{"id":164,"date":"2013-03-04T02:13:16","date_gmt":"2013-03-04T05:13:16","guid":{"rendered":"https:\/\/filosofiadasorigens.scb.org.br\/2013\/03\/04\/o-segundo-principio-da-termodinamica\/"},"modified":"2022-10-30T18:40:08","modified_gmt":"2022-10-30T21:40:08","slug":"o-segundo-principio-da-termodinamica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/colunas\/fui-um-evolucionista\/o-segundo-principio-da-termodinamica\/","title":{"rendered":"O Segundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\">Considera\u00e7\u00f5es Sobre o Segundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica e a Concep\u00e7\u00e3o do Universo Como Sistema Aberto ou Fechado<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">por Ruy Carlos de Camargo Vieira<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem sido reconhecido que o Segundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica apresenta aspectos metaf\u00edsicos que apontam para a exist\u00eancia de um Criador do Universo. N\u00e3o obstante, tem havido muita rea\u00e7\u00e3o da corrente naturalista, que prima pela defesa do materialismo e do ate\u00edsmo, contra asser\u00e7\u00f5es feitas at\u00e9 mesmo em livros did\u00e1ticos por autores que honestamente reconhecem esses aspectos metaf\u00edsicos embutidos no Segundo Princ\u00edpio. Caso t\u00edpico \u00e9 o do conhecido livro Fundamentals of Classical Thermodynamics, de autoria de Gordon J. Van Wylen e Richard E. Sonntag, traduzido para o Portugu\u00eas com o t\u00edtulo \u201cFundamentos da Termodin\u00e2mica Cl\u00e1ssica\u201d e adotado em numerosos cursos de Engenharia Mec\u00e2nica no Brasil.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-155\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen00a.png\" border=\"0\" alt=\"Livro de Termo Americano\" style=\"float: left; border: 0; margin: 2px;\" width=\"196\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen00a.png 196w, https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen00a-193x300.png 193w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-156\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen00b.png\" border=\"0\" alt=\"Livro de Termo Americano\" style=\"border: 0; margin: 2px;\" width=\"222\" height=\"311\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen00b.png 222w, https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen00b-214x300.png 214w\" sizes=\"(max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-157\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen00c.png\" border=\"0\" alt=\"Livro de Termo Americano\" width=\"162\" height=\"214\" style=\"border: 0; float: right; margin: 2px;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00c0 esquerda, capas do livro \u201cFundamentals of Classical Thermodynamics\u201d(1959) <br \/>de Gordon J. Van Wylen e Richard Sonntag, e \u00e0 direita, fotografia de Van Wylen.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Van Wylen, nascido em 1920, formou-se em Engenharia Mec\u00e2nica na Universidade de Michigan em 1940, onde foi Chefe do Departamento de Engenharia Mec\u00e2nica a partir de 1969 e posteriormente Reitor da Universidade. Aposentou-se em 1987, e foi um crist\u00e3o professo que manteve um grupo semanal de estudos da B\u00edblia em seu lar por mais de sessenta anos. Sua vida inspirou o engenheiro professor de Termodin\u00e2mica e pastor ordenado Gilbert Wedekind a publicar em 2003 o livro \u201cEntropia Espiritual\u201d [Spiritual Entropy: Life-Changing Insights Revealed by a Unique Natural Law (pp. ix, 148). Xulon Press]. Seu livro \u201cFundamentals of Classical Thermodynamics\u201d, publicado originalmente em 1959, teve numerosas edi\u00e7\u00f5es, incluindo tradu\u00e7\u00f5es para outras l\u00ednguas. No Pref\u00e1cio, ele afirmava que esse seu livro havia sido escrito \u201ccom o aux\u00edlio e a gra\u00e7a de Deus, o Criador do Universo\u201d (p\u00e1gina xi da edi\u00e7\u00e3o original). Na segunda edi\u00e7\u00e3o (1973), ele e o co-autor Richard Sonntag (nascido em 1933 e falecido em 2010), acrescentaram no cap\u00edtulo dedicado \u00e0 \u201centropia\u201d um trecho com coment\u00e1rios sobre alguns aspectos filos\u00f3ficos relacionados com essa fun\u00e7\u00e3o termodin\u00e2mica. <\/p>\n<p>Antes de tecer algumas considera\u00e7\u00f5es sobre esses coment\u00e1rios dos autores, por\u00e9m, \u00e9 oportuno destacar que a denomina\u00e7\u00e3o \u201cTermodin\u00e2mica Cl\u00e1ssica\u201d utilizada em seu livro, em princ\u00edpio tem sido usada para caracterizar a fase do desenvolvimento da Termodin\u00e2mica anterior \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do modelo da estrutura at\u00f4mica da mat\u00e9ria (em torno de 1890). Por esse fato, essa denomina\u00e7\u00e3o abrange o estudo da Termodin\u00e2mica feito independentemente de quaisquer modelos que tivessem sido ou que ainda viessem a ser estabelecidos para a constitui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. Deste fato \u00e9 que resulta a grande potencialidade da Termodin\u00e2mica Cl\u00e1ssica para a explica\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos de interc\u00e2mbio de energia, como se pode depreender da manifesta\u00e7\u00e3o seguinte, feita por algu\u00e9m indubitavelmente credenciado para tal: \u201cUma teoria \u00e9 t\u00e3o mais poderosa quanto maior for a simplicidade de suas premissas, quanto mais diferentes esp\u00e9cies de coisas ela abranja e quanto mais extenso for o campo de sua aplica\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a profunda impress\u00e3o que a Termodin\u00e2mica Cl\u00e1ssica tem me causado. Ela \u00e9 a \u00fanica teoria f\u00edsica que apresenta conte\u00fado universal com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual estou convencido que jamais cair\u00e1 por terra, no \u00e2mbito da aplicabilidade de seus conceitos.\u201d [(a) Einstein, Albert. (autor), Paul Arthur, Schilpp (editor). (1979). Autobiographical Notes. A Centennial Edition, (p. 31). Open Court Publishing Company. (b) Cita\u00e7\u00e3o encontrada em Don Howard, John Stachel. Einstein: The Formative Years, 1879-1909 (Einstein Studies, vol. 8). Birkh\u00e4user Boston. 2000. (p. 1)]. Isso posto, faremos algumas despretensiosas considera\u00e7\u00f5es sobre alguns daqueles aspectos filos\u00f3ficos relacionados com a fun\u00e7\u00e3o termodin\u00e2mica \u201centropia\u201d, mencionados na tradu\u00e7\u00e3o brasileira do livro de Van Wylen e Sonntag que foi publicada pela Editora da USP em co-edi\u00e7\u00e3o com a Editora Edgard Bl\u00fccher com o t\u00edtulo \u201cFundamentos da Termodin\u00e2mica Cl\u00e1ssica\u201d. Destacamos, inicialmente, que \u00e0 p\u00e1gina 219 dessa edi\u00e7\u00e3o em Portugu\u00eas, no item 7.14 \u2013 \u201cAlguns Coment\u00e1rios Gerais Referentes \u00e0 Entropia\u201d \u2013 consta o trecho transcrito a seguir:<\/p>\n<p><em>&#8220;O coment\u00e1rio final a ser feito \u00e9 que a Segunda Lei da Termodin\u00e2mica e o Princ\u00edpio do Aumento da Entropia t\u00eam implica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas. <\/em><\/p>\n<ul>\n<li><em>Aplica-se a Segunda Lei da Termodin\u00e2mica ao Universo como um todo? <\/em><\/li>\n<li><em>Ser\u00e1 que h\u00e1 processos desconhecidos por n\u00f3s que ocorram em algum lugar do Universo, tais como \u201ccria\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\u201d, aos quais est\u00e1 associada uma diminui\u00e7\u00e3o de entropia e que compensam assim o aumento cont\u00ednuo da entropia que est\u00e1 associado aos processos naturais que conhecemos? <\/em><\/li>\n<li><em>Se a Segunda Lei \u00e9 v\u00e1lida para o Universo (n\u00e3o sabemos, \u00e9 claro, se o Universo pode ser considerado como um sistema isolado), como \u00e9 que ele chegou ao estado de entropia baixa? <\/em><\/li>\n<li><em>Na outra extremidade da escala, se todos os processos conhecidos por n\u00f3s est\u00e3o associados a um aumento de entropia, qual \u00e9 o futuro do mundo natural como o conhecemos? <\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Obviamente, \u00e9 imposs\u00edvel dar respostas conclusivas a essas perguntas com base apenas na Segunda Lei da Termodin\u00e2mica. No entanto, os autores enxergam a Segunda Lei da Termodin\u00e2mica como a descri\u00e7\u00e3o, pelo homem, do trabalho anterior e cont\u00ednuo de um Criador, que tamb\u00e9m possui a resposta para o destino do homem e do Universo. (Mai\u00fasculas supridas em Universo e Criador).&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante destacar que esse trecho, que deixou clara a manifesta\u00e7\u00e3o dos autores a respeito da sua posi\u00e7\u00e3o criacionista, inexplicavelmente foi suprimido depois da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do livro em Portugu\u00eas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos deixar de nos manifestar que, da mesma forma como exposto pelos autores na segunda edi\u00e7\u00e3o de seu livro em Ingl\u00eas, reconhecemos tamb\u00e9m que o Segundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica tem \u201cimplica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas\u201d que apontam para a exist\u00eancia de um Criador do Universo. Reconhecemos, tamb\u00e9m, que esse Criador revelou Seus des\u00edgnios e prop\u00f3sitos nas Escrituras, onde temos informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas tanto sobre a origem como sobre o destino do homem e do Universo. E quanto \u00e0 raz\u00e3o da supress\u00e3o do referido trecho nas edi\u00e7\u00f5es posteriores do livro, somos levados a crer que esse fato deveu-se exclusivamente \u00e0 tentativa de eliminar a manifesta\u00e7\u00e3o dos autores a favor daquele Criador que tamb\u00e9m tem a resposta tanto para a origem como para o destino do homem e do Universo, em face da press\u00e3o cada vez maior que vem sendo exercida pelos adeptos da forte corrente materialista e ate\u00edsta, que t\u00eam lutado contra a inser\u00e7\u00e3o de qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de cunho criacionista nos livros did\u00e1ticos e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Com esse pano de fundo, seguem algumas considera\u00e7\u00f5es de natureza termodin\u00e2mica cl\u00e1ssica mais espec\u00edficas, consent\u00e2neas com a posi\u00e7\u00e3o criacionista relacionada com implica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas a respeito da origem e do destino do homem e do Universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>RELACIONANDO O SEGUNDO PRINC\u00cdPIO DA TERMODIN\u00c2MICA COM A ORIGEM E O DESTINO DO HOMEM E DO UNIVERSO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo bastante ilustrativo da rela\u00e7\u00e3o existente entre o Segundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica e a atua\u00e7\u00e3o do Criador nos Seus atos da cria\u00e7\u00e3o do Universo e tamb\u00e9m da sua manuten\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o pode ser visualizado no funcionamento de um refrigerador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um \u201crefrigerador\u201d, ou \u201cm\u00e1quina frigor\u00edfica\u201d \u00e9 um dispositivo destinado a retirar calor de um ambiente utilizando um ciclo frigor\u00edfico em que um determinado fluido evapora-se retirando calor desse ambiente, para depois condensar-se entregando esse calor a outro ambiente, acrescido do equivalente t\u00e9rmico da energia mec\u00e2nica introduzida no dispositivo motor\/compressor utilizado para efetivar a circula\u00e7\u00e3o do fluido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Figura 1 apresentam-se ilustra\u00e7\u00f5es de um refrigerador do tipo comumente utilizado em resid\u00eancias, destacando seus componentes termodin\u00e2micos b\u00e1sicos, com e sem o arcabou\u00e7o que o complementa para servir \u00e0s finalidades pr\u00e1ticas do seu uso dom\u00e9stico. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-158\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen01.png\" border=\"0\" alt=\"Figura 1\" width=\"660\" height=\"495\" style=\"border: 0px none; display: block; margin: 2px auto;\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen01.png 660w, https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen01-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Utilizando a representa\u00e7\u00e3o usual na Termodin\u00e2mica, em que os dispositivos complexos nos quais se processam as transforma\u00e7\u00f5es de estado do fluido frigor\u00edfico s\u00e3o indicados por blocos, o refrigerador, como m\u00e1quina frigor\u00edfica de compress\u00e3o mec\u00e2nica, pode ser representado pelo esquema da Figura 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-159\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen02.png\" border=\"0\" alt=\"Figura 2\" width=\"660\" height=\"495\" style=\"border: 0px; margin-top: 2px; margin-bottom: 2px;\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen02.png 549w, https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen02-300x226.png 300w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><br \/><strong>Figura 2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa Figura 2 est\u00e3o indicados os componentes b\u00e1sicos da m\u00e1quina frigor\u00edfica:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Compressor, onde o fluido frigor\u00edfico, na forma de vapor, \u00e9 comprimido do estado de vapor saturado (1) com baixa press\u00e3o, para o estado de vapor superaquecido (2), com press\u00e3o mais elevada.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Condensador, onde o fluido frigor\u00edfico se resfria cedendo calor para o ambiente externo, partindo do estado de vapor superaquecido (2) at\u00e9 atingir o estado de vapor saturado com menor temperatura, e continuando a ceder calor condensando-se sob press\u00e3o e temperatura (de vapor saturado) constantes, at\u00e9 atingir o estado l\u00edquido (3).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">V\u00e1lvula de expans\u00e3o, onde o l\u00edquido resultante da condensa\u00e7\u00e3o no estado (3) sofre uma transforma\u00e7\u00e3o isoent\u00e1lpica at\u00e9 atingir o estado de vapor (4) com a press\u00e3o e a temperatura mantidas no evaporador.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Evaporador, onde o fluido frigor\u00edfico evapora-se sob press\u00e3o e temperatura constantes desde o estado de vapor (4) at\u00e9 o estado de vapor saturado (1), encerrando-se assim o ciclo frigor\u00edfico.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas transforma\u00e7\u00f5es de estado do fluido frigor\u00edfico ocorridas em um ciclo simples, como o indicado na Figura 2, podem ser visualizadas na forma de um \u201cdiagrama entr\u00f3pico\u201d representado em um plano cujas coordenadas s\u00e3o a entropia S e a temperatura absoluta T, no qual s\u00e3o indicadas as linhas de press\u00e3o constante e as linhas de entalpia constante, como representado graficamente na Figura 3.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-160\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen03.png\" border=\"0\" alt=\"Figura 3\" width=\"660\" height=\"495\" style=\"border: 0px none; display: block; margin: 2px auto;\" srcset=\"https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen03.png 545w, https:\/\/scb.org.br\/filosofiadasorigens\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen03-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse diagrama entr\u00f3pico est\u00e3o indicados:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">O trabalho mec\u00e2nico L introduzido no fluido frigor\u00edfico pelo dispositivo denominado \u201ccompressor\u201d no decorrer da transforma\u00e7\u00e3o do estado (1) ao estado (2),<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">A quantidade de calor Q1 retirada do ambiente que est\u00e1 sendo refrigerado e introduzida no fluido frigor\u00edfico no decorrer da transforma\u00e7\u00e3o do estado (4) ao estado (1) ocasionando a sua evapora\u00e7\u00e3o a temperatura constante no dispositivo denominado \u201cevaporador\u201d, e<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">A quantidade de calor Q2 cedida pelo fluido frigor\u00edfico ao ambiente externo durante os processos de resfriamento no decorrer da transforma\u00e7\u00e3o do estado (2) ao estado (3) incluindo a condensa\u00e7\u00e3o a temperatura constante, ocorridos no dispositivo denominado \u201ccondensador\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os respectivos processos de transforma\u00e7\u00e3o do fluido frigor\u00edfico ocorridos durante o ciclo simples percorrido pela m\u00e1quina frigor\u00edfica, conforme exposto acima, podem ser devidamente visualizados no dispositivo did\u00e1tico que foi chamado de \u201cm\u00e1quina frigor\u00edfica transparente\u201d (Figura 4), especialmente projetada e constru\u00edda para ilustrar os fen\u00f4menos de evapora\u00e7\u00e3o e condensa\u00e7\u00e3o observados no ciclo simples que foi considerado, permitindo tamb\u00e9m as medidas de press\u00e3o e de temperatura nos v\u00e1rios pontos do ciclo indicados no respectivo esbo\u00e7o de diagrama entr\u00f3pico representado na Figura 3. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-161\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen04.png\" border=\"0\" alt=\"Figura 4\" width=\"660\" height=\"495\" style=\"border: 0px none; display: block; margin: 2px auto;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 simplesmente impressionante poder-se observar, nessa m\u00e1quina frigor\u00edfica transparente, como, ao ser ligado o compressor, inicia-se o processo de circula\u00e7\u00e3o do fluido frigor\u00edfico, e como ocorrem os processos de condensa\u00e7\u00e3o e de evapora\u00e7\u00e3o, e particularmente como se inicia a diminui\u00e7\u00e3o da temperatura no evaporador e o consequente aumento de temperatura no condensador at\u00e9 ser atingida uma situa\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio em que continuamente \u00e9 retirado calor de uma fonte fria para ser transmitido a uma fonte quente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, da mesma forma, como, ao ser desligado o compressor, ao cessar o fornecimento de energia que possibilitou o processo de retirada de calor de uma fonte fria e sua transmiss\u00e3o a uma fonte quente, a m\u00e1quina \u201cmorre\u201d e entram em a\u00e7\u00e3o os processos de degrada\u00e7\u00e3o que levam \u00e0 \u201cmorte t\u00e9rmica\u201d final do sistema, ou seja, tudo volta \u00e0 temperatura ambiente, sendo atingida a configura\u00e7\u00e3o de m\u00e1xima entropia do sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso que se visualiza qualitativamente na m\u00e1quina frigor\u00edfica transparente \u00e9 exatamente o que os pr\u00f3prios Princ\u00edpios da Termodin\u00e2mica exprimem de forma quantitativa. De fato, voltando-se aos esquemas ilustrados nas Figuras 2 e 3, obedecidas as nota\u00e7\u00f5es ali introduzidas, pode-se escrever a express\u00e3o quantitativa do \u201cPrimeiro Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica\u201d sob a seguinte forma<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Q2 = L + Q1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que explicita a conserva\u00e7\u00e3o da energia no decorrer da execu\u00e7\u00e3o de um ciclo na m\u00e1quina frigor\u00edfica em quest\u00e3o. Ou seja, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de um ciclo completo, a soma da energia mec\u00e2nica L introduzida no fluido frigor\u00edfico pelo compressor mec\u00e2nico, com a energia t\u00e9rmica Q1 introduzida no fluido frigor\u00edfico atrav\u00e9s do dispositivo evaporador (advinda do ambiente que est\u00e1 sendo refrigerado) iguala a energia t\u00e9rmica Q2 transmitida ao ambiente externo atrav\u00e9s do dispositivo condensador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a mesma express\u00e3o anterior pode tamb\u00e9m explicitar muito bem o conte\u00fado qualitativo contido no \u201cSegundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica\u201d, ou seja, pode-se inferir que, sem a introdu\u00e7\u00e3o da energia mec\u00e2nica (L= 0) no compressor desse sistema especialmente projetado e constru\u00eddo para retirar energia de uma fonte fria, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a transfer\u00eancia de calor espontaneamente da fonte fria para a fonte quente, isto \u00e9, sendo L=0, ser\u00e1 tamb\u00e9m<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Q1 = Q2 = 0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, essa infer\u00eancia poderia ser esquematizada mediante a ilustra\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica que se encontra na Figura 5, onde o sistema fechado constitu\u00eddo pela m\u00e1quina frigor\u00edfica apresenta-se desligado da fonte externa de energia que poderia acionar esse dispositivo especialmente projetado para possibilitar a transfer\u00eancia de calor de uma fonte fria para uma fonte quente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> Sistema fechado ou \u201cisolado\u201d<\/strong> <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-162\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen05.png\" border=\"0\" alt=\"Figura 5\" width=\"660\" height=\"495\" style=\"border: 0px none; display: block; margin: 2px auto;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ser desligada a fonte de energia externa que era necess\u00e1ria para manter o sistema exercendo as fun\u00e7\u00f5es para as quais havia ele sido planejado e executado, o sistema que anteriormente era aberto, nesse caso torna-se fechado (ou isolado), e nele s\u00f3 passam a ser poss\u00edveis, em conformidade com o pr\u00f3prio Segundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica, transforma\u00e7\u00f5es em que o valor da entropia S sempre aumente (dS&gt;0), o que significa que tudo nele tender\u00e1 a se degradar, at\u00e9 ocorrer finalmente a \u201cmorte t\u00e9rmica\u201d desse sistema fechado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale relembrar, entretanto, que, admitindo-se que uma fonte de energia externa a esse sistema (especialmente projetado para possibilitar a transfer\u00eancia de calor de uma fonte fria para uma fonte quente) o esteja alimentando, ser\u00e1 perfeitamente poss\u00edvel a ocorr\u00eancia de transforma\u00e7\u00f5es nesse sistema aberto, com diminui\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o do valor da entropia S (.S=0), o que significa que poder\u00e3o ocorrer no sistema transforma\u00e7\u00f5es que se oponham a sua degrada\u00e7\u00e3o e \u00e0 sua \u201cmorte t\u00e9rmica\u201d, conforme ilustrado esquematicamente na Figura 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Sistema aberto<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-163\" src=\"https:\/\/filosofiadasorigens.org.br\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2013\/03\/vanwylen06.png\" border=\"0\" alt=\"Figura 6\" width=\"660\" height=\"495\" style=\"border: 0px none; display: block; margin: 2px auto;\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Extrapolando esses conceitos meramente termodin\u00e2micos, mas que, conforme Van Wylen e Sonntag, apresentam implica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, desejamos destacar a declara\u00e7\u00e3o b\u00edblica de que \u201cAs vossas iniquidades fazem separa\u00e7\u00e3o entre v\u00f3s e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de v\u00f3s\u201d (Isa\u00edas 59:2). Para tornar mais claro o significado desse texto, lembramos que a defini\u00e7\u00e3o b\u00edblica de \u201cpecado\u201d encontra-se na Primeira Ep\u00edstola do Ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, cap\u00edtulo3, vers\u00edculo 4 \u2013 \u201c&#8230; porque o pecado \u00e9 a transgress\u00e3o da lei\u201d. Em algumas tradu\u00e7\u00f5es do texto b\u00edblico essa mesma passagem reza explicitamente: \u201c&#8230; porque o pecado \u00e9 iniquidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim o relato b\u00edblico da \u201cQueda\u201d, que se encontra no cap\u00edtulo 3 do Livro de G\u00eanesis, deixa expl\u00edcito que a transgress\u00e3o, iniquidade ou pecado do primeiro casal teria (e teve) consequ\u00eancias funestas de degrada\u00e7\u00e3o e morte, e sob o prisma da Termodin\u00e2mica Cl\u00e1ssica podemos ent\u00e3o compreender que essas consequ\u00eancias derivaram da separa\u00e7\u00e3o ocasionada pelo pecado \u2013 o sistema inicial que era <span style=\"text-decoration: underline;\">aberto<\/span> tornou-se <span style=\"text-decoration: underline;\">fechado<\/span>, isolado da fonte de energia que o poderia manter funcionando sem degrada\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, n\u00e3o deixa de ser poss\u00edvel a suposi\u00e7\u00e3o de que a Cria\u00e7\u00e3o tenha correspondido a uma situa\u00e7\u00e3o em que o Universo tivesse sido um <span style=\"text-decoration: underline;\">sistema aberto<\/span>, alimentado constantemente pela fonte externa de energia provida diretamente pelo Criador, onde ocorressem transforma\u00e7\u00f5es caracterizadas pela diminui\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o do valor da entropia, opondo-se portanto \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o e consequentemente \u00e0 morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, por outro lado, com a entrada do pecado no Universo, uma vez tendo sido ocasionada a separa\u00e7\u00e3o do Criador, aquela liga\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o permanentemente supridora de vida, tenha sido cortada, resultando, ent\u00e3o, um <span style=\"text-decoration: underline;\">sistema fechado<\/span> caracterizado por transforma\u00e7\u00f5es com aumento do valor da entropia e consequentemente pela degrada\u00e7\u00e3o e a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o essas li\u00e7\u00f5es que, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, podem ser inferidas das duas situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas que foram consideradas nos exemplos de comportamento termodin\u00e2mico da m\u00e1quina frigor\u00edfica nas duas situa\u00e7\u00f5es distintas, em que ou foi constitu\u00eddo um <span style=\"text-decoration: underline;\">sistema aberto<\/span> ou um <span style=\"text-decoration: underline;\">sistema fechado<\/span> (Figuras 5 e 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, para finalizar, certamente o sistema fechado atual em breve ser\u00e1 transformado, tornando-se novamente um sistema aberto com a interven\u00e7\u00e3o direta do Criador, de tal forma que nele n\u00e3o mais haver\u00e1 degrada\u00e7\u00e3o e morte, conforme as declara\u00e7\u00f5es b\u00edblicas: \u201cPois eis que Eu crio novos c\u00e9us e nova terra, e n\u00e3o haver\u00e1 lembran\u00e7a das coisas passadas\u201d (Isa\u00edas 59:17), \u201c&#8230; E Deus mesmo estar\u00e1 com eles, e lhes enxugar\u00e1 dos olhos toda a l\u00e1grima, e a morte j\u00e1 n\u00e3o existir\u00e1, j\u00e1 n\u00e3o haver\u00e1 luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram\u201d (Apocalipse 21:3-4). <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considera\u00e7\u00f5es Sobre o Segundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica e a Concep\u00e7\u00e3o do Universo Como Sistema Aberto ou Fechado por Ruy Carlos de Camargo Vieira INTRODU\u00c7\u00c3O Tem sido reconhecido que o Segundo Princ\u00edpio da Termodin\u00e2mica apresenta aspectos metaf\u00edsicos que apontam para a exist\u00eancia de um Criador do Universo. 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