e eutan\u00e1sia; expurgo \u00e9tnico, etc. Precisamos ter uma norma clara de nossas obriga\u00e7\u00f5es para com todo membro da fam\u00edlia humana. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a entre moralidade e amoralidade. N\u00e3o h\u00e1 terreno neutro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"titulopretoneg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Darwinismo e amoralidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A conex\u00e3o entre darwinismo e amoralidade \u00e9 agora expl\u00edcita. Na <\/span><em style=\"line-height: 1.3em;\">New York Times Magazine<\/em><span style=\"line-height: 1.3em;\"> de 3 de novembro de 1997, Stephen Parker escreveu sobre \u201cpsicologia evolucionista\u201d. Ele nos diz que \u201cfil\u00f3sofos da \u00e9tica conclu\u00edram que&#8230; nossos neonatos imaturos n\u00e3o possuem o direito \u00e0 vida mais do que um camundongo\u201d, e alega que \u201co infantoc\u00eddio pode ser o produto de trauma maternal\u201d visto \u201cter sido praticado e aceito na maioria das culturas atrav\u00e9s da hist\u00f3ria.\u201d Ele assim liga o infantic\u00eddio diretamente a nossos ancestrais e \u00e0 luta pela sobreviv\u00eancia\u00a0<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">darwiniana, que por vezes requer que as m\u00e3es matem seus filhos a fim de promover seu futuro reprodutivo. Em artigos como este, aquilo que outrora era impens\u00e1vel \u00e9 apresentado como razo\u00e1vel e aceit\u00e1vel. Estamos sendo amaciados para uma mudan\u00e7a na moralidade da comunidade \u2014 que mant\u00e9m que alguns seres humanos merecem respeito e prote\u00e7\u00e3o, mas outros n\u00e3o, e podem ser mortos com impunidade. Podemos ver esse processo em opera\u00e7\u00e3o hoje, nos pronunciamentos acad\u00eamicos, e cada vez mais na m\u00eddia popular.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">H\u00e1 apenas 50 anos, toda na\u00e7\u00e3o com voto nas Na\u00e7\u00f5es Unidas rejeitou este modo de pensar. A \u00e9tica que emerge no Ocidente \u00e9 um rep\u00fadio direto da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. Em seu pre\u00e2mbulo, a Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas unanimemente (com oito absten\u00e7\u00f5es) declarou que \u201co fundamento da liberdade, justi\u00e7a e paz do mundo\u201d \u00e9 \u201co reconhecimento da dignidade inerente e dos direitos iguais e inalien\u00e1veis de todos os membros da fam\u00edlia humana.\u201d Nos pr\u00f3prios Artigos, achamos que \u201cTodos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos\u201d (Artigo 1); \u201cCada um possui todos os direitos e liberdades anunciadas nesta Declara\u00e7\u00e3o, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie\u201d (Artigo 2); \u201cTodos t\u00eam direito \u00e0 vida, liberdade e seguran\u00e7a de sua pessoa\u201d (Artigo 3); \u201cTodos t\u00eam direito ao reconhecimento em toda parte como uma pessoa diante da lei\u201d (Artigo 6); e \u201cTodos s\u00e3o iguais diante da lei e t\u00eam direito sem nenhuma discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 igual prote\u00e7\u00e3o da lei\u201d (Artigo 7). Esta linguagem n\u00e3o \u00e9 equ\u00edvoca; n\u00e3o pode haver confus\u00e3o quanto a seu significado. Aceitar o que Rachels e Pinker est\u00e3o oferecendo significa voltar as costas \u00e0 sabedoria do passado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Maturidade (e nossa seguran\u00e7a) exige reflex\u00e3o honesta. Um sistema de \u00e9tica baseado em relativismo moral sempre terminar\u00e1 com o forte no poder e o fraco debaixo de seu calcanhar. A filosofia darwinista, levada \u00e0 sua conclus\u00e3o l\u00f3gica, n\u00e3o nos leva a parte alguma, e isso devia bastar para que a rejeit\u00e1ssemos. Talvez n\u00e3o dev\u00eassemos estar surpresos de ver os darwinistas abra\u00e7ando uma filosofia t\u00e3o cruel e utilit\u00e1ria, mas o que mais surpreende \u00e9 o n\u00famero de moralistas, fil\u00f3sofos e outros que se identificam como crist\u00e3os mas insistem que adotemos uma \u00e9tica t\u00e3o diferente da de Cristo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O argumento a favor do relativismo moral \u00e9 sutil \u00e0 primeira vista. Freq\u00fcentemente come\u00e7a reafirmando a verdade biol\u00f3gica (e b\u00edblica) de que somos humanos desde o momento da concep\u00e7\u00e3o. Mas, depois nos \u00e9 dito que h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre um \u201cser humano\u201d e uma \u201cpessoa\u201d, e que \u201cpersonalidade\u201d \u00e9 a categoria que um ser humano precisa alcan\u00e7ar a fim de ter direito \u00e0 vida. As qualifica\u00e7\u00f5es para \u201cpersonalidade\u201d variam \u2014 mas geralmente incluem a posse de consci\u00eancia de si mesmo como condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para ser uma \u201cpessoa\u201d com pleno status moral (por exemplo, ter o direito de n\u00e3o ser morto). Naturalmente nenhum ser humano nasce com consci\u00eancia de si mesmo, e muitos de n\u00f3s podemos perder a consci\u00eancia, tempor\u00e1ria ou permanentemente, devido a trauma, enfermidade ou idade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O individualismo moral (ou a \u00e9tica da \u201cpersonalidade\u201d) e a declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas dos Direitos Humanos colidem; s\u00e3o inteiramente incompat\u00edveis. A Declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u00e9 fundada sobre a tradi\u00e7\u00e3o moral judaico-crist\u00e3 \u2014 uma tradi\u00e7\u00e3o que remonta a mil\u00eanios. O \u201cindividualismo moral\u201d pretende ser fundado na raz\u00e3o humana, e \u00e9 expresso em afirma\u00e7\u00f5es que come\u00e7am com: \u201cEu argumento&#8230;.\u201d \u201cEu vejo&#8230;\u201d, ou \u201cEu sustento &#8230;\u201d. O \u201cindividualismo moral\u201d prop\u00f5e que tanto os seres humanos como os animais devem ser julgados pelos mesmos crit\u00e9rios relativistas. Neste universo moral, seres humanos perderam seus direitos inalien\u00e1veis \u00e0 vida, algo que os crist\u00e3os defendem na base da declara\u00e7\u00e3o: \u201cCriou Deus o homem \u00e0 Sua imagem: \u00e0 imagem de Deus o criou; macho e f\u00eamea os criou\u201d (G\u00eanesis 1:27).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"titulopretoneg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Tirado do pedestal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Tirando os seres humanos do pedestal de dignidade sobre o qual a B\u00edblia os colocou tem implica\u00e7\u00f5es para todos, n\u00e3o somente para os pacientes em estado comatoso, os neonatos com defeitos, os velhos enfermi\u00e7os, e outros diferentes de \u201cn\u00f3s\u201d. Debaixo da \u00e9tica do \u201cindividualismo\u201d n\u00e3o h\u00e1 princ\u00edpio que impe\u00e7a que uma ra\u00e7a classifique outras ra\u00e7as como n\u00e3o plenamente humanas e de escraviz\u00e1-las ou elimin\u00e1-las. N\u00e3o h\u00e1 princ\u00edpio responsabilizando aqueles que procuram degradar os outros ao status de \u201cn\u00e3o-pessoas\u201d. N\u00e3o h\u00e1 princ\u00edpio condenando os pais que recorrem a testes pr\u00e9-natais para determinar o sexo de um feto e depois abortam se for menina. N\u00e3o h\u00e1 princ\u00edpio para impedir que uma sociedade determine que o pleno status humano n\u00e3o seja atingido antes dos 3 ou 4 anos, e de fundar centros para eliminar as \u201cn\u00e3o-pessoas\u201d indesej\u00e1veis. N\u00e3o h\u00e1 princ\u00edpio para impedir a clonagem de um indiv\u00edduo, ou o uso do ser humano como um estoque de \u00f3rg\u00e3os avulsos. Podemos recuar destas sugest\u00f5es, mas a verdade \u00e9 que quando abandonamos o imperativo b\u00edblico de que a vida humana inocente \u00e9 sagrada e n\u00e3o pode ser tocada, estamos todos debaixo de risco, porque quando os fortes dominam, \u201ca for\u00e7a faz o direito\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Quando moralistas crist\u00e3os chegam \u00e0s mesmas conclus\u00f5es que os darwinistas sobre nossas obriga\u00e7\u00f5es para com o nosso pr\u00f3ximo, \u00e9 tempo de pensar cuidadosamente. Deus nos criou, e Ele conhece o mal de que somos capazes. Por esta raz\u00e3o, Ele nos instruiu a tratar todos os seres humanos como dignos de respeito. Nem o \u201cindividualismo moral\u201d nem a \u00e9tica da \u201cpersonalidade\u201d \u00e9 compat\u00edvel com a interpreta\u00e7\u00e3o tradicional das Escrituras, e isso deveria ser raz\u00e3o suficiente para rejeit\u00e1-los. Mas, al\u00e9m disso, para aqueles cuja f\u00e9 \u00e9 fraca, a hist\u00f3ria oferece muitas demonstra\u00e7\u00f5es de que antes de qualquer matan\u00e7a tem havido uma divis\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em \u201cnosso grupo\u201d (protegido) e \u201cos demais\u201d (n\u00e3o protegidos) que torna permiss\u00edvel ir adiante com a matan\u00e7a. A maior parte dos moralistas relativistas n\u00e3o tem esta inten\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o simplesmente tentando criar uma base n\u00e3o-dogm\u00e1tica, racionalista para um comportamento que eles julgam apropriado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Creio que James Rachels tem raz\u00e3o em seu argumento: Uma pessoa n\u00e3o pode ser darwinista e manter de modo l\u00f3gico a opini\u00e3o tradicional de que a vida humana \u00e9 sagrada. A pergunta mais imediata para os crist\u00e3os parece ser mais relevante: Pode uma pessoa crer que a vida humana n\u00e3o \u00e9 sagrada e ainda ser crist\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p class=\"about\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo publicado em <\/p>\n<p> <a href=\"http:\/\/dialogue.adventist.org\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-33\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2010\/12\/dialogo.jpg\" border=\"0\" width=\"200\" height=\"62\" style=\"border: 0px none; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Earl Aagaard (Ph.D., Colorado State University) \u00e9 professor de biologia no Pacific Union College. Seu endere\u00e7o postal: 3 College Ave., Angwin, California 94508. 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